O primeiro smartphone da Asus no Brasil.

[Review] Zenfone 5, a estreia em grande estilo da Asus no Brasil


16/10/14 às 10h03

O Zenfone 5 oficializa a entrada dos smartphones da Asus no mercado brasileiro. E a estreia é em um dos segmentos mais acirrados dos últimos meses, o dos intermediários, repleto de aparelhos similares e com valores que rondam os R$ 600.

Tomar a liderança de um certo smartphone aí não é das tarefas mais fáceis, mas a Asus, com uma campanha de lançamento grandiosa e muita confiança em seu taco, acha que é possível. Nas últimas semanas estive com uma unidade do Zenfone 5 e agora, com o produto já nas lojas, conto a você o que achei dele.

Elegância acessível

O Zenfone 5 é grande.

A cada novo smartphone com tela de 5 polegadas que é lançado, esse tamanho se consolida mais como o (estranho) novo padrão da indústria. O Zenfone 5 engrossa o grupo, mas ele parece maior do que a média. Os botões táteis (e que não se iluminam), o “queixo” com acabamento em radial e o topo com o logo da Asus estampado ocupam mais espaço que o desejável.

Se por um lado tais excessos tornam o Zenfone 5 maior, alguns emprestam elegância ao smartphone. É um aparelho bonito, de perto e de longe. O acabamento da parte inferior e dos botões laterais têm texturas marcantes, o plástico da tampa de trás é suave ao toque e as bordas, apesar de anguladas, não incomodam — graças ao formato côncavo, similar, porém mais conservador que os dos smartphones da Motorola e que escondem bem a espessura máxima de 10,3 mm. Sem pesar muito na mão (145 g), o tamanho do Zenfone 5 acaba sendo sua única característica que joga contra a ergonomia, o que é uma pena embora não comprometa o todo.

Moto G e Zenfone 5.
Moto G (2014) e Zenfone 5, lado a lado. Ambos têm telas de 5 polegadas.

Parte da beleza do Zenfone 5 advém do equilíbrio em sua composição. A minha unidade é branca e o contraste com a frente negra, mais o prata escuro do “queixo” casam muito bem. As conexões e portas estão dentro do que é esperado, ou seja, não sobram, não faltam e estão em bons lugares. Só me chamou a atenção a orientação da entrada microUSB, que é invertida quando comparada a praticamente todos os outros smartphones que existem.

A tela do Zenfone 5 é linda.

Deixando ergonomia e aparência de lado, a primeira coisa que você vê no Zenfone 5, a tela, agrada. Ela tem resolução de 1280×720, bom equilíbrio de cores, ótimo contraste e brilho, e continua visível mesmo sob ângulos quase impossíveis. Com 298 PPI, a definição é adequada: um ou outro gráfico ou fonte aparece levemente borrado, mas é esporádico e só perceptível se forçar a visão. É uma tela incrível, bem protegida com Gorilla Glass 3 e, definitivamente, um dos pontos altos do aparelho.

Por dentro, o que destaca o Zenfone 5 é seu SoC, um Intel Atom Z2560 rodando a 1,6 GHz. Este é o segundo smartphone com coração Intel a desembarcar no Brasil — o primeiro, o RAZR i da Motorola, foi lançado há distantes dois anos.

Jogo rodando no Zenfone 5.
Artefatos no jogo.

Rodar o Android num processador x86 não é mais sinônimo de dor de cabeça no que diz respeito à compatibilidade com apps e jogos. De todos os apps que testei, nenhum se comportou mal, ou apresentou lentidão. Apenas um jogo dos seis testados, Homem-Aranha Sem Limites, apresentou problemas: diversos artefatos em alguns cenários. Não parece ser nada grave, nem ao jogador (não atrapalha tanto, só fica feio), nem ao desenvolvedor corrigir isso. Mas é bom o futuro comprador do Zenfone 5 ter em mente que, embora raros, problemas do tipo podem ocorrer.

Outro, mais grave, que parece ter relação com o SoC da Intel é a autonomia da bateria (que por sinal é vedada).  Em nenhum dia de uso, mesmo nos mais leves, fui dormir com carga restante. Em dias de uso moderado (muita leitura, um pouco de redes sociais e bate-papo, uma ou outra foto e zero de jogos), o Zenfone 5 morria por falta de carga antes das 18h.

Foi o pior desempenho nesse quesito entre todos os smartphones que já passaram por aqui, mesmo com o “Economizador de energia” da Asus ativado. Durante todo o uso deixei ele no “Modo otimizado” (ou seja, no padrão, como faço com todo aparelho). Não foi suficiente. Existe um nível acima, o “ultra-econômico”, que corta as conexões quando a tela está desligada e deve melhorar o cenário, mas o preço é caro. E nem imagino como deva ser a autonomia com esse recurso desligado — existe a possibilidade.

Bateria, o ponto fraco do Zenfone 5.

De resto, as configurações são bem comuns: 8 ou 16 GB de memória (e um slot para microSD), suporte a dois SIM cards (conectividade apenas 3G), Bluetooth 4.0 (e nada de NFC) e os sensores de praxe, como de proximidade, luminosidade e acelerômetro.

Além da presença da Intel nas entranhas do Zenfone 5 e da bateria decepcionante, outra característica que chama a atenção, nesse caso positivamente, é a RAM, de 2 GB. Esse tipo específico de memória propicia uma multitarefa mais consistente, permitindo ao usuário abrir mais apps de uma vez só sem sobrecarregar o sistema. Nessa faixa de preço é normal vermos smartphones com 1 GB de RAM; o modelo da Asus dá um passo adiante.

Câmera PixelMaster

Esperava mais dessa câmera...

Quando a câmera de um smartphone passa pelo batismo e ganha um nome, cria-se uma grande expectativa em torno dela. Às vezes é uma que se justifica, como no caso da PureView do Lumia 1020; n’outras, como a Ultrapixel da linha HTC One, fica parecendo jogada de marketing. A PixelMaster do Zenfone 5 se encaixa no limiar dessas duas situações.

É uma câmera boa para um smartphone nesse preço. Ela faz fotos decentes à luz do dia e, à noite, faz fotos, o que já é um grande mérito. A Asus ressalta a capacidade quase sobrenatural do Zenfone 5 de tirar fotos praticamente no escuro. É legal, mas as fotos em condições muito adversas são, quando muito, apresentáveis — nada espetacular, ou que muda o mercado.

O maior problema é a artificialidade das imagens. Mesmo com bastante luz do Sol, parado e em composições simples, os resultados ficam… estranhos. Ora é um ponto de luz que estoura, ora é a cena toda que fica “lavada”. E quase sempre parece que o algoritmo exagera na definição e deixa detalhes sutis bem artificiais. São problemas que talvez possam ser resolvidos via software.

Há que se considerar o preço do dispositivo na análise, mas eu realmente esperava mais considerando todo o marketing da Asus em cima da PixelMaster. É uma câmera que não te deixará na mão, mas raramente o surpreenderá. Mas talvez isso seja suficiente, certo?

Algumas fotos feitas com o Zenfone 5 (tem mais neste álbum do Flickr):

Exemplo de sharpening mal feito pelo Zenfone 5.
F/2, 1/1111s, ISO 50. Crop em 100%. Exagero no sharpening deixou a foto artificial.
Estouro na iluminação.
f/2, 1/250s, ISO 50. Redimensionada para 720×405. Note o estouro no canto superior direito e a tonalidade azulada.
Exemplo de foto tirada à noite com o Zenfone 5.
f/2, 1/8s, ISO 410. Redimensionada para 720×405. Boa foto no modo noturno, mas com bastante ruído.

ZenUI: não tão ruim, mas melhor sem

O Zenfone 5 chegou aqui com o Android 4.2 e, dias antes da publicação desse review, foi atualizado para a 4.4. Por cima de ambas, a Asus aplicou a ZenUI, sua camada de software personalizado.

Algumas telas da ZenUI.

A Zen UI altera ícones, gráficos, partes importantes do sistema e o enche de aplicativos próprios. O visual, bastante plano e lembrando a Material Design do Google, é agradável na maior parte do tempo. Apenas em alguns cantos, como na textura pontilhada do widget do Whats’s Next, por exemplo, ela escorrega e se apresenta de maneira meio brega. Provavelmente alguns questionarão, também, a aplicação de cores chapadas nos apps e telas modificadas. Em alguns, como nos apps de tarefas e relógio, ficou bom; em outros, como na cortina de notificações, feio.

Configurações do Android com a ZenUI.Aliás, a cortina de notificações não é só feia, é complicada também. Não sei se existe algum critério que determina quando a puxada para baixo exibe as notificações ou o painel de atalhos rápidos; se existir, é um nada intuitivo. Nunca sei ao certo o que me será mostrado e tamanha incerteza derruba muito da praticidade das notificações do Android. Felizmente, as configurações e a gaveta de apps funcionam de modo similar ao Android puro, apenas com gráficos diferentes.

A Asus colocou um punhado de apps, alguns bizarros. Tem, por exemplo, um app de espelho (?) que apenas abre a câmera frontal sem controle algum na interface. Outra coisa estranha são os ajustes de áudio e tela, que são apps próprios em vez de estarem nas configurações.

Entre os atalhos rápidos da cortina de notificações, alguns curiosos como o famigerado botão para “limpar” memória (quase sempre inútil, ainda mais com 2 GB de RAM) e um de “Modo leitura”, que amarela a tela deixando-a mais amena aos olhos — pesquisas indicam que a exposição noturna ao brilho azulado das telas modernas prejudica a nossa saúde. Ah, e tem um modo “não perturbe”, o que sempre ganha pontos comigo — é uma das melhores coisas do iOS e é bom ver outras fabricantes se antecipando ao Google.

Os apps são bonitinhos, mas a instalação de outros via Play Store destrói a consistência visual da ZenUI rapidamente. A Asus também oferece soluções de armazenamento na nuvem e é de se questionar até que ponto esse esforço é válido com concorrentes tão fortes — incluindo um dos maiores, o Google, pré-instalado e a um toque de distância.

A ZenUI é mista: há bons apps, boas sacadas (o What’s Next na tela de bloqueio é bem legal!) e um senso estético, se não perfeito, relativamente apurado. O problema é que ela fica nesse “quase”. E entre uma quase boa experiência e a melhor, ou seja, a do Android puro, é fácil escolher. O Google, não por acaso, continua fazendo o melhor Android.

Vale a pena?

O Zenfone 5 é um smartphone legal.

Sim! A Asus estreou com o pé direito no mercado brasileiro. O Zenfone 5 é bonito, tem uma tela sensacional, uma câmera bem decente e bom desempenho. E, importante, custa pouco.

O concorrente natural aqui é o Moto G, da Motorola. Ele ganha na presença de TV digital, um SoC mais convencional (Snapdragon 400) e, provavelmente, em autonomia (ainda preciso testar mais). Problema? Custa mais — R$ 50 e R$ 100 nas configurações de 8 e 16 GB, respectivamente. E a Asus ainda tem uma carta na manga: uma versão com processador de 1,2 GHz (as superiores rodam a 1,6 GHz) ainda mais barata. Os preços do Zenfone 5 são:

  • 8 GB, 1,2 GHz: R$ 599.
  • 8 GB, 1,6 GHz: R$ 649 (versão analisada).
  • 16 GB, 1,6 GHz: R$ 699.

A versão base estava sendo vendida na loja oficial “enquanto durassem os estoques” por absurdos R$ 499 — era um negocião. Não durou uma madrugada.

As únicas coisas que pesam contra o Zenfone 5 são sua autonomia e tamanho levemente exagerado. Se você conseguir lidar com isso, ele se posiciona como uma alternativa real ao domínio do Moto G que, até então, ainda não havia encontrado rival no mercado brasileiro. É um smartphone bem construído e agradável de usar, e um belo cartão de visitas da Asus aos consumidores e fabricantes com quem concorre.

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