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[Review] Tegra Note, o tablet Android para quem joga

Tegra Note rodando Dead Trigger 2.

Marca tradicional entre entusiastas de PCs, a Nvidia ainda busca a mesma reputação em dispositivos móveis com seu SoC Tegra. Até agora, mesmo com cinco gerações, ainda não convenceu nem a mídia, nem os consumidores de que o coração verde é um diferencial que vale a pena exigir na hora de comprar um smartphone ou tablet. O último a desembarcar no Brasil com a missão de reverter tal cenário é o Tegra Note, da Gradiente.

Equipado com o SoC Tegra 4, o Tegra Note é, antes de um produto da Gradiente, um projeto da própria Nvidia. O modelo de distribuição lembra bastante o de integradores nacionais que licenciam dispositivos de OEM chineses e só fazem o rebranding e/ou a montagem no Brasil. O mesmo Tegra Note é vendido por fabricantes diferentes dependendo da região do globo onde você estiver — nos EUA, EVGA; no Reino Unido, Advent; na Rússia, Gigabyte, e assim por diante.

Um tablet de sete polegadas, o Tegra Note promete ser rápido, especialmente em jogos, sem se esquecer de outras características importantes nesse tipo de equipamento, como boa tela e longa autonomia. Ele cumpre a promessa? Veremos a seguir.

Tegra Note, um tablet utilitário

Tegra Note visto de cima.

Fosse candidato de um concurso de beleza, o Tegra Note teria poucas chances de levar a coroa. Com uma mistura de texturas em seu corpo de plástico, o tablet tem uma cara utilitária que deve agradar a um público bem específico. A todos os demais, a aparência robusta fica no limite do visualmente agradável. Eu achei um tanto feio.

Em modo paisagem a frente se alonga para acomodar as saídas de áudio estéreo, um bom diferencial frente à maioria dos tablets que pouca atenção dão ao som. Mas o que é bom para os ouvidos, não é na mesma medida aos olhos. Atrás, uma faixa de pontinhos divide espaço com o topo e a base em plástico liso — e essa atua também como ímã de digitais. Os tipos de plástico usados não são muito refinados e na junção da carcaça nas bordas há minúsculas rebarbas que enganam aos olhos, mas não ao tato.

Detalhe no acabamento e conexões.

O Tegra Note esconde uma stylus (acompanha o produto) e, do lado oposto, um filete plástico que pode ser retirado para acoplar a Slide Cover, uma capa similar à Smart Cover do iPad vendida separadamente. Em vez de recorrer a ímãs para grudar no tablet, ela deve ser enfiada no buraco deixado pelo filete plástico. É uma solução menos elegante e mais complicada quando, por qualquer motivo, você quiser usar o Tegra Note sem a Slide Cover.

Remova a haste de plástico para usar a Slide Cover.

No corpo do Tegra Note ainda são encontradas duas câmeras, sendo a de trás uma de 5 mega pixels sem flash (e sem nada que justifique me estender falando sobre ela — veja as fotos), slot para cartão microSD, saída micro HDMI, de áudio (3,5 mm) e a tradicional micro USB. De botões físicos, só o de liga/desliga e os do volume, todos os três mais achatados que o ideal.

O tablet ainda conta com acelerômetro, giroscópio, bússola, Bluetooth 4 e sensor de luminosidade, o pacote básico de qualquer dispositivo móvel minimamente intermediário, vem com 16 GB de espaço interno e apenas conexão Wi-Fi.

O poder do Tegra 4

Equipado com a última versão do Android (4.4) e um Tegra 4, o Tegra Note não esboça sofrimento ao lidar com aplicativos e mesmo jogos pesados. Enchi a tela inicial deles e não tive problemas com qualquer um. FIFA 14, Reaper, Asphalt 8 e Dead Trigger 2 rodaram todos suavemente, e alguns, como o último, com efeitos exclusivos da plataforma — há poças d’água e efeitos de iluminação que não se veem com outros SoCs, mesmo os mais modernos como a GPU Adreno 330 do Snapdragon 800/801.

O Tegra Note também não esquentou muito. Pelo nível dos jogos e a intensidade dos testes, ele ficou relativamente frio. Ao voltar à tela inicial após uma sucessiva troca de jogos, os ícones demoraram um ou dois segundos para reaparecerem, mas a responsividade do sistema jamais foi perdida. (É bem provável que a RAM, de apenas 1 GB, seja o gargalo aqui.) Ele é um tablet que, a despeito do próprio Android, lida bem com a demanda do usuário, mesmo aquele mais exigente.

A Nvidia inseriu um punhado de tecnologias de nomes pomposos, como PureAudio, Chimera e DirectStylus — para o áudio, câmera e stylus, respectivamente. É difícil determinar até que ponto esse papo marketeiro teve efeito na prática. Menos complicado é apontar falhas em dois desses departamentos: tela e suporte à stylus.

A tela tem resolução de 1280×800 pixels e é boa no geral. A densidade de pixels fica em 216 PPI, o que é satisfatório ainda que em alguns jogos mais bonitos, como Asphalt 8, a escassez de pixels se faça notar na forma de bordas serrilhadas. Problema mesmo é a falta de saturação e contraste: as imagens são lavadas, o preto não é intenso e tudo parece meio desbotado. As configurações até contemplam uma para mexer no esquema de cores, com duas opções (Nativo e sRGB), só que nenhuma delas atenua a falta de vivacidade, notável mesmo sem comparações diretas com telas melhores, como a feita abaixo (à esquerda, Galaxy S5; à direita, iPhone 5):

Comparando a tela do Tegra Note.
Galaxy S5, Tegra Note e iPhone 5, todos com brilho no máximo.

Já o DirectStylus promete ser o meio termo entre stylus ativas e passivas. Existe essa distinção e, resumidamente, as ativas são melhores, mas mais caras do que as passivas. No Tegra Note, a promessa é de tornar a tecnologia passiva menos ruim. E é, de fato, passável, embora um tanto inconsistente: a rejeição à palma da mão falha às vezes e o reconhecimento de pressão parece restrito ao app de desenho padrão, o péssimo Tegra Draw. (Aliás, dica de amigo: baixe e use o Sketchbook, da Autodesk. Mesmo perdendo um ou outro poder que torna a stylus do Tegra Note única, a experiência é melhor.)

Apesar dos contratempos, a stylus é um ponto positivo. O problema é que, fora desenhar e tomar notas desordenadamente, ela não tem muita utilidade. Se no Galaxy Note Pro, cuja implementação é muito mais refinada e confiável, isso já era um entrave, aqui mais ainda. Resumindo: não use esse recurso como parâmetro para comprar ou não o Tegra Note.

Tegra Note e sua stylus.
Veja o desenho.

Um Android quase puro

O Android do Tegra Note é bastante puro. Não há skins, gráficos diferentes, apps em excesso disputando espaço com os padrões do sistema. Existem, claro, acréscimos, como o TegraZone, o já citado (e dispensável) Tegra Draw e um app de escrita cursiva, o Write, e apenas uma substituição mais significativa, o app da câmera que, apesar de funcionalmente melhor que o nativo, acrescenta complexidade.

A área de configurações vem com alguns itens extras, a maioria dedicado a funções exclusivas do tablet, como a DirectStylus. O único que me incomodou foi o que define o desempenho do processador: coloque no máximo e ele promete ficar mais rápido, sacrificando a bateria; o contrário inverte os efeitos. E ainda há um modo equilibrado.  O que você prefere? Para mim, depende. O duro é ter que acessar as configurações sempre que se quiser mudar isso. O ideal seria o sistema se adaptar ao uso corrente, fazendo os ajustes em tempo real e de forma autônoma.

Tablet gamer para gamers

Tegra Note ancorado pela Slide Cover.
A Slide Cover tem três níveis de inclinação.

O Tegra Note não é o suprassumo da tecnologia, é um tablet decente. Lá fora ele é comparado diretamente ao Nexus 7, e por um outro motivo além do tamanho: preço. Nos EUA, custa US$ 199, menos que o concorrente do Google/Asus. Não temos como fazer essa comparação aqui, já que o Nexus 7 é lenda no Brasil. Sendo assim, os R$ 999 que a Gradiente pede pelo Tegra Note valem o que compram?

Para quem procura desempenho puro e tem em jogos a prioridade num tablet, sim. As alternativas diretas são o recém-lançado Galaxy Tab 4 de 7 polegadas, da Samsung, e o também novo G Pad 7.0, da LG, ambos mais baratos, porém com configurações decididamente mais humildes. A outra, o iPad Mini, está num campo diferente, com acabamento bem melhor, um ecossistema mais rico e todas as vantagens que a Apple tem nesse segmento.

Como não sou de jogar, para mim o Tegra Note não é lá tão negócio — fosse mais barato, talvez pudesse ignorar o acabamento fraco, o design pouco inspirado e outros pequenos incômodos. Agora, se o que você quer é matar uns zumbis, acelerar carros no máximo e dar uns chutes a gol virtuais no FIFA, considere-o.

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8 comentários

  1. a unica coisa q nao consigo fazer é encontrar arqivos como uma pasta :( meu outro tablet tambem android fazia. alguem sabe como??

  2. Pesquisei rapido e vi por 849 na loja que explode.
    No mais, com apenas 1gb ram ele faz um bom trabalho. Isso é um tapa na cara da samsung,

    1. O que achei estranho é que nenhuma loja grande do varejo vende o Tegra Note. Só havia encontrado ele na própria Gradiente. Estratégia ou dificuldades de distribuição?

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