Zenfone 3 Deluxe com antenas invisíveis.

Com Zenfone 3, Asus enfim faz jus ao mote “luxo acessível”


31/5/16 às 7h19

A Asus anunciou na Computex, em sua terra-natal, Taiwan, a nova família de smartphones Zenfone 3. São três modelos com preços que começam em US$ 249 e, enfim, condizem com o slogan da linha, o “luxo acessível”.

Os Zenfone são bastante competentes, com hardware adequado para lidar com o Android, a camada de personalização da Asus, ZenUI, e os apps que o usuário eventualmente instalasse. Nesse sentido, eles sempre foram “acessíveis” — hardware competente por um preço em conta —, sintonizados com os anseios do CEO, Jerry Shen, que em 2015, em visita ao Brasil para o lançamento do Zenfone 2, disse à Emily que “nosso trabalho é transformar essas especificações em uma experiência de usuário satisfatória. É preciso traduzir configurações em experiência e preço justo.”

Enquanto outras fabricantes ainda insistem em empurrar aparelhos mid-range com alguma especificação que deixa a desejar e compromete o conjunto, a Asus parece de fato priorizar a experiência de uso. Uma estratégia, para nós, correta. Alguém pode achar os Zenfone feios, volumosos ou até cafonas, mas é difícil quem diz que eles são ruins ou lentos ter algum respaldo. E, no dia a dia, a gente gasta mais tempo usando e exigindo do smartphone do que contemplando seu belo design, certo?

Se sobra desempenho (ou se não falta), em outros aspectos mais próximos ao contato do usuário os Zenfone podiam melhorar. O design, por exemplo. O Zenfone 2 ganhou prêmios de design e tinha seus fãs, mas o acabamento em plástico, um “queixo” exagerado na frente somado às grandes bordas em torno da tela e o grande volume jogavam contra num mercado em que as referências da área são aparelhos finos, leves e construídos com materiais nobres. Isso mudou com o Zenfone 3, e em dose tripla.

O plástico deu lugar ao vidro (revestido por Gorilla Glass 4) e ao metal. A linguagem visual enfim mudou, está mais moderna, e os três Zenfone 3 são finos — o mais grosso deles, o modelo básico, tem apenas 7,7 mm de espessura. A título comparativo, o Zenfone 2 era 41,5% mais grosso com 10,9 mm.

Zenfone 3.
Zenfone 3.

Esse Zenfone 3, modelo base, tem vidros nos dois lados e metal nas bordas e por baixo do vidro de trás. Parece muito com um cruzamento entre Galaxy S e iPhone. Os outros dois, Zenfone 3 Deluxe e o enorme Zenfone 3 Ultra (6,8 polegadas de tela!), apresentam um design unibody do qual a Asus se gaba: é o primeiro do tipo a não depender de linhas visíveis para abrigar as antenas — coisa que nem a Apple conseguiu (ou quis) resolver ainda no iPhone.

Foto de divulgação do Zenfone 3 Deluxe.
Zenfone 3 Deluxe.

As especificações são decentes, nada que desabone os aparelhos em suas respectivas faixas de preço. O Zenfone 3 básico tem preço sugerido de US$ 249, o que dá uns R$ 900 na cotação atual. O Moto G de quarta geração, que ainda não teve o preço em dólar revelado, no Reino Unido sai por £ 169, ou, também na cotação de hoje, US$ 247. Nessa briga que tem tudo para ser direta, embora seja sempre um risco esse tipo de comentário sem já ter usado os aparelhos, pode-se dizer que o da Asus tem uma apresentação no mínimo mais interessante.

O Zenfone 3 Deluxe tem preço sugerido de US$ 499, cerca de R$ 1.800 na conversão direta. Isso o coloca em pé de igualdade com outros smartphones premium. Em outras palavras, não espere por algo barato ou mesmo com bom custo-benefício. O que não é ruim, já que finalmente a Asus parece ter chegado a um topo de linha de fato e, somado a isso, poderá ser a primeira a trazer um smartphone com 6 GB de RAM (!) ao Brasil — é uma das configurações possíveis —, já que é pouco provável que vejamos o primeiro de fato, o Axon 7 da ZTE, desembarcando aqui. Sendo assim, nada mais natural que cobrar de acordo. Só resta saber se a câmera, outro componente que sempre foi no máximo mediano na linha Zenfone e que não evoluiu muito mesmo com o Zenfone Zoom, se destaca.

Correndo por fora, o Zenfone 3 Ultra custará US$ 479, em torno de R$ 1.700 na conversão direta. Tem um SoC levemente superior ao do modelo base (Snapdragon 652) e parece, para todos os efeitos, uma curiosidade com casos de uso bem específicos. Não que a Asus seja novata nessas águas: há anos os taiwaneses lançam tablets com a capacidade de fazer ligações como o FonePad 7.

O enorme Zenfone 3 Ultra na mão.
Zenfone 3 Ultra.

Todos eles têm portas USB-C (embora o Zenfone 3 seja apenas USB 2.0), áudio promissor certificado pela SonicMaster e telas que ocupam bastante da área frontal (77,3% no Zenfone 3, 79% nos Zenfone 3 Deluxe e Ultra). Todos contam com sensor de impressões digitais, novidade na marca, e saem de fábrica com o Android 6.01 e a terceira geração da ZenUI, com menos apps embutidos, mas ainda bastante distante do Android puro que muitos apreciam. Mantendo uma tradição bem Asus, tinha que ter uma cor esquisita no meio. Desta vez é a “Aqua Blue” do Zenfone 3. Sinta o drama:

Aqua Blue é a cor esquisita do Zenfone 3.

O slogan da linha mobile da Asus é “luxo acessível” e isso, com seus aparelhos de plástico imitando metal, sempre soou meio como forçação de barra da área de marketing. Mas, afinal, parece que agora o produto está alinhado à proposta da marca. Se o desempenho, que nunca foi problema aos Zenfone, se mantiver (e há motivos para acreditar que sim, mesmo com mudança de Intel para Qualcomm) e o preço do Zenfone 3 for competitivo, o que também tem uma probabilidade alta de acontecer, poderemos ter em breve um novo queridinho no Brasil. Mas a certeza disso, mesmo, só com preço oficial anunciado e tendo eles em mãos, algo que deve ocorrer no segundo semestre. (Não vimos o produto ainda, mas de certa forma estivemos na Computex: aos 42:46, olha lá a Emily e o Paulo Higa!)

Emily e Paulo Higa fotografando no vídeo da Asus.

  1. Não é a versão mais recente; já existe a 6.0.1 que traz novos emojis e modifica outros tantos.

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26 comentários

  1. Ghedin quanto ao Ultra, o chipset dele é o Snap 652 e não o mesmo do modelo standard. Ele tem também o leitor de impressões digitais, mas desta feita fica na frente, junto ao botão home.

  2. “um “queixo” exagerado na frente” hahahaha
    Muitas vezes me lasco quando está escuro o ambiente e vou tentando clicar no botão home ou de de voltar pensando que é na ponta do celular no meu Zen fone 5.Seria bom também se fosse iluminado.
    O volume é baixo e a câmera também , como citado no artigo, não é lá essas coisas, mas com relação ao desempenho é excelente.

  3. Ando cogitando a possibilidade de trocar o meu Moto G de 2014 no segundo semestre. Não que eu precise trocar, já que ele ainda me atende muito bem. Mas… como o Moto E de primeira geração da patroa já não atende mais (os parcos 4GB de armazenamento) penso em passar o meu atual e pegar outro. A princípio finquei o pé com o Moto G 4 Plus mas confesso que ao ver as especificações do novo Zenfone, fiquei bem tentado a mudar de marca. Ansioso pelos reviews dos dois!

    1. Eu também, no aguardo do review (se houver, já que a política de reviews agora mudou um pouco).

      Mas o Tecnoblog publicou hoje mesmo o review do Moto G 4 Plus, dá uma lida lá! Eu gostei.

      1. Já andei pensando em arriscar uma CyanogenMod, mas acho que só valeria a pena o Marshmallow, que permite usar o cartão micro SD como extensão da memória interna, só que para esse modelo, só há builds nightly builds até agora. Embora no XDA tenha gente dizendo que alguns desses builds estão bem estáveis, fica aquela dúvida. E mesmo considerando esse adendo do Android 6, muitos aplicativos (principalmente os do Google) não podem ser movidos. A essa altura, 4GB de armazenamento ficou completamente impraticável.

        1. Sugeri alguma rom alternativa, pois ao instalar a play store (via http:// opengapps. org/ ) você pode instalar o pacote mínimo (veja a diferença no pacote completo “aroma” e o mínimo “pico”) e ganhar no sossego uns 600 MB (se descompactar deve ser mais).

  4. Ando cogitando a possibilidade de trocar o meu Moto G de 2014 no segundo semestre. Não que eu precise trocar, já que ele ainda me atende muito bem. Mas… como o Moto E de primeira geração da patroa já não atende mais (os parcos 4GB de armazenamento) penso em passar o meu atual e pegar outro. A princípio finquei o pé com o Moto G 4 Plus mas confesso que ao ver as especificações do novo Zenfone, fiquei bem tentado a mudar de marca. Ansioso pelos reviews dos dois!

  5. Zenfone 2 deve chegar aqui a 1700 pra competir com Moto X Play e o Deluxy a 2500 reais. Não epsero muitos preços baixos não

  6. “é o primeiro do tipo a não depender de linhas visíveis para abrigar as antenas”.
    Eu não entendo nada de design mesmo! Alguém poderia me mostrar uma imagem que mostre as tais “linhas visíveis para abrigar as antenas”?

    1. São aquelas linha que principalmente o Iphone 6 tem na parte de trás, na parte superior e inferior. Sem ser a parte em metal…

          1. Saquei! Era isso mesmo que eu tinha pensado… Para mim isso era proposital! hahahahah
            Muito obrigado! :D

  7. Achei bem interessante, não vi como ficou a nova UI deles com o 3.0, mas espero mesmo que tenha melhorado. A antiga, não sei se era 2.0, era de gosto muito duvidoso, muito poluída e com características de design ainda muito antigas neles. Agora pelo aparelho, a não ser que tenham feito algo bem errado para a experiência de usuário ser muito ruim, tem tudo para ser ótimo, certeza que ele virá na faixa no Moto G4 com o sensor biométrico, mas a Asus deve colocar uns 200 reais a menos, só para justificar. Agora o Delux no Brasil, vai ser complicado o seu preço de lançamento, com um S6 a 1800 reais e 27 já a 2700, certo que será entre eles, mas será que vende?

    1. A situação das fabricantes de android é feia, quase ninguém tem lucro. Fazer um celular barato, mesmo que seja para marketing, pode ser um tiro no pé(os acionistas não perdoam). Acredito que ninguém ame a marca por produzir coisas baratas, mas sim por causa da experiência de uso. E quanto mais barato, mais difícil fica de manter essa experiência. Acho mais válido investir num pós venda do que vender aparelhos que dão prejuízo e não agradam aos clientes.

  8. Boa, a única crítica fica mesmo a personalização do ndroid, mas conheço quem tenha o Zenfone e isso nunca foi problema para essas pessoas, diferente da Touchwiz que costumeiramente complica nos mid-range.
    Agora, qual o problema da cor? Acho meio forçar a barra querer apenas aparelhos pretos, brancos, dourados, e prateados. Depois reclamamos que só vem o preto ao Brasil. Mas no final todo mundo enfia o smartphone numa capa preta emborrachada para proteger da queda. Prefiro assim, as empresas apostando em cores diferentes e compra quem quer.

    1. Não sei se eu compraria esse azul esquisito, por ser mais chamativo, mas sinceramente até que gostei da cor.

      1. Pode ser que nem mesmo eu compre, mas me incomoda esses julgamentos, sabe…
        Lembro que antes do iohiiPhone tínhamos aparelhos de outras cores e algumas formas mais interessantes.
        Sempre gostei do design do Samsung Star 3g, por exemplo, é hoje não vemos mais coisas assim.
        Então, pelo menos cores diferentes e essas tentativas são, por mim, bem vistas.