Também se poderia pensar no círculo [do ChatGPT] como um buraco de negro para a mídia e o conhecimento: todas as imagens e textos do mundo comprimidos em uma bola super densa da qual nenhuma informação sobre seus dados de treinamento consegue escapar (exceto em processos judiciais).

— Devin Coldewey, repórter do TechCrunch.

Devin comenta o novo logo (ou símbolo? Sei lá) do ChatGPT, um círculo preto que se transforma em ondas sonoras estilizadas quando ativo. Ainda tenho mais coisas a dizer sobre a apresentação bizarra da OpenAI na segunda (13) e do Google, no dia seguinte — ambas cheias de novidades que impressionam pela técnica e decepcionam pela falta de criatividade. Inscreva-se na newsletter gratuita para receber meus pitacos em primeira mão.

Você está no app de mensagens Signal? (Melhor maneira de se comunicar comigo.)

Jeff Bezos, então CEO da Amazon.

A FTC acusa executivos do alto escalão da Amazon de usarem mensagens que se autodestroem do Signal para tratar de assuntos sensíveis/ilícitos. Via @TechEmails/X, Bloomberg (em inglês; sem paywall).

Estamos tristes por ter chegado a isso com alguém [Elon Musk] que admiramos profundamente — alguém que nos inspirou a mirar mais alto, depois nos disse que fracassaríamos, lançou uma concorrente e, então, nos processou no momento em que começamos a fazer progressos significativos na missão da OpenAI sem ele.

Sam Altman e outros executivos da OpenAI.

A frase acima fecha um post no blog da OpenAI que rebate os argumentos de Elon Musk no processo que o bilionário move contra a empresa que co-fundou. O texto é recheado de e-mails contraditórios de Musk — que, sem surpresa, tentou controlar a OpenAI e abandonou o barco quando fracassou.

Fechamos a torneira para o zero rating. Todos os novos planos não têm zero rating para as redes sociais.

Alberto Grizelli
Presidente da TIM Brasil

A virada de 180º das operadoras (a Claro também está “fechando a torneira”) não tem a ver com neutralidade da rede ou respeito (tardio) ao Marco Civil da Internet, é só uma nova queda de braço com a big tech.

As operadoras reclamam pelo “fair share”, uma contribuição dada pelas empresas que mais usam a rede (plataformas sociais, serviços de vídeo etc.) para bancar a infraestrutura. O fim do zero rating faz parte dessa ofensiva. Via Convergência digital.

A próxima parte crucial do nosso plano é aprender com os dados únicos e loops de feedback em nossos produtos… No Facebook e no Instagram, há centenas de bilhões de imagens compartilhadas publicamente e dezenas de bilhões de vídeos públicos, o que estimamos ser maior do que o conjunto de dados Common Crawl, e as pessoas também compartilham um grande número de postagens de texto público em comentários em nossos serviços.

Mark Zuckerberg
CEO da Meta

Common Crawl é o maior conjunto de dados da web disponível, com +250 bilhões de páginas coletadas no intervalo de 17 anos. Foi usado pela OpenAI na criação do GPT 3.

É nas conferências com investidores, e não em depoimentos no Congresso, que os CEOs falam sem muitas amarras do que realmente importa. Não poderia ter exemplo melhor disso do que as falas de Zuckerberg um dia depois de pedir desculpas às famílias de adolescentes vítimas de abusos no Instagram (e só depois de ser coagido por um senador). Via Bloomberg (em inglês).

É certo que estamos longe de sermos perfeitos, mas enquanto nossos concorrentes estão conectando pedófilos, alimentando insurreições e recomendando propaganda terrorista, sabemos que o Snapchat faz as pessoas felizes.

Evan Spiegel
CEO e co-fundador do Snapchat.

Trecho de um memorando de Evan a toda a empresa. (Parece que alguém não é muito fã da Meta 👀)

O executivo acredita que estamos em à beira de uma nova “revolução” de dispositivos vestíveis, com os Spectacles tendo um papel de destaque (?), que as redes sociais estão mortas e que o Snapchat não faz parte desse grupo, apesar de ter cara, focinho e cheiro de redes social. Via Business Insider (em inglês).

Dando nome aos bois, Mercado Livre e Amazon. E isso não é mera denúncia. Está tudo registrado em cartório, os anúncios que demonstram claramente como se tenta convencer o consumidor a comprar produto contrabandeado.

— Humberto Barbato, presidente da Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica (Abinee).

Segundo a Abinee, a porta de entrada do mercado cinza no Brasil é o Paraguai. Em 2023, o país vizinho importou quase 8 milhões de aparelhos para uma população de 6,1 milhões de pessoas. A Xiaomi respondeu por ~75% dos celulares trazidos irregularmente. Via Convergência Digital.

Se pagar não é possuir, piratear não é roubar.

— Louis Rossmann.

A frase é de um vídeo em que Rossmann comenta a decisão da Sony de remover conteúdos da Discovery, comprados via PlayStation, em 31 de dezembro por “arranjos de licenciamento com provedores de conteúdo”.

Esses materiais, aparentemente, não eram vendidos no Brasil. A lista do catálogo norte-americano que sumirá é extensa.

(Em inglês — “If paying isn’t owning, piracy isn’t stealing.” — soa mais legal. Preferi estragar o impacto dela e preservar o sentido na tradução.)

Um aplicativo de escrita que pensa por você é um robô que corre no seu lugar.

— iA.

Com esta frase de efeito e um discurso de como adequar a inteligência artificial gerativa ao seu premiado editor de texto, a iA iniciou uma campanha para criar hype em torno do lançamento do iA Writer 7.

E… o resultado é meio meh? A prometida abordagem é um esquema quase todo manual que ajuda a diferenciar texto (colado) gerado por IAs como ChatGPT das intervenções do ser humano. (Veja o vídeo no anúncio do iA Writer 7.) Confesso que esperava mais.

Vemos isso todos os dias: o Twitter dificulta o debate, a busca pela verdade e o diálogo sereno e construtivo necessário entre seres humanos. Com suas milhares de contas anônimas e suas fazendas de trolls, a vida no Twitter é exatamente o oposto da vida democrática. Eu me recuso a endossar esse esquema maligno.

— Anne Hidalgo, prefeita de Paris, ao anunciar sua saída do Twitter.

Via @Anne_Hidalgo/Twitter.

Dica: vasculhar e pegar livros emprestados de uma biblioteca satisfaz a parte da terapia de consumo do seu cérebro sem custar um centavo.

E acho que, com o tempo, talvez até cheguemos ao ponto em que possamos gerar conteúdo [por inteligência artificial, em feeds] diretamente para as pessoas com base no que elas possam estar interessadas.

— Mark Zuckerberg, CEO da Meta.

Compartilhei um texto fantástico no Órbita em que o autor argumenta que os avanços tecnológicos não facilitam a nossa vida, mas sim a torna mais rápida. A IA é um belo exemplo (mencionado lá) dessa percepção equivocada que se tem da tecnologia.

Talvez seja menos um problema da tecnologia, mais dos negócios. O tempo ganho costuma ser apropriado por gente como Zuckerberg, executivos de modo geral, ávidos por mais, mais e mais. Sempre mais.

Não é preciso ir muito longe, nem imaginar cenários futuristas, para medir o impacto que a IA terá na economia.

A brasileira Wine, um clube de assinaturas de vinhos, já usa e abusa de IA gerativa em seu marketing:

“Normalmente [a campanha] é com influenciador e, neste ano, em vez de influenciador usamos a IA”, apontou [Paulo Boesso, head de e-commerce]. “Tivemos um ganho de produtividade de 80% dentro do universo tangível; diminuímos um trabalho de dez horas para duas horas para esta campanha do Sr. Desconto em junho.”

Via The Verge (em inglês), Convergência Digital.

[A inteligência artificial] Requer o modelo de negócios de vigilância; é uma exacerbação do que vemos desde o final dos anos 1990 e o desenvolvimento da publicidade de vigilância. A IA é uma maneira, acho eu, de consolidar e expandir o modelo de negócios de vigilância. O diagrama de Venn é um círculo.

— Meredith Whittaker, presidente do Signal, no palco do evento de startups TechCrunch Disrupt, em São Francisco, Califórnia.

Via TechCrunch, @TechCrunch/YouTube (em inglês).

O próximo passo para o Telegram é ir além das mensagens e liderar a inovação nas mídias sociais em geral. Usaremos a nossa popularidade para mudar a vida de bilhões para melhor, para inspirar e elevar as pessoas em nosso planeta.

— Pavel Durov, CEO do Telegram.

O mesmo Telegram que deseja “liderar a inovação” em redes sociais lançou em julho, depois de todo mundo e quase dez anos após o pioneiro no formato, suporte a stories.

Nesta segunda (14), o Telegram completou dez anos no ar. Tem 800 milhões de usuários e já é, há muito, um híbrido de mensagens (sem criptografia de ponta a ponta padrão) e rede social (com moderação frouxa e sem regras de convivência robustas). Via @durov/Telegram (em inglês).

Não tenho dúvida que o zero rating foi um erro, um equívoco.

— José Félix, presidente da Claro Brasil.

O zero rating pode acabar não por pressão regulatória, mas por iniciativa das próprias operadoras. O consumo excessivo de dados de aplicativos como WhatsApp e YouTube, geralmente contemplados nessas ofertas, somado a um ensaio do setor de telecomunicações de cobrar uma divisão da fatura do tráfego com as big techs, tem feito elas reavaliarem a estratégia. Via Agência Estado.