Sem Instagram, sem privacidade

Ao nos transformarmos em divulgadores das nossas próprias vidas no digital, novos dilemas sociais emergem. (A essa altura não tão novos, mas ainda difíceis de lidar.)

Neste post solitário (é o primeiro e único do blog; em inglês), a pessoa reflete sobre a situação em que alguém publica fotos dela no Instagram e um terceiro, conhecido de ambas, fica sabendo da reunião delas:

Nos últimos meses, notei várias vezes como as pessoas sabem mais sobre a minha vida do que eu conto a elas ou do que provavelmente ouvem dos outros. Por exemplo: aonde viajamos no último fim de semana e com quem. Como elas sabem? Instagram. Uma postagem de um terceiro dessa viagem. Claro. Você não precisa estar no Instagram para estar no Instagram.

Como atender às expectativas de um público tão diverso, mesmo que composto por pessoas do seu convívio? Fotos de viagem ou de uma festa são interpretadas de maneiras diferentes por sua família, seus amigos, colegas de trabalho e chefe.

Acho eu que existem dois caminhos: ignorar as consequências (sociopatia?) ou “pasteurizar” o conteúdo para tentar agradar a todos (impossível, mas dá para chegar perto).

E, mesmo assim, não se escapa de outros dilemas:

Imagine um amigo com quem você foi foi viajar no fim de semana. Esse amigo conversa com outro amigo em comum. Esse amigo em comum poderia muito bem ido com vocês na viagem, já que você gosta dele, mas, devido a circunstâncias da vida, você não o convidou. Você provavelmente se sentiria desconfortável ao ver esse primeiro amigo falando sobre a viagem como se tivesse sido a melhor viagem de todas, onde todos se divertiram horrores e agora todos que estavam lá viraram melhores amigos para a vida toda.

No entanto, essa é a impressão que uma postagem ou história no Instagram geralmente evoca. É, provavelmente, o tipo de conteúdo que a maioria dos seguidores desse primeiro amigo adora ver. Exceto talvez por algumas pessoas que se perguntam por que você não as convidou para a viagem.

Ela propõe, como solução, uma nova etiqueta que desaprove postagens de reuniões sociais para além dos envolvidos. Em vez de um story para todos os seguidores no Instagram, restringir aos “melhores amigos” ou mesmo em um grupo no WhatsApp/Signal.

A era do vender-se em dobro

Mudanças comportamentais têm acontecido num ritmo tão veloz que padrões e premissas que eram comuns há uma ou duas décadas me escapam completamente. O artigo do W. David Marx me recordou de um deles: a aversão ao mainstream, ou a não ser um “vendido”.

Nas últimas três décadas, a cultura da juventude passou de um profundo ceticismo em relação ao comércio para uma defesa fervorosa do anti-anti-comércio, culminando em uma geração inteira de “criativos” que aproveitam o mercado comercial para… se envolver em ainda mais comércio.

Em qual momento virar vendedor no Instagram (leia-se: influencer) virou meta de vida, sonho de criança? Ou trabalhar na Globo e vestir a camisa com orgulho, ao melhor estilo Marcos Mion? Estaríamos traindo o movimento punk, véi? (Eu não lembrava do nível de insanidade desse vídeo. E, meu deus, “há 18 anos”…) Quando foi que o consumo totalizante de cultura enlatada, produzida em escala industrial (as “franquias”), sitiou o imaginário das massas?

Voltando ao artigo:

O tabu do século XX contra “vender-se” era, em sua essência, uma norma comunitária que recompensava jovens artistas que se concentravam na arte e punia aqueles que apropriavam a arte e a subcultura para o lucro vazio. Agora, a cultura é mais exemplificada por pessoas cujo objetivo parece ser o lucro vazio.

Hipóteses?

End of 10: Troque o Windows 10 por uma distro Linux

O suporte ao Windows 10 termina no dia 14/10/2025, ou seja, daqui a alguns meses. Uma galera envolvida com distros Linux subiu o site End of 10 para ajudar aqueles que quiserem trocar o Windows pelo Linux em vez de seguir a orientação da Microsoft, que é descartar um computador funcional e comprar outro com Windows 11. O End of 10 reúne instruções e locais e eventos em que voluntários instalam uma distro Linux nos computadores de quem não tem familiaridade com o assunto.

Super iniciativa. Só falta agora traduzirmos o site para o português e cadastrarmos mais locais e eventos. (Até o momento, só tem um pessoal da USP de São Carlos na lista de locais.)

A Hypertext TV é “uma celebração de pequenos sites e jogos artesanais”

Print do guia de canais do site Hypertext TV.

A Hypertext TV é “uma celebração de pequenos sites e jogos artesanais”. A interface simula uma TV de tubo e os “canais” (sites) disponíveis variam de acordo com o dia e horários — volte em dias diferentes para receber outros conteúdos. Trata-se de uma espécie de provocação à oferta de conteúdo ilimitado sob demanda da web moderna. “A Hypertext TV é uma tentativa de imaginar essa programação compartilhada [da TV e do rádio] na web: limitada, não algorítmica, coletiva. Explore o que está no ar hoje. Talvez você descubra algo novo.” (O código é aberto e dá para sugerir sites.)

Short Trip é um passeio de bonde em um universo de gatos antropomórficos que, como…

Paisagem ilustrada, em preto e branco, com árvores e uma estação de bonde, e um gatinho vestido e de pé no centro da tela.

Short Trip é um passeio de bonde em um universo de gatos antropomórficos que, como o nome sugere, é bem curta. O que não significa que tenha sido rápido: Alexander Perrin gastou cinco anos (!) para concluir esta bela ilustração animada à mão. (Mais detalhes.) Os efeitos sonoros são agradáveis também. Se preferir, há uma versão que “adiciona um novo modo “programado” que integra o relógio do computador para criar um itinerário para o bonde” à venda no Steam.