Swartz, Elbakyan e a destruidora devoção aos direitos autorais

Os 26 anos de vida de Aaron Swartz foram surpreendentes, inspiradores. Engajou-se, ainda adolescente, na criação da arquitetura das licenças Creative Commons (CC), foi um dos criadores formato de distribuição de conteúdo RSS e da rede social Reddit, ajudou a construir uma biblioteca gratuita no Archive.org, e fundou a Demand Progress, organização ciberativista famosa, sobretudo, por se opor aos projetos Stop Online Piracy Act (SOPA) e Protect IP Act (PIPA), nos Estados Unidos.

Swartz também sofria de depressão. Amigos e familiares reconheceram sua condição em algumas manifestações públicas. O programador manteve por anos um blog pessoal em que expressava suas opiniões e percepções sobre filmes, política, programação e, dentre outros assuntos, depressão.

Você quer deitar na cama e manter as luzes apagadas. A depressão é assim, só que ela não vem por algum motivo e também não vai embora por algo em particular. Sair e tomar um pouco de ar fresco ou aconchegar-se com alguém querido não faz com que você se sinta melhor, apenas mais irritado por não conseguir sentir a alegria que todos os outros parecem sentir. Tudo fica manchado pela tristeza.

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Napster e o legado (legalizado) da “pirataria”

Em 2019, o Napster, serviço pioneiro de compartilhamento peer-to-peer (P2P) de músicas “piratas”, completa 20 anos. Há duas décadas, milhões de pessoas com acesso à internet vivenciaram uma das mais empolgantes experiências no que concerne ao consumo da música: o download gratuito de quaisquer canções na rede. Para além da gratuidade, quem realizava os downloads estava livre para adquirir apenas as músicas que lhe interessava — desprendendo-se, muitas vezes, de faixas desconhecidas que compunham o álbum de um artista — e contava com a comodidade de obtê-las em casa, sem ter que se deslocar fisicamente até uma loja de CDs.

Mais do que facilitar a vida daqueles que tinham acesso a computadores e à internet ao final da década de 1990, o Napster localizou a música no campo digital, introduzindo (de modo mais categórico) sensos de justiça sobre o consumo ou mesmo inspirando o formato de negócio que muitos anos depois seria adotado por empresas como o Spotify. É sobre tais legados que este texto trata.

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O The Pirate Bay e a persistência mitológica

Na mitologia grega, a Hidra de Lerna corresponde a um monstro que habita região pantanosa na península de Peloponeso e é considerada uma das criaturas mais temidas da antiga Grécia. Dotada de um corpo com aspecto canino — ou de dragão, a depender da narrativa —, tal criatura apresenta como uma de suas principais características a pluralidade de cabeças: a Hidra conta com nove cabeças serpentinas, sendo que uma dessas seria considerada imortal. Ainda que as narrativas de um monstro com múltiplas cabeças, por si só, sejam suficientes para suscitar noções de pavor e de curiosidade aos destinatários de tal mito, é a capacidade de rápida regeneração da Hidra que se destaca enquanto tópico intrigante.

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Universo alternativo: Cine Filmes e a pirataria de filmes debaixo do nariz do Google

Nota do editor: Esta matéria é parte de um especial do Manual do Usuário sobre aplicativos para Android em posições de destaque na Play Store brasileira, mas que estão fora do radar da imprensa. São famosos desconhecidos que, juntos, criam uma espécie de universo alternativo dos apps. Leia também a primeira parte (4Shared) aqui e a segunda (Biugo).


A relação entre a indústria do entretenimento e a pirataria sempre foi de tensão. Uma briga de gato e rato que contrapõe empresas multibilionárias e idealistas ou pessoas comuns sem muitos recursos, mas com uma vontade imensa de ter acesso à ampla produção artística da humanidade. Por isso, casos como o do Cine Filmes chamam a atenção: um app de streaming de filmes direto, gratuito, sem qualquer aval da indústria cinematográfica e que permaneceu disponível na Play Store por meses como um dos apps mais baixados da plataforma do Google.

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Universo alternativo: Como o 4Shared virou o “Spotify pirata” na era da música por streaming

Nota do editor: Esta matéria é parte de um especial do Manual do Usuário sobre aplicativos para Android em posições de destaque na Play Store brasileira, mas que estão fora do radar da imprensa. São famosos desconhecidos que, juntos, criam uma espécie de universo alternativo dos apps. Leia a segunda parte (Biugo) e aguarde a última nesta quarta (29).


Nos últimos anos, ouvir música virou quase sinônimo de ter um app que faz streaming no celular. Nesta nova realidade, alguns players se destacam: Spotify, YouTube, Apple Music, Deezer. são poucos e você, muito provavelmente, já deve ter pelo menos ouvido falar de todos eles.

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Mudanças no streaming de vídeo fortalecem a pirataria

No início da década, a Netflix despontou com uma oferta tentadora: muitos filmes e séries, todos em um só lugar, a um preço bastante acessível. O sucesso da empresa fez com que, anos depois, outras investissem na mesma fórmula, como a Amazon. Agora, os próprios estúdios e distribuidoras, como Disney e Warner, também se preparam para entrar no streaming, cortando intermediários e aumentando a fragmentação.

Ter que assinar alguns planos de streaming acaba com as vantagens originais da Netflix — o baixo custo e a conveniência de ter tudo no mesmo lugar ao alcance de um clique. Essa mudança na dinâmica do mercado pode ter um efeito colateral danoso às próprias empresas do entretenimento: o retorno da pirataria. É sobre isso que eu (Rodrigo Ghedin), Naiady Piva e a convidada especial Andressa Soilo, doutoranda em Antropologia Social pela UFRGS, debatemos no programa desta semana.

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