Se Elon Musk retirar os bloqueios judiciais impostos pelo TSE a contas de lunáticos no X, antigo Twitter, e continuar achincalhando o ministro Alexandre de Moraes (resumo do Núcleo), não é maluquice imaginar um bloqueio do X no país. E… sinceramente, talvez seja uma boa? Seria um lixão a céu aberto a menos na internet brasileira.

Atualização (8/4, às 8h40): Na noite deste domingo (7), Alexandre de Moraes incluiu Musk como investigado no inquérito das fake news do STF e por possíveis crimes de obstrução à Justiça e incitação ao crime. Texto na íntegra.

A Amazon fez barulho na década passada quando abriu lojas físicas nos EUA com o Just Walk Out, que dispensava caixas humanos: o cliente apenas pegava as coisas nas prateleiras e o sistema (supostamente) inteligente detectava e cobrava direto no cartão, sem intervenção humana.

Acontece que, segundo o The Information, o tal “sistema automatizado” consistia em mais de 1 mil indianos monitorando e rotulando as compras remotamente. (Isso explica, por exemplo, por que algumas cobranças levavam horas para serem creditadas.)

A Amazon anunciou nesta terça (2) que vai acabar com o Just Walk Out. Em seu lugar, implementará outro sistema em que o próprio consumidor passará as compras por um leitor embutido no carrinho de compras.

“Inteligência artificial” segue sendo um eufemismo para terceirização de trabalho repetitivo para países pobres. Via The Information e Gizmodo (ambos em inglês).

O Artifact será vendido ao Yahoo. Em vez de agonizar como outras grandes aquisições do grupo (Delicious, Flickr, Tumblr…), o app de notícias será encerrado nos próximos meses e os dois co-fundadores, Kevin Systrom e Mike Krieger (ex-Instagram), servirão de consultores para a transição, leia-se: integrar a IA de recomendações personalizadas do Artifact ao Yahoo News. Como alguém disse por aí, o Yahoo comprou (por um valor não divulgado) um monte de código sem as pessoas que escreveram ele.

Em setembro de 2023, o Google anunciou o fim do Google Podcasts em prol do YouTube Music. Em algum momento depois disso, surgiu uma data exata para o encerramento: 2 de abril de 2024.

Acontece que essa data só vale para os Estados Unidos. Em um post no fórum de ajuda do Google para podcasters, datado de 18 de março, um funcionário da empresa, Cory Peter, explica que o encerramento do Google Podcasts no resto do mundo será em 24 de junho. Quem confia no app do Google para ouvir podcasts tem quase três meses para exportar suas inscrições para outro app.

O Manual do Usuário e o Órbita estão de volta às redes sociais e aplicativos de mensagens. Dê uma olhada na página de canais sociais para saber em quais. Tem uma novidade: um perfil automatizado no Bluesky.

O experimento foi bom, mas os lembretes periódicos em plataformas externas fizeram falta. Em breve trarei o relato completo, com ~dados, do período.

Esta entra para o rol das piores ideias em segurança digital: o Telegram está oferecendo assinaturas pagas em troca de poder enviar SMS de login (segundo fator de autenticação) a partir dos números dos usuários. Não se sabe em que países isso está ativo, só que é exclusivo do Android. De qualquer forma, se aparecer essa “oferta”, ignore — os riscos são enormes. Via @AssembleDebug/X (em inglês).

Em 2023, a Adobe tentou comprar o Canva por ~US$ 20 bilhões. Pressões regulatórias melaram o negócio. Nesta terça (26), o Canva anunciou a compra da Serif, empresa dona da suíte de aplicativos Affinity, uma das melhores alternativas aos aplicativos clássicos da… Adobe. O valor do negócio não foi divulgado, mas um executivo do Canva disse à Bloomberg que foi na casa de “várias centenas de milhões de libras” (a Serif é baseada na Inglaterra), em uma mistura de dinheiro e ações.

O mundo não dá voltas, o mundo capota.

Uma das perguntas imediatas é se o modelo de negócio dos apps Affinity, que é de compra única, mudará sob a direção do Canva, que trabalha com assinaturas. Segundo uma seção de perguntas e respostas no site da Affinity, “não há mudanças planejadas no momento”. As palavras-chaves são “no momento”. Via Canva e Bloomberg/Yahoo (ambos em inglês).

O Bloco de Notas deve ser um dos aplicativos mais usados no Windows e, ainda assim, carece de recursos básicos. Só agora o app está ganhando verificação ortográfica e corretor automático. (Um dia, talvez, alguém dentro da Microsoft resolva arrumar o “desfazer” horrível do Bloco de Notas.) Por enquanto, apenas nas versões de testes do Windows 11. Via Microsoft (em inglês).

Atualização (23/3, às 7h40): Aparentemente, o comportamento esquisito do “desfazer” no Bloco de Notas foi corrigido. Obrigado ao Rodrigo Teixeira Dias e Marcellus, que trouxeram a boa nova nos comentários.

Nunca me ocorreu tentar o reconhecimento facial pelo celular usando a câmera principal (traseira). A ignorância decorrente do ~privilégio — câmeras frontais costumam ser piores que as principais, uma diferença mais dramática em aparelhos baratos e/ou antigos.

Nesta semana, o aplicativo gov.br ganhou uma nova versão com esse recurso. Segundo o Ministério da Gestão e Inovação, “a medida beneficia diretamente quem tem celulares antigos e também pessoas com deficiência, do espectro autista, com doenças neurodegenerativas e idosos”. Via Agência Gov.

O mastodon.social, principal servidor de Mastodon, publicou uma nova regra (tradução livre):

Conteúdo criado por outros deve ser creditado e o uso da IA deve ser informado
O conteúdo criado por outras pessoas deve fornecer claramente um crédito ao autor, criador ou fonte. Para conteúdo adulto, isso deve incluir artistas [que aparecem]. Os perfis não podem publicar conteúdo gerado por IA exclusivamente.

Se tem um lugar em que regras de atribuição/crédito aos criadores originais pode funcionar, é no Mastodon. Ansioso com a aplicação da nova regra.

Sobre a da IA gerativa, fico reticente. Daqui a algum tempo, será o equivalente a exigir que edições feitas no Photoshop sejam informadas. Se bem que… talvez fosse uma boa? Via @Gargron@mastodon.social (em inglês).

O LeiaIsso anunciou em e-mail enviado a cadastrados no serviço que descontinuará recursos do tipo “ler depois” para voltar-se à proposta original — extrair o conteúdo dos links e exibí-los em um ambiente de leitura sem distrações e, nessa, quebrar alguns paywalls. Em 2023, o serviço tentou uma expansão mal sucedida para o segmento de apps do tipo “ler depois” — ou seja, tentou concorrer com Pocket, Instapaper, Omnivore e afins.

O LeiaIsso continuará funcionando da mesma maneira que o Ladder do PC do Manual.

O Proton Mail ganhou um aplicativo para macOS e Windows. (A versão Linux ainda está em beta.) Parece uma boa notícia, mas… será? Trata-se de mais um app feito em Electron, ou seja, é o site do Proton Mail empacotado com uma cópia do Chromium. Talvez seja mais negócio continuar usando o Proton Mail no navegador. Via Proton (em inglês).

O Parlamento Europeu aprovou, nesta quarta (13), o Regulamento Inteligência Artificial. Como lembra o Convergência Digital, a lei europeia parte do mesmo princípio da que está se tentando passar no Brasil, definindo obrigações crescentes de acordo com o risco e nível de impacto da IA. Mesmo desidratada por pressão de Alemanha, França e Itália, que temiam que o texto original engessasse startups de IA europeias, parece que algumas boas garantias e obrigações resistiram. A lei começa a valer entre maio e junho, mas algumas regras terão um prazo maior para entrarem em vigor — de até 36 meses. Via Parlamento Europeu, Convergência Digital e The Verge (em inglês).

A Apple permitirá que europeus baixem aplicativos para o iOS direto dos sites dos desenvolvedores. Outra mudança, anunciada nesta terça (12), é a de que desenvolvedores mantenham lojas apenas para distribuir seus próprios apps. Não é tão difícil assim, né? Basta (a Apple) querer. Apesar disso, as novidades, que chegam no verão do hemisfério Norte, valerão apenas para países da União Europeia. Via Apple (em inglês).

O Android 14 QPR3 Beta 2 ativou, nos celulares da linha Pixel 8, um recurso similar ao Dex, da Samsung — uma interface diferente, propícia para uso com teclado e mouse, quando o celular é conectado a um monitor externo.

Ainda é cedo para saber se isso será um recurso do vindouro Android 15. Seria legal se sim. Para alguns perfis, como aqueles que conseguem se virar com um tablet no lugar do notebook, um celular do tipo talvez servisse para tudo. Via Android Authority (em inglês).