Um efeito colateral curioso da semana usando apenas Linux foi o tanto que meu computador contatou servidores externos.

Em um dia típico, o macOS faz até 9 mil requisições, a maioria tendo como destino domínios/servidores da Apple. (Não parece ser algo nefasto; são domínios de previsão do tempo e conexão com o iCloud, por exemplo.) Já o mini PC com Debian fez 3,3 mil no dia mais intenso de uso. Colhi os dados dos relatórios do NextDNS.

Outro recorte legal é o das conexões com o “GAFAM” (grupo que reúne Google, Amazon, Facebook, Apple e Microsoft): no Debian, ~20% delas batem nos servidores dessas empresas. No macOS, +50%. (Ignore os números absolutos; peguei dados semanais para o Debian e mensais para o macOS, porque mal toquei no macOS semana passada.)

Significa que a Apple me “espiona”? Também, mas outra leitura possível é a de que, concomitante à espionagem, o macOS é um sistema mais “vivo”, ou seja, tem mais recursos que dependem de uma conexão à internet para funcionarem.

Atualização (15h05): Adicionei um “concomitante à espionagem” no último parágrafo. A redação anterior, como apontaram nos comentários, dava a entender que a outra leitura possível era de que a Apple não espiona os usuários.

O iOS 17.3, lançado nesta segunda (22), traz a Proteção de Dispositivo Roubado, uma opção que gera obstáculos (exigência de biometria e atraso de 1h) para alterar configurações sensíveis do celular e da conta Apple. O recurso vem desativado por padrão. Obrigado aos ladrões estadunidenses; é graças às ações deles, e não dos nossos, que a Apple se mexeu. O link ao lado traz detalhes e o passo a passo para ativar a novidade. Via Apple.

A Mozilla criou um “issue tracker”, batizado de Platform Tilt, para documentar “problemas técnicos nas principais plataformas de software que colocam o Firefox em desvantagem em relação ao navegador nativo”. Boa iniciativa para pressionar Apple, Google e Microsoft, que se aproveitam de suas plataformas para favorecerem Safari, Chrome e Edge, respectivamente. Via Mozilla (em inglês).

Uma análise (PDF) feita por pesquisadores alemães constatou aquilo que suspeitávamos: os resultados da pesquisa do Google (e do Bing e DuckDuckGo) estão piorando.

A análise é limitada a produtos/“reviews”, um tipo de conteúdo mais suscetível à manipulação pelo mecanismo de recompensa óbvio, links de afiliados. Ainda assim, é válida.

Fico pensando se um buscador com curadoria humana, que restrinja os resultados a fontes verificadas, já se faz necessário. (Ou se será, com a enxurrada de lixo de IA gerativa no horizonte.) Se sim, não deixa de ser uma regressão aos tempos pré-Google, quando dois caras da Universidade de Stanford alimentavam na unha um tal de “Jerry and David’s Guide to the World Wide Web”… Via 404 Media (em inglês).

Cedo ou tarde, qualquer pessoa que se interesse por tecnologia para seres humanos se dá conta de que o software proprietário é um beco sem saída. É por esse motivo que, apesar de ser um plano totalmente contraproducente, tenho flertado cada vez mais com a ideia de abandonar o ecossistema da Apple. Será que rola ainda em 2024?

Um bom lembrete do Brent Simmons, que tirou a poeira do seu blog após a Apple anunciar que vai cobrar 27% (!) de compras feitas na web a partir de links em apps do iOS que a Justiça estadunidense a obrigou a liberar.

Notei que os cinco sites de tecnologia brasileiros que analisei expõem listas de “mais lidas”, o que ajuda a validar as conclusões a que cheguei. As maiores estranhezas (horários de jogos de futebol, tutoriais caça-cliques e “cultura nerd”) dominam as listas.

Prints tirados na manhã desta quarta (17): Canaltech, Olhar Digital, Giz Brasil, Tecmundo, Tecnoblog. A título de curiosidade, as mais lidas deste Manual nos últimos sete dias (10–16/1).

Surpreso que apenas 12 milhões de números de telefone estão cadastrados no Não Me Perturbe. O site e os apps (Android, iOS) são esquisitaços, mas é um serviço legítimo que, se não resolve, ameniza o assédio de operadoras e consignado de bancos. Cadastre-se lá, se ainda não o fez. Via Convergência Digital.

O Authy costuma aparecer nas recomendações de leitores do Manual quando pedem por aplicativos de OTP. Aos que usam o app, atenção: a versão para computadores (Linux, macOS e Windows) será descontinuada em agosto de 2024. Via Central de ajuda do Authy (em inglês), que também será fechado, só que na próxima segunda (15).

O TSE divulgou minutas (rascunhos) das resoluções para as eleições municipais de 2024. A da propaganda eleitoral traz vários dispositivos relacionados à internet, com novas atribuições às plataformas/empresas de redes sociais, transparência e restrições a conteúdo “fabricado ou manipulado” (leia-se: por IA gerativa). Na íntegra (PDF).

Algumas coisas ali me pareceram bastante otimistas.

No dia 23 de janeiro, às 9h, será feita uma audiência pública híbrida do tema, com transmissão ao vivo pelo YouTube. Via TSE, Folha de S.Paulo.

Baixou o espírito da Positivo na Microsoft. Em 2024, notebooks “com inteligência artificial” e Windows 11 virão com uma nova tecla do Copilot, a marca guarda-chuva das aplicações de IA da empresa. (Veja o vídeo.) O bom é que quando o Copilot não estiver disponível, a tecla invocará a pesquisa do Windows. Mais útil que a de menu de contexto, que a nova tecla substitui. Via Blog da Microsoft (em inglês).

A Intel lançou alguns plugins gratuitos e de código aberto, baseados em inteligência artificial, para o editor de áudio Audacity. Batizados de OpenVINO, eles são indicados para podcasts (remoção de ruído e transcrição de áudio em texto escrito) e música (geração de músicas e separação de vocais e instrumentos). Parecem bem úteis.

Infelizmente, por ora os plugins só funcionam em uma versão específica do editor e apenas no Windows — e, mesmo ali, a instalação é complicada. Via Audacity (em inglês).

A Meta liberou uma nova opção de privacidade no Facebook, a do histórico de links. Implementada por pressão regulatória, ela vem ativada por padrão e o histórico é usado para segmentar anúncios.

Acho estranha a ideia de ter que enveredar por labirintos de opções para que o serviço que utilizo não me espione. A tática não é nova (valeu um puxão de orelha da União Europeia em julho passado), e demonstra a quem a Meta realmente serve (dica: não é você nem eu).

Se por qualquer motivo você ainda usa o Facebook, a Central de Ajuda da plataforma explica como desativar o histórico (apenas no aplicativo para Android e iOS). Via Gizmodo (em inglês).

O Firefox para Android ganhou +450 novas extensões nesta quinta (14). Até então, apenas algumas selecionadas pela Mozilla estavam disponíveis no celular. Agora, qualquer desenvolvedor que sinalizar compatibilidade com o Android em sua extensão, terá ela disponibilizada. Via Blog da Mozilla (em inglês).

Quando a Meta lançou o Threads e anunciou que ele usaria o protocolo ActivityPub, para integrar-se ao fediverso/Mastodon, desconfiei.

Nesta quarta (13), quase seis meses depois do lançamento da rede, Zuck disse no Threads que estavam “testando a integração”. Continuei cético.

Hoje (14) pela manhã, abri o Mastodon e dei de cara com o perfil do Threads de Adam Mosseri, executivo à frente do Threads e Instagram, no meu feed, acessível pelo Mastodon (procure por @mosseri@threads.net).

Ainda estou cético, mas agora um pouco menos.

A Apple liberou as versões 17.2 do iOS/iPadOS e 14.2 do macOS Sonoma nesta segunda (11). (E, também, atualizações para watchOS, tvOS e HomePod.) Os grandes destaques são o novo aplicativo de diário no iOS, Journal, e o suporte a múltiplos cronômetros simultâneos no macOS (finalmente!!!!).

É sempre uma boa esperar alguns dias antes de instalar uma atualização, como o recente desastre no Debian 12.3 nos mostrou, mas se você não se aguentar e instalar aí, conta para mim como ficou o app Journal — e os múltiplos cronômetros no macOS. Via Apple (em inglês), MacMagazine.