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[Review] Zenfone 6, o smartphone gigante da Asus

Zenfone 6 na mão.

Depois de entrar no mercado brasileiro fazendo barulho com o Zenfone 5, a Asus lançou, a tempo do Natal, um smartphone maior e mais caro, o Zenfone 6. O número seis indica o tamanho da tela em polegadas. Isso e algumas características sob o capô são as únicas diferenças entre os dois modelos, já que visualmente eles são quase idênticos.

O Zenfone 6 cai naquela categoria de smartphones muito grandes junto com outros que já passaram por aqui — Lumias 1520 e 1320, G Flex e Xperia T2 Ultra. Sim, usar um smartphone desse tamanho continua incômodo, mas será que suas virtudes conseguem fazer o usuário relevar esse “detalhe”? É o que descobriremos agora.

O Zenfone 6 é grande — e parece ainda maior

De todos os smartphones de seis polegadas que passaram por aqui, o Zenfone 6 foi o mais alto (166,9 mm) e o mais grosso (9,9 mm). Em largura, ele só é mais fino que os dois Lumias gigantes da Microsoft. Em peso, seus 196 g só são mais leves que os 209 g do Lumia 1520. Então é bom que se saiba, de início, que trata-se de um aparelho gigante e, portanto, incômodo em diversas situações triviais, de andar com ele no bolso a usá-lo para uma consulta rápida.

Os dois smartphones da Asus, lado a lado.

O mercado mudou um pouco em 2014 e smartphones enormes viraram a nova regra — mesmo os últimos bastiões dos aparelhos para mãos humanas, Moto G/X e iPhone, cresceram consideravelmente. Ainda assim, considere uma olhada ao vivo num Zenfone 6 antes de comprá-lo. Para quem carrega o smartphone na bolsa e não se incomoda em ter que obrigatoriamente usá-lo com as duas mãos, sem problemas; para todos os outros perfis, as dimensões podem ser um problema sério.

Dentro do Zenfone 6 você encontra basicamente os mesmos componentes do seu irmão menor: um SoC Intel Atom Z2580 rodando a 2 GHz e com quatro núcleos (dois “virtuais”, graças ao Hyper Threading), 2 GB de RAM e todo o rol de conexões e padrões sem fio que se espera de um Android intermediário, com duas exceções: nada de NFC, nem rádio FM — esse último presente no Zenfone 5. Em contrapartida, o Zenfone 6 ganha giroscópio, o que ajuda em alguns joguinhos e na hora de usufruir de recursos da câmera, como o Photosphere do Google.

A tela, com seis polegadas, mantém a mesma resolução de 1280×720. Com a diferença de área física, ela diminui a densidade de pixels para 245 PPI. Não compromete, mas poderia ser melhor. Parece-me que a Asus optou por deixar os elementos da interface maiores, uma abordagem que maquia melhor a resolução abaixo do que seria o mais indicado para uma tela tão grande. Fidelidade de cores, brilho, ângulos de visão e contraste são todos muito bons, a exemplo dos da (ótima) tela do Zenfone 5.

A câmera é uma agradável surpresa.

Uma área em que o Zenfone 6 justifica o status e preço superiores ao do Zenfone 5 é a câmera. Ela tem resolução maior (13 contra 8 mega pixels) e entrega resultados muito melhores. Tudo o que a câmera do Zenfone 5 tem de artificial e inconsistente, a do Zenfone 6 ignora e devolve em fotos mais naturais e fáceis de se fazer.

A impressão é de que esta câmera é mais “consciente” das suas limitações e não fica tentando, por software, superá-las. Ainda ha ruído aqui e ali, e estranhamente o nível se eleva assustadoramente com o HDR ativado, mas no geral o salto em qualidade em relação ao Zenfone 5 é notável.

Veja alguns exemplos (essas e outras foto, em resolução natural, neste álbum no Flickr):

Detalhe de um Moto Maxx. Foto feita com o Zenfone 6.
Detalhes muito bons. f/2, 1/40s, ISO 170. Crop em 100%.
Foto de pelúcia e outros objetos feita com o Zenfone 6.
Iluminação média, resultado ótimo. f/2, 1/60s, ISO 80. Redimensionada para 730×415.
Foto de prédios e céu em HDR, feita com o Zenfone 6.
Mesmo redimensionada, dá para ver o granulado no céu desta foto em HDR. f/2, 1/2500s, ISO 50. Redimensionada para 730×415.
Prédios contra o céu azul em foto feita com o Zenfone 6.
Um pouco de ruído, mas detalhes bem bons. f/2, 1/3333s, ISO 50. Crop em 100%.

O calcanhar de Aquiles: bateria

A bateria, apesar de grande, decepciona.

Talvez a única grande decepção do Zenfone 6 tenha sido a bateria. No papel, parece uma campeã — afinal são 3300 mAh! Na prática, é como aquele time que não brigou para fugir do rebaixamento, mas ficou longe de disputar o título.

Consegui, em média, um dia longe da tomada com uso moderado, majoritariamente conectado a uma rede Wi-Fi e usando apenas um SIM card. Com 3G ativo, a drenagem foi ainda mais rápida. É muita carga para ser gasta em tão pouco tempo e o que era a grande esperança de ser o principal diferencial em relação ao Zenfone 5 acabou ficando perigosamente próximo do desempenho pífio desse em bateria.

Qual o culpado? A minha suspeita é o SoC da Intel. O restante das configurações, incluindo a tela, não tem um ponto que aparenta ser gastão. A tela, aliás, que poderia desempenhar tal papel, apesar do tamanho tem uma resolução relativamente baixa e o sensor de luminosidade está presente, ajustando o brilho de acordo com a luz ambiente. Então nos resta o SoC. Talvez seja só questão de otimização, coisa que uma atualização de software futura consiga amenizar, ou algo inerente ao projeto, situação que seria mais difícil de contornar. Seria preciso testar mais modelos equipados com essa geração do Atom, de preferência de fabricantes diferentes, para dar um veredito, mas a impressão que ficou depois de passar um bom tempo com os dois representantes da Asus no Brasil é de que a Intel ainda não chegou se acertou em termos de autonomia.

Android e ZenUI

https://www.youtube.com/watch?v=RQYfRT91WSo

Tudo o que escrevi sobre o software do Zenfone 5 vale para o Zenfone 6. É o mesmíssimo Android com a camada ZenUI aplicada por cima. Isso significa um Android modificado, apps extras incluídos de fábrica e um visual que divide opiniões — ele é “flat” e, em alguns pontos, bonitos, mas no geral passa longe de ser tão agradável quanto o Material Design do Android 5.0.

Um ponto causador de receios, mas que parece superado é o da compatibilidade de apps com o SoC x86 da Intel. Dos que testei nesse e no Zenfone 5, não tive problemas (tive apenas um problema no visual de um jogo com o modelo menor). Todos os demais que rodei, a maioria apps populares na Play Store, rodaram sem quaisquer estranhezas. Parece que, enfim, esse é uma fonte de preocupação a menos na lista de tarefas dos engenheiros da Intel.

Voltando ao Android, a grande expectativa é como a ZenUI reagirá ao novo Android. (A Asus prometeu atualizar seus dois smartphones no primeiro semestre de 2015.) Se a adaptação do Android 4.3/4.4 for indício de alguma coisa, é de se esperar que o Android perca muito do que o faz ser tão bonito e fluído em sua última versão, o que é sempre uma pena e uma evidência de que por melhor que seja uma skin sobreposta ao sistema original, ela sempre gerará algum incômodo ao usuário.

Vale a pena?

Detalhe da tela do Zenfone 6.

Por R$ 999, o Zenfone 6 é uma opção considerável para quem busca um smartphone fácil de ser confundido com um tablet sem gastar tanto e que suporte dois SIM cards. As alternativas mais diretas são o Xperia T2 Ultra da Sony e o Lumia 1320, da Microsoft. O primeiro é o que mais me agradou, pelo corpo fino, tela legal e visual mais premium — e é, também, dual SIM. O Zenfone 6 é mais pesado e não bastasse ser maior, passa a impressão de ser ainda mais graças às bordas frontais grossas e à curvatura nas costas.

No geral, o Zenfone 6 é uma versão esticada do Zenfone 5 com a única vantagem, fora a tela maior (se isso for vantagem para você), de ter uma câmera superior. Com alternativas mais competitivas em sua faixa de preço, é uma opção menos tentadora, mas não deixa de ser uma.

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5 comentários

  1. comprei e estou super satisfeito. só gosto de smatfones grandes. com redes sociais,e-books a era dos mini já era. telefone já foi telefone, hoje, é um microcomputador que por acaso faz ligacoes. Não achei a duração da bateria ruim. todos o que tive…Sony, Samsung com uso constante tinham que carregar todo dia, enfim vale muito a pena comprar. o tamanho é ótimo pra quem gosta de ler, preço competitivo, ótima performance, design bacana, interface bem legal, aplicativos uteis…tudo de bom!

  2. Olho, olho, olho outros Androids e acabo na mesma: Ou é Puro ou não compro. Sobra a linha Nexus e Motorola. Ou iPhone se sair destes.

    Entendo essa diferencial. Mas não custava nada ter a opção “Play Edition”. Ok, custa…. sei que custa! Mas para os flagships era essencial. A linha Xperia Z com Android puro seria lindo.

  3. Eu não me adptei a essas telas enormes, eu tinha um nexus 4 e resolvi comprar um note 3, que é menor que o zenfone 6, não consegui ficar muito tempo com o note e mês passado comprei um moto x 2014. Espero que continuem fazendo smartphones com o design semelhante ao do moto x, apesar das 5,2″ ele é bem compacto, tem quase o mesmo tamanho do nexus 4. Cheguei a olhar um xperia Z3 mas ele tinha praticamente o tamanho do note 3, as marcas tem que começar a diminuir as bordas e parar de aumentar a tela.

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