Uma semana usando Linux
No final de 2023, descolei um mini PC para realizar experimentos diversos. Nesta semana, pus em prática um deles: usar (quase que) exclusivamente Linux.
Ao longo da semana, registrei as dificuldades, descobertas, curiosidades e tudo mais que achei relevante a fim de escrever um relato, como se fosse um diário. Este texto, no caso.
Antes, alguns avisos para contextualizar o experimento:
- Comecei minha vida nos computadores usando Windows e desde 2015 uso macOS. Faz muito tempo que acompanho o Linux à distância, tendo contatos esporádicos com o sistema, nada aprofundado. Creio que esta semana foi a imersão mais profunda que já fiz no sistema.
- O mini PC é relativamente fraco (perto do MacBook Air com chip M1, é bem lento). Isso afetou bastante o uso em alguns momentos. (Detalhes técnicos: tem um chip Intel N100 e 8 GB de RAM DDR5.)
- Para piorar, o único monitor que tenho disponível é um com resolução 4K (3840×2160). Além de exigir mais do computador, o sistema se embananou em alguns momentos para renderizar elementos na proporção e tamanhos corretos.
Embora tenha escrito em tempo real este diário, preferi usar o tempo verbal no passado, por consistência e para facilitar do meu lado.
Fim de semana, 20–21 de janeiro
Estou usando o Fedora 39 com Gnome 45 no mini PC. Foi a primeira distribuição que me ocorreu instalar nele, mas após algumas conversas nos comentários do Manual, resolvi expandir os horizontes e dei uma olhada no LXQt e, depois, no KDE Plasma.
Aparentemente não existe uma distribuição de referência para esse ambiente, como o Fedora é para o Gnome, então fui de Debian 12.
Fiquei surpreso com a flexibilidade do Plasma. Tinha uma visão ruim do KDE, de que o excesso de configurações pudesse ser um fardo — em vez de fazer as minhas paradas, ficaria fuçando no sistema. Na real, os padrões do Plasma são bem coerentes e, onde não são, as opções infinitas ajudam a ajeitar as coisas.
Como se fosse um ensaio para a semana, fiz alguns avanços básicos no ambiente a fim de sentir o clima, como configurar meus e-mails no KMail, o cliente de e-mail padrão do KDE. (Clientes de e-mail, como se sabe, são difíceis; eu nunca tinha usado o KMail.)
Outra coisa que me causou certo desgosto foi o excesso de aplicativos pré-instalados, mas aí a culpa é do Debian.
Segunda-feira, 22 de janeiro
Acordei com uma missão: reinstalar o Debian com o mínimo de coisas. Topei com este tutorial que, apesar de defasado, deu resultado.
Para resumir o tutorial à parte que importa, basta instalar o Debian sem ambiente gráfico e, no primeiro login, instalar os pacotes básicos do KDE Plasma com este comando:
sudo apt install kde-plasma-desktop plasma-nm
Depois, reiniciar o sistema com:
sudo reboot
Ao retornar, a tela de login do Plasma aparece em toda a sua glória.
Ou quase. Não sei por qual motivo, a parte de redes Wi-Fi apareceu quebrada, mesmo com uma conexão à internet ativa e funcionando. O ícone na bandeja do sistema era aquele que aparece quando não há conexão e, o mais grave, ao abrir a lista de redes Wi-Fi ao alcance do computador, nenhuma aparecia, nem mesmo a conectada.
Pesquisei o que poderia ser, mexi em uns arquivos do sistema e, após reiniciá-lo, as redes Wi-Fi apareceram. Acho (um grande “acho”) que a solução foi alterar managed=false para managed=true no arquivo /etc/NetworkManager/NetworkManager.conf. Típico Linux.
A instalação mínima do KDE Plasma é bem mais agradável. Vem com alguns apps básicos, como o editor de textos Kate (ótimo!), o navegador Konqueror (meh) e ferramentas do sistema, e só.
Decidi jogar seguro. Minha lista de aplicativos essenciais — além do Kate — foi esta:
- Navegador: Firefox;
- E-mail: Thunderbird;
- Gerenciador de senhas: KeePassXC.
Para ter acesso aos meus arquivos que estão no MacBook, instalei o Syncthing nos dois computadores. Assim, as alterações que fiz ao longo da semana no Linux foram replicadas no Mac.
Um “problema” da instalação mínima do KDE Plasma é que ela é… bem, mínima. Ao longo do dia, notei que não havia um descompactador de arquivos (instalei o Ark) nem um visualizador de imagens (Gwenview).
Com o uso, outras questões menores do Linux no geral surgiram. Por exemplo: escrever acentos e caracteres especiais menos usuais, como reticências (…) e travesão (—).
Conhecia o método do Ctrl + Shift + U e uma série de dígitos. Funciona, mas é demorado e difícil de memorizar. Foi aí que descobri a tecla de Composição (Compose), que abre um leque de novos atalhos. Ótimo. Configurei a tecla Caps Lock como a de Composição e aprendi quase todos os atalhos mais usados no dia a dia. Só faltaram as aspas bonitinhas. Não consegui de jeito maneira fazê-las.
(Esse negócio de alterar os atalhos no teclado é muito útil! Meu teclado é daqueles “para Mac”, o que no Linux e no Windows significa que ele inverte as teclas Alt e Meta (a que costuma ter o logo do Windows). Consegui invertê-las nas configurações do Plasma. Outro exemplo: o atalho padrão do Klipper, o gerenciador da área de transferência nativo, é Meta + V, mas estou acostumado ao atalho que defini para o app Maccy, no macOS: Shift + Alt + C. Novamente, foi trivial fazer essa alteração.)
Último perrengue do dia: converter Markdown para HTML. No macOS, uso um atalho (do aplicativo Atalhos, da Apple). Seleciono o texto, clico com o botão direito do mouse na seleção e em um item no menu de contexto para fazer a conversão.
Aqui, apelei ao método anterior, um script simples baseado no Pandoc que executo no terminal. (Tem um tutorial no Manual.) Como nada é perfeito, bati cabeça porque os comandos pbcopy e pbpaste não funcionam no Wayland. Descobri que existe um similar para esse cenário, o wl-clipboard.
(Não vou adentrar à questão “o que é Wayland” aqui. Para o escopo deste relato, é irrelevante.)
Terça, 23 de janeiro
A primeira missão do dia foi descobrir como fazer aspas bonitinhas. (Sim, eu sei que é uma bobagem, mas cada um com suas excentricidades, certo?) Os atalhos da tecla de Composição estão previstos no arquivo /usr/share/X11/locale/en_US.UTF-8/Compose. Foi só abri-lo e procurar pelas aspas desejadas.

Pena que é um contorcionismo fazê-las. Desisti, por ora.
Um momento que temia chegou: lidar com imagens. A princípio, imagens simples (o ícone deste aplicativo do dia), que não exigiram edição elaborada. Só precisei convertê-las em um formato exótico (*.avif). Funcionou tudo muito bem.
Esse post me lembrou de um pequeno luxo que tenho no macOS: o expansor de texto, que me permite escrever uma palavra e desdobrá-la em um texto pré-definido maior. O macOS tem esse recurso nativo (e o mais legal é que ele sincroniza com o iPhone), o que sempre me desincentivou a dar uma olhada no Espanso, que tinha vontade de testar.
Infelizmente, não deu. O Espanso não está no repositório do Debian e não tem um Flatpak. (Novamente: se isso soou grego, desculpe; não cabe explicar aqui.) Tentei seguir as orientações do desenvolvedor para instalá-lo no meu sistema, mas acabei com um erro no terminal. Faltou alguma biblioteca, algo do tipo; nem quem faz o app sabe ao certo. Copiei e colei na mão o texto de que precisava.
No próximo post, o da mesa de trabalho do Wallyson, mais problemas. Uso um aplicativo web, o Squoosh, para converter e otimizar imagens em *.avif. Sempre subo as originais para fazer a conversão, o que não funcionou com as fotos enormes que o Wallyson mandou. Como o Squoosh executa os comandos localmente (acho), o Squoosh saturou os recursos do computador e travou o Firefox quando tentei redimensionar uma foto. Tudo bem. Redimensionei localmente com o Gwenview e subi imagens menores para o Squoosh. Acho que ninguém percebeu a diferença.
Outro empecilho da instalação mínima: ela não traz o aplicativo que tira prints da tela, o Spectacle. Outra grata surpresa, aliás: é tão completo quanto a ferramenta nativa de prints do macOS, que acho ótima.
A próxima parada foi a planilha eletrônica, que uso para gerenciar algumas áreas do site, como assinaturas e contabilidade. No macOS uso o Numbers, da própria Apple. O problema é que ele salva planilhas em um formato proprietário, o *.numbers, que o Calc (do LibreOffice) não lê.
Tentei exportar uma planilha das mais simples para o formato do Excel (*.xlsx), comum aos dois aplicativos. E… funcionou, em alguma medida: abriu, só que sem filtros e formatações condicionais.
Fosse só esse o problema, ok, consigo refazer. O maior é que o Calc é horroroso e abriu nas proporções erradas (a tela 4K volta a me assombrar). (A propósito, outras poucas partes do sistema também não se acertaram com a alta resolução, como a janela de abrir/salvar.)
Descartei a ideia de usar o Calc e abri uma exceção no experimento: atualizar as planilhas que uso na parte ~business do Manual no MacBook mesmo.
Nessa hora, a saudade do macOS bateu forte. Ou talvez eu devesse chamar de abstinência.
Abri o Mastodon para espairecer e topei com um post falando da passada de chapéu do KDE para ajudar no desenvolvimento do Plasma 6, a próxima grande atualização do ambiente gráfico.
Fiquei sensibilizado e doei € 10. (Fiz o sinal de euro com a tecla de Composição: Composição + E, depois = sem soltar a tecla de Composição. Tão mais fácil no macOS — Option + Shift + 2.)
À noite, pouco antes de dormir, lembrei-me de que não havia preparado a newsletter do Órbita, algo que devia ter feito segunda à noite. Aprender um novo sistema operacional ocupa um espaço equivalente a cinco campos de futebol na tua cabeça.
Quarta, 24 de janeiro
Tirei o dia para recuperar alguns tópicos ainda não abordados no diário — não antes de preparar e enviar a newsletter do Órbita. Vamos por tópicos:
- RSS: O KDE tem um aplicativo, o Akregator (essa pira com a letra “K” me mata), bem decente, mas não sincroniza com serviços externos, como o Miniflux do PC do Manual. Dos apps feitos em Qt (a “base” do KDE), o único com esse recurso é o RSSGuard. Funciona, só que é feio que dói. Talvez beleza não seja fundamental, mas em um aplicativo de leitura, é sim. Decidi acessar o Miniflux pela interface web mesmo. Não é um NetNewsWire (o app que uso no macOS), mas é agradável, personalizável (posso editar o visual com CSS) e tem atalhos no teclado.
- Atalhos no teclado: A linha que separa o que é estranho do que não me é familiar ficou borrada o tempo todo. Dito isso, alguns atalhos são bem estranhos, não importa como os encaremos. Meta + Page Down para minimizar janelas e (esse é inexplicável) Ctrl + S para fechar o Thunderbird, sendo que o atalho padrão do ambiente para essa finalidade é Ctrl + Q, são os que me ocorrem.
- (Descoberta acidental: o Krunner, um negócio parecido com o Spotlight do macOS. Até o atalho é o mesmo!)
- A família de fontes Noto é muito agradável. O KDE Plasma a instala e usa por padrão, o que mitigou muito da estranheza que senti com tipografia no Gnome e LXQt.
- O Thunderbird funciona super bem, mas é bem doido em alguns momentos (ainda inconformado com o Ctrl + S). Existe uma opção de preferência por mensagens em texto puro (amo), mas não consigo alterar o tamanho da fonte das mensagens de maneira permanente sem alterar todas as fontes da interface. Depois de muito procurar, alguém num fórum obscuro disse que era só segurar a tecla Ctrl e rolar a rodinha do mouse. Ok, mas não é persistente nem consistente. Outra doideira é o jeito com que ele lida com listas de tarefas. Ou não lida. Parece que não tem sincronia em tempo real, então a sincronia meio que atropela ou é atropelada por outros dispositivos/aplicativos sincronizados. Após alguns conflitos, removi as listas e passei a usá-las só no celular. Não curto muito o conceito de mega-aplicativo com tudo junto, caso do Thunderbird. Prefiro apps independentes que conversam entre si — o de e-mail, o de calendário, o de tarefas. A gente se vira com o que tem.
Vou separar da lista o comentário do Firefox porque vale o detalhamento.
No Linux, o Firefox parece estar mais “em casa” que no macOS, mas mesmo aqui a maneira como ele lida com texto é única, o que é enervante. Dois exemplos:
- No KDE Plasma, dois toques na tecla Home/End te levam ao início/fim do parágrafo. Isso não funciona no Firefox.
- No KDE Plasma, ao avançar ou retroceder o cursor por palavras (Ctrl + seta), o cursor sempre para à frente do espaço depois da palavra. No Firefox, o cursor fica sempre grudado à palavra.
Não é melhor nem pior, só é diferente. Esse é o problema.
A pequena rusga com a maneira como lida com texto é a minha única crítica ao Firefox. De resto, é um navegador muito gostoso de usar, e com as melhores extensões: adorei o preenchimento automático de senhas com a do KeePassXC, designar sites da Meta e do Google a contêineres específicos e, acima de tudo, desfrutar do poder da uBlock Origin, de longe o melhor bloqueador de anúncios.
Quinta, 25 de janeiro
Acordei com vontade de dar outra chance ao KMail e testar um negócio que conheci na véspera, o Merkuro, um aplicativo mais moderno que o KOrganizer para calendário, listas de tarefas e contatos.
Levei um tempão até descobri que o Merkuro ainda se chama Kalendar no repositório do Debian. Instalei, funcionou e não estava consumindo muita memória, o que me levou de volta ao KMail e a perceber que tudo isso foi um erro, um desperdício de tempo. O KMail é mais estranho que o Thunderbird. Segui com este.

Outra descoberta tardia (para o experimento) foi o KWrite, um editor de texto derivado do Kate e bem mais simples (mesmo depois de eu ter depenado o Kate), com apenas o que eu preciso. Mudei para o KWrite.
Descobri, também, outros efeitos colaterais da instalação mínima do KDE Plasma:
- Existe um pacote para o LibreOffice que deixa a interface bonita e correta em telas de alta definição, o
libreoffice-plasma. Agora sim! (O nome do pacote varia dependendo da distribuição.) - No fim de semana, havia topado com um plasmoid (como os widgets são chamados aqui) de anotações que era maravilhoso, similar ao FiveNotes que uso no macOS (porém com uma nota só, em vez de cinco). Não o achava de jeito nenhum, até descobrir que ele faz parte de um pacotão de plasmoids básicos, o
plasma-widgets-addons.
Voltei minhas atenções ao Thunderbird, ou à fonte dos e-mails em texto puro. Não é possível que não dê para mudá-la. E, de fato, dá, de um jeito nada ortodoxo, mexendo nas configurações avançadas.
Caso esteja nesse perrengue (alguém?), é só editar a fonte desejada no campo font.name.monospace.x-unicode e o tamanho, em font.size.monospace.x-unicode.
Achei que tivesse comentado no diário da sina do aplicativo de descanso dos olhos (RSI, na sigla em inglês). Tentei o RSIBreak e o Workrave, e ambos funcionam mal por motivos distintos. Quando estava prestes a desistir, topei com um plasmoid, o Fokus, que é ótimo, só não me avisa quando o tempo esgota. Suspeito que seja algum problema com o Wayland.
Os avanços do dia me animaram um bocado. Será… que estou… empolgado??
Aí fui editar o podcast do Manual (respondendo perguntas dos assinantes sobre esta experiência do Linux; ouça) e me deparei com a interface do Audacity toda zoada, minúscula:

Editar o podcast nessas condições (sem tempo de buscar uma solução, que de qualquer modo parece que ainda não existe) foi a pior parte da semana. Sorte que o podcast é simples e exige poucas intervenções.
Não cheguei a precisar de um editor de imagens (iria de Krita) nem de vídeos (Kdenlive). Também não falei de uma das coisas mais bacanas do Linux: o KDE Connect (precisa de um celular Android para funcionar bem).
Conclusões
Sim, daria para usar Linux no computador como único sistema operacional sem (muito) perrengue. Algumas tarefas são mais intuitivas e/ou funcionam melhor aqui, outras não, mas boa parte dos desconfortos e estranhezas desta semana decorreram do computador fraco que usei ou da minha falta de familiaridade com o sistema.
Num sentido mais amplo, foi uma semana desastrosa. Estive distraído, esqueci da newsletter do Órbita, minhas listas de tarefas — que me ajudam muito — viraram uma bagunça. O ritmo do Manual foi afetado; diminuiu a olhos vistos.
Parte considerável do meu tempo foi gasta com o sistema operacional e suas limitações, peculiaridades, diferenças; fazendo pesquisas em fóruns e sites obscuros para entender como as coisas funcionam e, vez ou outra, (tentar) solucionar problemas que não deveriam acontecer.
A maioria desses entraves, devo dizer, foram pontuais ou esperados em uma transição do tipo. Acredito que se desse continuidade ao experimento, ganharia “ritmo de jogo” com o tempo, ficaria mais à vontade no Linux.
No geral, fiquei satisfeito — impressionado, até. Por baixo da aspereza da interface do Linux (de todos os ambientes gráficos, talvez com exceção do Gnome), dos aplicativos meio feios e tudo mais, há boas ideias e um sistema muito funcional.
É nos detalhes que o Linux me perde. Um, ou melhor, dois que parecem bobagens, mas que senti demais: a falta de um dicionário e de um tradutor no botão direito do mouse. O macOS tem esses dois recursos, e vários outros do tipo, que parecem supérfluos à primeira vista, mas que deixam a vida mais fácil, que agilizam tarefas, que — para usar um termo que detesto — me deixam mais produtivo.
Tenho um… digamos, alinhamento filosófico muito mais forte com o software livre, com o Linux, do que com a Apple. Ao longo da semana, a ansiedade e a exaustão cognitiva da parte mais mecânica do experimento dividiu espaço com um tipo de satisfação, chame-a de paz de espírito, se quiser, maravilhosa, que foge ao racional.
Por mais que eu torça o nariz para esse tipo de maniqueísmo, senti que estava fazendo o “certo”, como se usar Linux fosse um imperativo moral, ao passo que usar produtos da Apple significasse a concordância tácita com suas práticas comerciais desprezíveis e com o elitismo impregnado em sua marca.
(Coitada da minha psicóloga na nossa próxima sessão.)
Usar Linux é como ser vegano em um mundo que não consegue parar de comer carne, mesmo que isso custe o nosso futuro. Faço essa analogia resignado, alguém que diminuiu em muito o consumo de carne vermelha, mas que ainda não nega uma picanha se lhe é oferecida.
(Errei a digitação de “oferecida”. O macOS corrigiria esse deslize automaticamente; no Linux, tive que voltar e corrigir eu mesmo.)
Passarei a próxima semana em trânsito e, por isso, de volta ao MacBook, ao cercadinho da Apple. O futuro é uma incógnita. Foi bom enquanto durou.
Ghedin, vc foi meio que “no couro” mesmo, para iniciar eu recomendaria distros que estão praticamente prontas para uso e sem dificuldades, como Ubuntu (base Debian), Manjaro (base Arch) e OpenSuse, estas sãos as minhas distros preferidas, não tenho muita paciência para ficar reinventando a roda, personalizando o sistema, etc. Eu sou “Gnomero”, gosto do Gnome, da simplicidade e facilidade de uso, essas três distros são prontas para uso e dificilmente vc teria passado os perrengues que passou.
Agora se quiser conhecer algumas diferentes, recomendo o BigLinux (projeto brasileiro assim como o Regata OS) e o Zorin.
Enfim, Linux é um mundo paralelo mesmo, mas é maravilhoso.
Acabei de ouvir o podcast sobre usar Linux, parabéns pela experiência e teste. Apenas acho que pra uso pessoal escolher o Debian não seja a melhor opção. Recomendaria fazer o mesmo teste com Linux Mint ou ZorinOS. (PopOS pode ser uma boa opção tb).
Em particular eu era usuário de Mac desde 2010, porém no final do ano passado precisava de um note novo e os preços dos Mac me fizeram se afastar dele. Optei por um Dell com Ubuntu, e posso dizer que desde de novembro venho usando ele sem cogitar colocar Windows. Uma coisa que já vinha fazendo um tempo foi optar por software compatível com os 3 principais OS. (Mac, Windows e Linux), inclusive vou passar uma lista do que uso que pode servir de dica em um outro podcast aí.
– LibreOffice (Tenho usado mais Google Docs)
– Chrome e Firefox
– Thunderbird
– Flameshot
– OBS Studio
– GoogleDrive (No Linux não tem app, mas tem como conectar como unidade de rede).
– Notepad++
– Inkscape
– GIMP
– VirtualBox
– Notion
– ToDo
Gostaria de me intrometer por um momento. O que você está chamando de Linux é, na verdade, GNU/Linux, ou, como passei a chamá-lo recentemente, GNU mais Linux. O Linux não é um sistema operacional em si, mas sim outro componente livre de um sistema GNU totalmente funcional, que se torna útil pelos corelibs GNU, utilitários de shell e componentes vitais do sistema que compõem um sistema operacional completo, conforme definido pelo POSIX.
Muitos usuários de computador executam uma versão modificada do sistema GNU todos os dias, sem perceber. Devido a uma peculiar reviravolta nos acontecimentos, a versão do GNU que é amplamente usada atualmente é frequentemente chamada de Linux, e muitos de seus usuários não sabem que ela é basicamente o sistema GNU, desenvolvido pelo Projeto GNU.
Existe realmente um Linux, e essas pessoas o estão usando, mas ele é apenas uma parte do sistema que usam. O Linux é o kernel: o programa no sistema que aloca os recursos da máquina para os outros programas que você executa. O kernel é uma parte essencial de um sistema operacional, mas é inútil por si só; ele só pode funcionar no contexto de um sistema operacional completo. O Linux é normalmente usado em combinação com o sistema operacional GNU: o sistema inteiro é basicamente GNU com Linux adicionado, ou GNU/Linux. Todas as chamadas distribuições do Linux são, na verdade, distribuições do GNU/Linux!
Sim, estou ligado nisso, Gustavo. É um preciosismo que… sei lá, soa meio contraproducente? Digo, já é difícil falar de Linux para pessoas fora da bolha; entrar nessa distinção Linux/GNU/Linux acrescenta uma camada (grossa) de confusão a um assunto que já é árido, difícil. Quem se interessa e se aprofunda o mínimo no tema, topa com essa discussão e aprende. Um passo de cada vez.
Lá em 2011 Linus deu uma entrevista para um site Argentino falando um pouco de tudo sobre “Linux”. No final da entrevista, questionado sobre o termo GNU, ele respondeu o seguinte:
–Por que você acha que as pessoas raramente usam o termo GNU para falar sobre Linux?
–Eu nunca usei o nome GNU. O Linux nunca foi um projeto da Free Software Foundation e a FSF nunca teve nada a ver com isso. A maioria das ferramentas também não é GNU, embora o compilador GNU C tenha sido e seja uma grande invenção. Portanto, o termo GNU/Linux nunca fez muito sentido. Dito isto, nunca pensei que as pessoas não pudessem chamá-lo do que quisessem. A maioria das distribuições dá ao sistema seu próprio nome: Fedora, SuSE, Ubuntu, Android, Mandriva, a lista continua. Então, se a FSF quer chamá-lo de GNU/Linux, por que eu deveria me importar? Afinal, não faz muito mais sentido do que chamar algum tipo de chapéu assim.
Falou também sobre ideologias:
“Qual a ideologia do Linux?
Linus- Não creio que tenha ‘uma’ ideologia. Não creio que deveria haver uma ideologia. A parte mais importante disso é a palavra “uma”: creio que podem haver ‘muitas’ ideologias. Eu o faço por minhas próprias razões, outras pessoas o fazem por suas próprias razões. Creio que o mundo é um lugar complicado, e a nós somos um animal interessante, que fazem coisas por razões complexas. Por isso não creio que deveria haver ‘uma’ ideologia.”
A entrevista pode ser lida aqui
Link da entrevista: https://www.pagina12.com.ar/diario/dialogos/21-169096-2011-05-30.html
É uma copypasta hahaha eu apenas traduzi para o português
Será que é só uma copypasta?? Passaria fácil por comentário real em vários cantos da internet, hahaha 👀
Ghedin, dá uma olhada no Betterbird (Muito mais funcional que o Thunderbird) e no Tenacity. Outra coisa, dá uma chance no GNOME. Não sei se comentei porém utilizo a mesma distro que você planejava anteriormente antes de ir pro Debian. O GNOME é bom e para mim me atende bem (e dá pra usar algumas extensões pra fazer algumas alterações) e também creio que vai te atender mais do que o KDE.
Parece bacana, esse Betterbird. O Tenacity resolve a treta com telas HDPI? Se sim, vou dar uma chance.
Já testei o Gnome em vários estágios de desenvolvimento, incluindo nesse mini PC usado no experimento. Funciona, sim, mas achei meio engessado e, o que foi pior, os aplicativos muito crus. O KDE Plasma é mais feio e tem uma UI menos atraente, mas achei que funciona melhor.
Para o problema de conversão de Markdown em HTML, dentre outros vários formatos de texto, dá uma olhada em um app do ecossistema do GNOME chamado “Text Pieces”!
Hmmm, parece bom! Não comentei no texto, mas um critério que me coloquei nesse experimento foi evitar ao máximo aplicativos GTK, já que estava no KDE Plasma (Qt). Em último caso, porém…
@feed se você gosta do KDE, dê uma olhada no KDE Neon. É a distro "referência" que você comentou que não achava que tinha. É baseada no Ubuntu, então a maioria dos programas deve ter pacote pra ele.
Esqueci de perguntar a marca e a configuração desse Mini PC! Sou muito à fim de comprar um.
É um Minisforum Venus (UN100L). Parece que o modelo exato do meu não está mais à venda. Ele é beeem parecido com este.
Bem legal! Tem vários modelos no Aliexpress, com um preço bem legal.
Lendo o relato, decidi instalar o Zorin OS pra me aventurar. Em resumo: não achei o driver do meu token Certsign no site deles e o Pje office instala, mas não abre e nem aparece na lista de programas do menu. Relevei até a instalação extremamente demorada, mas larguei de mão e agora vou procurar um tutorial que tire o sistema sem que eu tenha que formatar meu computador inteiro. Esse esquema de ter que ficar procurando soluções para o uso básico até conseguir deixar o sistema usável pra um contexto definitivamente me afastou (de novo) do Linux.
acho que é a vida falando pra você usar o A1 ou o em nuvem, hehehe
Muito interessante o texto. É sempre legal ver as diferentes visões que as pessoas tem sobre os sistemas operacionais.
Eu acho engraçado quando a gente usa um sistema muito tempo, depois quando usa outro tudo fica esquisito. Migrei totalmente para o linux fazem, se não me engano, 10 anos ou mais. Desde então só roda linux, principalmente o Debian, nos meus pc’s. Quando vou fazer manutenção do pc da galera aqui de casa ou de parentes, acho esquisito demais mexer no windows. Em especial na forma esquisita como ele organiza e gerencia as janelas. Mas eu sou minoria, porque utilizo um tiling window manager (i3wm).
É interessante também ver que os sistemas possuem obviamente qualidades, defeitos e, principalmente, cada um atrai um perfil de usuário específico. Prefiro perfil de usuário que público alvo. E o linux atrai um perfil de usuário bem específico. Em tempos que o desktop tem ficado cada vez mais nichado, de fato, o linux não é para todo mundo. Eu tenho ficado com essa sensação, de que hoje o que mais defini o sistema que a pessoa vai usar (pensando em um usuário que sabe que existem alternativas) é o perfil, muito mais do que os recursos que o sistema (seja win, linux ou mac) tem a oferecer.
O que mais me irrita no Linux são atualizações que fazem vc perder suas personalizações. Isso me deixa pistola d+!
Muito legal o seu relato. Quando migrei pro macOS, após quase 10 anos de Linux, foi porque cheguei à mesma conclusão que você: perdia muito tempo resolvendo “problemas de Linux” em vez de fazer o que eu queria. O Mac, embora esteja longe de ser perfeito, na maior parte do tempo ele simplesmente funciona.
“…ao passo que usar produtos da Apple significasse a concordância tácita com suas práticas comerciais desprezíveis e com o elitismo impregnado em sua marca.”
O que você ainda está fazendo nesse sistema, cara?
Aprofunde sua crise existencial aqui: https://www.debian.org/intro/philosophy
🥲
Achei boa a sua ideia de ir com uma instalação mais minimalista para ir aprendendo o que rola embaixo do capô.
Não entendi bem a dificuldade com acentos. Funciona (ou deveria funcionar) de maneira intuitiva, como nas máquinas de escrever e no Windows: digita o acento uma vez e depois a vogal que quer colocar o acento. Só isso. Só tem que antes configurar o layout do teclado e também o idioma, mas daí isso tem que ser feito em qualquer sistema. Aqui uso us:alt-intl. A primeira parte (‘us’) é o layout, e a segunda parte (alt-intl) é o idioma, que me permite colocar acentos.
€ -> right_alt + e
Não tem mistério.
Pra fazer cedilha em teclado não ABNT: right_alt + , + c
Olha, eu diria que ainda não é o momento de usar Wayland. O número de limitações é astronômico (https://gist.github.com/probonopd/9feb7c20257af5dd915e3a9f2d1f2277). Me incomoda muito essa guerrinha X11 vs Wayland. O ponto não ter time pra torcer, e sim entender quando um software está maduro pra ser usado ‘em produção’. O Wayland claramente não está. ‘Ah, mas pra mim funciona perfeitamente’. OK, cai dentro. Mas não se aplica a todos, diria até que nem pra maioria. Fica só o alerta.
Ctrl + s pra fechar um aplicativo é uma atrocidade de fato, bah! Você provavelmente está usando o sistema em português e esse ‘s’ deve ser de ‘sair’. Eu gostaria de ter uma conversinha privada com o primeiro gerente de projeto que teve a ideia de traduzir teclas de atalho, hihihi! Acho que começou com a Microsoft, inclusive, onde no Word em português o atalho Ctrl + s em vez de salvar, colocava sublinhado. Um horror!
Usar scaling em qualquer sistema não-Apple seeeempre tem um porém. Não há como negar. Mesmo a Microsoft apanha no Windows 11 — vários aplicativos ficam borrados, inclusive coisa nativa do Windows! No Linux tem que fazer scaling pra cada toolkit (GTK e Qt), mas se a aplicação for antiga, tipo GTK+2 ou coisa do tipo, aí lascou. E se usar algum sandbox da vida, tipo AppImage ou flatpak, segura na mão de deus… Estou usando uma LG C3 de 42′ 4k@120Hz como monitor há uns 3 meses, e ainda me encontro suspirando fundo aqui e ali rsrs
> Existe um pacote para o LibreOffice que deixa a interface bonita e correta em telas de alta definição, o libreoffice-plasma.
Uau! Essa foi uma bela descoberta. Parabéns!
> Usar Linux é como ser vegano em um mundo que não consegue parar de comer carne, mesmo que isso custe o nosso futuro.
Excelente analogia, hahaha!
A questão do smooth scrolling você precisa de software e hardware e configuração. O Firefox tem suporte e é impecável (uso aqui), mas teu hardware tem que dar conta, e aí entra até papo de compositor, vsync, etc. É um inferno colocar tudo isso em harmonia. No LXQt , por exemplo, o file manager recentemente recebeu suporte a smooth scrolling, mas acho que a distro tem que estar usando libinput (eu sei, eu sei…). Não sei bem quanto ao KDE. Vou testar e retorno aqui depois.
Parabéns pela coragem de encarar os desafios e expor suas frustrações. Daqui a uns meses você vai dar risada de tudo isso e pensar ‘por que demorei tanto pra tomar essa decisão?’. Software livre é vida :)
Eu estava apanhando do wayland e pensando que valia a pena quebrar a cabeça pra solucionar os problemas que surgiam sobre um preceito de que ele traria mais performance para meu computador.
Este link que mandou aqui enriqueceu minha reflexão.
Eu uso KDE desde o windows 7 😊 e já quebrei muito a cabeça, mas não largo mão. A KDE tem uma distro própria, o Neon, que usei bastante, inclusive ele tem uma instalação mínima, mas faz tempo voltei pro kubuntu. Vamos ver como vai ser a passagem do KDE 5 pro 6…
Eu acho que uma das coisas mais irritantes do Linux é, no desktop, essa falta de uniformidade nos refinamentos da interface, mas entendo que é causado pela fragmentação no desenvolvimento.
Duas observações: o KDE Connect é uma mão na roda e tem para Windows; eu também gosto do kwrite, mas tenho mantido o Kate já que dá para usar ele como IDE também.
eu uso o KDE connect no Windows ou um Android
uso principalmente para envio de arquivos e copia e cola universal
Quem sabe a experiência evolua para dar chance ao Linux de ser testado com um hardware melhor?
Uso somente Linux desde 1998. Sou um usuário mediano e não sinto falta de nada.
Tamo junto… Uso Debian desde o Potato. Já foi muito mais difícil…
“…aplicativo de descanso dos olhos (RSI, na sigla em inglês).” hein?
“…o KDE Connect (precisa de um celular Android para funcionar bem).” Pq?
Puts, dei uma de “esqueci o termo em inglês”. RSI é a nossa LER, lesão por esforço repetitivo. São aplicativos que te lembram de dar uma pausa no uso do computador a cada X minutos, tipo o Workrave.
Sobre o KDE Connect, no iOS ele só funciona quando o aplicativo está aberto com o celular desbloqueado, o que limita um tanto sua utilidade. No Android funciona de qualquer jeito e tem mais recursos.
Há! Entendi obrigado!
Já passei por esses perrengues, principalmente esses de ter 2 ambientes numa mesma máquina. A minha recomendação é apenas não fazer isso. kkk . Usar o Plasma teria sido uma experiencia muito melhor se você tivesse apenas optado por instalar o Manjaro KDE de uma vez.
Só tinha um ambiente instalado, só o KDE Plasma.
Isso tudo é falta de costume mesmo =P
Quando eu migrei pro macOS (na época ainda era OSX) eu quebrei a cabeça dias e dias com os atalhos, princopalmente o “delete” do teclado do Mac. A instalação (montar > arrastar) também não é intuitiva pra quem veio dos dois cliques (e nem todos os aplicativos indicam que você tem que arrastar pra pasta de Aplicativos ou mesmo dão aquela janelinha de atalho).
No Mac eu fiquei anos usando o monitor com duas barras do lado, porque eu tinha um ultrawide da LG e o macOS não reconhece a resolução dele (tem como, mas é via aplicativo pago).
O que mais me pega é saber quem alguém usa a suíte office da Apple =P
@feed eu uso a suíte iWork há mais de 10 anos e adoro 😃
Acho bem boa também. Para quem não faz trabalhos colaborativos e não precisa de recursos avançados do Excel, é uma alternativa válida.
Eu não espero que a suíte deles seja bem acabada como o Office (a MS faz três coisas bem: Office, Halo e Age of Empires), mas o mesmo sentimento de “fora do lugar” que você teve com o LibreOffice eu tenho com o Pages, por exemplo. O Numbers eu usei 1x na vida (prefiro até o Google Sheets) e espero nunca mais recorrer.
Mas, confesso que o Keynote me pega. Gosto dele.
Existe uma diferença fundamental aí: o Pages/Numbers/Keynote seguem um padrão de apps feitos para o macOS. Isso suaviza a curva de aprendizagem. Você não sabe onde as coisas estão, mas tem uma boa ideia de como encontrá-las porque os caminhos são similares aos de outros apps bem feitos para o sistema.
O LibreOffice tem uma lógica própria, que foge à dos ambientes gráficos para Linux. (É o mesmo problema do Firefox e do Thunderbird, de que reclamo no texto.) Então, em vez de aprender só a usar o Linux/KDE Plasma, teria que aprender a usar o Linux/KDE Plasma e o LibreOffice.
Faz sentido?
o keynote é bem mais gostoso de usar que o powerpoint e o google slides
@Ghedin
Faz sentido até certo ponto. A barra de edição do Pages é do lado direito, por exemplo. Me foge algum app que seja assim em se tratando de suíte office (talvez seja uma comparação ruim porque não tem outro app feito exclusivamente pra macOS pra essa função). Eu tenho muita dificuldade em usar o Pages, por exemplo, por conta disso, ainda que ele tenha 99% das funções do Word. Me incomoda. No Google Docs e no Office, as coisas estão no lugar “de sempre” (que é o que temos na maioria desses aplicativos). Não sei se faz sentido ter uma UX/UI desenhada com base no SO e não no aplicativo em si (pense no Photoshop ou no Gimp, ambos subvertem a UX original do Windows e do Linux e seguem uma lógica própria; editores de vídeo seguem uma lógica própria (criada pela Apple, veja só) também; IDEs idem) porque isso quebra a ideia de “jornada do usuário”.
Em termos de UX/UI a Apple não tem uma jornada melhor do que a do Windows, por exemplo. As coisas só soam mais familiares pra quem usa mais X ou Y por dia.
Um exemplo: até ano passado eu trabalhava em uma empresa que usava macOS. Eu oscilava entre Linux (Gnome) e macOS. As coisas eram diferentes na maioria dos aplicativos “de nicho”, mas o browser, o editor de textos e o e-mail tinham a mesma lógica (observe) e a mesma jornada de aprender/fazer as coisas. No Windows 11, quando eu voltei a usá-lo, o Edge quebra essa ordem lógica dos navegadores (com a barra de abas latera e uma barra de tarefas com o Copilot do lado) e é … ruim. Eu nunca consegui usar o Edge que não fosse naqueles minutos até o outro browser estar instalado. A MS pode me dar 3 meses de Spotify, GPT4 e qualquer outra coisa, mas não tem como eu usar o Edge (eu tentei).
Enfim, a ideia é que eu acho que não tem falhas necessariamente, apenas costumes. Falha é não ter suporte a ultrawide (fiquei magoado com a Apple por isso); ou a MS não arrumar uma falha grotesca do sistema de mensagens que acabava destruindo o PC por completo (ali por 2004), ou lançar um sistema mobile que ela mata segundos depois pra lançar outro sistema mobile, completamente incompatível com tudo, e depois mata todo o ecossistema novamente. Falha é a Apple forçar ujpdate de SSD ou a obsolecência de computadores perfeitamente utéis ainda (cof Metal cof).
Pra mim, isso são falhas porque estruturas que se organizam por ação da empresa e do sistema (operacional e capitalista). São jogadas de negócios, pivotamento, redesign, ressignificação … qualquer coisa que seja, mas é uma falha (do capitalismo, das big techs, das empresas, dos usuários que aceitam, dos governos que compram etc).
Gostaria de nunca mais usar Windows, Android, iOS, macOS e ter tudo livre, tudo Linux. Mas ainda não dá. Quando der, esse cara aqui, de 41 anos que usar Linux desde o Conectiva 3, vai ser o primeiro a usar e virar ativista do SL/CA. Mas por enquanto o cenário é ruim, muito ruim, pra qualquer vegano no mundo da indústria da carne.
[eu fugi do assunto e virou um post-comentário-ensaio sobre outra coisa, desculpa aí]
eu também sou um dos três ou quatro gatos pingados que usam Pages/Numbers/Keynote, hahahaha (menos no trabalho, já que lá tudo é windows)
mas gostaria mesmo de saber o que leva a apple a manter uma equipe trabalhando continuamente na atualização dessa suíte, já que é tanta pouca gente que usa
Deve ser cheio de gente nos EUA que usa essa suíte no dia-a-dia. E como apenas os EUA importa, eles mantém. Se não fizesse mais sentido, já tinha sido deixado de lado, como o iTunes pro Windows ou mesmo o app de DVD do macOS.
“ No Mac eu fiquei anos usando o monitor com duas barras do lado, porque eu tinha um ultrawide da LG e o macOS não reconhece a resolução dele (tem como, mas é via aplicativo pago).” – eu tive esse problema, mas hoje eu ñ tenho mais. Ñ lembro o que fiz, mas pesquisando achei isso: https://macmagazine.com.br/post/2020/12/23/macs-m1-tem-problema-com-monitores-ultrawide-apple-corrigira/
Uso o Sonoma no Macbook Air M1.
O SwitchReX funcionava pra mim. Meu Mac é intel ainda (i3) e nem tem mais update (hoje ele roda um Arch Linux), mas na época esse suporte também não existia para as resoluções 2560×1080 (21:9) no macOS. No Linux era fácil, um arquivo de configuração resolvia. No Windows era nativo (no 10 pelo menos era).
Mas a Apple evoluiu, na época era um “te vira moleque” apenas.
Ghedin, o seu processador e memória são ótimos para o Linux. Na verdade, até no Windows eles rodam bem.
O que provavelmente causou o gargalo foi a ausência de placa de vídeo com esse monitor 4k.
Se fosse um monitor fullhd, provavelmente o uso ficaria bem mais fluido.
Wi-Fi e Linux desktop são um problema.
Pra quem usa desktop, o melhor é cabear mesmo e acabar com esse tormento de driver Wi-Fi.
Por fim, senti falta de uma nuvem na configuração. Qual vc usa?
Sim! Mesmo em 4K o sistema era usável, só reclamava quando exigia um pouco mais dele. Em Full HD deve rodar bem liso.
Uso o iCloud, mas mais pelas fotos. Para arquivos diversos (tenho menos de 2 GB), faço backup diário (com
cron) no Backblaze B2 e semanal em um pen drive criptografado. Além de, claro, iCloud também (além de ser um terceiro local, acesso arquivos com alguma frequência no iPhone, pelo app Arquivos).Ótimo texto, como sempre! Me vi numa experiência parecida se eu tivesse pique pra fazer o mesmo: teria que fazer no meio da rotina de trabalho. Infelizmente, não dá mais pra tirar dias só pra fuçar e aprender por aprender, por eu ter um rotina diferente da que eu tinha há uns vinte anos atrás (!).
Como um projeto paralelo, pra aprender a fazer, até me anima pegar um notebook velho… Só falta o tempo.
Ótima matéria! Muito divertida de ler e de acompanhar.
Vira e mexe eu passo por essas coisas, só não migro de vez por conta dos programas de arquitetura que não posso substituir.
Sobre as aspas curvadas bonitinhas, o Libreoffice faz o trabalho automaticamente de forma mágica, conforme as configurações do idioma. Só digitar “aspas” que ele transforma em “aspas” automaticamente (se estiver configurado em outro idioma, como o francês que usa « guillemets », ele também faz o trabalho automaticamente). Sei que vc não curte usar editores tipo Word, mas é uma opção.
Um adendo, uso o Linux, como uma sandbox para testar softwares experimentais e tento compilar alguns deles que muitas vezes não tem nem pacote de instalação. Mutas vezes funciona, mas não preciso falar, que não sendo técnico nem programador, quase sempre quebro o sistema instalando bibliotecas conflitantes, mexendo em pastas e atalhos que não deveria, etc… Mas é parte da diversão hehe
Nossa vc me lembro pq o KDE me da dor de cabeça. Fui usuários de linux 8 anos seguidos, mas foi Ubuntu com gnome e depois lxde xfce e por fim mate. Nunca tive esse tanto de problema com atalho pra texto, mas também não é meu principal uso. Meu pc da Sala ainda usa linux com mate e minha namorada adaptor bem no cinnamon por dois anos, usado krita pra trabalho(ilustradora). Inclusive o krita e blender é tipo o firefox, depois que você USA no linux vc fica puto de ter que usar em qualquer outro lugar.
Lembrei do cara do fábrica de noobs falando dos problemas com teclado ao instalar Ubuntu Mate no macbook. Será que um dia você poderia fazer uso semelhante?
O kde é considerado pesado mesmo, isso impacta bem no uso.
não sei como é no macOS, mas quando encontrei um sistema que desliga quando eu mando desligar, não atualiza se eu não quiser e não me mostra a cotação do dólar me apaixonei.
Parece que o pessoal da Microsoft e outros lugares adotou que todo mundo ou programa, ou investe na bolsa ou é publicitário.
Poxa, o KDE Plasma não é pesado, não. Achei bem econômico no uso de recursos do sistema. Essa fama de pesado é dos tempos do KDE 3 para trás, acho.
O macOS é suave nesse aspecto. Sem cotação do dólar (mas se quiser, dá para puxar pelo Spotlight), não força atualização que reinicia o sistema e o gerenciamento de estados/energia nos MacBooks é o melhor do mercado, de longe. Galera reclama da decadência do macOS, mas ainda vai demorar para ficar ruim…
Mais um ótimo texto! Gosto muito de acompanhar a produção do Manual.
Sobre a utilização do Linux, deixo meus 2 centavos: como usuário antigo, que “entrou e saiu” desse universo várias vezes (iniciei em um dualboot do Ubuntu com o Windows XP lá pra os idos de 2011, saí, voltei em 2014 com um Xubuntu — que utilizei até início de 2019, saí de novo, voltei no início de 2022 e mergulhei de vez), acho que, sim, a migração de um usuário do Windows para uma distribuição Gnu/Linux é um processo inicialmente “complicado”, digamos assim.
É um choque para o usuário perceber que ele precisará abrir mão (apenas inicialmente, enfatizo) de certas facilidades para, superada essa etapa, construir um sistema que se adapta inteiramente às suas necessidades. E uso o “inteiramente” sem nenhum exagero.
Atualmente, após adquirir conhecimentos bem primários sobre ferramentas CLI básicas (sed, cat, grep etc.) e sobre shell script, já consigo desenvolver pequenos programas que desempenham funções simples, mas úteis para mim: um contador pomodoro que roda direto do vim, um “gerenciador” de anotações, um script que baixa vídeos do YouTube e converte para mp3, já editando suas tags… Coisas básicas, simplistas até demais, mas que atendem e racionalizam as minhas necessidades, além de eliminar minha dependência de softwares de terceiros.
Enfim, acredito fielmente que esse “sacrifício” inicial vale muito a pena, e não apenas por questões filosóficas ou algo do tipo. Com o tempo, a filosofia UNIX “entra” com tanta força em você — ( ͡° ͜ʖ ͡°) — que altera não só o seu jeito de interagir com o sistema, mas a sua forma de trabalhar e resolver os problemas.
Ghedin, sei que com muito atraso — só estou lendo seu post hoje — quando preciso, uso o Numbers no iCloud.com no navegador.
Também mantenho minhas financas em uma planilha dele e uso a versão na nuvem para fazer algum ajuste quando estou no trabalho, por exemplo.
Ler este artigo me fez considerar em tentar algo semelhante. Não vou conseguir usar no trabalho, mas para coisas pessoais seria factível.
Como você concluiu, eu também acho que com o tempo algumas das limitações passariam desapercebidas e você ganharia produtividade no ambiente.
Eu acho que vale a pena tentar. Cada vez mais eu acho que o software livre faz mais sentido. Agora vou lá ouvir o podcast. :-)
O kde tá com vários recursos legais, talvez eu dê outra olhada nele (mesmo achando meio feinho)
Duas coisas que não coloquei no texto (uma eu esqueci, outra aconteceu na noite de quinta, com o texto já fechado e agendado):
Linux bom demais.
Legal que você conseguiu uma resposta rápida com o problema.
A tecla de composição não precisa ser pressionada ao mesmo tempo (ao menos não no gnome), você aperta ela e solta vai aparecer um ponto flutuante sublinhado para você apertar a combinação.
O navegador konqueror não é mais desenvolvido ativamente, vi um desenvolvedor do plasma falando isso. Por isso ele está datado.
Acho que algumas escolhas de distribuição e software dificultaram a sua vida, depois eu faço um comentário detalhando.
Nossa, achei o texto simplesmente muito divertido de ler.
Mas sério, essa é a curva de aprendizado normal!! Depois de um tempo usando linux você meio que já sabe onde que você tem que ir pra resolver tal problema sem precisar ir parar no stackoverflow toda vez. Sem contar que os problemas relacionados com a configuração do seu ambiente vão aparecendo cada vez menos conforme você vai deixando ele “com cara de casa”. E aí depois de feito isso o que acontece é que você vai por conta atrás de mais problemas (???) e começa a misturar partes de outros ambientes/distros “pra ficar bem bonito” e aí já era (sério, conhecer o r/unixporn foi caminho sem volta). Dito isso, colocar um software novo no seu workflow sempre vai demandar um pouco mais de trabalho no começo, dificilmente é só instalar e sair usando.
Ah, e eu tenho uma recomendação, eu gosto de ter à mão o kolourpaint junto com o krita. Também da kde, mas ele tá mais pra um ms paint enquanto o krita tá mais pra um photoshop da vida, às vezes não vale a pena abrir ele se a tarefa é super simples.
Sério, parabéns pelo seu texto!! Todo mundo que vez essa migração alguma hora vai se enxergar ali.
“Usar Linux é como ser vegano em um mundo que não consegue parar de comer carne, mesmo que isso custe o nosso futuro.”
Nunca li uma frase que expressasse tão bem o sentimento que venho sentindo desde que comecei a minha jornada de usar Linux e open source em praticamente tudo.
A ideia de que usar Linux envolve ficar resolvendo problemas do sistema surge de experiências limitadas. Há problemas na transição, claro. Mas eles são da transição e não do uso depois da transição.
Para quem continua depois de uma transição que pode ser complicada, a coisa fica bem suave, já que os maiores desafios já foram resolvidos.
Esqueci de mencionar. Para aspas tipográficas:
<compose> < "<compose> > "
Teoricamente, isso deveria funcionar independente do Desktop usado.
Algum filtro tirou o “compose” do comentário acima.
compose + < + "
Cola em um pastebin da vida que eu edito o comentário. O WordPress limita bastante caracteres especiais aqui.
Ah, é tão simples, que nem precisaria, mas em todo caso:
https://p.fr33tux.org/c12cf4
Funciona no Gnome mas, como disse, deveria funcionar em qualquer DE.
E parabéns pelo experimento. Continue nessa direção. A visão de mundo por trás do software livre compensa sim alguns sacrificiozinhos.
@feed Depois leio, mas sobre o Firefox https://yewtu.be/watch?v=N67kJLaWtoA
@feed pessoal, parece que a conta está repostando comentários do site. É proposital? (Acho que fica um pouco estranho, levo uns segundos até entender que não é um post de vocês mesmo.)
É um bug no plugin do ActivityPub. Já foi reportado.
Concordo, e cito isso na conclusão: muitos dos problemas foram pontuais, ou seja, resolvido uma vez, não incomodarão mais. Só que os detalhes, onde o macOS me pega, não parece ter solução simples.
Outro exemplo que não citei no texto: a rolagem “travada”, como era antigamente. O macOS tem rolagem suave/“cinética”, e parece só frescura, mas ajuda muito a te orientar na página e não se perder durante a rolagem. Nem o Gnome tem isso. O Firefox tem, mas é ruim a ponto de eu ter preferido desativá-la. Dureza.
Adorei o texto, parabéns. Me sinto exatamente no mesmo lugar e com os mesmo perrengues. Uso a bastante tempo já, passei por uma penca de distribuições e os problemas até hoje são os mesmo.
Em algum momento acreditei que o Linux seria a resposta para tudo, mas claramente vai demorar muito para chegar no nível de facilidade que é instalar Windows ou MacOs – se é que um dia vai acontecer.
Que artigo satisfatório de ler! Lembrou-se da minha transição do Windows para o Linux, porém a minha foi menos trabalhosa pois basicamente uso editores de textos e navegador web. Porém houve grandes percalços como uma vez que todos os aplicativos flatpak quebraram de uma forma irrecuperável, me forçando a formatar todo o sistema, e umas dores de cabeça com o gerenciador de boot. Fixei-me no pop_OS e acho uma boa distribuição para quem tem máquinas ~gamers com mais de uma placa gráfica (aqui tem a própria da placa mãe intel e uma nvidia), pois consigo gerenciador facilmente qual aplicação vai usar determinada placa.
Hoje em dia acho o Windows chato e superinflado, com telemetria pra todo lado e cheio de bobagens que pesam na experiência.
E você descobriu o que eu venho dizendo há anos: O grande problema do Linux em desktops é ter que passar mais tempo alisando o sistema do que trabalhando. Uma lógica invertida, porque o computador deveria trabalhar pra você e não o contrário.
E isso vindo de quem usa o sistema com alguma frequência desde o século passado.
Penso que se busca algumas funcionalidade já implementadas como as que tens no OSX, e se o foco for no KDE, poderia considerar o BigLinux, projeto brasileiro bem interessante. Ou talvez até o RegataOS (também brasileiro). Ambos com bases diferente (o primeiro no Manjaro o segundo no OpenSUSE), mas considerando o hardware utilizado e a busca de uma experiência mais rápida, algo mais espartano como o MXLinux talvez fizesse mais sentido.
Bom, como sou usuário Linux desde os tempos em que era preciso compilar o módulo do driver conexant winmodem de 56k, achei bem legal teu relato.
Não gosto do KDE e sua cara de windows, gosto muito dos aplicativos Gnome e GTK, mas prefiro o Cinnamon ao Gnome-Shell. Gosto tbm de WM’s antigos, como o WMaker. Estranho esse seu problema com o corretor ortográfico, coisa que até o Abiword, decano processador de texto, trás embutido.
E você é bem corajoso, começando direto no Debian. Passei várias noites lendo o Guia Foca Linux, lá por 2004, 2005…
Não cheguei a testar processadores de texto, a la Word. Fiquei só no Kate/KWrite mesmo. O macOS tem um corretor ortográfico automático no nível do sistema, ou seja, que funciona em todos os aplicativos. Além de destacar palavras erradas (com a linha pontilhada vermelha embaixo), ele corrige erros óbvios sem necessitar de intervenção do usuário — igual em celulares.
Achei o Debian bem tranquilo, foi a parte que me deu menos trabalho, para ser sincero. Qual distro você recomendaria para uso com o KDE Plasma?
O que parece mais valorizar o KDE é o openSUSE, mas não o usei muito. Eu gosto do Kubuntu.
Gosto do Garuda Linux. Vem com um Plasma personalizado e usa o Global Menu, como o Mac OS. Apesar de ser base Arch Linux, é bem suave de se manter.
Eu uso MACOS e Debian 12 GNOME.
Muitas vezes me pego no Mac tentando exibir o desktop chegando com o mouse no left-corner do monitor (coisa de GNOME). Geralmente eu passo ceca de 50% do tempo em cada ambiente, as vezes uma semana com um e outra com outro, porque tenho ambientes de desenvolvimento em maquinas distintas (IOS no Mac) (Android no Linux). Vou confessar que eu sinto mais falta de coisas do GNOME no MACOS que o contrário, exceto os gestos de trackpad do MacOS que são imbatíveis, mas seriam configuráveis no Linux(não sei como mas seriam).
O Gnome não tem gestos do trackpad nativos? Talvez numa versão mais recente que a do Debian 12 (não lembro quando implementaram).
Sei que existe um punhado de extensões que prometem personalizar e melhorar esses gestos. O problema é que existe um punhado — qual é a melhor, é outra história.
Eu uso uma extensão para configurar isso. Acho que não tem padrão no gnome puro.
Tem nativo sim (usando Wayland pelo menos), há pelo menos uns 2 anos. São bem decentes, pra ser sincero. As do Mac são melhores simplesmente porque tem mais aplicativos que suportam (usar um Apple Maps no trackpad é uma delícia, por exemplo)
Tem sim, mas como são diferentes para ter uma experiência parecida com MacOS teriam que ser configurados. Como mencionou o Luis devem ter extensões também eu preciso pesquisa melhor um dia 😆
O maior erro que existe é querer usar um sistema como se fosse outro. Lembro da reclamação de que o LibreOffice não abre/abria documentos .doc direito. Men tinha que abrir! Pra isso existe o MS-Office. Eu cheguei a usar a dupla Abiword/Gnumeric e sempre me atenderam muito bem, mesmo sendo totalmente incompatíveis com os formatos da Microsoft.
O Microsoft Office usa um formato aberto de arquivos, o Open XML, e apesar da má-fé da empresa, que parece sabotar a implementação para dificultar a interoperabilidade, o LibreOffice se esforça para isso
Acredito que querer abrir formatos de arquivos que todo mundo usa não se enquadra em “usar um sistema como se fosse outro”. Se sim, a única saída possível seria isolar-se do mundo… né?
O que veio de tão ruim no kde que te convenceu a fazer uma instalação limpa?
Para começar, o LibreOffice inteiro (só queria o Calc). A suíte KOrganizer, com vários aplicativos auxiliares (editor de cabeçalho, editor de não sei o quê). Outra coisas de que não me recordo. O “menu Iniciar” já começa abarrotado de coisas.
Não que seja um grande problema, na real. Acho que daria para usar o sistema numa boa com a instalação padrão, mas gosto da ideia de fazer o caminho contrário — em vez de instalar tudo e tirar o que não preciso/vou usar, instalar o mínimo de cara e ir complementando à medida que as necessidades surgem.
Eu gosto dessa ideia de ter o mínimo e ir construindo o próprio sistema também. Só achei que o artigo mencionou bastante coisas que tu teve que ir atrás especificamente por ter “fugido” do caminho padrão e ido com a instalação mínima. Pra gente que sabe o que isso quer dizer, beleza, faz total sentido tu ter que instalar um programa pra descompactar zips. Prum leigo, pode soar complicado demais, ainda mais quando a experiência que está acostumado é de já ter tudo pré-instalado, visto que tanto o Windows quanto o macOS são bem inchados.
Mas sei que muito dessa motivação também veio do fato de estar usando em um PC bem fraco. Eu provavelmente faria o mesmo 😅
Também senti que muitos problemas poderiam ser evitados numa instalação normal.
Sobre o Calc, não é mais possível fazer instalação individual dos componentes da suíte. Já tem uns anos que isso não é mais possível. Agora ou instala a tudo ou não dá pra instalar.
O que dá pra escolher é se quer o LibreOffice “stable” ou o “fresh”. Normalmente encontrado como libreoffice/libreoffice-still e libreoffice-fresh no repositório das distros.
Instala uma porrada de dependências, incluindo a base do LibreOffice, mas dá para instalar só o Calc sim com o pacote
libreoffice-calc. Aqui, pelo menos, deu — ou assim pareceu; só surgiu o ícone do Calc no sistema.Então o Debian ainda mantém as duas opções empacotadas, não lembrava disso. Nas outras distros que testei recentemente em um ssd de testes que tenho, não dava mais (fedora, arch, mageia e slackware). O projeto LibreOffce já tem tempo que anunciou que distribuirá oficialmente apenas a suíte completa, como um único pacote mesmo.
O Debian tem dessas coisas se alguém tem interesse em fazer e manter eles deixam, basta seguir os preceitos do projeto. Deve ter uma equipe de empacotadores pra manter o LibreOffice assim, vou até pesquisar de curiosidade aqui.
A quantidade de pacotes é também pela forma como o apt trabalha. Ele trás os pacotes organizados de forma mais fragmentada que outros gerenciadores de pacotes (o dnf do fedora é mais ou menos assim também). Tentarei explicar de forma breve como ele funciona.
O apt tem três opções relacionadas a um pacote:
1) depends (dependências obrigatórias para funcionamento);
2) recommends (o pacote não depende dela(s), mas complementam o funcionamento do pacote);
3) suggests (pacotes sugeridos que trazem novas opções e funcionalidades e são totalmente opcionais).
É possível usar os parâmetros “–no-install-recommends” junto do apt para não instalar essas categorias. Ex: apt install –no-install-recommends atril ou apt install atril –no-install-recommends. Por padrão o Debian instala os “recommends”, equanto os “suggests” só se você mandar o apt instalar.
No meu caso, a maioria dos pacotes que tenho instalado não precisam dos recommends, então instalei muitos deles usando um “–no-install-recommends”. Para um usuário que só quer instalar um pacote e não se preocupar com mais nada, vá de “apt install” mesmo. Se quer só usar o que necessita, manda instalar e vê os pacotes recomendados antes de confirmar a instalação. Se não precisar de nada manda um “–no-install-recommends”. Ou então pode simular (só mostrar o que o apt faria e não alterar nada no sistema) a instalação de um pacote com “apt install -s nome_do_pacote” e ver o que ele vai instalar.
Explorações são divertidas. Ótimo texto!