Cofrinho de porco rosado.

Em 2015, smartphones topo de linha ficaram, em média, 39% mais caros


23/11/15 às 16h10

No já distante mês de maio, quando apenas G4 e Galaxy S6, entre os smartphones topo de linha que costumam ser lançados por aqui, já estavam disponíveis, fiz um gráfico comparando seus preços aos dos antecessores, os high-end de 2014. Chegou a hora de atualizá-lo.

Antes, porém, interessa notar como o preço dos dois smartphones então disponíveis caiu em menos de seis meses. O Galaxy S6 chegou ao Brasil com preço sugerido de R$ 3.299 e o G4, de R$ 2.999. Hoje, ambos são encontrados, com frequência, por menos de R$ 2.000 — no caso da Samsung, uma manobra deliberada para impulsionar as vendas do modelo e sua variante, o S6 edge.

E quanto aos demais? Vejamos o gráfico:

Gráfico de preços de smartphones 2014-2015.

No texto anterior, banquei o vidente e apostei no preço do vindouro iPhone 6s:

Se a Apple seguir as rivais sul-coreana, o preço do (suposto) iPhone 6s de entrada pode passar de R$ 4.000 (com um aumento de 26%).

Não passou, mas o preço sugerido bateu na trave — ficou em R$ 3.999.

Já o Moto X, aparelho mais barato da geração passada, sairia por ~R$ 1.888. (…) Como a estratégia da Motorola tem sido focar em custo-benefício, o que explica em parte seu sucesso no Brasil, estou curioso para ver por quanto o sucessor do Moto X sairá aqui.

A estratégia acabou sendo um pouco surpreendente: a Motorola lançou dois Moto X, um focado em preço/custo-benefício (Moto X Play) e outro como sucessor direto do Moto X de 2014 (Moto X Style). Para o fim comparativo que proponho aqui, considerei o Style, que chegou por R$ 2.499, um aumento de 66% em relação aos R$ 1.499 cobrados no modelo anterior, o maior entre os smartphones analisados.

O Moto Maxx virou Moto X Force e, obviamente, encareceu. Ano passado ele custava R$ 2.199; neste, R$ 3.149, ou 43% mais caro. (Só por curiosidade, foi quase isso o que o Moto G de entrada encareceu no mesmo período. Em 2014, a segunda geração custava R$ 699; hoje, o preço mínimo sugerido pela Motorola para a última/terceira geração é de R$ 999, ou 42,91% mais caro.)

A Motorola foi a que mais subiu os preços dos aparelhos. Em sua defesa, ano passado ela praticava os valores mais competitivos — o Moto X de 2ª geração sempre foi muito barato pelo que entrega.

(Constatação bizarra: a Apple foi a que menos encareceu seu produto de um ano para o outro.)

Para fechar com o pé na porta, temos a Sony. Entre o Xperia Z3, do ano passado, e o atual Xperia Z5, houve o Xperia Z3+. Esse teve um aumento tímido, de R$ 300 (R$ 2.699 para R$ 2.999), ou 11,1%. Mas aí chegou o Xperia Z5 e, nossa… R$ 4.299, ou 43,3% em relação ao Z3+. Sobre o Z3, de um ano atrás, o smartphone topo de linha da Sony encareceu 59,3%.

Na média, comprar um smartphone topo de linha em 2015 ficou 39,67% mais caro. Isso considerando todos os preços de lançamento sugeridos pelas fabricantes, incluindo os do Galaxy S6 e G4 que, por estratégia e mercado, respectivamente, tiveram reduções maiores em um período menor que seus antecessores. A sorte de quem procura um smartphone novo é que a qualidade dos intermediários segue na ascendente e, hoje, dá para ser feliz sem gastar um rim, com coisas como Moto X Play e Zenfone 2.

Volto em 2016 com mais um post da série “como a economia te deixa mais longe de comprar um iPhone”. Até lá!

Revisão por Guilherme Teixeira.
Foto do topo: Ken Teegardin/Flickr.

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27 comentários

  1. Em 2016 pretende ser maior ainda, porque aprovaram o aumento do imposto sobre produtos eletrônicos, com certeza vai ter aumento em vários smartphones.

  2. apesar de tudo em preços não oficiais o que mais vale a pena é o galaxy s6 que já pode ser encontrado por menos de 2.000,00 R$ ainda que os iPhones não tenham aumentado tanto o preço deles também não vai cair e convenhamos já era absurdo em 2014(desde 2007 é absurdo), na minha opinião o melhor CxB é da samsung mesmo

  3. Olá, Ghedin. Em breve haverá mais material pro seu levantamento. A Huawei confirmou pra mim no Twitter que o Nexus 6P vem pro Brasil (e eu acho que não demora). Perguntei se com um preço justo, disseram que sempre repassam preços justos para os revendedores e parceiros. Vamos ver…

    1. “Preço justo” seria o equivalente ao americano? Porque se for, não chega por menos de R$ 2k aqui. Lá, ele custa US$ 499 (sem impostos) que, numa conversão rápida, dá quase R$ 1.900…

  4. MPX220, A1200, Blackberriesssss, iPhonesss… Entre eles dois Androids, desses bem em conta como 2a opção. Quem sabe no futuro um W10 não me faça trocar.
    Na minha pobre e desconceituada opinião, não pagaria jamais mais de 2k num telefone cujo sistema fosse código aberto. Bem porque os termos de uso do telefone que se confundem diretamente com o termos de uso do sistema são deveras abusivos.
    Dos aparelhos mencionados no post, vejo que somente o Z5, o S6 e o iPhone se justificam, pelo hardware premium, algum valor realmente acima dos 3k. No entanto, a inteligência inerente agregada ao iPhone, ao meu ver, justifica o seu preço. Aos demais, não acho que justifique.
    PS: Saudades do A1200… Era o máximo! E rodava Linux… sincronizava tudo com o Exchange 2003, tinha tocador de música e de vídeo decentes. Tudo funcionava perfeitamente bem. Era feliz com ele. Muito feliz!

  5. Da pra ser feliz com um redmi pro 2 tranquilamente, 599 reais sendo que no exterior ta na média 150 dólares.
    Pode não ser um sonho de celular, mas custo benéfico já ta valendo.

  6. Antes fossem só os smartphones, que são futilidades inúteis. O preço dos serviços essenciais sobe a cada ano, está cada vez mais difícil viver nesse país.

    1. Até no papel higiênico de fase dupla estão aumentando o imposto (só no RJ por enquanto), imagine.

  7. @Ghedin, compensa trocar um Moto X’14 pelo X Play? o fato de ser dual chip e com uma bateria melhor – sem contar a câmera, me atrai.

    em termos de processamento – eu não jogo pesado, faz mesmo diferença? meu X de vez em qdo fica bem esquentadinho…

    1. É uma troca sutil, mas dependendo do que você prioriza, compensa. O Moto X Play tem dois grandes destaque: bateria e câmera (não é espetacular, mas bem melhor que a do Moto X 2014). E, como você bem apontou, o dual SIM (embora isso esteja se tornando irrelevante com as mudanças nos planos das operadoras).

      1. o dual SIM pode ser útil qdo vc tem plano de dados de uma op e de voz de outra – meu caso. mas, de fato, essas mudanças devem tornar essa característica supérflua, no futuro breve (I hope so).

        tks!

  8. Parabéns , bela copilação , demonstra como estamos ficando cada vez mais com queda no nosso poder aquisitivo.

  9. Ghedin, na tua opinião, acha que o maior culpado desse aumento é o dólar alto (e consequentemente a economia ruim)?
    Sei que o dito “custo Brasil” envolve muito mais que impostos e valor do dólar e que as empresas costumam ter margens de lucro maior por aqui. Mas me parece que esse foi o maior aumento dos últimos tempos.
    Será que a “culpa” é mesmo do dólar ou aproveitaram a desculpa e meteram a faca?

    1. É difícil apontar culpados sem uma análise mais aprofundada e sem ouvir as empresas (desde que elas, claro, estejam abertas a conversar sobre isso). Mas, sim, eu acredito que o dólar e a insegurança econômica sejam os principais responsáveis por esse aumento expressivo.

      1. É uma discussão que sempre tivemos em blogs de tecnologia. Muita gente põe a culpa apenas nos impostos por termos produtos caros em comparação ao mercado americano. Mas alguém sempre comenta que é muito mais que isso, o que inclui também os lucros.

        Além de montadoras, também vemos isso em outras áreas como nos eletrônicos. Eu pelo menos sempre ouvi coisas do tipo “é mais caro, mas é Sony”, ou nos smartphones, onde a Apple é “acusada” que vender mais caro aqui, mesmo quando o preço do concorrente é igual em dólares. Enfim, não posso te dar uma fonte sobre esse fato, mas é certo que ele existe e no contexto da minha questão faz sentido, pois a alta do dólar pode ser usada como desculpa pra isso.

      2. É uma discussão que sempre tivemos em blogs de tecnologia. Muita gente põe a culpa apenas nos impostos por termos produtos caros em comparação ao mercado americano. Mas alguém sempre comenta que é muito mais que isso, o que inclui também os lucros.

        Além de montadoras, também vemos isso em outras áreas como nos eletrônicos. Eu pelo menos sempre ouvi coisas do tipo “é mais caro, mas é Sony”, ou nos smartphones, onde a Apple é “acusada” que vender mais caro aqui, mesmo quando o preço do concorrente é igual em dólares. Enfim, não posso te dar uma fonte sobre esse fato, mas é certo que ele existe e no contexto da minha questão faz sentido, pois a alta do dólar pode ser usada como desculpa pra isso.

        1. Não duvido de nada disso, inclusive é suspeito o lucro por essa flutuação de preços altíssima, mas acho que diferente de montadoras nunca vi alguém dizer que o lucro da Motorola é muito maior no Brasil que nos EUA como é o caso das montadoras.

          E, de certa forma, o pessoal nem se esforça antes de acusar: praticamente ninguém lembra que a Apple, por exemplo, importa o seus produtos e o Brasil tem regras de tributações bastante complexa em comparação a outros países.

          É plausível que, dependendo da localização da empresa e o que precisa importar as coisas mudem bastante. Fora os abonos por faixa de valor que são bem importantes, tanto que a Motorola até inventou o Moto X Play para manter um smartphone abaixo dos R$1500,00.

          Enfim, não estou abonando as empresas, mas o Brasil tem o sistema tributário mais complexo do mundo (http://noticias.uol.com.br/opiniao/coluna/2015/09/14/sistema-tributario-complexo-afasta-investimentos-de-empresas-no-pais.htm). E eletrônicos nos últimos anos sempre tiveram abonos diversos por faixa de preço e condicionado a fabricação local.

          É possível que seja sim, como as montadoras, apenas acho que de fato tem bastante detalhes no preço de eletrônicos.

        2. Com certeza botar a culpa só nos impostos é errado. Claro que os impostos são uma boa parte do preço, mas a margem de lucro aqui é enorme e chega ser maior que 30%, sendo que em paises como os Estados Unidos chega a ser de 5%, uma grande diferença.
          Um dos problemas é que o povo compra mesmo sendo muito caro aqui, gosta de ostentar. Jornal americano já chegou a fazer matéria a respeito disso, vieram pra cá pra tentar entender como é que se cobra tão caro e chegaram a essa receita.
          Impostos altos + logística defasada + margem de lucros altíssimas e brasileiro pagando pra se mostrar.

    2. Mateus, o buraco é mais embaixo – e eu mesma não tenho ideia de sua real profundidade. Estamos catando cavaco, há duas décadas, num pós-abertura comercial dos anos 90 que aconteceu de maneira desordenada (e aqui vos fala uma neoliberal) e que foi descontinuada pelo governo seguinte, sem que tivéssemos a oportunidade de atestar o seu amadurecimento (ou não). O que isso significa? Que hoje um Motorola é montado no Brasil com peças majoritariamente importadas, e a importação de eletrônicos é responsável por grande rombo em nossa balança comercial. O capital dessas empresas pode até ser nacional, mas o custo de produção abarca um pesado encargo tributário, fruto de uma política de incentivo ao desenvolvimento da indústria brasileira também desordenada. Por que não exportamos massivamente, então? Porque não somos competitivos. A minha sensação (e de algumas muitas pessoas) é de que perdemos esse bonde há muito tempo. Estamos à margem do compasso dos países líderes em inovação, e que fique bem claro que a culpa não é do capital humano. Sim, é inevitável falar de impostos. E outra… O fácil acesso ao crédito e disposição do brasileiro a se endividar para adquirir um smartphone top de linha (viés totalmente não econômico) permitem que as fabricantes aufiram lucros monstruosos sobre o mercado nacional. Portanto, dá-lhe alta nos preços, mesmo em período de crise. Por essas e por outras, observamos uma elevação absurda de 40% nos preços dos smartphones num comparativo com 2014. E sabe o que fiz, ciente disso tudo? Fui lá e comprei um iPhone.

    1. E eu com o meu Galaxy S4 velho de guerra! Já são uns bons 3 anos sem comprar celular (tive meu S3 trocado pelo atual S4).
      E sinceramente? Não sinto falta de nada dos novos TOP de linha. Estou plenamente satisfeito com o meu!

        1. Ah, eu quase não tiro foto… para mim tá excelente! :D
          Quanto a travadas, quando digito não trava não.. tem momentos de lentidão, mas… Acostumei!
          (Não tô dizendo que não gostaria de ter um zero, mas não sinto falto, antes que venham me crucificar!)

    2. Moto X 2014 tava (ou ainda está?) baratinho direto da Motorola por R$ 948. Se eu gostasse de Android iria nele com certeza :)