Fundo azul, com uma chamada para um PlayStation 5 no centro. À esquerda, a frase “Ofertas de verdade, lojas seguras e os melhores preços da internet.” À direita, “Baixe o app do Promobit”.

Amazon apresenta tecnologia da Alexa que recria vozes de pessoas mortas

A Amazon apresentou um novo recurso da Alexa, sua assistente de inteligência artificial, que imita vozes de outras pessoas. O objetivo é reavivar vozes de parentes falecidos.

A tecnologia não é nova, foi usada para “ressuscitar” Anthony Bourdain e José Antunes Coimbra, pai do Zico, em documentários e filmes, e para dar voz novamente a Val Kilmer na ponta que ele faz em Top Gun: Maverick.

A diferença é a escala. A Amazon diz que só precisa de um minuto de áudio para recriar a voz de alguém.

Fora a controvérsia natural de algo assim, outros usos podem ser igualmente problemáticos. E se alguém quiser ouvir uma história de ninar com a voz do Galvão Bueno, sem a autorização do próprio Galvão? Pode isso, Arnaldo?

Não há data, nem certeza, para esse recurso ser lançado. Via Reuters, AWS Events/YouTube (ambos em inglês).

Microsoft remove da prateleira produtos de reconhecimento facial

A Microsoft anunciou uma série de novos princípios de uso responsável da inteligência artificial e, junto ao documento, descontinuou suas ferramentas de detecção de gênero, idade e humor via reconhecimento facial e endureceu o fluxo para liberar as remanescentes do tipo a novos clientes — eles terão que detalhar a finalidade do uso e serem aprovados por uma equipe de revisão liderada por Natasha Crampton, responsável pelo departamento de IA da Microsoft. Via Microsoft, New York Times (ambos em inglês).

Google anuncia novos gadgets e recursos de inteligência artificial no Google I/O 2022

Nesta quarta (11), aconteceu a abertura do Google I/O 2022, a conferência anual para desenvolvedores do Google, que a empresa aproveita para anunciar novidades.

Novo Android 13, um monte de celulares e outros gadgets que não chegam ao Brasil e vende pouquíssimo lá fora, recursos de inteligência artificial cada vez mais complexos e, paradoxalmente, cada vez menos impressionantes (e com aplicação limitada e/ou duvidosa), uma ou outra coisa realmente legal, mas… né, acaba diluída em meio a tanta coisa.

Destaques para o relógio inteligente (bonitão, mas será que vende?), um tablet que parece saído de 2014 e uma versão menos esquisita e capaz do Google Glass.

Além do vídeo acima, que condensa +2 horas de evento em 12 minutos, o blog do Google tem um espaço dedicado a todas as novidades anunciadas. Via Blog do Google (em inglês).

O futuro da web é texto de marketing criado por algoritmos

O futuro da web é texto de marketing criado por algoritmos (em inglês), por Tom Simonite na Wired:

A Jasper também pode gerar conteúdo ideal para anúncios no Facebook, e-mails de marketing e descrições de produtos. Ela faz parte de um grupo de startups que adaptaram uma tecnologia de geração de texto conhecida como GPT-3, da empresa de inteligência artificial OpenAI, para satisfazer uma das demandas mais antigas da internet — criar texto de marketing que gere cliques e apareça na primeira página do Google.

A criação de textos de marketing provou-se um dos primeiros casos de uso em larga escala da tecnologia de geração de textos, que deu um salto em 2020 quando a OpenAI anunciou a versão comercial do GPT-3. Só a Jasper afirma ter mais de 55 mil assinantes pagantes, e a OpenAI diz que um concorrente tem mais de 1 milhão de usuários. A Wired contou 14 empresas que oferecem abertamente ferramentas de marketing que podem gerar conteúdos como posts em blogs, manchetes e comunicados de imprensa usando a tecnologia da OpenAI. Seus usuários falam da escrita potencializada pelo algoritmo como se ela fosse se tornar tão ubíqua quanto a verificação ortográfica automática.

“Sou um péssimo escritor e isso facilita muito criar conteúdos relevantes para o Google”, diz Chris Chen, fundador da Instapainting, que usa uma rede de artistas para transformar fotografias em pinturas de baixo custo.

É preciso banir todas as armas que localizam, selecionam e atacam alvos humanos sem supervisão de um ser vivo responsável, ou seja, as autônomas letais. E banir a pesquisa, a criação, o desenvolvimento e o uso.

— Stuart Russell, professor da Universidade da Califórnia em Berkeley (EUA), especialista em inteligência artificial e autor do livro Inteligência artificial a nosso favor: como manter o controle sobre a tecnologia (Companhia das Letras), em entrevista ao jornal O Globo.

TikTok paga menos de um salário para brasileiros transcreverem vídeos

Algumas estimativas dão conta de que até 75% dos usuários do TikTok acessam o aplicativo sem som, o que pode ser um problema para um de vídeos. A ByteDance, dona do TikTok, contornou esse obstáculo oferecendo legendas automáticas – ou assim se pensava.

Reportagem do The Intercept Brasil publicada neste domingo (3) revelou que as legendas dos vídeos em português brasileiro são feitas por um exército de trabalhadores precarizados, contratados por empresas subcontradas pela ByteDance. Recrutadores gerenciam os trabalhadores em grupos de WhatsApp, exercendo pressão para que eles aumentem a produção.

Havia a promessa de pagar até US$ 14 por hora trabalhada, mas apenas aos trabalhadores que alcançcassem uma meta diária que, realisticamente, exigiria que eles se dedicassem 20 horas por dia. Na prática, ganhavam menos de meio salário mínimo.

Não é a primeira, nem a segunda – e provavelmente não será a última vez – em que “inteligência artificial” é usado como eufemismo para trabalho precarizado. Via The Intercept Brasil.

Cientista de dados da IBM, negro, é preso por reconhecimento de foto

Raoni Lazaro Rocha Barbosa, 34 anos, cientista de dados da IBM, foi preso no último dia 17 acusado de ser integrante de uma milícia em Duque de Caxias (RJ). Segundo Ancelmo Góes, a prisão de Raoni foi decretada com base em reconhecimento facial, a partir de uma foto que, segundo seus advogados, não é dele. Outro detalhe que chama a atenção é que, também de acordo com os advogados, Raoni jamais morou em Duque de Caxias — ele reside em Campo Grande, a ~35 km. O caso está nas mãos da desembargadora Denise Vaccari, da 1ª Câmara Criminal do Rio. Via O Globo.

Estratégia de inteligência artificial brasileira é patética

Na sexta (9), o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) publicou a Estratégia Brasileira de Inteligência Artificial (PDF). Ronaldo Lemos, advogado e diretor do ITS-Rio, em sua coluna na Folha de S.Paulo classificou o documento como um “trabalho de graduação universitária malfeito” e “uma reunião de platitudes e citações de dados buscados na internet”. A mim, o documento lembrou o inacreditável “plano de governo” (PDF) do então candidato à Presidência Jair Bolsonaro (à época no PSL, hoje sem partido) nas eleições de 2018. O que, quase dispensável dizer, é bem preocupante. Via MCTI, Folha de S.Paulo.

Inteligência artificial escreve o review de um iPhone

O Estadão conseguiu acesso ao GPT-3, um tipo de inteligência artificial (IA) desenvolvida pelo OpenAI e tida como o que há de melhor na redação autônoma de textos. O jornal colocou a IA para escrever o review do iPhone 11 Pro e… ok, é legível, mas parece ter sido escrito por alguém embriagado, além de conter erros factuais como dizer que o celular tem uma entrada USB-C (não tem) e que ele tem apenas uma câmera (tem quatro, três traseiras e uma frontal).

Review de celular é um tipo de texto que pode ser adaptado para modelos automáticos, porque os dados elementares, que guiam a redação, podem ser estruturados. A brincadeira de 1º de abril deste ano aqui no Manual é um rascunho rudimentar nesse sentido, embora não tenha nada de IA. O desafio do Estadão/GPT-3 é de outra natureza, e talvez a melhor saída esteja num meio termo entre as duas coisas — por exemplo, imagino que se incluirmos as tabelas de especificações do GSMArena na “receita”, os erros factuais básicos teriam sido evitados. Nas eleições municipais deste ano, o G1 adotou um modelo do tipo para produzir notícias de cada um dos 5.568 municípios brasileiros.

 

Google demite cientista de dados por artigo crítico à empresa

O Google demitiu Timnit Gebru, cientista de dados com um amplo trabalho na crítica a vieses discriminatórios em sistemas de inteligência artificial. A demissão ocorreu por um artigo, que ela assinou com outros cinco pesquisadores, a respeito das limitações e impactos dos modelos de linguagem de inteligência. O MIT Technology Review deu uma olhada no artigo; especialistas acreditam que o artigo traz verdades inconvenientes relacionadas à atuação do Google. Um abaixo-assinado em apoio a Timnit já conta com +1,6 mil assinaturas de funcionários do Google e +2,5 mil de acadêmicos e profissionais. Via Estadão, @timnitGebru/Twitter (em inglês).

Mais um exemplo de que o termo “algoritmo”, às vezes, também pode ser traduzido como “decisões baseadas nos vieses de quem tem poder decisório nas empresas.”

Inteligência artificial confunde careca de bandeirinha com bola e arruina transmissão de partida de futebol

https://www.youtube.com/watch?v=9zoJP2FkpgU

O Inverness Caley Thistle, time de futebol da segunda divisão da Escócia, protagonizou um episódio paradigmático das consequências acidentais do uso de inteligência artificial. Em meados de outubro, a equipe anunciou o sistema de câmera Pixellot, uma inteligência artificial “camera man”, que substituiria operadores humanos atrás das câmeras nas transmissões das partidas do time pelo Escocêszão. A lógica desse trabalho, afinal, é relativamente simples: basta que a câmera acompanhe a bola, certo?

Só não contavam com a careca do bandeirinha no jogo do Inverness contra o Ayr United, no dia 24 de outubro. Aos “olhos” da inteligência artificial, a cabeça do auxiliar de arbitragem era interpretada como uma bola de futebol e… bem, isso meio que arruinou a transmissão robótica. Via IFLScience (em inglês).

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