Tablet Galaxy Tab S2.

Em tablets, Android “puro” ainda é desvantagem


9/12/15 às 16h37

Demorou um pouco, mas o Google finalmente lançou seu novo tablet, o Pixel C, nos Estados Unidos. Ele foi anunciado junto aos smartphones Nexus 5X e Nexus 6P, porém teve uma gestação mais demorada. Finalmente saiu, ontem, por US$ 499. Para muitos, um tablet com Android puro é uma compra certa. Para mim, não. Quando a tela é grande, o Android sem retoques da fabricante é uma causa perdida.

Desde o começo, mesmo quando tinha uma versão paralela para tablets (a 3.0 “Honeycomb”), o Android nunca foi muito adequado para o formato. Essa variante do sistema, feita em resposta ao iPad, e as adaptações subsequentes naquelas concebidas para smartphones, sempre careceram do fator que torna o concorrente da Apple tão interessante: apps.

A maioria dos apps disponíveis no Android são os mesmos do smartphone, apenas com instruções escritas pelos desenvolvedores para que “estiquem”, de alguma forma, no espaço maior do tablet. Uns espalham mais conteúdo pela tela, outros literalmente esticam os elementos disponíveis por toda a área e alguns mantêm a largura fixa, acrescentando vastos espaços vazios nas laterais. Nenhuma dessas soluções é a adequada.

O exemplo, que deveria vir de cima, não existe. O próprio Google não se incomoda muito em adaptar o sistema Android a telas de tablets, que chegam a ter até 18,4 polegadas — embora as mais comuns variem de 7 a 10. No máximo uma ou outra tela é reorganizada, mas o foco nas pequenas, de celulares, se faz sentir por todas elas. Tablets nunca tiveram muita atenção do Google e isso se reflete no uso daqueles que rodam Android.

O Pixel C, citado acima, recebeu críticas boas, mas sempre com uma ressalva que a chamada da Wired resume bem: “O Pixel C não é muito bom porque o Android para tablets não é muito bom”. O sentimento se repete em outras análises. No Wall Street Journal, Joanna Stern reclamou do mesmo problema e, no Ars Technica, Ron Amadeo coloca, na manchete, que o “novo hardware ignora um problema fundamental de tablets Android: software”. Walt Mossberg, em sua análise, cita alguns apps populares que desperdiçam a área de tela extra, se comportando como se estivessem num smartphone.

Há mérito na experiência “pura” do Android presente no Pixel C, tablet desenvolvido e distribuído pelo próprio Google? Claro. É o ponto de venda da linha Nexus, em smartphones ou tablets. Mas não é mais algo absoluto como no passado. Se eu fosse comprar um tablet hoje, mesmo considerando o Pixel C e o Nexus 9, que não são comercializados no Brasil, não seria um desses o meu escolhido.

Eu iria de Galaxy Tab S2.

Sim, é da Samsung e, claro, vem com a Touchwiz. Nesse mesmo passado em que o Android “puro” era requisito para se comprar qualquer coisa rodando o sistema, muito disso se devia ao fato de que a Touchwiz e outras personalizações de fabricantes eram grosseiramente ruins. Eram um asterisco enorme ao se indicar a compra de um smartphone, por melhor que seu hardware fosse.

Não é mais o caso. Ainda há exageros, mas eles estão sendo reduzidos. O Galaxy S6 e o Galaxy Note 5, bem como suas variantes com telas que “derretem” nas bordas, são bem usáveis. Mas não é só isso. As personalizações, além de deixarem de ser intrusivas, estão se tornando úteis.

Em tablets, a Samsung permite a visualização de dois apps ao mesmo tempo. Microsoft (Surface Pro) e Apple (iPad Air 2 e iPad Pro) também. É algo que só o Android “puro” não entrega, e uma omissão especialmente grave no Pixel C, um dispositivo que se apresenta como ferramenta de produtividade.

Outro exemplo de carência na experiência “pura” do Android é o suporte a caneta, ou a falta dele. A linha Galaxy Note entrega há muito tempo canetas com ótima precisão e sensibilidade à pressão, e as duas rivais já mencionadas, Apple e Microsoft, também. Isso não existe na oferta do Google.

No passado, a justificativa pública das fabricantes de smartphones Android para encherem o sistema com software próprio era suprir as lacunas que o Google ainda não conseguia preencher. Para smartphones, isso faz cada vez menos sentido. Para tablets, ainda é uma justificativa válida, dado o descaso que vem de cima. O Android é excepcional e nunca foi tão bom quanto é hoje, mas isso só vale para smartphones. Quer um tablet? Ok, mas leve o bloatware da fabricante junto — por incrível que pareça, é melhor assim.

Revisão por Guilherme Teixeira.

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