Post livre #93

O Post Livre é o espaço para a comunidade do Manual do Usuário conversar sobre tecnologia ou sobre o que bem desejar. Toda a sexta-feira esse singelo texto sobe para incentivar vocês a ocuparem a caixa de comentários e falarem a respeito do assunto que bem entenderem. Pense comigo: que outro blog tem pessoas tão interessadas e interessantes dispostas a conversar com as outras de forma civilizada?

124 comentários

  1. Resisti muito em entrar em grupo familiar no whatsapp… Cedi e resolvi participar. Bom, não durou nem uma semana minha presença. Sai. Dá muito o q pensar em como seria se as famílias morassem todas juntas.

  2. Falamos no post-livre passado sobre compra de livros impressos e acabei não resistindo e comprando um; mesmo sendo o caso de poder achar coisas na internet q poderiam me ajudar mais, ainda assim achei interessante. Adquiri esse aqui: “Data Science do Zero. Primeiras Regras com o Python”, de Joel Grus. Estou interessando (como muitos) em data science e tô querendo levar esse assunto aos museus (coisa q já andam fazendo pelo mundo) com os quais tenho algum contato. Aproveite essa promoção da amazon e achei uma boa. Se alguém tiver mais dicas de livros ou do assunto, agradeço!

    1. É bom o livro? Recomenda?

      Estou tentando levar DS pra um projeto que eu tenho de acompanhamento escolar.

      1. não chegou ainda, paulo… tô esperando. parece ser bom e, confesso, me guiei um pouco pelos comentários q fizeram sobre ele. comprei esse e mais dois (não de info). um outro é sobre o humboldt, da andrea wulf, q descobri recentemente nesse doc q recomendo muito:

        https://www.youtube.com/watch?v=AW138ZTKioM

        pois é… acho q DS pode ajudar em muita coisa. eu meio q tava bem por fora disso. como passei a me interessar por python, vi q parece ser a linguagem meio q predominante dessa área e achei q muitos dos projetos pessoais q tenho interesse em tocar (direitos dos animais, direitos humanos e educação) pode se beneficiar com isso. acho q qdo se identifica certos problemas dentro de uma sociedade tão complexa qto a nossa, as possibilidades de fazer algo aumentam muito mesmo qdo o ‘alvo’ passa a ser o sistema, mas nessa camada de tirar algo dele e devolver na forma de resposta/solução para coisas q burocratas só apresentam barreiras.

        1. A minha ideia é criar uma central de acompanhamento escolar para os professores terem uma ideia de como anda o desenvolvimento dos alunos. Eu vejo que a minha mãe tem muito problema com isso, com 1001 fichinhas e arquivos word (ele ensina para EF nas séries iniciais). Minha ex-namorada tinha isso também (e ela ensina Espanhol pra EM).

          Eu tentei entrar no mestrado em educação do IFRS mas me foi negado (eles ainda são muito conservadores na academia para abraçar esse tipo de coisa) então eu acho que se eu conseguir uma implementação mínima eu posso iniciar os testes com amigos e familiares professores e ver como se comporta e se tem aplicação de fato; por enquanto ainda é só ideia e estudo.

          Por isso me interessou o livro, eu não conhecia. Eu tenho conhecimentos bons em python da época da minha graduação em Letras onde eu trabalhei com PLN (Python + NLTK) e terminologia, me beneficio disso um pouco.

          1. Eu parti pra linguística de corpus e depois pra processamento de linguagem natural. Nesse dois casos que tinha um indexador em C e usava os recursos do NLTK pro Python.

            Eu trabalhei 4 anos com legislação ambiental na extração de informação e busca de equivalências terminológicas pra ajudar na tradução (o que posteriormente ajuda na internacionalização da nossa legislação).

          2. Talvez seja do seu interesse, eu ouvi falar de uma empresa chamada Mira Educação em um meetup: https://www.facebook.com/miraeducacao/

            Eles estão desenvolvendo uma plataforma para educação e querem ter uma frente de análise de dados, no momento é apenas um aplicativo para verificar presença em escolas públicas…mas eles querem expandir o projeto e estão em acordo com várias cidades para implementar em escolas públicas.

          3. Valeu.
            Vou dar uma olhada.

            Eu andei entrando em contato com algumas empresas de educação aqui no RS mas a maior parte faz trabalhos básicos – instalação de Moodle e controle de presença, no máximo controle de notas – essa Mira parece querer algo diferente.

    2. Eu não conheço esse livro, mas parece interessante. Eu tenho “Data Science para Negócios” aqui em casa que ganhei da empresa e é bem elogiado, posso empresta-lo caso tenha interesse.

      Não cheguei a ler porque estou fazendo cursos na área no momento, mas se você está querendo entender o básico ele tem a proposta de dar uma introdução ao tema sem forçar no formalismo que costuma haver em materiais mais técnicos.

      1. Agradeço a oferta!, mas vou fazer uma abordagem inicial por aqui, fazendo uns cursos online (edx e similares) e ver no q dá. Se a coisa ganhar corpo, isto é, se eu não desistir por ser demais pra mim, vou ampliar as leituras. E por falar em curso, vc recomenda alguma coisa?

        1. Eu gosto bastante do Coursera, estou fazendo um agora “sério” (https://www.coursera.org/specializations/statistics), mas eu costumo usar mais como material de consulta mesmo. Em geral, uso cursos mais para pegar algum tópico específico (estatística, machine learning, ferramentas, etc…) e não sobre data science em geral.

          Dúvida: você quer botar a mão na massa ou entender como você pode utilizar data science dentro do seu negócio? O Coursera é mais para botar mão na massa e o livro é mais para entender as possibilidades da tecnologia, naturalmente recomendo começar pela parte conceitual para depois se aprofundar na prática…até porque você precisará focar em alguma parte já que a área é enorme.

          1. Opa! Valeu pelas dicas. Quero colocar a mão na massa mesmo (apesar das dificuldades q antevejo). Tava estudando desenvolvimento de jogos, mas achei o curso superficial o do SENAC e o caminho q ele propunha (estudar 3D, Unit, teoria etc) ia ser longo demais para tão pouco q estavam oferecendo… Prefiro ter a teoria e achar alguma ferramente a q me permita fazer jogos rapidamente, pq não quero fazer nada muito elaborado. Queria só poder colocar algumas questões em jogos para fins educacionais. Enfim, fora isso, quero entrada na DS para levar isso ao meu trabalho, q tem relação com acervos de museus, e para projetos pessoais q tem relação com direitos dos animais e direitos humanos.

            Me pareceu mesmo q a área é grande e não queria ficar feito barata tonta nela. Tenho a esperança do python me levar a algum lugar nessa toada tb.

          2. Entendi, acho que é melhor se basear nesse livro mesmo que você comprou, aí você consegue visualizar como essas coisas se encaixam nos seus problemas e já ir fazendo algo na prática.

            Python é uma linguagem usada para várias coisas, então é bom prestar atenção em material focado nessa para de Data Science, senão você pode ir perdendo foco. Não é como o R, por exemplo, que é uma linguagem usada apenas para Data Science basicamente,

    1. A princípio gosto sim, sempre me vi como uma pessoa que conserta alguma coisa, que dá suporte em algumas operações, e que procura saber como algo funciona pra tentar adicionar algo ou melhorar. E eu acho que faço um pouco de cada coisa como analista de sistemas.

    2. Concordo com o Seu Madruga: não existe trabalho ruim, ruim é ter de trabalhar.

      Se é trabalho, é ruim — ainda que a atividade seja prazerosa.

    3. Trabalho é uma relação onde você troca uma parte da sua juventude e meia idade por dinheiro para sobreviver numa sociedade que sequer lhe valoriza por isso com uma pessoa muito mais rica que você.

      Você produz para essa pessoa, entrega a sua vida e toda a sua capacidade de produção, seus hobbies, seu tempo com a família e seu divertimento. Tudo em troca de “ser produtivo” para a sociedade, mesmo que o seu trabalho seja programar um gerenciamento de estoque ou sistema admin de websites.

      Como isso pode ser prazeroso?
      Como gostar disso?

      Eu acho que quem diz que gosta do seu trabalho tem síndrome de Estocolmo.

        1. Trabalho deveria ser algo supérfluo e não op ponto central da vida de todos e da sociedade.

          Isso só vingou depois da revolução industrial quando compramos o sistema de produtividade capitalista. Atualmente é quase impossível para nós, imersos nessa sociedade, imaginar alguém que não trabalhe, mas, a regra deveria ser essa. Não nascemos para passar a nossa vida trabalhando (ainda mais para outra pessoa).

          1. Novamente concordo com você.Não sei a quantidade de anos, mas já ouvi e li muitas vezes que passamos mais tempo trabalhando na vida do que com a família e amigos.

            Imagine a mentalidade de uma pessoa que trabalha a vida toda numa empresa e chega aos 65 anos e se aposenta e pensa; agora vou aproveitar a vida. ;(

            Negocio chato também é ter que ficar mendigando para o patrão quando podemos tirar férias rsrs.

          2. – Dorme-se 6h/8h.

            – Trabalha-se 12h (8.8 de jornada + 1h de almoço + 2h de deslocamento, com muita sorte).

            Não sobra muito (~4h) pra fazer o resto (aka viver).

          3. agora não é mias 1h de almoço, né? pode ser menos. será menos. e interação com coleguinha não conta com trabalho. nem ida ao banheiro. seu banco de horas vai ficar negativo. e se vc for mulher e grávida, pode ter q trabalhar mesmo se o ambiente for insalubre. deve ser por isso, nesse último caso, q certas bancadas são tão ferrenhas contro o aborto.

          4. Tem essa da insalubridade das gestantes/lactantes.
            Almoço agora pode ser de 20 minutos ou 30 minutos (não me lembro bem).

            As idas ao banheiro/café serem descontadas já uma realidade para quem trabalha em call center (não é comum usarem fraldas, mas tem casos, para não terem que ir ao banheiro) só vamos expandir as mazelas de uma das piores áreas para se trabalhar para todos os trabalhadores ao invés de melhorar a vida de quem trabalha em call center.

            Tem o imposto sindical que vai deixar de ser obrigatório – o que na verdade é a morte decretada da maioria dos sindicatos – ao mesmo tempo em que os acordos terão força de lei (isso só faz sentido na lógica maluca libertária de “menos estado” e na ideologia apodrecida da nossa classe média (que parece viver nos anos 60, com medo do comunismo).

          5. Esta reforma é a gota d’água. Não sei como ainda não quebramos todos os bancos, todas as fábricas, todos os escritórios. Patrão simplesmente não é gente: esta reforma é desumana.

          6. Burguês nem gente é, deveriam estar picando pedra na Sibéria.

          7. mas se for quebrar os bancos, só não quebra aquela máquina q emite cheques, ok? é difícil de achar uma dessas…

          8. No Paraguai colocaram fogo por muito menos. O brasileiro precisa ser estudado.

          9. Ê doido, que call center é esse que tu conhece? Onde eu trabalho não é assim não.

          10. Tem várias histórias, principalmente da Atento (acho que era esse o nome) nos antigos grupos/fóruns do Orkut e da internet a lenha.

          11. Essa empresa é bucha mesmo. Tem várias assim mas não são todas.

          12. Ouvi muita história cabulosa da Atento no ápice do suporte deles pro Terra aqui no RS.

          13. E ainda acontece. Nas páginas de telemarketing do fb sempre tem vários relatos.

      1. Realmente Paulo se falar que prefere trabalhar menos ou da preferencia a usar seu tempo para fazer seja o que for, até para não fazer nada, é chamado em boa parte das vezes de preguiçoso.

        Também acredito que deveríamos trabalhar menos, tipo aqueles países em que duas da tarde todo mundo para de trabalhar.

        Infelizmente não temos controle sobre isso, pois se você trabalha por conta própria (autônomo) é preciso trabalhar muito mais do que o registrado na carteirana maioria dos casos.Principalmente se é prestação de serviço, eu por exemplo trabalho com um cara (“Patrão”) e temos que ir no cliente, residencia ou empresa, seja onde for.
        Agora o que chateia e estressa é o trajeto rsrs. Perde horas no transito, principalmente se atendemos mais de 2 clientes no dia e eles ficam , por exemplo, no norte e outro no sul rsrs.

        1. O trânsito me desmotiva a buscar algo melhor atualmente. Prefiro trabalhar precarizado como freelance em casa do que ir trabalhar num escritório mas perder 3/4 horas diárias em deslocamento.

        1. Nem presto atenção nesse tipo de coisa, fora que sempre comento aqui

    4. vamos lá então.
      eu gosto do meu atual trabalho de auxiliar administrativo.
      caixa, cobrança, notas, faturas, Nf-e, estoque, limpeza, cafezinho e umas corridas como motoboy. (hahah)
      só não gosto de encheção de saco. aqui o chefe tenta impor o ritmo dele nos outros. eu já nao entrei nessa, senão estaria fodido.
      detesto quando estou atendendo e ele fica me mandando fazer outras coisas. poxa, 1 coisa de cada vez né!??! hahahaha
      mas é bom sabe, aprendi muito sobre mecânica e elétrica nesses ultimos meses. até me colocaria a aprender mais, se não tivesse tanta cobrança dele pra fazer as coisas rápido (é tenso ‘aprender em produção’).

      mas não sei quanto tempo vou permanecer. estou estudando eletrônica e se pintar algo melhor nessa área eu vou de cabeça!
      (até não me interesso muito em amplificadores valvulados ou pedais, pois o mercado está saturado com handmades e pedais de boutique. eu tenho mais interesse em amplificadores transistorizados…, quem sabe um dia…)

    5. Ainda sou estagiário e curto demais! Principalmente pelo lance de estar aprendendo coisas novas. Acredito que isso me move e espero nunca perder isso de querer aprender sempre :)

    6. Faço estágio e curto bastante. É um lugar com clima legal e oportunidade de aprender. Não há segregação entre estagiário e funcionário, eles sempre ouvem boas ideias e dão espaço pras pessoas se desenvolverem.

      Talvez eu goste tanto pelas razões citadas acima e também por ser somente 4h por dia. Quando eu começar a trabalhar em horário integral pode ser que “toda essa magia” acabe, mas no geral eu curto sim!

  3. (Des?)Reforma trabalhista dará algum fôlego aos subempregos de baixa eficiência, típicos de países tecnologicamente atrasados
    http://m.jc.ne10.uol.com.br/canal/economia/nacional/noticia/2017/07/13/reforma-trabalhista-ira-gerar-mais-empregos-diz-comercio-295313.php?utm_source=facebook.com&utm_medium=social&utm_campaign=fb-uol&utm_content=geral
    Isso se não for alvo de litígios por inconstitucionalidade. E pelo visto https://youtu.be/7kHiAmOtiH4 será.
    No meu entendimento, qualquer atividade repetitiva, pela qual paga-se uma miséria, que possa ser realizada por máquinas é um subemprego. E são muitas as atividades que hoje se enquadram em algum desses critérios: vendedores, metalúrgicos, atendentes de call center, condutores de trens, programadores front-end, roteiristas, lixeiros (incluindo quem trabalha com reciclagem). Eu falo de subemprego citando exemplos que devem desaparecer em breve, e alguns que já estão, sejam ou não reconhecidos legalmente. Essa desreforma visa facilitar contratações (e demissões) de maneira mais rápida, uma vez que o “negociado” diretamente entre empregador e trabalhador passaria a valer mais do que acordos coletivos. Na prática me parece que isso será um aval para o que já acontece hoje com essa CLT – o empresário oferece um emprego robótico em troca de migalhas, e “é pegar ou lagar”, sem essa de “negociação”. E é o que parece interessar para o empresariado – menos burocracia e zero temor de processos, uma vez que custas processuais e honorários passam a ser devidos aos advogados, em caso de processos.
    Mas o que o senhor Temer não imagina é que sua desreforma está prestes a ser triturada em um litígio, conforme a entrevista acima.

    1. Interessante você falar dos efeitos da reforma em uma determinada parcela dos trabalhadores, ainda não tinha pensado dessa maneira. É a primeira vez que eu vejo alguém falando isso dessa forma – pois em 90% dos casos só ouço falando ou que vai ser as mil maravilhas, que precisava de uma legislação mais flexível, etc., ou falando que a reforma está tirando os direitos do trabalhador, que na prática está voltando para o tempo dos escravos, que só serve para atender os interesses dos empresários, etc…

      Sobre os sub-empregos, eu penso que eles sempre vão existir em algum nível, até países desenvolvidos atualmente ainda possuem. O que eu entendi da reforma é visa “facilitar” a contratação com carteira assinada de alguns sub-empregos em situações específicas (regimes 12 horas, jornada intermitente, etc.) que atualmente vivem na ilegalidade. Vou salvar o teu vídeo pra ver depois, talvez mude meu entendimento.

      PS: programadores front-end como sub-emprego? Você acha mesmo?

      1. A questão é que — SIM, DE FATO — estamos regredindo em décadas de avanços sociais. A reforma está tirando dinheiro dos pobres para dar para os ricos.

        Estivéssemos em 1888, Temer votaria contra a Lei Áurea — e ainda diria que a lei seria ruim para os escravos.

        1. …e a proposta de renda mínima de cidadania do Suplicy? Não vale pensar nela? Afinal, o Bolsa-familia me parece ser algo do tipo, só que muito rudimentar.
          Cito essa idéia do Suplicy pois ela vem sendo discutida a sério em outros países, por conta do sumiço dos empregos frente ao avanço da eficiência robótica.

          1. No Brasil do PMDB e dp PSDB não existe espaço para discutir qualquer coisa que possa tornar a vida do pobre melhor. RBU não vai sair do papel antes de termos um novo governo progressista.

            Demos uns 100 passos para trás em relação ao mundo civilizado. O Brasil é uma selva, um safári de gente rica.

          2. Imagino que para evitar uma “chinezação” do trabalho no Brasil precisamos de educação, mas esse é um processo longo dadas as nossas limitações humanas. Mas, como consolo, vale lembrar que deu certo na Coréia do Sul

          3. Depende do que você chama “dar certo”. Os estudantes coreanos estão entre os mais estressados do mundo: eles se matam para conseguir as melhores posições nos rankings educacionais (estratégia criticável por qualquer especialista em educação) apenas para depois se matar de trabalhar. Capitalismo nunca dá certo para as pessoas.

          4. Alguns se matam. Claro, a coisa é grave e deve ser tratada como tal. E eu citei esse exemplo pois estamos no capitalismo, que definitivamente não é o melhor sistema para divisão de recursos em um sociedade que se diz civilizada. Mas acontece que lá o avanço econômico trouxe algum bem-estar, dado o fato de que a Coréia do Sul era um Haiti e se tornaram quase uma Suíça em 40 anos

          5. Tenho algum ceticismo quanto a isto. A RBU provavelmente será a solução encontrada pelo capitalismo avançado para resolver os problemas do desmonte do estado de bem-estar-social: acabam os serviços públicos de alta qualidade nos países centrais (como saúde, habitação, educação, segurança social, etc) e substitui-se toda esta estrutura pela renda universal — que facilitará a exploração sobretudo dos jovens do precariado 24/7.

            Já nos países periféricos, como no Brasil, simplesmente não haverá RBU assim como nunca houve EBS.

            Como tenho conhecimentos bastante grosseiros de economia política, é óbvio que estou simplesmente chutando.

        2. Cara, se importaria em dizer em quê/quais pontos você se baseia para dizer isso? Dizer que “estamos regredindo em décadas de avanços sociais” é recair no mesmo que eu falei antes, dos 90%. Estou lendo muitas opiniões a respeito (a favor e contra) pra não cair no erro de apenas repetir o que é dito por aí, sem saber o que de fato vai afetar na sociedade.

          1. Negociação entre patrão e empregado é um ponto, por exemplo.

            Como um empregado vai ter capacidade de negociar com uma empresa/empresário para ter vantagens? Como ele vai negociar salários se ele é uma engrenagem completamente descartável (não se engane com o papo de colaborador, todas as posições, tirando o dono do dinheiro, são descartáveis)?

            Outro ponto é a questão de que com menos encargos e menos entraves para contratar/demitir, por exemplo, os salários seriam maiores. Como? O patrão vai aumentar os salários na mesma proporção que ele deixou de recolher pro Estado? Nesse caso, seria soma zero pra ele, ou seja, o mais óbvio é que o lucro dele cresça absurdamente e os salários se mantenham quase inalterados.

            O acesso a justiça trabalhista também ficou bastante prejudicado. Agora um trabalhador pobre vai pensar umas 10x antes de iniciar uma ação, mesmo que ele tenha sido prejudicado na empresa.

            E por aí vai, quase todos os pontos da reforma são retrocessos trabalhistas que vão criar ainda mais assimetria na negociação e gerar mais lucro pro patrão, de modo que, aquele famoso abismo social brasileiro será ainda mais alto daqui uns anos.

          2. Sério, já perguntei aqui, onde está esse negócio de que a negociação do trabalhador vai valer mais?

          3. Da própria Veja (pra não me acusarem de colocar fontes “de esquerda”):

            “O principal eixo da reforma trabalhista, aprovada na terça-feira no Senado, é permitir que o negociado prevaleça sobre o legislado. Isso significa que empresários e funcionários poderão negociar mudanças referentes à jornada de trabalho, intervalo para almoço, troca do dia de feriado, entre outros pontos.”

            https://goo.gl/FYbWoY

          4. Veja só, na própria notícia: A medida só pode ser usufruída por funcionários com diploma de nível superior e salário superior a dois tetos do INSS – o equivalente a 11 mil reais. Para trabalhadores com renda inferior, a negociação ainda continua sendo intermediada pelo sindicato da categoria profissional.

          5. Você tinha perguntado sobre “onde está escrito que vale a negociação acima da lei”.

            E leve em conta que os sindicato tendem a se extinguir com o fim da contribuição sindical.

          6. Mas aí é só os trabalhadores decidirem contribuir.
            E se não existir sindicato não será possível fazer o acordo. Vai ficar na mesma , não haverá perda nenhuma.

            E eu fiz a pergunta pq todo mundo fica repetindo isso sem nem mesmo saber o contexto. Estão todos criticando sem nem mesmo ter lido direito o negócio.

          7. Mas os trabalhadores não vão, tirando os servidores públicos, contribuir para sindicatos porque existe uma massiva propaganda anti-sindical em todas as esferas da iniciativa privada. É complicado sem uma mínima cultura sindical (como temos na Argentina, por exemplo). E essa falta de cultura é fruto direto de uma educação empresarial anti-trabalhador e, óbvio, uma lacuna na formação dos próprios sindicalista (e da esquerda) que não fazem o trabalho de conscientização dentro de escritórios, por exemplo.

          8. Aí não haverá problema, pois sem o sindicato não é possível fazer o acordo. E essa cultura anti sindicato parte dos próprios trabalhadores que dificilmente veem seus direitos serem defendidos. Tenho vários amigos e conhecidos que sempre disseram que não queriam contribuir aos sindicatos pois estes nunca beneficiaram a categoria, só servia para homologar rescisões.

            Essa reforma trouxe sim pontos positivos, mas também negativos. Percebo que o pessoal está de olho somente nos pontos negativos. É incrível que é tão bom ser empresário no país e escravizar as pessoas, mas não vejo esses escravos querendo empreender, por que será né…

          9. Único ponto positivo é regulamentar home office.

            Se o sindicato não atende aos interesses da classe, a classe deve eleger novas lideranças sindicais. Foi o que aconteceu com o CPERS 3 anos atrás quando a classe queria indicativos de greve e negociação com o governo e o CPERS ignorava os pedidos e não entrava em atrito ou negociação. Outra direção veio e tivemos atendidos os pedidos da classe.

            Essa desculpa de “não serve pra nada” é exatamente o que eu estava falando de falta de cultura sindical. Brasileiro comprou muito bem o discurso capitalista de “esforço e mérito” (que por muitos anos foi o discurso da esquerda revolucionária, e o usa para defender o patrão, ignorando que está sendo explorada diuturnamente.

            Enquanto isso, essas maravilhosas ofertas de empregos serão cada vez mais comuns: https://uploads.disquscdn.com/images/39f7efea87c878b520b047e7163ba979728ad68b12d3db9f6d522f1fa91fc4ea.jpg

          10. Esse tipo de oferta é problema econômico. Para melhorar a situação do país e aumentar o nº de empregos e a remuneração é necessário uma política de distribuição e geração de renda. É a ideia do Henrique Meirelles, se ele vai conseguir é outra coisa.
            Enquanto estivermos nessa de país subdesenvolvido não haverá lei trabalhista que fará a situação melhorar.

          11. Esse problema é mais social do econômico. Se uma pessoa não vê problema nenhuma em oferecer servidão voluntária na internet podemos perceber que a nossa sociedade é mais destruída do que parece inicialmente.

            Como ele vai distribuir e gerar renda tirando direitos trabalhistas que geraram crise em outros locais onde foram implementados?

            O problema do desenvolvimento brasileiro é bem mais profundo do que uma reforma previdenciária/trabalhista/política/tributária. É de formação, principalmente das elites do país, nos seus anos formadores. Isso impacta até hoje na capacidade do povo de entender política, de se envolver e, principalmente, de perceber as manobras das elites contra o povo. É muito fácil enganar um povo que acredita no seu patrão como salvador. Sempre foi assim por aqui.

            Vide Espanha.

      2. Programador, de modo geral, é subemprego e provavelmente será substituído em breve por robôs ou IAs capazes de realizar tarefas automatizadas. Assim como tradutores, revisores, médicos (clínicos gerais e cirurgiões) e muitas outras profissões que parecem ser especializadas mas são apenas tarefas que precisam de repetição e reconhecimento de padrões.

        1. Desculpa, mas eu vejo um pouco de ceticismo esse futuro. Concordo que são atividades em sua maior parte repetitivas, mas que dependem, no mínimo, de uma supervisão e análise humanas. Pode ser visto da mesma forma desses carros que dirigem sozinhos, mas que ainda assim exigem a presença do motorista que pode assumir a qualquer momento o volante.

          1. Um supervisor para quando ocorrer um erro ou problema é mais do que suficiente num mundo automatizado.

            IAs fazem coisas muitos mais complexas, como jogar xadrez ou Super Mario (que tem muito mais padrões para entender e decisões a serem tomadas). Programar é um passo bastante raso.

        2. nossa, tentam tornar os programadores obsoletos faz quase 70 anos: essa era uma “promessa” do COBOL :)

          na verdade o número de programadores só tem aumentado com o passar do tempo…

          1. A promessa do COBOL era automatizar tarefas e toná-las menos repetitivas aos programadores (era outro paradigma). Me lembro porque meu pai se aposentou como programador COBOL e ele falava como era antes e depois do COBOL.

            Atualmente IA são capazes de programar de fato (algoritmos) para essas tarefas automatizadas (elas não são o automatizador de tarefas). É diferente.

          2. cara, me desculpe, mas você não tem a mínima ideia do que está falando…não sou especialista em IA, mas tenho formação em computação e trabalho já há algumas décadas :) em informática (óia a carteirada)…resumindo: esqueça tudo que você vê em filmes, e não acredite no hype atual que vende IA como algo milagroso…IA como existe é simplesmente aplicação de grande poder computacional a grandes massas de dados, usando certos algoritmos e técnicas bem específicas…e a não ser que aconteça alguma coisa disruptiva na tecnologia, vai continuar a ser assim por muito, muito tempo ainda…e quando acontecer essa coisa disruptiva, duvido muito que seja no software, muito provavelmente será no hardware (p. ex.: computadores quânticos, se isso for possivel)

          3. Desculpa, mas você falou, falou e não disse nada.

            Estudo IA, data minning e processamento de linguagem natural desde 2011 e fui programador por mais de 10 anos na indústria atuei no R&D da HP e no setor financeiro da Dell. Implementei (junto com uma equipe) uma central de alocação orçamentária pro MDIC e trabalhei com extração de informação legal e com automatização de periódicos científicos. Apelo a autoridade não funciona muito bem.

            IA existe HOJE como aplicação de grande poder computacional (em termos, veja o Watson da IBM) mas a tendência é exatamente que ela se expanda para áreas menos complexas de outros setores.

            Setor médico, principalmente de diagnósticos, é um dos que vai desaparecer mais rápido (até porque o trabalho de clínicos gerais é basicamente isso: cruzar dados de sintomas). Tradução é algo que atualmente a imensa maioria dos tradutores usa a API Google tradutor dentro do Trados para pré-traduzir o texto e depois apenas revisar a TM. A tendência é que isso seja completamente automatizado em alguns anos. Programadores na sua maioria reproduzem padrões e buscam erros em sistemas já em produção. Já foi postado um link de automação de templates para front-end, inclusive, aqui nessa discussão.

            Tudo isso ainda engatinha em alguns setores, mas, a tendência é essa. Você pode espernear o quanto for, mas, programador é o equivalente a um pedreiro, um trabalhador de chão-de-fábrica ou algo do tipo, não existe nada de especial na profissão – assim como em todas as outras – que justifique achar que estão imune a automação.

            Eu deixo, por fim, mais um sobre aplicações de IA no ramo médico: https://goo.gl/syjP4b

          4. pessoal da IA sempre fez promessas mirabolantes, desde o início :)

            o que se vende hoje como IA são simplesmente aplicações específicas para domínios específicos, é estatística sobre grandes massas de dados, algoritmos de busca eficientes sobre grande massa de dados, sistemas especialistas baseados em grande massa de dados, reconhecimento de padrões aplicados a grande massa de dados, etc…é sempre isso, grande poder computacional sobre grandes massas de dados… os “assistentes pessoais” dos smartphones são um exemplo disso, você fala com seu telefone mas na verdade tudo é processado na nuvem, por centenas de milhares de máquinas do WolframAlpha ou coisa parecida

            meu comentário padrão a deslumbrados pelo hype da IA é sempre o mesmo: não sabemos nem mesmo criar uma folha de pagamento decente, quanto mais uma IA…qualquer pessoa que tenha vivência da realidade de softwares corporativos (ERP, etc) sabe muito bem disso…mesmo no caso da web, a complexidade da tecnologia de programação é imensa, e cada vez aumenta mais, porque sempre aparecem novas plataformas, novos produtos, novas ferramentas, novos paradigmas, novas linguagens, e a interdepedência entre tudo aumenta em escala combinatória …achar que programadores ou qualquer outra atividade criativa, que exija capacidade de raciocínio abstrato e não estruturado, vão ser substituídos por IA no horizonte visível é de uma ingenuidade à toda prova…como disse antes, se ou quando houver uma disrupção tecnológica ela vai vir do hardware (computação quântica?), assim como aconteceu com a internet e o celular, e não do software, que não tem como fugir do modelo padrão de processamento (execução sequencial de instruçõe em um programa armazenado…o uso de threads é um remendo em cima disso, com grandes problemas de escalabilidade)…o software é limitado pelo hardware, e enquanto não acontecer uma quebra disruptiva nos modelos de hardware a IA (de verdade, não o hype que se vende hoje) estará confinada aos domínios da ficção científica

          5. Seu erro continua sendo achar que a maioria dos programadores exerce uma função muito abstrata e complexa. A realidade é exatamente o oposto disso, a maioria dos cargos/funções de programadores é para taregas absurdamente simples e repetitivas. Programação web é uma delas, a interconexão necessária entre diversos tipo de softwares (banco de dados, frameworks) é bastante simples. Hoje em dia um framework como Laravel roda quase todo automaticamente e não precisa de chamadas específicas para banco de dados, por exemplo. Uma máquina pode gerar código para fazer um site padrão de maneira bastante simples, basta ela ter capacidade de processar algoritmos ou modelos pré-fabricados de cada estilo de site ou aprender a mesclar diferentes sites. Tudo é questão de treino (IAs precisam ser treinadas sempre).

            Concordo que não conseguimos fazer uma folha de pagamento decente (e eu trabalhei exatamente nessa área) mas você sabe porque? Porque não se tem TEMPO para fazer isso. Fazer um sistema de pagamentos pra uma empresa com mais de 5 mil funcionários em 3 semanas é insano, mas, era isso que o capitalismo da Dell pedia. A solução? Um sistema capenga que rodava até ter uma falha em determinado ponto que não foi pensado anteriormente (porque não tivemos tempo de rodar exaustivos testes de mesa, de integração, de homologação etc). Solução: um patch que arruma esse erro (com prazo de 24 a 48 horas) e que só vai funcionar até o próximo erro em produção.

            Com tempo qualquer pessoa/equipe com conhecimento em programação vai conseguir fazer sistemas muito bons, o problema do processo de “fábrica de software” é que não se tem, exatamente, esse tempo. Lógica capitalista de entregar sempre, mesmo que seja ruim.

            Dá uma olhada no que já foi postado aqui sobre IA, principalmente sobre templates pra front-end e você vai ver que é possível chegar nesse patamar, talvez não em pouco tempo (5/10 anos) mas em breve isso vai ocorrer (30 anos, possivelmente).

          6. “seu erro” aparentemente é que você parece viver em outro mundo, onde não existem diferenças nas atividades exercidas por pedreiros e programadores :)

            discordo praticamente de tudo que você escreveu, porque simplesmente não é a realidade neste mundo em que vivo :)

            por acaso, olha o que apareceu hoje no Ars Technica: evolução no hardware para alavancar a IA…

            https://arstechnica.com/science/2017/07/pocket-brains-neuromorphic-hardware-arrives-for-our-brain-inspired-algorithms/

            ps. me lembrei de outra coisa que sempre falo: a grande maioria da pessoas que acha que software é “fácil” não tem ideia, por exemplo, da enorme complexidade do software que roda em humilde pdv usado nos estabelecimentos comercias como grandes redes de farmácias, supermercados, etc…é simplesmente risível achar que uma IA pode dar conta desses programas num futuro previsível

          7. E são muito parecidos. O erro – e algo que me irrita profundamente – é essa falsa ideia de que programadores são algo além da compreensão de meros mortais. Pelo amor de Deus. Programação é uma atividade comum e não exige grande esforço na sua imensa maioria, assim como quase todas as profissões não-artísticas que temos hoje.

            Ok, se você for alguém que lida com aplicações críticas ou desenvolve algoritmos mega-complexos (de criptografia, por exemplo) você faz algo que os robôs não são capazes de fazer. Se você trabalha com pesquisa computacional em uma universidade/empresa, você também exerce uma atividade que a IA não é capaz de realizar (pesquisar, achar novas soluções/problemas é algo que não vejo uma IA fazendo) mas todo o resto é MdO substituível e sob o jugo do capital, ou seja, descartável.

            O fato de não ser a sua realidade não quer dizer absolutamente nada. Já trabalhei em projetos que eu tinha capacidade de testar exaustivamente (R&D) e projetos que o teste era automatizado e feito em menos de 4h (um turno de trabalho) porque o prazo dado era muito curto.

            Sobre HW, jamais disse que não era o caminho, até deve ser. Quando eu fiz física computacional (antes de me formar em Letras) fiz umas cadeias de um cursos de extensão que eles falavam de computação quântica. É uma tecnologia muito complexa e eu acho que vai demorar umas 3 décadas para sair dos centros acadêmicos de alto padrão ou de aplicações específicas para indústrias específicas (guerra, petróleo).

            Enfim, discussão completamente infrutífera essa nossa, não vai caminhar para nenhum lado.

          8. aparentemente você acha que programação é uma atividade trivial…programação não é uma atividade “especial”, mas é uma atividade “difícil” (como muitas outras atividades), e o que aumenta essa dificuldade são (pelo menos) 2 coisas, o tamanho das aplicações e sistemas existentes atualmente, o que se traduz em complexidade pela interação entre as partes de um sistema (que aumenta em escala combinatória) ,e a tecnologia de software, que continua se transformando e se diversificando aceleradamente…no horizonte previsível é completamente irreal achar que essas atividades possam ser automatizadas…aliás, essa noção de que programação é “fácil” me lembra 2 coisas: a primeira, que vi recentemente em algum lugar, é que os pioneiros da computação se surpreenderam com a ocorrência de erros de programação, eles não tinham previsto isso, e a segunda é que no início da internet no Brasil eu vi muita gente achar que fazer um site era “fácil”, era só escrever umas linhas em html…sendo que mesmo naquela época a interação entre html, javascript, css e dom já era bastante complexa (e isso mesmo sem considerar o backend)

          9. Legal você falar disso, porque meu primeiro estágio foi na Tlantic, Fábrica de Software da rede SONAE pra Portugal, e eu trabalhei exatamente com PDV (usando Slackware + C) lá em 2006.

            Não tinha nada de muito complexo não. Me lembro que na época o mais complexo que a gente teve que fazer foi o sistema novo de touch screen (que já tinha na Europa em 2006) para os novos PDVs da rede.

            Nossos maiores problemas eram de integração de versões – a versão de homologação sempre quebrava na produção, basicamente, porque não tínhamos tempo para fazer direito. Tinha até uma “check list” de erros aceitáveis para rodar em produção tamanho era o problema (tinha loja rodando com 486 ainda naquela época).

          10. bom exemplo, afinal de contas a rede SONAE deve ser enorme, muito maior que o Pão de Açúcar, por exemplo

      3. Programadores front-end se enquadram nesse meu critério pelo fato de que é uma atividade robótica na medida em que muitos sites são frutos de templates, e também pela recentes iniciativas que resultaram num programa capaz de criar o front-end de um site, perfeitamente navegável. Outros programadores partilham da mesma opinião. https://medium.com/tableless/o-fim-da-profissão-front-end-950027672655
        Claro, o design e a criatividade podem bater resultados automáticos, mas a pergunta sobre essa objeção é: queremos perfeição (no sentido “obra prima” da palavra) ou resultado? Nesse nosso capitalismo louco emulador da lei do mais forte, eu imagino que “queremos” resultado, então vai de robô programador ou de template mesmo que é mais barato.

    2. Tomara que o Temer e a reforma trabalhista sejam triturados legalmente e nas ruas, com uma guerra civil no Brasil.

      Essa morosidade da população só demonstra como o capitalismo consegue vender muito bem a sua ideologia de “trabalho e mérito” fazendo o pobre crer que ascender socialmente é uma questão de estudo e esforço. E é exatamente isso que essa ala neoconservadora brasileiro quer: pobres semi-escravos e incapazes sequer de sobreviver. Descartáveis e baratos. A máquina de moer pessoas da elite fisiologista brasileira nunca esteve tão ajeitada e pronta pra acabar com a nossa precária sociedade. Tudo com o aval do próprio povo em nome de barra um “comunismo” que jamais existiu no Brasil, nem no campos das ideias.

      Reforma trabalhista, reforma da previdência, lei da terceirização e PEC dos gastos são leis do século XIX que nos colocam em pé de igualdade com o que existe de pior na história da humanidade em termos de ambiente de trabalho. O Brasil, na figura nefasta e incapaz da sua elite econômica, conseguiu convencer a classe média – sempre burra e pronta pra abraçar bandeiras que pouco lhe favorecem – de que o melhor era exterminar o país, estratificar a nossa sociedade e acabar com a classe baixa transformando-a numa mera MdO barata e descartável. Só não voltamos com a escravidão porque iria pegar muito mal no resto do mundo – mas pode ter certeza que o Temer, Dória e outros queriam isso no seu âmago.

      Enquanto a esquerda for esse fantasma do PT e do Lula, sem trabalho de base e relegando as periferias – e o povo – ao bel prazer da bancada evangélica (que votou em massa a favor da reforma trabalhista) vamos ter de tempos e tempos esse recrudescimento e austeridade pra inglês ver. Organizar-se é o primeiro passo para resistir e acabar com essa democracia burguesa de fantoches.

      A reforma, todas elas, são apenas um braço do ódio de classes.

      1. Eu acho que uma reforma trabalhista é sim necessária, mas visando beneficiar os trabalhadores e, a médio prazo, diminuir de verdade o nosso abismo social. Essa que está aí na pratica me parece que manterá nossas desigualdades, ainda que facilite contratações.

        1. Quando tu acha que poderíamos ter uma reforma trabalhista benéfica pra população? Temos um congresso MUITO conservador.

          “Essa que está aí na pratica me parece que manterá nossas desigualdades, ainda que facilite contratações.”

          Facilitar contratações a que custo? Tem grande chance de a população perder poder de compra, piorar sua saúde e não ter mais estabilidade no emprego. Eu questiono o caráter econômico dessa reforma.

          1. Exatamente – a que custo? E eu te digo um deles: descarte rápido do trabalhador, economizando 20% com multa sobre FGTS se aplicável.

    3. algumas entrevistas da maria lydia, q eu conheço desde guri, de uns tempos pra cá, arrancam o pior de mim…

        1. é ruim. fico puto com essas entrevistas adocicadas com a turma do psdb paulista.

          eu tb via. pelo youtube mesmo, pq não tenho mais tv por assinatura. mas parei. é masoquismo ver telejornal.

          aqui em casa decidimos ver apenas coisas pontuais agora pra justamente não nos aborrecermos com coisas como ‘estúdio i’, ‘jc debate’, ‘roda viva’ e quejandos. a gente só vê qdo é coisa incontornável.

          estamos preferindo conteúdos como esse q mandei pro paulo mais acima ou ler mesmo.

          aliás, até te recomendo: ‘a era do imprevisto’, do sérgio abrances. comecei a ler e tô achando bem bom. acho q vai um pouco no caminho dessa discussão q tá rolando mais abaixo.

          eu acho q tá um clima de fatalismo no ar, mas não creio q seja pra tanto, pq o q eu observo, e aí entra o meu ponto de vista mesmo, é q a informalidade no brasil é tão grande, q a classe trabalhadora q ainda tem algum acesso a empregos do tipo clt, não é tão expressiva assim.

          eu acho q o jessé souza vinha e vem delineando isso nas suas obras ‘a ralé brasileira’ e ‘os batalhadores brasileiros’. ele não previu o futuro, mas fez uma análise bem decente de algo q a esquerda pensante, de um modo geral por não viverem como os pobres q são alvos de seus estudos há décadas, não conseguiram perceber.

          vc deve ter visto, inclusive, q boa parte dos pensantes estão mega preocupados com o lula, q tem bons advogados, recursos e patrimônio pra limpar a própria barra. àqueles q estão em cana injustamente e estão lá mofando, restam os panacas (eu e esposa, por exemplo) gastando o pouco q têm pra mudar um pouco essa situação.

          1. “eu acho q tá um clima de fatalismo no ar, mas não creio q seja pra tanto, pq o q eu observo, e aí entra o meu ponto de vista mesmo, é q a informalidade no brasil é tão grande, q a classe trabalhadora q ainda tem algum acesso a empregos do tipo clt, não é tão expressiva assim.”

            Isso é verdade e é um problema sério.
            Mas deveríamos caminhar na direção de colocar essas pessoas sob a CLT e lhes dar direitos e não o oposto.

            É pra ser fatalista com tudo o que está se desenhando, talvez não agora ou amanhã, mas, no futuro isso vai cobrar o preço e daí vai surgir um salvador punitivista (esse é o grande problema).

          2. eu acho q, talvez (e apenas talvez), as pessoas, especialmente aquelas q sentem orgulho de serem analfabetas políticas mesmo tendo recursos para não serem, estão tendo o q merecem; mas, por outro lado, gente q é analfabeta por total falta de opção mesmo, tb vai pagar por isso e lamento profundamente q assim seja.

            esse discurso reacionário q ganhou força (especialmente naquilo q até já conversamos, sobre o os evangélicos q ampliaram espaço nas periferias e turvaram ainda mais o ambiente caótico do frágil tecido social) pode não ser tão duradouro assim… como na perifa as pessoas têm medo tb da polícia (e mesmo sem ligarem os pontos, do punitivismo), parece q o discurso ‘rota na rua’ não vai prosperar, pq a classe média de condomínio (não aquela q anda colocando seus filhos no ensino público), não passa perrengue com a polícia, mas quem tá fora passa e tá cansado disso.

            a impressão q eu tenho é q novas forças políticas surjam em decorrência das ocupações das escolas, da memória do início das jornadas de junho, do movimento feminista, do discurso de afirmação dos negros politizados etc. qdo isso desembocar numa novela da globo então, a coisa vai mais forte ainda.

            esse brasil descompassado com a internet, q não é o q vivenciamos provavelmente, ainda vai alavancar alguma força renovadora (com traços conservadores, mas longe do reacionarismo do tipo bolsonaro q é destrutivo). eu só não sei qdo, mas desconfio q tantos os informais qto os recém ingressos na clt, não vão admitir essa destruição de direitos por muito tempo.

            um bom termômetro será em 2018, pq, infelizmente, as pessoas acham q democracia é só voto. se elas soubessem q não é só isso, a coisa começaria a mudar hj mesmo.

          3. Eu acho que os ideais da esquerda acabaram mesmo (estão mortos e não voltam), ao menos pra essa geração atual; em muito, por conta das próprias pessoas que abraçaram a ideia do trabalho como salvação – espiritual, social, econômica – abraçando o discurso do patrão, do rentista, e ignorando todos os problemas decorrentes dessa ideia nefasta de sociedade egoísta e individualista.

            Ao mesmo tempo, em países periféricos como o Brasil, dada a escalada de violência e crises financeiras, a figura do salvador conservador, que pune todos os que “andam fora da linha” ganha força porque é uma resposta fácil e mantém o status quo da classe média. Ela vai continuar sendo classe média, vai ser muito pouco impactada por um governo conservador (por exemplo) e de quebra tem os seus serviços barateados absurdamente com as flexibilizações de CLT e previdência, o melhor dos dois mundos, como voltar aos anos 90 onde tudo era caro exceto a mão de obra braçal.

            Vamos ser uma sociedade de poucos recursos sociais e muito abismos; tudo isso com a benção das pessoas que aqui habitam e acham que isso é uma resposta à esquerda clássica – que não existe desde a guerra-fria – comunista e revolucionária.

            Eu acho que o Brasil vai cair sim para uma estratificação cada vez maior até que as classes das clivagens mais baixas vão acabar retomando o movimento progressista, como foi o que ocorreu no anos 2000 depois de uma pesada política neoliberal do governo FHC que quase jogou o país numa crise sem precedentes. Esse recrudescimento atual contra políticas progressistas é fruto de um longo período de um partido de centro-esquerda no poder central. As pessoas mais jovens não entendem o mundo antes do PT e querem mudança, é normal e saudável dentro do processo democrático, normalmente essas visões extremas da juventude são balanceadas pela visão mais ponderada dos setores mais velhos da sociedade; aqui, porém, reside o grande problema do Brasil: nossos setores mais velhos são tão ou mais belicosos do que a nossa juventude, isso cria o cenário de terror e horror que temos atualmente no Brasil mega-polarizado que criou o MBL, LIVRES e NOVO.

            A resposta da centro-esquerda virá, vai demorar um pouco porque eles ainda estão presos à figura do Lula como salvadora de tudo, talvez a prisão dele (se confirmada depois do STF, ou seja, coisa pra uns 18 meses ainda) seja benéfica exatamente para renovar esse setor no Brasil (porém, é claro que a ala neoconservadora vai bater, e muito, em qualquer ideologia que surja depois do PT + Lula e sempre vai tentar colar a culpa dos anos de petismo nesse pessoa).

          4. Porque ontem participei de uma roda de bar com mais quatro amigos até altas horas (das 17 às 2) e tive de dormir no sofá literalmente! Na verdade juntei a roupa de cama e dormi no quarto de hóspedes. Mas a conversa aqui também é elogiável.

          5. olha, eu não acho q o fatalismo vai ajudar, pq ele, pra gente sem recursos, é como anunciar q o fim da linha chegou e q não adianta nada o q ela faça pra mudar aquilo.

            e tb não acho q o otimismo vá ajudar. ao contrário, ando vendo o otimismo (antecipador) como pior q o fatalismo (reativo).

            vc já deve ter ouvido de boa parte da ala entendida de tecnologia cantando q as máquinas vão nos ajudar, q as AIs vão salvar o mundo, q vai ser disruptivo, mas q vai ser bom etc. esses são os piores pra mim, pq eles estão fazendo apostas q podem bancar caso dê merda e estão se lixando pro impacto q determinadas transformações terão para as demais pessoas e tb encaram essas transformações como inevitáveis.

            é um tipo de otimista-fatalista (mas ele fica com ótimo e deixa o fatal para os outros).

            no ambiente de tecnologia esse discurso é ainda mais forte eu noto, o do otimista, e no mundo real, q percebo um pouco com as pessoas com quais tenho contato, q elas seguem a peleja do ‘quero o melhor para os meus filhos’, ‘quero q eles não se aproximem das drogas’, ‘quero q eles estudem’, ‘quero uma casa’, ‘quero um carro’ etc. não importa o quão precário isso seja, mas eles querem essas coisas até pelo valor simbólico (q ignoram a princípio), mas percebem q elas têm.

            costuma-se chamar isso de desejo de status, mas não creio q seja só por aí. é mais uma coisa de fazer um ninho mesmo e não uma coisa de ocasião e de ostentação como é típico da classe média despreocupada com o básico.

            visitei a casa de um amigo bem de vida uma vez e ele tinha lareira falsa no grande apertamento dos pais dele. o simbolismo disso é evidente (não sei se consciente pra ele, creio q não, pq a classe média alta tb não é lá dada a reflexões no caminho pra miami vendo qualquer merda no avião), só q a maior ameaça q eu vejo é esse discurso otimista ganhar contornos apropriáveis por pessoas deploráveis e espertas desses movimentos q vc aponta: mbl, vem pra rua etc q transformam a reforma trabalhista numa coisa boa qdo ela não é em boa parte dos seus pontos (se é q sobrou algo bom nela)…

            e esse discurso maldito vai dar muita margem pra eles ficarem por cima por um tempo, só q contraposto a esse desejo das pessoas comuns, de uma vida segura especialmente para os seus filhos (‘os batalhadores’ q o jessé fala), me parece mais forte e ele está presente nas classes mais pobres de modo amplo.

            a dita violência da periferia existe, claro, pq os mais jovens e ousados se lançam nessa vida louca assim como o playboy arrisca sua vida toda feita num racha q pode levá-lo à morte… esses dois são bem parecidos, na verdade. a diferença é o destino deles: um vai pra cadeia e o outro ganha cem anos de perdão. só não tem paralelo na classe média a prisão das mulheres, q engordam as carceragens; talvez só a vida limitada e modorrenta de dona de casa, numa espécie de prisão domiciliar relaxada, possa equipará-las levemente às detentas por tráfico de gramas de drogas.

            é por isso q eu receio o otimismo e o fatalismo, mas se for colocar na balança, eu me preocuparia mais com os otimistas q vão dizer q as coisas vão funcionar qdo não se sabe se vão. q vão dizer amém pra essa reforma e depois falar q as AIs vão ajudar esse povo a arrumar o q fazer…

            e vc vê, tb acho q a esquerda afunda por falta de cérebros. qta gente inteligente pra caramba não está entregando toda essa inteligência ao agronegócio, por exemplo, q já sacou, graças aos filhos herdeiros q agora assumem o negócio de seus pais, q se financiarem startups acendentes podem lucrar muito com isso já q dominarão processos avançadíssimos pra aumentarem ainda mais suas produções etc. o agronegócio é como o mercado financeiro nesse aspecto.

          6. A esquerda ainda tem cérebros muito bons, o problema é que eles estão presos com uma geração de pessoas incapazes de sair da torre de marfim da academia e da vida de luxos que os pais lhes deram (a maior parte do movimento estudantil de universidades é formada por alunos das clivagens mais altas que tem uma “culpa da classe média” em si) e acabam minando o movimento que poderia resultar em avanços concretos para as clivagens mais baixas.

            Se vê muito de gente que se diz esquerda revolucionária, ganhando mais de R$20k por mês, cagando regra sobre a vida pessoal dos outros (mora assim, age assado, não assume isso) quando isso é menor no contexto revolucionário que poderia levar a algum lugar. Falta entendimento da pobreza pro pessoal da esquerda atual do Brasil. Falta rua, falta favela, falta trabalho braçal e falta, principalmente, capacidade de entendimento do que é exatamente essa classe trabalhadora que eles veem como um “bom selvagem” do século XXI.

            O Lula eu acho se beneficia tanto preso quanto solto. Preso ele vai influenciar a narrativa da centro-esquerda (PDT, PSOL e PT) ao redor dele (porque, de fato, pelo que eu ando lendo, não se tem muita consistência para prendê-lo) e pode acabar melhorando a situação da eleição para essa ala, por isso eu aposto na Marina Silva x Bolsonaro (que inclusive encostou no Lula segundo apontam as pesquisas de recall, olha o punitivismo messiânico brasileiro aí) no segundo turno (sem o Lula). Caso ele se mantenha solto, ele se beneficia diretamente da narrativa do grande líder, do grande político, perseguido pela mídia e pela justiça por ter tirado os pobres da miséria (ele ajudou muito com o BF, de fato) e ter levado água pro sertão (se tem algo que o governo Lula/Dilma fez foi cisternas no NE). Essa narrativa é muito forte e faz dele um líder poderoso e perigoso (democraticamente).

            O Duda Mendonça costumava dizer que o Lula sempre ~1/3 dos votos (da militância do PT e dos simpatizantes da trajetória política) e que o grande desafio é buscar o que falta para se chagar em 50% + 1. Ele mantém isso ainda, mais ou menos, mesmo depois de tudo o que está acontecendo com ele e com o país (e com a mídia jogando nas costas dele a culpa de, basicamente, tudo).

            Por fim, acho que sem uma coalização de esquerda pro segundo turno o Bolsonaro vira o nosso Trump.

    4. Onde está isso de que a negociação direta com o trabalhador vai valer mais?

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