Brasileiros usam “carteiraço da LGPD” para dar o troco em spam no WhatsApp

Brasileiros usam “carteiraço da LGPD” para dar o troco em spam no WhatsApp, por Gabriel Daros no Uol Tilt:

O programador porto-alegrense Fernando Dandrea, de 29 anos, não tem ideia de como seus dados foram parar na mão da imobiliária Urban Company. Mas, quando recebeu a mensagem de um vendedor no WhatsApp, ele sabia exatamente como reagir. Exigiu ser informado quem havia autorizado aquele contato. E arrematou: “Solicito saber nos termos da Lei 13.709, LGPD: como obtiveram os dados e quais são eles?”

O vendedor até tentou contornar, com respostas vagas, mas acabou pedindo desculpas e desaparecendo.

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No artigo 18, a LGPD diz que o titular dos dados poderá a qualquer momento solicitar a eliminação dos dados pessoais coletados, mesmo que a coleta tenha sido feita com consentimento.

Segundo Bruno Bioni, diretor do Data Privacy Brasil, a prática do “carteiraço” é válida, e não depende da intermediação de uma outra instituição para a exigência destes dados.

Musk, Thiel, Andreessen e a “current thing”

Musk, Thiel, Andreessen e a “current thing” (em inglês), por Brad Stone na Bloomberg:

Quinta-feira passada, em uma conferência de criptomoedas em Miami, Peter Thiel disparou contra os inimigos percebidos do bitcoin. Em um discurso sinuoso, chamou Warren Buffett de “vovô sociopata de Omaha” e apelidou os CEOs do JPMorgan Chase, Jamie Dimon, e da BlackRock, Larry Fink, de “gerontocracia financeira” que reprime a ascensão de jovens cripto-inflamados. Ele também se opôs ao ESG — a lógica de investir com base em critérios socialmente conscientes como impacto ambiental, justiça social e boa governança.

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Nas últimas duas semanas, [Marc Andreessen,] o co-fundador da Netscape e da empresa de capital de risco Andreessen Horowitz, postou surpreendentes 350 vezes ou mais no Twitter. Os posts são enquadrados principalmente em termos elípticos, mas condenatórios, que se referem à “the current thing”, um meme popular entre os membros da direita extremamente virtual.

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O que se passa? Aqui estão três tecnólogos de alto nível, exorbitantemente ricos, que parecem buscar uma satisfação da meia-idade no shitposting — o ato de escrever “comentários deliberadamente provocativos ou fora do assunto nas redes sociais, geralmente para perturbar os demais ou divergir do debate principal”, segundo o dicionário Oxford.

A máquina oculta de propaganda do iFood

A máquina oculta de propaganda do iFood, por Clarissa Levy na Agência Pública:

Naquele abril de 2021, os adesivos e a faixa que pediam “vacinação já” no estádio do Pacaembu, na zona oeste de São Paulo, vieram acompanhados pela disseminação de posts e comentários de usuários falsos, que teriam sido criados por agências de publicidade a serviço do iFood no Twitter e Facebook. Em paralelo, as agências contratadas teriam criado duas páginas que deram suporte à narrativa: a fanpage de conteúdo político Não Breca Meu Trampo e a página de memes Garfo na Caveira. 

A Pública acessou mais de 30 documentos das campanhas — entre relatórios de entrega, cronograma de postagens, vídeos, atas de reuniões e trocas de mensagens —, além de conversar com pessoas que trabalharam nas agências e acompanharam a campanha desenvolvida para o iFood durante pelo menos 12 meses.

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Entre as páginas administradas pela campanha “lado B”, a Garfo na Caveira continua ativa e postando conteúdos. Já a página Não Breca Meu Trampo parou de ser alimentada em julho de 2021. Em um registro acessado pela reportagem, um dos coordenadores da campanha resume o trabalho: “Coisas assim que vão tirando o foco. Como a gente fez, por exemplo, com a greve geral. O Garfo [página Garfo na Caveira] abriu um território importante, de chegar de igual pra igual. E depois isso serviu pra gente ir esvaziando o discurso.”

 

Barulho de turbina de avião, gordura impregnada na casa e mau cheiro: vizinhos de “dark kitchens” em SP relatam “pesadelo”

Barulho de turbina de avião, gordura impregnada na casa e mau cheiro: vizinhos de “dark kitchens” em SP relatam “pesadelo”, por Bárbara Muniz Vieira no G1:

Barulho comparado a uma turbina de avião durante 20 horas por dia, gordura impregnada nas roupas no varal, odores que causam ânsia de vômito. Eessas são algumas das reclamações de paulistanos que moram no entorno das “dark kitchens”, restaurantes que só atendem no sistema de entrega.

De porte industrial, o modelo de negócio foi iniciado com a pandemia de Covid-19, e virou pesadelo de moradores de alguns bairros residenciais da capital paulista.

O Windows precisa de uma mudança de prioridades

O Windows precisa de uma mudança de prioridades (em inglês), no blog do Den Delimarsky:

Precisamos de falar sobre as prioridades do Windows enquanto produto. E digo isto como alguém que quer que o Windows seja bem sucedido — é um ótimo sistema operacional que, apesar do que dizem seus detratores, continua a ser um dos melhores quando se trata de retrocompatibilidade e riqueza de funcionalidades. Eu posso — literalmente — rodar um jogo escrito para o Windows 95 no Windows 11 sem grandes problemas […] Não posso fazer isso em computadores com macOS ou Linux de forma confiável; no Windows, essa tarefa é ok. Dito isso, estou decepcionado por ver a direção que o sistema operacional tomou nos últimos tempos, e me parece uma falha estranha de prioridades, especialmente considerados os avanços por que passam outros produtos da Microsoft.

A inconsistência nos menus de contexto da bandeja do sistema (primeiro tópico) e o fato de o Edge não permitir a definição de uma página em branco como inicial exceto por uma gambiarra são alguns dos piores problemas apontados no texto — e em outros lugares.

Uber, 99, Rappi e iFood têm notas pífias em avaliação sobre trabalho decente no Brasil

Uber, 99, Rappi e iFood têm notas pífias em avaliação sobre trabalho decente no Brasil, por Tatiana Dias no The Intercept:

Nessa edição do relatório [da Fairwork], a primeira feita no Brasil, foram avaliadas seis empresas — e a nota máxima foi 2, colocando o país entre os piores lugares do mundo para os trabalhadores de plataformas.

Rappi, GetNinjas e Uber Eats zeraram — isso significa que não pontuaram absolutamente nada nos critérios de “trabalho decente”. O Uber atingiu a mísera nota 1. O iFood e a 99, as empresas melhor avaliadas, conseguiram uma risível nota 2 — e isso depois de se movimentarem, ao saberem da existência do ranking, para cumprir alguns dos critérios levantados pelos pesquisadores.

A íntegra do relatório pode ser baixada no site da Fairwork.

Abuso e assédio na blockchain

Abuso e assédio na blockchain (em inglês), no blog da Molly White:

“Como esta tecnologia será usada para abusar e assediar pessoas?” é um tipo de questionamento que com frequência não é feito, em especial porque a demografia das pessoas que estão sob maior risco de serem vítimas tende a ser subrepresentada na indústria. […]

No frenesí de atrair investimentos de risco e conquistar novos usuários e investidores para tecnologias baseadas em blockchain, esse questionamento, mais uma vez, não está sendo feito. Enquanto os proponentes da blockchain falam de um “futuro da web” baseado em livros-caixa públicos, anonimato e imutabilidade, nós que somos assediadas na internet observamos horrorizadas [tais características] como vetores óbvios para abuso e assédio sendo negligenciados, quando não vendidas como recursos.

“As eleições brasileiras são as mais importantes do mundo para a gente”, diz WhatsApp

“As eleições brasileiras são as mais importantes do mundo para a gente”, diz [Dario Durigan, head de políticas públicas do] WhatsApp, por Bruno Romani no Estadão:

“Os números da plataforma mostram que houve uma redução importante de viralidade. Outras pesquisas mostram que há um amadurecimento de usuários na forma de usar o WhatsApp. Então, há uma percepção crescente de ceticismo dos usuários com relação às mensagens que são mais encaminhadas ou que têm alguma indicação de mensagem viral. Isso tem sido apontado: o WhatsApp faz campanha para não compartilhar qualquer mensagem. Dentro disso, há uma série de iniciativas. Antes de 2020, havia um botão de atalho para encaminhar mensagens. Esse botão saiu e agora tem uma lupa para pesquisa na internet. É o incentivo reverso para que o usuário cheque a informação. Com os alertas e parceiros, como o TSE e checadores de fatos, há amadurecimento cultural e de uso da plataforma.”

A guerra cibernética paralela entre Rússia e Ucrânia

A guerra cibernética paralela entre Rússia e Ucrânia, por Shin Suzuki na BBC Brasil:

A ideia militar de desnortear o adversário vem servindo de base para ofensivas hackers nessa guerra. Derrubar a rede de celular e internet tem como objetivo instaurar pânico ao impedir que a população de um país sob ataque se comunique.

“O objetivo é criar confusão, é fazer com que as pessoas se sintam perdidas. Disparar em massa desinformação é parte de uma guerra psicológica, para minimizar as chances de os ucranianos terem uma reação”, afirma Luca Belli.

O aplicativo de caronas de Araraquara

Dias atrás, alguns leitores me mandaram a notícia Bibi Mob, uma espécie de “Uber estatal” lançado pela prefeitura de Araraquara (SP) que promete repassar 95% do valor da corrida aos motoristas. A iniciativa não é nova, é bem-vinda e tem algumas nuances que a notícia compartilhada não contempla, mas que não escapou ao olhar sempre atento do Rafael Grohmann, professor da Unisinos e coordenador do Laboratório de Pesquisa DigiLabour e do projeto Fairwork.

O aplicativo de Araraquara e a soberania digital, por Rafael Grohmann no blog da editora Boitempo:

O aplicativo Bibi Mob não foi construído nem pela prefeitura de Araraquara nem pela cooperativa de motoristas, mas por uma empresa, com CEO e direito a início na região de San Francisco e tudo — em linha com a ideologia do Vale do Silício. Isso se situa em um contexto de pressão cada vez maior por trabalho decente, em que tem surgido uma série de lobbies, “fair washing” e estratégias de relações públicas por parte das plataformas — grandes e pequenas — para que se posicionem discursivamente como mais “justas” e “transparentes”. Tem até aparecido empresas dizendo que são plataformas cooperativas quando, na verdade, não são. Ou seja, é preciso que se tenha calma ao analisar as iniciativas emergentes — distante da pressa por circulação de conteúdos e cliques.