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Post livre #262

Toda semana, o Manual do Usuário publica o post livre, um post sem conteúdo, apenas para abrir os comentários e conversarmos sobre quaisquer assuntos. Ele fecha no domingo por volta das 16h.

79 comentários

  1. Antes dessa distopia que estamos vivendo eu valorizava muito mais a educação formal. Diplomatas, por exemplo, eu considerava, um dos ápices da intelectualidade. O concurso pra entrar já é muito difícil e eu imaginava que o Instituto Rio Branco dava uma formação excepcional e aí veio o Ernesto Araújo e agora eu não sei mais o que pensar…

    O Ligeiro deu uma explicação para o caso dos policiais. Pode estar errado, mas é uma explicação muito plausível, mas como explicar Ernesto Araújo?

    1. Tem horas que acho que no fundo a gente tem nosso “senso de ignorância”. Quem como nós está aqui no MdU nunca pensou em besteiras similares antigamente? Eu mesmo! Já apoiei a porqueira da lava jato, mas com um pé atrás (na época eu tava pê com o Lula / Dilma pq sentia que eles não queriam largar o osso, mas aí é outra história).

      Estamos nesta vida aprendendo todos os dias, em todos os lugares, em todas as situações. Deveria ser um “mantra padrão”. (Acho que é um mantra budista, não?).

      O que vale aos policiais vale a outros níveis também: nossa “elite financeira” apesar da dita “boa escolaridade”, no final se tivesse boa escolaridade estariam todos trabalhando em algo, ao invés de ficarem fazendo carnaval do covid em Trancoso ou Jurerê. Conheci um cara da Rotary, advogado, que o mesmo bateu palmas para o bolsonarismo e lavajatismo. Médicos que tinham pensamentos bem retrógrados. Gente que mora em Alphaville ou Morumbi que grasnava em comentários de internet.

      Ernesto Araújo é fruto do mesmo problema do comentário que fiz sobre os policiais (somando a resposta que dei ao Pierre): gente que teve péssima educação sobre governos nos anos 80/90. Estar em um Rio Branco não significa “ser o melhor”, isso é rótulo. E é um problema BRBR: a gente ainda se apoia muito em estereótipos para tudo – para contratar pessoas, para demitir, para resolver questões ou até ter amizades ou relacionamentos.

      No fundo, a gente pensa muito de forma estereotipada, ignorando traços que demonstram desvios, ou em alguns casos até pelo contrário, dando valor demais aos desvios, usando eles para julgar, condenar e isolar.

      Somos humanos.

      1. Concordo em quase tudo que o Ligeiro falou, só tenho uma ressalva. Pra mim existe uma diferença clara entre acreditar em mentiras sutis, sofisticadas, que envolvem muitos elementos e são complexas; outra, a meu ver bem diferente, é negar as obviedades mais rasas, achar que um Seu Fulano sabe mais sobre pandemia que a OMS e uma penca de epidemiologistas que lidam com isso há décadas.

        Dito isso, sim, acredito que padecemos ainda muito desse elitismo que associa riqueza e posição social à mérito e inteligência. Transferimos e extrapolamos a capacidade comprovada em uma área para todas as outras. O que mais tem é gente que vai tirar dúvida de gramática com estudante de medicina, não de letras; concurseiro e policial que acham que entendem mais de direito constitucional que jurista tarimbado; podcaster de game “ensinando” economia.

        Eu mesmo já tive também nesse barco lavajatista, achava que o PT queria se manter no poder eternamente e que os militares eram o último reduto da honra. Nem sei como escapei de votar no Coiso. Acho que o caminho passa pela dúvida constante de si, por sempre tentar enxergar onde eu estou errado e como eu posso estar menos errado.

    2. Pra mim a própria vida universitária já tinha desmanchado essa ideia. Depois foram os médicos e juízes de supremos tribunais… depois jornalistas e escritores.

      Agora tento focar em perceber que asneiras ando proferindo por aí

  2. Recomendei para o Paulo Pilotti no Twitter, vou recomendar aqui.

    Já ouviram falar de “Kaiketsu Zubat”?

    É uma série live action (Tokusatsu) da Toei (sim, a mesma dos heróis coloridos, ou melhor, “Super Sentais” como Flashman, Zyuranger (o que gerou os Power Rangers) e outros), de 1977.

    O legal na série é como rola o roteiro:

    – Apresenta-se a situação do dia (uma vila invadida, uma mulher sequestrada, etc…)
    – O herói em sua forma normal, no caso o detetive Ken Hayakawa, chega tocando seu violão e atacando os vilões menores.
    – O sub chefe vilão da história chega demonstrando seus “talentos”
    – Ken assobia e fala: “eu sei que você tem talento, mas você é o 2º melhor do Japão”.
    – O vilão retruca: “se eu sou o segundo melhor, quem é o primeiro?”
    – Ken assobia de novo e aponta para si mesmo, com charminho
    – Vem uma disputa do talento (Como jogar futebol americano, bilhar, arco e flecha, pescaria, e outros… ), e bem, como toda história de herói, o herói vence.
    – Aí o desenrolar clássico das histórias: rola mais algum drama, chega no vilão principal, vira o herói Kaiketsu Zubat, mata o vilão principal…
    – Ken pergunta tanto ao vilão principal do capítulo quanto ao sub chefe se matou o amigo dele, e depois da geral negativa (só com resposta positiva no último episódio, obviamente), deixa sua marca para os policiais (um cartão com os crimes do capturado escrito) e vai embora.

    Não é uma série para se levar a sério, afinal, era feito para “crianças”, ou melhor, os jovens da época. Apesar de alguma violência (todo episódio tem morte de alguém), é bem nível “Sessão Aventura” nos anos 80.

    Para assistir, no YouTube tem no canal oficial da Toei.

  3. [Peço desculpas antecipadas se o tema for muito delicado pra cá, mas essa é talvez a última comunidade razoável da internet]

    Só eu fico completamente desesperado vendo gente instruída negar as obviedades mais rasas no tocante ao enfrentamento da pandemia?

    Tenho esse amigo oficial da PM, nível superior, que assina embaixo das coisas mais estapafúrdias, tipo:
    * Biroliro fez bem em não comprar as vacinas porque se desse ruim era o dele na reta;
    * Já está claro que lockdown não funciona e só mata as pessoas de fome;
    * Paulo Guedes não apenas é bom de economia, como sabe mais que gente com Nobel de economia;
    * OMS, assim como o Nobel, não sabe de nada de verdade;
    * Pazuelo e Borsalino são sim pessoas inteligentes, vide que um chegou a general e o outro a presidente;
    * Avanços sócio-econômicos alcançados pelo governo PT, sobretudo Lula, não passavam de maquiagem e o dano que se vive hoje no Brasil é consequência disso.

    Eu não se vocês conhecem intimamente alguém que se tornou… bem, se tornou isso aí, mas é desesperador. Eu sempre acreditei que as pessoas emitem juízos ruins por falta de acesso à educação, mas claramente isso não é verdade (esse infeliz estudou nos melhores colégios de Fortaleza, foi da AMAN e depois se graduou na Federal do Ceará).

    A minha cabeça entra em parafuso! Eu realmente não consigo compreender como um ser humano funcional se descola tanto da realidade! Não é uma pessoa incapacitada, que sofre de transtornos psicológicos de algum tipo – é um oficial da porra da Polícia, com nível superior e o caralho!

    Pra mim isso é ainda mais bizarro que ver aquele pessoal que se reunia nos Estados Unidos pra esperar pelos alienígenas que os salvariam do fim do mundo – pelo menos aquela galera não tava fazendo mal a ninguém.

    Eu acho que teria muito mais facilidade em lidar com uma pessoa abertamente má, mas que não negasse a realidade nesse nível, sabe? Tipo alguém que dissesse “olha, realmente as medidas a serem tomadas são essas, mas eu não acho que a gente deveria gastar recursos pra salvar a vida das pessoas”. Porque pelo menos essa pessoa não nega que o céu é azul e que as coisas caem pra baixo, ela “só” teria um código moral escroto.

    Enfim, peço desculpas pelo desabafo e pelo meu latim.

    Vocês lidam com pessoas assim também?

    1. Boa parte dos policiais que conheço são bem defensores do salnorabo. E acabam acatando qualquer informação que seja positiva ao mesmo, rechaçando fatos reais.

      O problema é que polícial no BR é “ponta de lança” do Estado. Eles sofrem com o stress da própria segurança e da necessidade de ser a segurança “da população” (no final, acaba sendo de quem tem poder ou até paga por fora, mas divagamos – e estou sendo generalista). Soma-se o fato que no caso da PM, ainda tem cultura retrógrada, que acaba incentivando comportamentos negativos.

      Me soa que sempre ausentou-se uma monitoria psicossocial nas polícias, e um trabalho político para muda-las. Só que é aquela coisa: o combate ao crime tem seu lucro, direto e indireto, limpo ou criminal.

      Mudar as polícias (e a cultura de muitos policiais) requer força política para tal. Só que ela ainda não existe porque na cultura comum, da população inclusive das periferias, por mais que exista a violência policial, os abusos e, no caso de alguns lugares, o milicianismo e influencia de poder; ao menos não há bandidos a luz do dia roubando o celular, a carteira ou a compra do mês.

      Para a pessoa pobre (classe média-baixa) que pega transporte público, anda na rua, ganha um salário mínimo e teme o cara escutando funk proibidão na caixinha no último volume ou dois caras numa moto, a polícia é um resguardo de sua segurança.

      Voltando ao policial: aceitar a torrente de notícias falsas da turma do salnorabo vem do fato que nos últimos tempos, a imprensa brasileira criticou (não sem razão) as ações policiais e tenta combater os abusos do mesmos expondo casos e monitorando a justiça nos casos onde houve algo que soaria injustiça, como assassinato de cidadão por policial sem motivo (ou motivo forçado e falso).

      Tais policiais, já acostumados as mentiras que contam e vivem todos os dias, viram na “imprensa marrom” protetora do salnorabo um acalanto à eles. E bem, como eles sempre estão influenciando não só pelos sites, mas diretamente alimentando as notícias falsas via Whats/Telegram, acaba sendo a “mentira tão contada repetidamente que vira verdade”.

      Não sei se é o caso do seu conhecido. Noto que mesmo policiais com algum bom senso acabam indo parar escutando fake news, seja por influencia dos “maus colegas”, seja porque também se sentiu desamparado pela imprensa comum.

      aos policiais que leem o MdU, perdão a generalização

      1. Eu acho que você faz uma análise perfeita.

        A esquerda no Brasil (e talvez no mundo) não soube lidar com o problema da segurança pública nem com as forças policiais/militares. Nossa polícia é a que mais mata e também a que mais morre no mundo, e morre mais por suicídio que por assassinato. Ignorar isso é burrice, pura e simples.

        Por outro lado, as PMs foram herdadas da ditadura tal qual foram concebidas pelo regime, tanto em organização quanto em ideário. Vide, por exemplo, o projeto de lei orgânica que tentaram passar recentemente, no qual a palavra “militar” aparecia dezenas de vezes mais que “segurança” ou mesmo “polícia”. As nossas polícias se identificam, antes de mais nada, como militares, como soldados, como sujeitos apartados da sociedade civil e injustiçados por ela.

        Tudo isso eu consigo entender, o que me escapa é como um ser humano consegue negar tão convincentemente a realidade mais concreta. Como uma pessoa diz, em pleno 2021, que as UTIs não estão lotadas e que lockdown não funciona? E não apenas diz, mas acredita! É isso que me escapa, operar nesse nível de descolamento da realidade sem surtar de vez.

    2. Apoiar o Bolsonaro não é problema de instrução. É problema de caráter, e isso não se ensina na escola.

      Se não existe o risco desse cara te dar um tiro, eu me afastaria pra evitar dor de cabeça.

      1. Olha, posso estar errado, mas discordo em partes.

        O apoio ao bolsonaro é mais por um misto de falta de caráter (vide meu comentário – e é a parte que concordo contigo) com falta de educação / instrução.

        Acho que muitos de nós que estudamos nos anos 80/90, não temos boas referências de educação política relativas as gestões brasileiras. Quando não, na verdade nunca fomos bem ensinados também.

        Se logo após a abertura civil tivéssemos uma educação relatando o que foi realmente o período militar, talvez muitos jovens daquela época (que hoje são policiais, políticos e muito mais) teria uma noção melhor do que ocorreu e provavelmente nem cogitaria o voto no cara. E talvez teríamos uma sociedade um tequinho mais equalizada.

        A imprensa brasileira, quando fecha nos paywalls suas notícias e diminui os impressos com notícias (ou aumenta seu valor), diminui o alcance de quem se informa também. Tem essa.

      2. Concordo com o Ligeiro aqui. Acho que nos acovardamos diante dos militares.

        Quantas pessoas cresceram achando que a educação nas escolas militares era superior? Quantos acreditando que um general, para ser general, tem que ser inteligente, articulado, em nada deixar a desejar a um intelectual civil? Quanto acreditávamos que as Forças Armadas eram um reduto de honra, livres de corrupção?

        Acho que falhamos durante os anos 90 e seguimos falhando hoje ao não gritarmos sempre e a todo momento o horror que foi aquilo sob todos os aspectos: político, econômico, social, humano.

      3. Cara, eu tô cada vez mais convencido disso. Sempre achei que as pessoas tinham certas opiniões por falta de instrução e/ou vivência de mundo (tipo, não dá pra cobrar de um senhor de 80 anos que fez a 2a série em Santa Efigênia de Piraporinha que ele seja de boa em relação a lgbtqia+, saca?), mas agora eu percebo que não, que a gente é só um bicho irracional mesmo, que se apega ao primeiro pensamento mágico que nos fizer sentir poderoso e seguro.

    3. Conheço pessoas assim, mas faço questão de não falar com elas.
      Infelizmente vivemos numa situação muito pior que um Collor 2.0 e não sinto remorso por cortar laços com esses cúmplices.

      1. Eu já meio que sou “obrigado” a falar com eles – preciso trabalhar, então tenho que lidar com todo o tipo de eleitor…

        1. Eu achava que, morando fora do país, estaria livre, mas o que tem de liberalzinho fascistóide de facebook na gringa, vou te contar…

          Antes eu tentava argumentar, agora só discordo e mudo de assunto. Não vale a pena. É tentar converter missionário.

    4. Educação formal sem educação social não serve de nada. Paulo Freire já ensinou que quando a educação não é libertadora o sonho do oprimido é ser opressor. Essa é a linha que essas pessoas seguem. Desde que eu fiz matemática na UFRGS e tive contato com os estudantes e professores de exatas de diversos cursos – Física, Computação, Engenharias e a própria Matemática – eu deixei de lado a ideia de que educação formal traz consigo algum tipo de consciência social.

      Essas pessoas ainda vivem sob o positivismo e a educação tecnicista, coisas que a principio não fazem sentido e não conversam entre si, no final geram esses seres humanos que você falou.

    5. Olha, eu lidava com colegas de trabalho que eram pró-bozo (a empresa era e continua sendo, até onde sei) e eu fiquei feliz de ter entrado após as eleições de 2018, porque parece que era um show de horrores dos eleitores do bozo lá (tudo evangélico ainda por cima).

      E tive isso na família também, o meu pai final do ano passado começou a falar que não ia tomar a vacina chinesa porque ela não era confiável e ia permitir o vírus se transformar em super vírus, mas já falava à tempos que a corrupção do PT foi a pior corrupção do mundo, que eles destruíram o Brasil e que votava de novo no Bozo se precisa-se. O Foda é que ele é formado, tem um monte de pós, já foi Diretor de empresas, mas tá lá, acreditando nisso.

      Sobre esta situação, é complicado. É um misto de muita coisa, primeiro temos as midias sociais, o face é um reduto de grupos que espalham mentiras, só ver o aumento de conspiracionistas no mundo inteiro (não é algo só do Brasil, tristemente), mas se olhar no Linkedin o que tinha de “super empresários” falando sobre ser necessário trabalhar e que não podia parar não tá no gibi.

      E se tentarmos pensar sobre pessoas que preferem acreditar em mentiras a encarar a realidade a coisa complica porque temos vários fatores, desde ignorância à não querer lidar com isso porque acha que está acima da situação. A questão da “Vacina ter sido feito muito rápida e por isso não é confiável” ou “A Vacina Chinesa vai implantar chips na nossa cabeça” já começa difícil porque não aprendemos na escola como são realizados os progressos científicos, nós aprendemos que Edson inventou a lâmpada, mas não aprendemos o método científico ou a amostra da profundidade que foi a definição do que é ciência (Alô Filosofia!). E o pior, nossas universidades se trancam e não divulgam como as pesquisas são realizadas, tanto é que muita gente fala que gastamos muito e que devia privatizar tudo.

      Mas só isso não explica, nós não aprendemos filosofia na escola, eu tive filosofia na escola mas eu só aprendi 5 anos depois, na Faculdade e com um professor incrível, qual era o impacto da filosofia na minha vida e na minha profissão. O pessoal que estudou de 64 até hoje, praticamente, não teve filosofia, o que ensinam hoje não pode ser chamado de filosofia porque ela não instiga e não tenta ensinar ao aluno a filosofar (resumindo de forma bem grosseira), e quando temos estas mentiras convenientes muitas pessoas não a passam por um filtro crítico, elas passam a duvidar da realidade ao invés da mentira.

      Novamente, isto não é o suficiente, temos outra questão que é não lermos o bastante, o brasileiro mal lê, isso é um problema, mas o pior é não interpretarmos o que lemos. É a falta de uma leitura crítica, novamente, mas também de conectar leituras, o raciocínio lógico.

      É triste, é, mas isso o que vivemos é uma herança de vários fatores, um deles é a Herança da Ditadura, que nos assombra e que não lidamos como a Argentina e o Chile. O outro é a herança de uma redemocratização feita igual a bunda, nós não investimos em escolas, não investimos em hospitais, não investimos nos nossos centros de pesquisa, nós deixamos os aparatos da ditadura do jeitinho que eles eram, e por isso o seu amigo também pensa assim, porque ele aprendeu também a não questionar porque ele é um PM, ele só obedece. O outro é que nós não repensamos as forma como nossas crianças são educadas (um fato interessante, nós pegamos escolas sucateadas da ditadura e a nossa constituição aumentou as pessoas que teriam direito a educação, o que significa que tinhamos escolas sucateadas para uma quantidade ainda maior de alunos e pouco fizemos).

      É só isso, não, como os outros comentários deixam claro, nós podemos falar sobre isto de vários pontos de vista, e sempre teremos um ponto a mais para aprofundar porque a vida é complexa mesmo.

      E sobre lidar com estas pessoas, eu não lido mais, não falo com meu pai tem uns 4 meses.

      1. Sobre leitura: até que o brasileiro lê, e muito hoje – ver a internet, redes socais, sites de notícias, comunicadores tipo whats – sempre requer leitura. No passado a leitura era bem razoável, mas acho que bem, não sei porque, não consigo ver a falta de leitura como algo ruim – muitos analfabetos geraram uma família concisa baseada na cultura vivida.

        Temos dois problemas: falta de interpretação (como tu colocou), e isso em partes é justamente culpa de falta de aulas sociológicas / filosóficas no ensino médio e falta de consciência de comunidade, que vem sendo perdido a cada geração.

        Povos originários (“indígenas”) tem esta consciência comunitária e se notar, são os povos que hoje lidam bem com a crise do COVID.

    6. hahaha tenho quase 100% de certeza que não é só com você, mas todo mundo. Sempre tem algumas pessoas da família ou alguns amigos que possuem essas características que você descreveu.

      No meu caso são familiares bem próximos que tem tudo isso e mais um pouco. O legal é que quando você questiona sempre vem os mesmos argumentos ou te rotulam de esquerdista/comunista…

      Eu realmente cansei e não adianta conversar com esses tipos de pessoas que acreditam em noticias falsas do Whatsapp, Telegram, Facebook, Youtube e outros lugares.

      Se tem algo que te faz mal não tem nada melhor do que se afastar/evitar.

  4. https://failedarchitecture.com/delivery-workers-expose-the-troubling-ideology-of-public-space-in-bogota/

    aplicativos de entrega querem ser “invisíveis”: o lanche chega na sua porta sem que você tenha que se preocupar com a forma como ele produzido e como ele circula. O velho fetichismo da mercadoria de sempre, dessa vez na ponta dos dedos.

    Mas o exército de trabalhadores de entrega tem que ficar em algum lugar ao longo de suas jornadas: este artigo mostra como essa bolha está explodindo em Bogotá, cidade que vem adotando há algumas décadas uma estratégia de valorização do espaço público que, ao mesmo tempo que o “recupera”, também o segrega.

  5. Olá amigos tecnocratas globalistas, tudo certo? Feliz páscoa para todos.
    Esses dias a Xiaomi fez o lançamento do Mi Mix Fold, o celular que dobra deles e que convenhamos que dobrar o celular é zero útil para todo mundo. Mas eu fique pensando nas impossibilidades de dispositivos do futuro que poderiam ser úteis, por exemplo, eu gostaria muito de conseguir atrair o iPhone para a minha mão, tipo o martelo do Thor.
    Sendo assim, gostaria de estimular a imaginação de todos e perguntar, qual a “feature” impossível que vocês gostaria de ter nos dispositivos de vocês? Ou ainda, qual dispositivo que ainda não existe que seria útil na vida de vocês?

    1. Um celular dobrável é interessante por dois fatores. Primeiro, remete ao como algo no bolso geralmente é usado – como uma carteira. Abre-se para usar e fecha-se após o uso. E no passado, os celulares dobráveis cabiam bem no bolso.

      Segundo é a praticidade: tirar um celular do bolso, abrir e atender é uma praticidade e intuição tremendas.

      Falo assim relativo a celulares como o Z Fold.

      Mas celulares que desdobrando a tela viram uma espécie de tablet, o interessante é a tela maior no bolso. Para quem assiste algo no celular ou acompanha informações com densidade, uma tela maior sempre é uma utilidade tremenda. Soma-se dois mundos: o tablet e o celular, que aos poucos vinham perdendo a linha divisória (a primeira foi o tamanho de tela, dado que hoje celulares tem telas de 6″).

      Quanto a “feature”, sei lá. Na verdade a “feature” que eu quero existe em celulares mais “específicos” como o Pine: a função de desligar fisicamente as funções do celular. O ruim, óbvio, é a forma que o Pine faz isso (via switch na parte de trás do celular, enquanto o Librem, outro celular na mesma linha do primeiro, tem botões físicos na lateral do celular).

      Desligar fisicamente uma função ajuda tanto na privacidade quanto na economia de energia: eu queria poder chegar em casa e usar mais no wifi do que no modem / sistema celular. Hoje todo celular é totalmente integrado, e apesar da possibilidade de desativar a função, não significa que ela possa ser ativada pelo próprio celular eventualmente, seja por questões de software, ou até questão de segurança (o celular entrar nos dados móveis eventualmente ajudaria para quem tem sistema de rastreamento do aparelho por exemplo).

      1. A feature que eu queria era que eles fossem baratos =D

      2. Mas devido ao tamanho dos celulares, hoje o celular dobrado fica no volume de uma maçã dentro do bolso. E pensando em usos rápido como atender uma chamada ou tirar uma foto, atualmente eu tiro o celular do bolso, desbloqueio e uso. Com um dobrável eu teria que tirar do bolso, desdobrar, desbloquear e então usar. Pode ser que mais ninguém além de mim se importe com isso, mas me parece desnecessário adicionar esse passo para uso.

        1. Eu vi o Z Fold duas vezes, e pelo que notei no tamanho, é tipo uma carteira comum. Não fica “uma maçã”.

          Boa parte dos celulares hoje tem placas-mãe minúsculas.

      3. Concordo com quase tudo o que você disse, Ligeiro.

        Eu adoraria algo parecido com o Fold da Samsung, que tem uma tela por fora para você atender ligações e usar como um celular normal, mas desdobrado, vira um tablet—eu leio muito no dia a dia, e não precisar carregar meu tablet seria uma benção.

        O problema é que a implementação atual de software é horrível, a meu ver, porque diferente da Apple, o Google não parece impor padrões para desenvolvedores na plataforma—a situação do Android em tablets é sofrível. Para mim, que só uso um aplicativo de leitura livros (KOReader), um de mangás (Tachiyomi), e um leitor de feed RSS (Feedbin), tudo funciona perfeitamente, mas para a tecnologia ser aceita, vários outros usos precisam ser cobertos.

        Fora isso, também temos o fato de que cada fabricante parece implementar o modelo de forma diferente, então você usa a ROM da fabricante e dá adeus a qualquer resquício de privacidade que tinha, ou senta e espera um consenso, o formato fazer parte total do Android, e a comunidade open source começar a dar suporte para o aparelho.

        A implementação do hardware também não é lá grandes coisas no momento, e os aparelhos que saíram são bastante frágeis, mas presumo que seja questão de tempo até que isso melhore. Do Fold original da Samsung para o Fold 2 as melhorias foram consideráveis.

        Quanto Librem e o Pinephone (meu dinheiro está no Pinephone), os botões para desligar componentes fisicamente são ótimos para privacidade e gostaria muito que aparecessem no mundo Android, mas eu adicionaria a remoção da câmera frontal ou deixaria ela escondida como padrão, como em aparelhos como o OnePlus 7 Pro, ou melhor ainda, Asus Zenfone 7, que deixam a câmera frontal escondida e só mostram ela quando você precisa usar—o que também serve como um X9 contra aplicativos que tentam usar a câmera sem necessidade.

        Infelizmente a indústria parece preferir outras formas de mostrar a câmera frontal, e não achei sequer rumores de que os botões de privacidade implementados no Librem 5 e no Pinephone vão aparecer em algum celular Android.

        Triste.

      1. O USB-C tem conversão para HDMI.

        (Mas agora com muitos celulares com replicação sem fio da tela, é realmente necessário?)

        1. Replicação na tela é prático, mas exige mais hardware compatível. Realmente vou cogitar um aparelho com USB C compatível futuramente.

      2. Se não me engano, qualquer samsung galaxy S a partir do S9 tem saída de vídeo pela USB-C, e os Tab S4, S5e e S6 também tem suporte. Tô muito interessado em comprar um modelo com essa função pra ligar na tv de casa e jogar no telão hahaha

    2. Eu devo ser uma pessoa pouco imaginativa, porque não consigo pensar em nada muito maluco que os celulares de hoje já não façam e que não o descaracterize a tal ponto que não poderia ser chamado de “celular”. Acho que também pesa todos os custos (ambientais, financeiros e sociais) que rupturas trariam — imagina o tanto de celular voando pra lá e pra cá se esse lance do Thor existisse?

      Fato é que os celulares modernos já são ~mágicos, muito além de qualquer coisa que, dez ou mais anos atrás, eu poderia imaginar. (Talvez por isso eu seja jornalista e não designer de produtos, né? 😄)

    3. Cara, o que eu queria era meio que me livrar do celular mesmo hahahah.

      Uma coisa que eu acho que seria massa é uma tela de e-ink colorida, mais pela saúde dos olhos que qualquer coisa.

      Ah, e, claro, baterias mais duráveis e aparelhos que sobrevivessem bem a uns 4 ou 5 anos de uso.

  6. Passando aqui apenas para desejar uma boa Páscoa pra galera do MdU, um dos poucos recantos sadios da internet. Sei que os tempos são de trevas, que está difícil e a gente não encontra muita razão pra comemorar (eu mesmo só me liguei que esse domingo era Páscoa essa semana), e por isso mesmo desejo que vocês consigam se alegrar e esquecer, ainda que só por uma horinha, esse parasita filho da puta que tem matado tantos brasileiros. E o corona também.

    Se cuidem, cuidem dos seus.

    1. Está difícil mesmo manter o otimismo, Adnilson, mas você tem razão, precisamos encontrar luz em meio às trevas. Feliz Páscoa!

  7. E aí, pessoal.

    Existe algum serviço/software que permita seguir e acompanhar posts de vários serviços e redes sociais? Algo como um Feedly para RSS, subreddits, perfis do Twitter, Instagram, canais do YouTube e tudo o mais? Nestes serviços sempre tem algo ou alguém legal para acompanhar, mas é um saco navegar por um mar de chorume e perda de tempo pra poder ler algo interessante que alguém postou.

    Sei que o plano pago do Feedly permite seguir subreddits e perfis no Twitter, e se não me engano o NetNewsWire pra Mac também, mas queria encontrar algo mais abrangente.

    1. Eu uso o Feedbin como leitor de feeds RSS, e ele permite que você siga perfis do Twitter—inclusive, é como eu sigo alguns, já que não tenho Twitter—, e também te dá um endereço de e-mail para você usar em newsletters.

      YouTube e Reddit possuem feeds RSS, então qualquer leitor pode ser usado para seguir conteúdo de lá. Eu consumo conteúdo do Reddit usando um aplicativo para isso, mas para o YouTube, só uso o RSS mesmo—não acesso à interface deles para nada faz meses.

      Dá para seguir commits e releases do GitHub e SourceHut por RSS também, e presumo que o mesmo funcione com o Gitlab. Mais serviços oferecem suporte a RSS do que nós nos damos conta, na real.

      Se algum serviço não oferece suporte, como o Instagram, por exemplo, geralmente existem pontes para fazer a conexão—estou desenvolvendo uma, inclusive.

      Essa aqui tem suporte para vários serviços, inclusive Instagram:
      https://github.com/RSS-Bridge/rss-bridge

  8. Hoje cedo o pessoal compartilhou a sua área de trabalho virtual no grupo do Telegram do Manual do Usuário, o que gerou algumas discussões bem interessantes sobre o uso de dock, organização, e afins.

    Como é a sua área de trabalho virtual? Toda organizada e minimalista, uma bagunça, um meio termo? Como você usa ela?

    Começando pela minha, eu nunca vejo a área de trabalho propriamente dita, a não ser quando ligo o computador. Uso o Ubuntu 20.10 com a extesão Pop Shell da System76 para imitar o meu gerenciador de janelas favorito, o i3wm, então no dia à dia tenho quatro ou cinco áreas de trabalho (ou workspaces), cada uma com um objetivo diferente.

    A primeira é para o meu trabalho na Cloudcraft:
    https://i.cpimg.sh/ZbjR1gaTGRY0.png

    Aqui tenho sempre uma ou duas instâncias do meu emulador de terminais favorito, o Alacritty, e uma instância do Ungoogled Chromium dentro de uma caixa de areia. No terminal eu escrevo documentação, escrevo código, testo código, e também passo emails e mensagens de suporte pelo LanguageTool.org para correção, já que ninguém é perfeito.

    Quando o meu turno no trabalho termina, fecho o Chromium, e tudo o que tinha nele vai embora já que era temporário dentro da caixa de areia. Ele também não tem permissão de escrita ou leitura no sistema, apenas no sistema de arquivos temporário que a caixa de areia cria para ele—é uma ótima forma de separar o trabalho de coisas pessoais.

    A segunda é para o meu trabalho na Cipher Host:
    https://i.cpimg.sh/nGuaPfst8FUS.png

    Aqui geralmente tenho três instâncias do terminal aberta, uma com o vim editando código, uma com arquivos que ainda não estão prontos, e uma com arquivos de referência, como o core do WordPress nesse caso.

    Se eu preciso editar algum gráfico, geralmente com o Inkscape, eu abro aqui também. Se preciso focar em algo, seleciono o bloco onde está o que eu quero focar, e aperto para deixar em tela cheia.

    A terceira é a área de comunicação:
    https://i.cpimg.sh/0tH6MwnTAKQQ.png

    Aqui eu geralmente tenho o meu cliente de emails favorito (Aerc), a versão CLI do Telegram para conversar com o pessoal do Manual do Usuário, o Cmus, que é o meu tocador de músicas favorito, e o Profanity, cliente XMPP que uso para conversar com o Ghedin, minha esposa, e amigos, e o IRC, que uso para pedir ajuda ou conversar com parte da comunidade open source que ainda anda lá.

    A quarta área é a que uso para navegar pela internet e testar coisas aleatórias:
    https://i.cpimg.sh/qlbwFuztTbgi.png

    Aqui eu geralmente tenho o meu navegador (qutebrowser) aberto e mais nada, mas também serve para testar scripts e outras coisas volta e meia, porque enquanto eu estou lendo dá pra apertar para abrir um terminal novo, rodar o teste rápidinho, e fechar.

    Por exemplo, no momento estou tentando ajudar o time de vendas da Cloudcraft. Eles precisam pegar todos os “baldes” S3 dentro de um diagrama e checar quais deles tem um site estático configurado, porque um possível cliente quer algo parecido, então estou usando essa área de trabalho pra testar o que eu escrevi.

    Como eu comentei no grupo, eu vivo na linha de comando não porque não gosto de interfaces gráficas, mas porque prefiro usar o teclado ao invés do mouse, algo que aplicativos CLI e TUI me permitem. Os poucos aplicativos de interface gráfica que eu uso, como o Ungoogled Chromium e o Qutebrowser, são configurados para usar atalhos e keybindings copiados do Vim.

    Nada disso me torna mais ou menos produtivo, é só preferência mesmo ¯\_ (ツ)_/¯

    1. Acho curioso e fascinante como você usa, pois é algo muito diferente não só do meu uso, mas do uso mais “tradicional”

      Eu nunca poderia chegar nesse nível justamente por ser designer e precisar usar Mac, mas é muito legal essas possibilidades. Já usei Linux e gosto de como tu customiza pra usos que as vezes as pessoas nem imaginam…

      1. Quando eu ainda usava macOS, o meu uso não era muito diferente desse.

        Eu usava o Yabai como gerenciador de janelas, que também é inspirado no i3wm, e usava e abusava do sistema de workspaces do macOS. Depois que me acostumei a usar gerenciados de janelas com suporte a tiling windows, não consegui mais voltar a usar gerenciadores tradicionais.

        Quanto ao lance de ser designer, eu não sou programador, sou fotógrafo—o meu apartamento é o meu estúdio, inclusive. O Darktable substituiu o Lightroom para o meu uso profissional—o que convenhamos, não foi difícil, já que o Lightroom é uma carroça—, e apesar de não ser necessário, acabei usando a linha de comando para melhorar a forma com que eu organizava imagens e ensaios.

        Não estou dizendo que a forma que eu uso o computador é para todo mundo, claro, só estou dizendo que ela pode funcionar para qualquer pessoa que gostaria te tentar. Você pode tentar e não se adaptar, como a minha esposa—o uso dela é parecido com o meu, mas ela usa o gerenciador padrão do GNOME—, ou tentar e se apaixonar, como o líder do time de vendas da empresa onde eu trabalho.

        1. Sou fotógrafo amador e também uso o Darktable. Nunca usei o Lightroom para comparar, porém.

          Também tenho alguns scripts para automatizar, no caso para ajustar redimensionar conforme a necessidade e para adicionar uma marca d’água.

    2. Eu tinha um fluxo desse tipo quando eu trabalhei na SONAE fazendo correções no sistema de PoS deles (com a grande diferença que que em 2006 não tinha metade das soluções de hoje e os computadores não tinha poder de processamento/memória pra rodar muitas coisas juntas, então eu basicamente tinha vários terminais abertos, sem rodar o X em nenhum momento). Fico grato de dizer que nunca mais tive que trabalhar 100% em linha de comando, ainda que eu goste de usar isso pra atualizar sistemas.

      Hoje em dia eu não customizo nada, como eu uso dois computadores, eu tenho um macOS e um Windows 10 rodando.

      https://i.imgur.com/wi2lqvK.png

      https://i.imgur.com/mGPGgd5.jpg

      1. Eu não me vejo abandonando a linha de comando. Uso desde pequeno—minha primeira interação foi no batalhão de polícia onde meu pai trabalhava, com alguma distribuição rodando alguma versão do KDE que estava sempre com a interface gráfica quebrada—, e mesmo quando fui usuário do Windows e macOS, a linha de comando era onde me sentia mais confortável. Não por acaso eu segui a carreira de administrador de sistemas ao invés de programador, apesar de hoje focar em fotografia.

        Quase tudo que eu faço em uma interface gráfica eu faço mais rápido com a linha de comando, e como inconsistências visuais me incomodam de forma irracional, e aplicativos seguem a linha que bem entendem nesse sentido, também tenho a vantagem de poder usar o mesmo esquema de cores em todos os aplicativos que eu uso.

        Quando a customização, eu escrevi um script anos atrás que faz a configuração de computadores novos para mim, então após rodar, não preciso mais modificar ou fazer nada, só usar. Ele instala os pacotes que eu preciso, modifica a base do sistema operacional, configura os aplicativos, gera as senhas necessárias, salva essas senhas no 1Password, e tudo mais.

        https://i.cpimg.sh/g3oUXfWAjCi4.png

        > https://i.imgur.com/mGPGgd5.jpg

        Eu tenho esse papel de parede no celular, haha.

        1. Interessante que o meu primeiro contato também foi linha de comando, mas era um Cobra XT (que era um IBM XT modificado por conta da ditadura militar mas que ainda tava em uso em 89) do meu pai na CONAB, na época COBAL, onde ele era programador COBOL (não tem nada relacionada entre as duas empresas, aliás).

          Depois disso só em 96 eu eu fui ganhar um PC com DOS 6 que ainda tinha que rodar “win.exe” pra abrir o Windows 3.11. Depois disso fiquei anos no Win95/Conectiva até que consegui esse emprego na SONAE onde eu programava em C, usava ViM e só via linha de comanda o dia todo, acho que fiquei com intolerância.

          1. > Depois disso só em 96 eu eu fui ganhar um PC com DOS 6 que ainda tinha que rodar “win.exe” pra abrir o Windows 3.11.

            Em 96 eu ainda estava aprendendo a falar, haha.

            > Depois disso fiquei anos no Win95/Conectiva até que consegui esse emprego na SONAE onde eu programava em C, usava ViM e só via linha de comanda o dia todo, acho que fiquei com intolerância.

            Pode ser, alguns amigos que trabalharam como administradores de sistemas comigo em algumas empresas de hospedagem também abandonaram o uso, mas no caso deles, abandonaram a carreira toda.

            No final do dia, como eu falei pro Ilton, não estou dizendo que é para todo mundo—minha mãe usa o Ubuntu, mas não vou tentar colocar um set up desses pra ela—, mas para o meu uso, perder a linha de comando ia ter um impacto enorme na forma com que eu interajo com computadores—e eu provavelmente perderia o meu emprego, haha.

    3. Não uso desktops virtuais pq me distrairia. O uso do PC aqui por enquanto é básico: windows 10 em um Core 2 Quad 2,5 Ghz + 8GB RAM DDR 3 + 1 TB HDD.

      Firefox para internet, alguns jogos, desktop com ícones bagunçados (preguiça de arrumar e medo de apagar algo que me faria falta…)

      Eu tava vendo o papo seu com o Pilotti e fiquei com invejinha. Não sou muito experiente em linha de comando e agora fiquei meio preguiçoso. Lembro-me que o curso que fiz de informática (obrigado mãe!) foi aos 14 anos, em DOS + Windows 3.1. O curso prometia aulas de HTML, mas não teve. Ajudou a dar as noções de linhas de comando, o que me fez entender melhor os sistemas que fui usar futuramente.

      Só fui usar PC próprio quando meu pai deu o dele, um 386 com DOS + Win 3.1. Aos poucos fui aprendendo a mexer melhor, e eu ia ajudar os outros a fazer as coisas, meio que na gambiarra.

      Comprava as revistas PC World (Oi Henrique Martin!) usadas e aprendia algumas coisas com as mesmas, assim como comprava revistas com dicas de informática, livros com aulas e outras coisas que ensinassem informática.

      Mexer com afinco mesmo eu fui com 18 anos, mais dedicados a trabalhar em sites com Dreamweaver e artes com Corel Draw. Foi 1 ano trabalhando mas eu queria mesmo era mexer com consertos de PC.

    1. Já vi algumas no twitter – a única “rede social” que tenho participado (além dos comentários do MdU). Mas fora isso, até tou feliz de NÃO VER tantas brincadeiras de 1º de abril – salvo engano ano passado tinha empresa falando que ia parar com isso.

      1. Contrariando as minhas expectativas, até que as brincadeiras de 1º de abril que vi hoje foram divertidas, e talvez era o que faltava para voltar as mesmas – tipo, um “quê de inocência”.

        * O Xaveco ter revista própria (redes sociais da Turma da Mônica)
        * O “Feijão com Sorvete” da Kibon
        * O Linus (do Tech Tips) fazer um Only Fans (o vídeo é hilário)
        * A revelação de uma easter egg no Windows 95
        * O Simple Railway fazer um review de viagem de avião (ele geralmente faz de trens / linhas férreas).

        Acho que estávamos tendo muitas brincadeiras quase no limite da estupidez no 1º de Abril, e com isso dava até descontentação na galera. Por isso o 1º de Abril vinha perdendo a graça e com a COVID, o perigo era de alguém fazer alguma piada e atacar os sentimentos de quem tinha perdido alguém para a doença ou está com sequelas da mesma.

        Uma brincadeira simples (como a Revista [física] do Manual do Usuário) é uma brincadeira aceitável. Mas como dito, não tem mais clima.

        De qualquer forma, quem fez e soube brincar sem machucar sentimentos, ganhou pontos.

          1. Isso é o mais hilário ainda.

            Admiro o Linus pois ele fez um bom nome e equipe. A gente sente que o cara soube trabalhar a marca. Sou fã do Anthony, diga-se de passagem.

          2. > Isso é o mais hilário ainda.

            Com certeza.

            Minha esposa até comentou comigo ontem que acha muito engraçado que no Twitter e no Reddit, os fãs do Linus zoam o pessoal que paga para ver a Belle Delphine e outras pessoas no Onlyfan, chamando de simp e não sei mais o que, mas o mesmo pessoal não vê a ironia em pagar para ver fotos e vídeos que a equipe dele já posta no Twitter.

            > Admiro o Linus pois ele fez um bom nome e equipe. A gente sente que o cara soube trabalhar a marca.

            Sim, muito. O cara foi de vendedor em uma loja de informática, para dono de uma empresa gigante com foco em criação de conteúdo, isso sem perder a transparência com quem acompanha ele.

            Contanto que você não veja os vídeos dele como fonte entretenimento, não de informação, é difícil não gostar do que ele, a Yvonne, e o Luke criaram.

            > Sou fã do Anthony, diga-se de passagem.

            Acho que todo mundo é, haha, tanto que no último roast que postaram, ele não recebeu um comentário negativo sequer.

            Além do Anthony, eu gosto muito da Sarah, do Alex, e do James, enquanto o favorito da minha esposa é o Luke—ela ainda está chateada porque hoje em dia ele só aparece no WAN Show, haha.

    2. Vi um da Razer no Reddit hoje cedo, mas não cheguei a olhar se tinha sido postado hoje ou era algo reciclado. Mas foi só também.

      Acho que até o Google cancelou a brincadeira deles hoje. Ninguém tá com clima para isso.

      1. “Ao longo do ano passado, fiquei tão inspirado pela utilidade de nossos produtos, programas e pessoas durante os tempos mais difíceis da humanidade. Fizemos isso com sensibilidade e empatia, refletindo a gama de experiências desafiadoras que tantos estão vivenciando globalmente. Como você deve se lembrar, no ano passado tomamos a decisão de interromper nossa longa tradição do Google de comemorar o Dia da Mentira, em respeito a todos aqueles que lutam contra o COVID-19. Devemos pausar novamente as piadas para o Dia da Mentira deste ano. Como fizemos no ano passado, devemos continuar a encontrar maneiras adequadas de trazer momentos de alegria para nossos usuários ao longo do ano” – vice-presidente de marketing global do Google, Marvin Chow.

    3. Eu até achei engraçada a brincadeira do Cartoon Network, que seria lançar um adult swim para crianças (criaram versões bebês dos shows “adultos”). De resto, só tentativas bobas.

  9. Oche Ghedin, abriu cedo demais o Post Livre hoje! Espirito do 1º de Abril?

    Falando sério, uma coisa que tenho notado neste “quase-lockdown” é que no final é muito “marketing” para pouca atitude.

    Cidade com portas entreabertas, com fiscalização problemática, falta de atitude política dos governantes…

    Tem horas que acho que por mais que a gente tire o presidente do poder, vai demorar para reparar os danos causados pelo mesmo. Pois a mentalidade das pessoas já está afeita a permissividade e a falta de atenção a quem lida com fatos verificados e comprovados, ao invés da mentira e do pensamento mágico.

    Claro que portas entreabertas no final também ajuda quem precisa de algo e não tem paciência ou noção de como mexer no celular para pedir as coisas. O problema maior é que no final, galera não se atenta as regras de segurança de saúde e nos ferramos por causa disto.

    O familiar que eu falei no PL passado que pegou covid, hoje está ainda em recuperação. Teve algum problema de respiração ontem mas já está melhor depois de passar no médico. Me preocupo com o fato que ele era adepto da cloroquina, e temo se isso fez algum mal e possa prejudicar na recuperação.

    E eu já me sinto “melhor”, estou mais preguiçoso que antes (tenho algum cansaço e estou soando mais fácil ao fazer atividades). Fora isso, só o que eu já tinha antes – rinite e gastrite.

    Se cuidem! Não importa a máscara, usem!

    1. “Cidade com portas entreabertas, com fiscalização problemática, falta de atitude política dos governantes…”

      Essa é a situação da minha cidade. Moro na “região metropolitana” de Fortaleza e todo santo dia tem “barreira” da polícia. Depois de uns dias os caras simplesmente desistiram de parar cada veículo que passa pra pedir comprovante de residência e simplesmente colocam cones nas pistas pra atrasar o trânsito.

      “Falando sério, uma coisa que tenho notado neste “quase-lockdown” é que no final é muito “marketing” para pouca atitude.”

      Me impressiona a política não cortar seus salários, reduzir benefícios e usar esse dinheiro para investir na compra de vacinas. Podiam imunizar as pessoas mais rápido e resolver isso antes que piore ainda mais.

      Ligeiro, eu tenho um avô com uns 84 anos, minhas tias não deixam ele se vacinar porque tem medo da vacina. Eu não tenho posição quanto a isso, acho que uma vacina feita em 9-10 meses é bem suspeito, mas talvez seja melhor do que nada? Enfim, só queria ver isso acabar antes de 2022. É impossível conceber a ideia das coisas voltarem a serem o que eram antes, mas espero que as pessoas possam trabalhar e se locomover em paz, sem risco de adoecer a si ou a outras pessoas.

      1. Quanto a vacina, digo o seguinte.

        Quando MILHARES de pessoas estão de olho em algo, é porque aquilo tem alguma camada de confiança, e uma delas é justamente esta monitoria. Monitoria feita por jornalistas, cientistas, políticos de confiança.

        Não se oferece uma vacina sem testes (A não ser que você seja uma pessoa idiota o suficiente para tal) – as vacinas foram testadas em um curtíssimo prazo de tempo, mas com todo o respaldo das técnicas científicas.

        Um amigo meu, de 82, já recebeu a primeira dose. Soube que vários familiares meus já receberam também. Até agora, nenhuma reação negativa. Estou até feliz pois sabendo que meus familiares tomaram, posso em breve visita-los.

        Tente convencer seus familiares – é difícil, eu sei. Eu com alguns familiares e amigos que o diga – a tentar tomar a vacina. Alegue o melhor argumento: qual o maior risco – ficar doente de forma severa ou um vômito de curto tempo por causa de uma reação alérgica?

        Esperemos todos que fiquemos bem nestes últimos tempos.

        1. Eu fico cético sobre a vacina por causa do “termo de isenção de responsabilidade” que os laboratórios requerem que os governos assinem antes de vender as vacinas. Coloquei o link do g1 porque é uma referência conhecida e aceita por quase todo mundo, mas tem outros sites falando disso.

          https://g1.globo.com/bemestar/vacina/noticia/2021/01/17/vacina-para-covid-o-que-e-a-isencao-de-responsabilidade-e-por-que-voce-nao-deveria-se-preocupar-com-ela.ghtml

          Se as vacinas que eu já tomei são assim também, eu não sei, mas como é uma vacina feita “às pressas”, será que os riscos de efeitos colaterais perigosos para certos casos não seriam maiores? Ainda assim eu acho bem melhor tomar a vacina do que não tomar nada. Meu ceticismo é normal pra tudo, mas ainda assim sou a favor da vacina.

          Tentarei convencer o pessoal aqui. Também espero o mesmo, saúde para todos.

          1. Há risco, sim, de reações negativas, mas aí não é nada demais. Todo remédio pode causar efeitos colaterais — a pílula anticoncepcional, por exemplo, pode causar trombose —, o que justifica tomá-los é que os benefício são muito maiores que os possíveis efeitos negativos, e as chances desses se manifestarem são raras.

            Sobre as vacinas, é preciso considerar que o trabalho nelas não começou em março de 2020. Muita pesquisa de base já vinha sendo feita há muito tempo. Como em tudo na ciência, é um trabalho constante, que foi aproveitado quando um desafio inesperado, o coronavírus, se impôs. O RNA mensageiro, por exemplo, usado pela primeira vez nas vacinas da Pfizer e Moderna, foi descoberto em 1961 segundo a Wikipedia.

          2. Verdade, é melhor prevenir do que remediar hehe
            Vou usar esse link nas conversas com meus parentes.

    2. Eu estou de volta ao escritorio desde abril do ano passado, em lockdown mesmo fiquei cerca de 30 dias.

      Voltando ao escritorio, com alguns meses depois voltei a frequentar restaurantes e até a academia.

      Sei que estou errado, mas o pensamento que me permeia é, se eu posso pegar e morrer trabalhando porque não posso cuidar da minha saúde mental praticando atividade fisica e me permitindo jantar em algum lugar que siga as regras.

      E assim fiquei ate hoje… Aqui no escritório tivemos 6 casos de covid (São cerca de 12 funcionarios), sendo que um funcionário pegou duas vezes. Dentro do escritório não há uso de mascaras (não recebemos clientes), usamos ar condicionado e não há isolamento.

      Eu nunca tive sintomas, e em todas as vezes fiz o exame e sempre deu negativo.

      Eu novamente re-afirmo, sei que sou parte do problema… porém se eu posso morrer vindo trabalhar porque o diretor acha que de home office ngm faz nada. (sendo que ele marcava várias reuniões fora do horário e no fds durante o home office), eu me dou ao direito de saídas eventuais e academia.
      (Estou sempre de máscara, e utilizo alcool em gel com frequência)

      1. Sei que estou errado, mas o pensamento que me permeia é, se eu posso pegar e morrer trabalhando porque não posso cuidar da minha saúde mental praticando atividade fisica e me permitindo jantar em algum lugar que siga as regras.

        É injusto que o empregador te obrigue a trabalhar presencialmente se sua atividade pode ser feita em home office, mas não entendo essa lógica. O risco de contaminação não é binário, ou seja, ou me isolo totalmente e me protejo, ou saio e me arrisco; quanto mais exposto, maiores as oportunidades de se contaminar.

        Usando percentuais inventados, apenas para ilustrar o argumento, é como se ao frequentar o trabalho, você tivesse 30% de chances de se contaminar. Se acrescentar as idas à academia e restaurantes, esse percentual sobe para 60%. A lógica do “eu vou ao trabalho, então dane-se tudo” pressupõe, acho eu, que o risco é sempre o mesmo indo apenas trabalhar ou indo trabalhar e a outros locais — sempre 30%, nos percentuais hipotéticos.

        Diminuir os momentos de exposição (= as oportunidades de se contaminar e de transmitir a doença, caso já esteja contaminado) faz toda a diferença.

      2. Vou complementar o Ghedin:

        De fato, estou nas ruas desde Abril do ano passado também, mas mesma regra – alcool em gel, máscara e tentativa sempre de se manter distante de aglomerações (meio difícil quando se mora em metrópoles).

        O ponto que o Ghedin coloca é o seguinte: se você se põe em um risco de contaminação, também você gera um risco de contaminar os outros (lembremos que o vírus ele fica assintomático por um tempo e permite contaminação de terceiros).

        Quando eu soube que me contaminei, fiquei preocupado pois dias antes eu estava com um amigo de idade. Graças, o mesmo (e familiares) não foi contaminado.

        Eu vi várias academias abertas, e de fato, até entendo como hoje estão operando – existe distância entre usuários e tentativa de protocolos funcionais. Até passa, mas novamente – há riscos e devem ser mitigados.

        Atividades ao ar livre são menos propensas a contaminação, mas mesmo assim há riscos quando se fala em aglomerações e locais com movimento de pessoas. Então sair para a rua, caminhar sozinho (sem muitas pessoas do lado) ou andar de bicicleta até é ok.

        Mas existe um ponto que seria “exemplo comunitário” – o ideal é que todos estivessem em casa ou minimizando totalmente suas interações com a cidade até o fim da interação com o vírus. Não a toa os lockdowns funcionaram nos locais onde foram adotados. É chato, é contraprodutivo, é cansativo. Mas é necessário.

        Você tem o direito de fazer o que quiser, mas lembremos que o direito de uma pessoa pode interferir no direito da outra. Se é meu direito estar livre e andar sem máscara contaminando, interfiro no seu direito de viver.

        Em tempos, eu nunca vi uma reportagem investigando quantas pessoas o presidente contaminou com suas interações pessoais. Seria um trabalho difícil, pois teria que investigar quem esteve junto (e provavelmente eles tem protocolos para não passar estes dados) e monitorar o que aconteceu com elas.

        1. Obrigado Ghedin, Ligeiro, Gabriel e André pelo debate inteligente, educado, argumentativo, plausível, mesmo com pontos de vista controversos, que tive o alívio de ler. É a primeira vez que leio um Post-Livre do MDU e fico me perguntando o que perdi nesse bate papo tão amigável.

    3. Aqui também camarada. O comércio só não faz pirraça por que a situação tá realmente ruim. O maior hospital da região tá sem leitos pra qualquer emergência.
      Eu tô de férias, por casa. Pretendo ir sozinho pro rio do rastro dia 9.
      Já tá um frio chato aqui no RS.

      1. Meu sonho é andar de moto pela Serra do Rio do Rastro e voltar pela Serra do Urubu.

        Eu tinha uma moto 100cc e só não fui para esta região pq faltou grana e tempo. Eu ia fazer uma SP-SC com a moto 100cc (tentando ir pelas vicinais em vez de usar as principais).

      2. Já começaram as previsões de 10 graus no RS. Não se tem nem uma semana de temperatura agradável, ~25 graus. Que inferno.

        HCPA e Conceição tá lotados. HMV com quase 160% de ocupação. Mesmo assim o Melo disse que “tá controlado” e que “sempre cabe mais um na UTI”. Não sei como esse cara se elegeu (até sei, um golpinho no Fortunati, mas beleza).

        1. Claro que elegeu. Imagina colocar uma comunista na prefeitura. Da até pena pela Manuela, pois seria atacada tentando controlar a epidemia. Falhamos como sociedade.

          1. Marchezan com os milhares de defeitos dele, tentou controlar a pandemia e pagou um preço eleitoral. A Manuela iria enterrar a carreira dela, certamente. A mídia “democrática” iria estar louca com isso e, provavelmente, defendendo uma “alternativa mercadológica” (que é essa do Melo).

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