Post livre #165


14/3/19 às 11h26

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99 comentários

  1. Usando o Lev, 4ª semana.

    A única coisa que tentei fazer com ele foi tentar puxar um PDF para ver um manual de instalação.

    Problema: não consigo fazer o zoom do jeito que preciso para ver o manual. Que raiva. Tá no fundo da mochila…

    Em compensação, hoje comprei um LG Nexus 4…

  2. Ontem a Tesla anunciou o Tesla Y, seu novo SUV. Vários sites especializados no Brasil deram a notícia e eu fiquei meio encucado.

    Por quê? Digo, por que se faz uma cobertura tão de perto da Tesla no Brasil? No que interessa ao brasileiro saber detalhes de uma cobertura tão próxima da Tesla? Lembrando que: a empresa não tem representação aqui e (imagino) pouquíssimos brasileiros têm ações dela.

    (No Google Notícias dá para ter uma ideia do tanto de site que falou do Tesla Y.)

    1. Olha, eu me faço a mesma pergunta quando a mídia brasileira cobre lançamentos da Apple.

      Eu sei que a maçã é uma gigante e blá blá blá, mas levando em consideração nossa realidade sócioeconômica, acredito que apenas uma parcela muito, mas muito restrita mesmo da população, pode comprar esses produtos.

      1. Eu concordo, mas Apple tem loja aqui, seja a oficial ou iPlace. Você consegue comprar as coisas deles (eu mesmo já comprei Mac Mini, iPhone, iPod e iPad) e ter suporte, notícias etc.

        É um mercado de luxo, claro, mas um mercado que “existe”.

        Tesla sequer existe por aqui.

        1. Exatamente. Tesla só existe na imaginação e na imprensa brasileira.

          Alguém poderia argumentar que ela puxa o mercado de carros elétricos e, sim, é verdade. Acho que ela merece um espacinho aqui por isso, pelo fator curiosidade, pelo fato de Musk ser um personagem esquisito/interessante. O que eu questiono é a cobertura de perto. A Tesla estar mudando o mercado automotivo é digno de cobertura aqui; a Tesla lançou um carro X (digo, Y) que não tem absolutamente nada de novo no conceito da coisa? Bah, quem se importa?

          1. Uma teoria é o fato de que pela Tesla ser uma grande player de veículos elétricos, possa inspirar a vinda para cá ou a entrada de players de veículos elétricos no Brasil.
            Nosso mercado de elétricos é minúsculo, e há tentativas de amplia-la, dado que algumas cidades (como SP) já sofrem as consequencias da poluição atmosférica.

    2. Pior que existe uma grande parcela da população que consome esse tipo de informação porque morou fora do país e isso lhes faz sentir mais perto dessa realidade antiga.

      Eu tenho uma amiga que é psicóloga e ela já comentou sobre casos de pacientes que mudam de fuso para se manter no mesmo fuso horário da época do intercâmbio. Uma espécie de “banzo” de estar nessa realidade.

      Talvez o Tesla venda clique exatamente com esse sentimento.

  3. sobre a prisão dos suspeitos em assassinar marielle franco:

    uma das operações de investigação envolveu a análise dos termos do histórico de pesquisas na internet de um dos envolvidos. Fiquei pensando em como isso foi operacionalizado:

    1. Ele poderia estar sendo vigiado antes da realização do crime, por meio de algum malware instalado em seu roteador ou no computador, de modo que todo seu histórico fosse registrado independente dele apagar o cache, etc. Essa hipótese é simplesmente improvável pois, por ora, não estamos em um estado cuja polícia nos vigia a priori, sem ordem judicial.

    2. Seus equipamentos pessoais podem ter sido solicitados meses atrás pela polícia para análise. Caso o sujeito não tenha o hábito de apagar o cache do navegador ou de manter limpo o celular, o mais provável é que os investigadores simplesmente tenham olhado o histórico e identificado as buscas recorrentes suspeitas. Parece menos provável pois os equipamentos teriam sido solicitados por ordem judicial meses atrás (e hoje o sujeito ou já estaria morto ou teria fugido). Também não seria racional do ponto de vista do investigador alertar desse jeito o suspeito.

    3. A atividade online do sujeito poderia ter sido solicitada aos provedores, mas até onde sei o uso de https hoje em dia impediria essa identificação. Correto? De qualquer forma, o sujeito poderia ter evitado isso usando vpn, tor, etc. Não sei se ele é esperto o suficiente para isso.

    4. (esta me parece mais provável) Algum investigador conseguiu descobrir a senha do sujeito no google. Ainda imaginando que esse bandido não seja muito esperto, ele provavelmente nunca desligou o histórico de atividade dele no google, mantendo todo o histórico de buscas. No entanto, isto manteria o gps do google maps (e essa não é uma prova que a polícia, ao menos publicamente, tenha mostrado).

    5. alguma outra forma?

    1. Cara, sinceramente?

      Policial brasileiro, com o perdão da generalização, é tudo burro em questão de tech.

      Demoramos ANOS para ter delegacias especializadas em crimes de informática, e ainda assim há resistência quanto a isso.

      Se eu te falar o nível de segurança de informação das polícias, cê ri. Os caras não tão nem aí não. Para eles, se invadirem o PC deles, vão pagar (ou enfiar a arma guela abaixo) algum hacker para pegar quem invadiu, e “descer o pipoco”.

      VPN? para eles é Viatura Policial Nova.

      1. Se o seu foco fosse no despreparo institucional, seria mais razoável. No mais, o brasileiro médio é assim mesmo. Ou acha que são leitores assíduos de sites como o Manual do Usuário, Tecnoblog, etc?

        1. Conheço gente que investe horrores em um PC gamer e paga para ter antivírus, mas vacila com senhas.

    2. Que eu saiba o https criptografa o conteúdo da sua conexão, mas o provedor de acesso ainda sabe e registra quais os IPs que vc visitou e em que horário.

      1. sim, mas não consegue saber o conteúdo das buscas no google, então não daria pra ser uma fonte de investigação nessa linha

  4. colegas, nesta semana colocamos no ar, um grupo de amigos e eu, o podcast FORA DE PRUMO. A ideia é conversar sobre arquitetura, urbanismo, design e temas relacionados. Sim, eu sei, é mais um podcast com formato de mesa redonda e conversa informal, mas juro que temos algo interessante a dizer.

    Está em foradeprumo.com

    Ainda não está devidamente integrado à base do iTunes, mas estamos trabalhando nisso.

    1. Já gostei por não ter “cast” nem “pod” no nome do projeto…

  5. Ninguém pediu, não sei se importa para alguém, mas vamos lá para minha recomendação semanal de leitura. E como não poderia deixar de ser, é um mangá, que também está sendo adaptado para animação: Kaguya-sama: Love is War (que também pode ser encontrado com ‘Kaguya-sama wants to be confessed’ to ou ‘Kaguya-sama wa Kokurasetai – Tensai-tachi no Renai Zunousen’).
    Publicada no Japão pela Shueisha, trata-se de uma série de comédia romântica, que se passa num colégio de elite japonês. O presidente e a vice-presidente do Conselho Estudantil secretamente nutrem um amor um pelo outro, mas o orgulho impendem os dois de confessarem. Isso impulsiona uma disputa interna para ver quem cederá primeiro e declarará seus reais sentimentos. Apesar de parecer uma premissa boba, a história é relativamente bem densa e traz uma série de jogos mentais entre os dois personagens. Sem descurar, é claro, da comédia em si. Enfim, é uma boa obra para ler/ver e se distrair, e o fator episódico contribui para manter o clima descompromissado.
    Inicialmente, comecei assistindo pelo Crunchyroll (é parcialmente de graça – você tem acesso aos episódios mais antigos com propagandas) e logo parti para a obra original. Aproveitei que estou estudando francês e me forcei a ler a tradução nessa língua, vou devagar, mas ajudar a melhorar a compreensão do idioma.

    1. Esse anime é sensacional, dou altas risadas!!!

      Recomendo também Dororo e The Promised Neverland, que são os principais animes da temporada atual.

      1. Estou para ver Dororo e The Promissed Neverland já acompanho o mangá desde o lançamento!

    2. Achei esquisito o primeiro ep , mas tenho visto uns memes e achado engraçado. Na hora que der na telha, vou atrás.

      Estou aguardando as novas temporadas de One Punch Man e My Hero Academia, enquanto assisto Mob Psycho 100 (um ótimo anime, diga-se de passagem).

      1. ‘one punch man’ é melhor coisa q já vi em termos de humor direcionado à ‘jornada do herói’. não sei se a segunda temporada será tão boa qto a primeira e, sinceramente, nem acho q uma segunda seria necessária, mas era inevitável uma continuidade – os caras não iam perder essa chance comercial. estou ansioso pela segunda tb.

        ‘mob psycho 100’ foi uma grata surpresa. e vai um pouco na linha do ‘one punch man’. gosto de história com heróis tortos ou mesmo anti-heróis. ainda não consegui ver a segunda, pq estava entretido com ‘megalobox’. é uma série curtinha, mas muito boa.

        1. Acompanho as webcomics de ambos (quero dizer, em partes, já que de Mob Psycho já encerrou e só consegui acompanhar mais as partes inicial final, pulando justamente a parte que hoje está na animação).

          A de One Punch tem uma expectativa alta pois a webcomic está no climax do final de uma saga (a que deu inicio a esta segunda temporada). Então a galera espera ver os mais de 3 anos de quadrinhos condensados na animação, dado que os quadrinhos também ficaram indo e voltando em sagas diferentes dentro da história, só agora encerrando a saga principal.

          My Hero Academia é também ótimo, pois sai da velha coisa de “herói = super”. Não sei onde vi uma opinião sobre ambas as séries e a questão do heroismo. Dá uma caçada no Mais de Oito Mil ou JBox que deve estar por lá :)

  6. Fica aqui uma dica de produtividade do coach Fred: não adoeçam. É uma merda, você perde toda eficiência nas mais diversas tarefas do seu dia.

    Para saber o que fazer quando estão doentes e como se manter produtivos, comprem meu ebook.

    (3º dia de gripe, tá foda)

    1. há umas semanas tb fiquei e, cara…, foram 3 semanas zoado. a primeira me deixou totalmente fora de combate. as duas seguintes fiquei com tosse e completamente sem voz. q chatice. e nem pude me dar ao luxo de deixar minha produtividade cair… o único q alivou foi o ghedin, q deixou eu faltar em dois ‘guia prático’ seguidos.

      1. Não é para aliviar que eu assino esse site aqui não


        eu tinha um tio veterinário que dizia que gripe com remédio dura 7 dias e sem remédio dura 1 semana. Comigo costuma ser assim mesmo, mas que coisa chata é ter a garganta baleada, apelo mesmo para algum remédio.

        1. o vírus com certeza ficou mais forte, pq ele me derrubou pra valer. e as duas semanas ainda zoado confirmam. agora, depois q mudei minha alimentação, dor de garganta eu nunca mais tive. eu era clientão de farmácia: comprava o kit todo. as dores de garganta realmente me deixavam muito, mas muito mal. isso é passado. agora só os efeitos mais fortes da gripe/resfriado: dor muscular, aquele mal estar e tosse, muita tosse. perder a voz eu nem esquento muito…

          o ghedin ‘matou’ o menino gazeteiro, mas ainda tem alguma piedade.

          1. Dessa vez tive bem mais dor muscular do que de costume. Deve ser porque agora tenho bem mais músculos que antes também rs

            Tossi menos do que de costume, ainda bem. Porque isso deixa qualquer pessoa sem dormir. Mantive uma squeeze com agua do lado da cama para sempre que acordar tossindo, hidratar um pouco a garganta e acho que deu certo.

            To pensando aqui, acho que só perdi a voz 1x na vida até hoje, mas não foi efeito de gripe nem de gritar em show/balada. Achei uma parada muito estranha

  7. Tive uma discussão longa no Tecnoblog essa semana sobre a ação da Senadora Warren nos EUA de propor maior controle às empresas de tecnologia do Vale (Apple, Amazon, Google, Facebook e MS; ainda que nem todas tenham sido diretamente mencionadas por ela).

    Ela lançou primeiro um texto no Medium sobre o assunto e depois a história escalou pelos veículos de tecnologia. Por lá o pessoal entende, usualmente, que não existe problema nenhum em termos megacorporações mandando em todos os aspectos da nossa vida (o único problema deles se resume ao Estado mandar; ambos são ruins) e que essa medida é uma interferência no mercado.

    Ontem, contudo, o Spotify emitiu uma nota e uma campanha sobre como a Apple trata os seus concorrentes diretos dentro da App Store (com problemas de concorrência desleal) e levou o caso pra comissão da EU para averiguação. Eu sei que a Netflix, por exemplo, não vende mais assinaturas dentro da App Store exatamente por questões de contrato/diretrizes que a Apple impõe apenas a algumas empresas (notoriamente àquelas que concorrem de alguma maneira com a própria Apple) e aos modelos fechados de venda, taxação e pagamento que temos ali dentro.

    A verdade é que mais do que privacidade apenas (e isso é muito), essas grandes empresas hoje controlam boa parte do mundo (em termos econômicos) e podem ditar os rumos de mercados inteiros, democracias e interferir de acordo com o seu interesse pessoal na vida de bilhões de pessoas, impactando diretamente na qualidade de vida psicológica (Facebook e seus experimentos), econômica (Amazon com quase 70% do mercado online de vendas dos EUA) e no sistema financeiro (com práticas monopolistas de empresas que valem trilhões que impedem que qualquer novo competidor surja e ameace o modelo de negócios).

    Acho que já passou da hora de termos uma pesada regulamentação sob essas empresas e parar de acreditar que elas vão se regular sob um regime livre e sem amarras.

    1. Acompanhei a repercussão do plano da senadora Warren. Há muitas críticas e algumas lacunas, o que não chega a ser problema em uma proposta incipiente e que ainda não foi amplamente debatida. Só de alguém que está na disputa por uma candidatura à Presidência tocar no assunto, a iniciativa dela é válida e louvável.

      Sobre o Spotify, a Apple respondeu dizendo que o Spotify se aproveita da plataforma da Apple para crescer e que é muquirana com os artistas e compositores. É… complicado.

      1. A proposta é boa e precisa ser levada a cabo nos EUA. Não sei se com o atual cenário de “liberalismo fuck yeah ‘Murica” isso vai rolar, mas, a ideia de que isso esteja sendo discutido seriamente já me agrada.

        ~~

        A Apple tá errada nessa. O sistema deles é totalmente torto e enviesado para prejudicar quem tem concorrentes diretos com eles. O sistema de pagamentos deles é mega fechado e impede que se use um terceiro e, o pior de tudo, a Apple cobra taxas de algumas empresas e de outras não (essa é a principal reclamação do Spotify), notoriamente aquelas que concorrem com a Apple em algum setor (Apple Music x Spotify é uma coisa série ao que parece).

        O “play fair” do Spotify era exatamente nesse sentido. Mas a Spotify é tudo, menos santa nessa história. São duas empresas gigantescas, multinacionais, brigando pra explorar pessoas.

        1. Tem link de exemplos dessa cobrança diferenciada? Pelo que entendi da reclamação do Spotify (não li o conteúdo original), a reclamação é dos 30% que a Apple cobra de todos os apps vendidos ou com compras in-app distribuídos pela App Store.

          1. O problema é que as empresas que vendem assinaturas acabam sendo obrigadas a usar esse serviço da Apple e as que vendem “coisas” não pagam. Você pode entender que é prerrogativa da Apple fazer isso e que faz parte do jogo (mas é bom lembrar que o Apple Music não paga isso, afinal, a Apple é dona da loja e do app concorrente, por exemplo, e isso vai ser assim também quando/se ela lançar um serviço de streaming) ou que isso fere o livre mercado e as livres trocas.

            Não existe exatamente uma cobrança diferenciada, me expressei mal, existe é que algumas empresas/serviços não pagam essas taxas e a Apple não faz muita questão de mudar isso porque estes não são concorrentes diretos de nenhum produto dela.

            O sistema da Apple de loja e pagamento é terrível. Você só pode vender assinaturas via Apple Pay e, caso não venda, não pode colocar nenhum link no seu aplicativo indicando outro local para assinar, não pode anunciar que existe outro meio de se assina o seu serviço e não pode ter nenhum tipo de redirecionamento externo para algum outro meio de pagamento ou site.

            Uma coisa é você cobrar uma taxa para vender usando o seu sistema de pagamentos e outra é você cobrar essa taxa e impedir que se use outro sistema.

          2. @ Paulo Guilherme Pilotti Duarte

            Olha, eu não vejo um problema na diferenciação entre bens e serviços físicos, que não pagam o “pedágio” à Apple, e os digitais, que levam uma mordida de 30%. Sempre foi assim, as regras estavam estabelecidas desde o início, tanto que a Amazon, notoriamente, nunca vendeu e-books Kindle dentro do seu app.

            À luz do entendimento antitruste norte-americano, que leva em conta o preço final ao consumidor para determinar abuso de poder, a Apple tampouco se aproveita da sua situação — a mensalidade do Apple Music é a mesma cobrada pelo Spotify e outros apps de streaming musical.

            O ponto mais forte do argumento do Spotify, uma regra que a Apple mudou no meio do jogo, é essa proibição de levar o usuário à web para assinar um serviço por fora da App Store. Voltando ao exemplo da Amazon, antigamente havia um link no app do Kindle que levava à loja de e-books no site da Amazon; hoje, nem isso. Não tem nenhuma lógica justificável essa trava legal que a Apple coloca no contrato com as empresas que publicam apps em sua loja fora forçá-las ao pedágio de 30% da App Store.

          3. @Ghedin

            Na mordida de 30% eu não vejo problemas também. É o modelo de negócios da App Store.

            Problema é quando a Apple tem um concorrente, como o Apple Music, que não paga nenhum taxa e usa da App Store para se espalhar. A Apple nesse sentido tem controle de todas as pontas do negócios dela e de terceiros. Ela controla a loja que vende o concorrente, isso é um problema enorme pro capitalismo e pro mercado.

            A trava legal, de não poder mais levar pra um ambiente externo uma assinatura de app dentro do ambiente Apple, não pode anunciar que existe outra maneira de assinar que não via Apple Pay e não deixar que se use nenhum tipo de pagamento externo ao Apple Pay é exatamente uma consequência direta desse controle total que ela tem sob o ecossistema, escolhas e modelo de negócios de terceiros. Nesse ambiente é virtualmente impossível florecer uma concorrência sem anuência da Apple.

            Netflix não assina, por exemplo, via Apple. Precisa assinar em outro dispositivo e então apenas logar-se pelo app pra iOS.

    2. às vezes eu penso que os mais ou menos 20 anos de cultura do computador pessoal que tivemos de meados dos anos 80 a meados dos anos 2000 não foi uma espécie de “anomalia” do ponto de vista da racionalidade do mercado de tecnologia

      é claro que as grandes empresas souberam se beneficiar dessa cultura (MS dos anos 90 que o diga, ou mesmo coisas como a criação do iPod), mas de um modo geral somos de uma geração que se acostumou a lidar com plataformas abertas, nas quais as barreiras de propriedade intelectual ou não existiam de forma intrusiva ou eram simplesmente contornadas (P2P, etc).

      Nós nos acostumamos com uma web aberta e com um protocolo http que nunca foi limitado por amarras proprietárias. Hoje caminhamos para um cenário em que não sobrevivemos sem lojas oficiais de aplicativos (fora dos quais não é possível fazer nada) e em contato com sistemas completamente fechados.

      Projetos como o da web p2p são interessantes e promissores, mas dificilmente escalarão ou terão capilaridade.

      1. A solução reside, justamente, em minar o modelo de negócios dessas empresas como foi feito com a MS nos anos 90 e que a impediu de dominar a web de forma proprietária. Naquela época o IE6 era tão absurdo em termos de mercado que os padrões web estavam sendo deixados de lado em prol dos padrões da MS e do IE. Hoje em dia isso é impensável, mas, naqueles anos longínquos muitas pessoas acreditaram que a MS iria ditar os padrões web em breve. Deus salve a Mozilla.

        O maior entrave hoje para conseguirmos melhorar a web é exatamente o “culto” que uma empresa como a Apple tem entre os seus consumidores. Enquanto enxergarmos empresas como melhores/piores ao invés de como inimigas das pessoas, vamos incorrer no erro de confiar nossas vidas para entes que só enxergam dinheiro, controle e poder.

        1. Sim, de fato. Os usuários se autodisciplinam em depender de soluções proprietárias. Do ponto de vista empresarial, essa foi a sacada de gênio da apple.

          1. E a ideia da App Store enfrentava resistência do escalação de TI da Apple. O Jobs queria webapps para tudo. Se não engano foi o setor comercial e de projeto que convenceu todo mundo a ter uma loja de aplicativos.

  8. Sugestão: o aumento dos preços das assinaturas do Netflix no Brasil.
    Se eu já não assinava há um tempo, agora é que não assino mais nunca!
    Fico com meu Claro Vídeo incluso no meu plano Claro Controle e minha listinha IPTV de 15 conto/mês…

        1. Bom ressaltar que são R$8 reais pelos primeiros seis meses apenas. Mas pelo preço padrão de R$14,90, é uma opção a se considerar…

          1. O que alivia um pouco, no caso da Netflix, é que eles fazem vista grossa para o compartilhamento de senhas. Eu compartilho o plano padrão com duas pessoas e como raramente há conflitos de horários, nos viramos bem.

            Essa conversa remonta ao nosso podcast #171, quando falamos da fragmentação das ofertas e da volta da pirataria.

    1. Na minha opinião a Netflix está arriscando perder parte da sua base de clientes aumentando o preço logo após o cancelamento de séries da Marvel, última temporada de Game of Thrones e próximo da estreia dos concorrentes Apple e Disney+.

      1. eu pago mais pq as animações têm ótimos dubladores, os filmes têm boas legendas e acho q alguns trabalho merecem mesmo remuneração. fora isso, pra mim, a netflix tem bem pouco uso, já q o catálogo é fraco.

    2. Mesmo comentário que fiz no Tecnoblog: Netflix já perdeu o custo-benefício faz tempo, por conta da balcanização e da qualidade porca do conteúdo.

      Pagar quase 35 reais pra ver filme velho e série bosta, sendo que quase não fico em casa?
      Dispenso. Vou voltar a visitar o bom e velho Paul Rabbit’s Rentals.

      1. Como anda a campanha de financiamento coletivo? E em relação à sua expectativa?

        1. Acho que este comentário não era aqui, né?

          A campanha começou bem. Já somos 40 assinantes e estamos perto de bater a primeira meta. Minha expectativa é chegar a outubro com 100 assinantes. Ainda não sustentaria o site, mas daria uma base para buscar outras fontes de receita complementares.

          1. Também me perguntei que campanha eu tinha aberto quando li.

            Em tempo: Agora são 41. ;)

    3. Por falar em listinha IPTV… Não sei se posso pedir isso aqui, mas alguém me indica alguma?!

      1. Elas são extremamente variáveis. O ideal é sempre pesquisar sobre ou pagar uma lista fechada.

  9. #whitepeopleproblem

    Estu com um OnePlus 6. Nada a reclamar, EXCETO o tamanho. Fico incomado toda vez que coloco ele na calça. Quem está nos Samsung S da vida, como estão hoje?

    Pensando em passar o OnePlus pra frente, pegar o dinheiro e tentar ficar com o S10e, já que ainda ganha o fone. Só fiquei triste pelo Brasil não ser o Snapdragon, pois o port da GCAM funciona melhor nele

    1. Tenho um OnePlus 3 e o aparelho é ótimo, exceto pelo tamanho. Também gostei do S10e e também senti não ter vindo com Snapdragon (Google Camera).

    2. Dimensões do OnePlus 6: 155,7 x 75,4 x 7,8 mm.

      Dimensões do Galaxy S10e: 142,2 x 69,9 x 7,9 mm.

      O OnePlus 6 é um pouquinho menor que o Galaxy S10+. De qualquer forma, são todos enormes. Quase 15 cm de celular é muita coisa. O meu (138,4 x 67,3 x 7,3 mm) eu já acho grande…

      1. Retiraram as bordas e aumentaram as telas. Uma pena que seguiram para esse lado. Seria melhor se aproveitassem que as telas são “infinitas” para diminuir o tamanho físico dos aparelhos! O problema no mundo Android parece ser bateria, olha só o que o CEO da OnePlus disse no final do ano passado: “I see a lot of demand for [smaller phones]. But looking at the industry, the technology of batteries hasn’t changed too much over all these years. If we can solve the battery problem, we would definitely make a smaller one.” (https://www.androidauthority.com/oneplus-smaller-phone-933613/)

        1. Meio estranha essa conversa. Temos exemplos de celulares menores, como os iPhones “antigos” e a linha Xperia Compact, da Sony. Afinal, não estamos falando de um smartphone dramaticamente menor; qualquer coisa 20% menor que o padrão (~15 cm) já seria vantagem. E, com o encolhimento físico, imagino que o consumo também diminuísse um pouco (menos tela, menos gasto energético).

          Enfim, é só achismo. Seria legal conversar com um engenheiro dessas fabricantes para entender melhor essas dificuldades. Porque, deste lado (e pelo que dizem consultorias como a IDC), a sensação é de que o aumento dos celulares se deu puramente por exigência do consumidor.

          1. Também achei. Até mesmo quando você vê o desmote no iFixit da vida, todas essas placas lógicas de celulares hoje são super pequenas. Enfim, infelizmente não sou engenheiro do ramo para afirmar

          2. Infelizmente a nossa tecnologia de baterias é a mesma de algumas décadas atrás, enquanto as tecnologias de conectividade, tela e processadores avança mês a mês. Quando vc tem um celular menor você não tem uma unidade de consumo menor, mas uma bateria menor =/
            Também me incomodo com o tamanho dos celulares hoje em dia, possuo um moto x4 e estou bastante satisfeito com ele por ser pequeno e ser eficiente em termos energéticos (além de ter um android atualizado e ser bem veloz). Celulares foram feitos para caberem em bolsos, agora precisamos de bolsos maiores para celulares cada vez maiores. Atualmente eu quase não vejo um bom substituto pra ele em termos de portabilidade, eficiência energética e processamento se não um bom iPhone.

    3. também fiquei incomodado na época que comprei o samsung galaxy a9 2016, mas vc acaba acostumando…

  10. O debate sobre jogos violentos voltou com o triste episódio desta quarta em Suzano (SP). Eu já tinha separado (antes do ocorrido) um material para conversarmos aqui e, agora, a discussão talvez ganhe outra dimensão.

    No Twitter, a @b3ablanco, que pesquisa o tema, deu uma boa base para começarmos:

    “A pergunta ‘os videogames violentos causam violência?’ é boba e errada desde o princípio. A pergunta deveria ser ‘qual a posição dos videogames em uma cultura de glorificação da violência hoje?'”

    O que me incomodou demais naquele vídeo do Mortal Kombat que publiquei algumas semanas atrás em um post livre foi justamente isso: a euforia dos espectadores com a pura e simples violência exibida na tela. Enquanto os personagens se fatiavam e arrancavam partes uns dos outros, é possível ouvir gritos de empolgarão na plateia. Se a gente encara esse comportamento como um reflexo, e não como origem ou consequência direta do jogo, a situação se apresenta de uma maneira esquisita, não?

    O material que eu tinha separado é esta matéria dizendo que um jogo de estupro foi removido do Steam após protestos. O único objetivo do jogo é estuprar, um ato condenável sob qualquer circunstância. Por que jogos em que o objetivo é apenas agredir e/ou matar, atitudes tão reprováveis quanto o estupro, não geram a mesma comoção?

    Fiquei pensando nesta pergunta. Alguns jogos talvez apresentem justificativas “razoáveis” para a matança? Sei lá, em um jogo de guerra, ou de invasão de zumbis, há (supostamente) um valor maior na dinâmica. A nossa sobrevivência/do personagem depende dessa ação que, em outra circunstância, seria condenável, mas que ali se faz urgente e aceitável.

    Mas seria ingênuo ou desonesto dizer que todo mundo que joga Call of Duty o faz pelo valor histórico ou qualquer outro motivo que não o de apenas matar tanto quanto possível. E aí, se voltarmos ao Mortal Kombat, perdemos qualquer lastro de justificativa para duas pessoas se agredirem mortalmente.

    A violência nos jogos, per se, não é o problema. Mas o ambiente que esses jogos, combinados, estão criando, sim, me parece muito problemático. Especialmente porque o público-alvo é formado por jovens impressionáveis. Talvez a exposição a todo esse material esteja criando uma geração anestesiada, sem sensibilidade ao sofrimento alheio? Ou que encara a vida, própria e dos outros, de uma maneira menos respeitosa e séria do que ela merece?

    Em tempo: não estou sugerindo que os dois assassinos de Suzano fizeram aquilo por causa de video game. Longe disso. Tem coisas mais impactantes nessa história, como o envolvimento com chans e distúrbios sociais e psicológicos. Mas, no caldeirão de influências e de ressentimento que podem levar alguém a um ato tão extremo, tudo conta. Isso vale para jogos, filmes, TV, todo esse arcabouço cultural em que estamos metidos. Em outras palavras: estamos absolutamente insensíveis à violência gratuita e isso não deve fazer bem a uma sociedade que se diz ou pretende ser justa e pacífica.

    1. Qualquer obra vai ter efeito nas pessoas que a consomem. Acho que no caso desses jovens (e de muitos outros) o maior efeito é da violência social e da falta de amparo (tanto do Estado como das famílias) para tratar problemas de saúde mental.

      Os atiradores de Columbine tinham como molde de ação o filme Matrix. O assassino do John Lennon teoricamente achou uma mensagem dentro do livro “Apanhador no Campo de Centeio” que justificava o que ele estava fazendo. Os livros do Chuck Palahniuk (do Clube da Luta) são extremamente gráficos nas suas descrições de torturas e doenças (“Tripas” tem uma série de historias envolvendo parafilias que me causaram um certo desconforto ao ler).

      Anos atrás, quando eu estava na graduação, uma colega escreveu uma crônica onde narrava um estupro de um bebê do ponto de vista de criminoso. Teve até processo rolando contra ela porque ela estaria fazendo apologia à pedofilia ao falar/tratar sobre o tema sem ter, ao final, algum tipo de crítica ao ato. A culpa jamais foi dela, claro, afinal ela apenas escreveu um personagem que fez o ato e tratou esse ato sob o ponto de vista dele (em tom de confissão) sem julgar ou colocar juízo de valor moral nisso. Se você escreve um livro com um protagonista serial killer isso te faz um apologista ao assassinato? Não acredito nisso.

      Podemos discutir a questão gráfica dos jogos novos, os modernos e ultrarrealistas gráficos dessa geração (e das próximas) trarão a violência de maneira mais próxima da realidade para as casas desses jovens, claro. Mas acho que essa ainda não é a questão, ou ao menos não é uma questão central, afinal essas pessoas tem contato diário com violência real todos os dias. Tiroteio pode chocar quem mora no centro, na periferia é meio-dia de quarta-feira. A volt tem um mapa mostrando que 46% das escolas estaduais do estado do RJ tiveram um tiroteio num raio de 300m no último ano (https://i.redd.it/fumdmtvs62m21.png). A violência está arraigada na vida dessas pessoas desde sempre, desde o nascimento. Pobreza é violência constante e diária.

      A questão, contudo, que não se discute aqui é a saúde mental das pessoas dentro do nosso sistema social. O quanto que isso não tem relação com a maneira como se tratam essas pessoas no colégio? Eu dei uma cadeirada em um guri uma vez depois dele ter enchido a minha mochila de lixo pela quarta vez (e de eu ter falado pros professores e pra orientadora duas vezes, pelo menos). Acho que se tivesse pegado em cheio nele tinha quebrado alguma coisa.

      Todo o dia tem N casos de bullying que as escolas simplesmente ignoram porque a direção, além de não ter tempo e pessoal pra dar conta de tudo, ainda espera que o professor resolva em sala de aula com jogo de cintura. E o professor dentro da sala de aula tem N atribuições, desde dar aula até se preocupar com notas de avaliações do governo, associações de pais que querem banir X ou Y além de esperar que eles eduquem as suas crianças.

      E no final ainda tem o Estado sem aparato sócio-educacional para lidar com doenças mentais na sala de aula, lidar com alunos problemáticos (doentes mentais de fato, com risco pra eles e pra terceiros) e com UBS’s e UPA’s incapazes de prestar atendimento psicológico digno.

      E no fim de tudo ainda tem a masculinidade tóxica e o fato de que essas pessoas, como os atiradores de hoje, são pessoas que que sentiram acolhidas em fóruns como Uol Jogos, 55Chan e outros (channers e incels tem aos montes pelo mundo desde sempre, quem nunca se atentou pra isso era a turma do Sarau de Poesia Urbana que acredita piamente que o mundo se resume ao centro da cidade e a Europa).

      Discutir armas ou jogos é muito bonito e dá mais audiência pra todo mundo. Qualquer progressista adora falar sobre desarmamento e falar que é errado ter mais armas na sociedade ou mesmo falar sobre a dessensibilização dos jogos violentos nas pessoas, mas nenhum quer tocar o dedo na ferida doença mental que algumas pessoas sofrem e do quanto pode ser sufocante estudar numa escola e viver numa sociedade que lhe pede mais do que qualquer pessoa deveria entregar. Afinal, foi prometida uma vida bem melhor a eles pelo simples fato de serem homens e brancos (e nem são de classe média, nessa clivagem é ainda pior) e que o fracasso era deles e só deles; lidar com isso é problema deles, também.

      Essa saída de atirar e matar é uma saída típica de “macho” que resolve tudo na violência ao qual nunca foi dada a opção de ser mais humano.

      No final, contudo, o erro é tratar essa questão como uma questão meramente de armas e política de armas, quando eu vejo como uma questão de saúde mental antes de todos os outros pontos.

      1. Concordo contigo, Paulo. O problema é muito mais embaixo. O que propus discutirmos aqui é o video game apenas — uma partezinha de todo esse problema que enfrentamos. É um menor? Certamente, mas sobram situações e casos concretos que, como a pesquisadora disse ali, não se resolve dizendo que “é só um jogo”.

        Mesmo que isso não tivesse acontecido, a discussão seguiria válida. Por que o jogo de estupro enfrentou tanta resistência e os de violência gratuita passam incólumes — pelo contrário, são festejados e estão nos topos das listas de mais vendidos do Steam? Qual a relação entre essa violência e a toxicidade das comunidades de gamers, do #gamergate à misoginia escancarada que rola nas partidas online? São questões válidas e que, claro, não anulam as mais profundas que explicam casos como o de Suzano.

        Sobre a comparação com outras formas de arte, o video game tem uma diferença fundamental: te coloca no controle da ação. Na literatura, audiovisual e artes plásticas, temos que fazer o exercício de nos colocarmos no lugar dos protagonistas. A coisa fica bem delineada em um campo do “e se…” O que não acontece no game, onde você encarna o personagem e a arte faz o possível, da narrativa ao visual fotorrealista, para fazê-lo acreditar estar encarnado naquele personagem da tela. Essa diferença de ponto de vista é importante nessa discussão.

        1. A questão é que colocar ou não o consumidor como protagonista não parece ter nenhum tipo de efeito distinto em relação a ver um filme ou ler um livro (ambas formas mais passivas de consumo).

          Claro que é importante discutir isso, problema central dessa discussão, contudo, é que já foram feitos muitos estudos sobre e nenhum encontrou nenhuma correlação ou causalidade entre os jogos e atitudes violentas.

          Existem alguns GT’s no Brasil que estudam construção de identidade em meios digitais e nenhum correlaciona jogos e violência/agressões. Pode-se inferir que os jogos servem como ponto de conexão entre esses jovens (nos fóruns, principalmente) mas o jogo em si é apenas uma projeção possível para esses jovens. É como escutar uma música depressiva, ela não te deixa/faz depressivo mas pode dar aquela sensação de “lupa” na questão.

          É aquela parte da teoria comunicativa: não existe apreciação de símbolo que não seja interpretativa (se não fosse assim, todo mundo que joga seria assassino).

          O que a gente pode pesquisar é se esses grupos de jovens são mais ou menos suscetíveis à violência quando expostos a esses estímulos. Os estudos que se tem hoje em dia não abarcam esse tipo de comportamento. Essa visão seria mais no sentido determinístico (tal qual o alcoolismo que tem a sua parcela de determinação genética mas que não é possível detectar de antemão) onde determinados jovens sãos mais predispostos a agir de forma violenta quando em contato com esse tipo de material.

          ___

          Sobre a parte da comunidade tóxica eu concordo, mas novamente eu vejo o jogo como sendo o ponto de encontro e catarse desses jovens. Talvez se tirarmos os jogos eles encontrem outros meios de se reunir e praticar ator violentos que vão, necessariamente os conduzir ao pertencimento do grupo (tudo é sobre pertencimento nessa idade). Acredito que o jogo de estupro tenha enfrentado tamanha resistência pelo conteúdo sexual mais do que pelo conteúdo violento. Sexo ainda é mais tabu do que violência. Violência sexual acaba agregando ambos e, no contexto atual, a maior parte das pessoas vê como justificada uma luta (como em MK) ou guerra (CoD e outros) do que um simples ato de violência gratuita (estupro sem nenhum tipo de roteiro ou justificativa [porque o que mais tem é fantasia de estupro na internet]).

          E como eu disse acima, eu enxergo a relação da violência e da toxicidade da comunidade como coisas que se relacionam marginalmente. O jogo é o instrumento que permite a reunião e não o motor da reunião. Todos os problemas atrelados aos jogos que você cita me soam como problemas mentais (adequação social, fobia social, agorafobia, depressão, ansiedade, TAG, TOC etc) que são catalizados pelas comunidades ao redor dos jogos. Tibia era um jogo completamente infantil e, mesmo assim, tinha uma das comunidades mais tóxicas da internet brasileira.

          Minha defesa é essa: os jogos são o ponto de reunião e não ponto de causa. Não acredito que eles ajudem a banalizar mais a violência do que a própria realidade ou mesmo a pressão do nosso sistema sócio-econômico e da cultura de loser/winner que importamos dos EUA.

          1. Concordamos que os jogos violentos não são o ponto de causa. Por que eles são o ponto de reunião? Essa é uma pergunta interessante. E sim, eles não são mais importantes que a realidade na banalização da violência, mas tudo conta na construção/interpretação de realidades. É por essa lógica que aquela publicidade mais tradicional, da força bruta, funciona, não? Martele a mensagem até que o consumidor se convença de que o produto ou serviço é necessário ou vale a pena.

            Em tempo: matéria da Folha sobre o assunto.

        2. Video-games, no meu entendimento, são o ponto de reunião como qualquer outro entretenimento seria. Livros, músicas, bandas, comunidades de bandas, qualquer coisa que sirva de propósito para reunir as pessoas que pensam assim seria o ponto de reunião dessas pessoas. O meio (jogo) é o de menos, poderia ser qualquer um. Calhou de hoje em dia os jogos serem muito populares em todas as faixas de idade/gênero/classes sociais e por isso mesmo estarem quase onipresentes no cotidiano.

          Nos anos 40/50 eram os quadrinhos, tanto que foram censurados, que estavam acabando com a juventude com mensagens erradas de família, relacionamentos e violência. Hoje são os jogos. Já foi rock também. O meio é o de menos, temos que nos ater as pessoas.

          Talvez a indústria dos jogos hoje seja mais problemática por ser mais milionária, mais onipresente e menos afeita as regras. Isso pode ser discutido (e deve), mas a influência dos jogos como catalisador ou facilitador dessa violência não me faz sentido nenhum (ao menos não em um primeiro momento).

          1. A discussão que propus é nesse sentido mesmo, não de influência direta, mas de como os jogos violentos se inserem em uma sociedade que está doente e que acabam se tornando o refúgio de pessoas marginalizadas. Por que isso? E que efeito tem a violência gratuita em gente que não está emocionalmente estável?

            Algo que me parece sintomático é a virulência que os gamers fizeram a partir da fala do Mourão que associou o atentado em Suzano a jogos. A mera sugestão de que, veja, talvez jogos violentos tenham sim um aspecto ruim e seria legal debater isso é recebida com resistência. Por quê?

          2. @Ghedin

            Acredito que os jogos reúnam essas pessoas por serem de fácil acesso e fomentarem a competitividade entre os jogadores. As comunidades mais tóxicas envolvem jogos com alto teor competitivo (LoL, DOTA, CoD, CS) e com alto viés skineriano (estímulo e recompensa) na sua concepção. E nada mais competitivo do que obliterar o seu inimigo com boas doses de violência.

            Pra mim essas duas características explicam em boa parte o motivo de termos as comunidades de jogos tão virulentas e tóxicas e se tornando, por isso mesmo, reduto de pessoas com problemas de sociabilização.

            Acredito que o debate seja recebido com resistência exatamente porque um ataque aos jogos se torna, na cabeça dessas pessoas, um ataque a elas próprias (pessoal) e não apenas a ideia de um questionamento mais sério que evolua para um debate.

          3. mas tem joguinho complicado… q pode fazer um jovem misturar as estações de forma imprevisível. jogos que são realista parecem ser os menos problemáticos. agora, se vc pega um jogo como fortnite, em q matar é divertido, e com dancinhas, balões coloridos e outras firulas, a coisa fica turvada.

            ia fazer um estudo no mestrado tentando identificar o nível de agressividade em crianças jogando minecraft, mas a acadêmia tinha outras preferências e a coisa não avançou. teria sido uma pesquisa muito útil para professores q, não só hj, estão perdidões em relação as coisas q acontecem ao redor deles…

          4. @fabio

            Meu projeto de mestrado sobre jogos na educação fracassou no IFRS também. Passei na fase teórica (prova dissertativa) e me barraram sem dar muitas explicações na sustentação oral. Os professores são uma grande parcela dos culpados pelo que temos hoje, sem dúvida. Eu não alivio o lado deles (sendo um professor, tendo namorada professora e mãe professora) exatamente porque eu vejo o dia-a-dia da profissão e como a maior parte deles está completamente perdido, incapaz e desinteressado em aprender sobre o que mudou na relação dos jovens.

            Eu não sei quais jogos são mais ou menos complicados per se; as comunidades, contudo, é bem nítido que as que tratam sobre jogos de grande teor competitivo e com o seu comportamento de recompensa vs. estímulo baseado em vitórias/derrotas são as piores. As que tem algum tipo de eSport atrelada tentem a ter mais problemas de comportamentos tóxicos também. Talvez seja um indicativo a se averiguar.

    2. Passei minha infância e adolescência jogando todo tipo de jogo, muitos games eram bastante violentos e polêmicos em sua época como o Manhunt e Carmageddon. Isso não fez de mim uma pessoa violenta ou problemática para viver em sociedade pois não tive problemas mentais e comigo nunca me faltou carinho e acolhimento da família e amigos.
      Acredito que falta apoio da família, amigos de verdade e profissionais para tratar pessoas que sofrem bullying e problemas de saúde mental antes de acontecer tragédias como a que ocorreu em Suzano. Para quem está passando por problemas, o game pode turbinar a pessoa a cometer tragédias, mas o game isoladamente não, senão quem joga muito Minecraft vai virar pedreiro?

      1. Eu também joguei muito video game violento na infância e adolescência. Note que, no meu primeiro comentário, tratei de tirar de cena essa relação de causalidade direta , “joga Minecraft = vira pedreiro”. O questionamento é na atuação mais difusa dos jogos violentos, da naturalização da violência, potencializada em pessoas que têm outros problemas psicológicos e/ou sociais. Nesse contexto, com o discurso armamentista em alta, mais violência como solução para a violência e a glorificação de atos brutos, será que jogos do tipo não contribuem para a normalização desses atos?

        (Em tempo: posso estar redondamente enganado. Às vezes, acontece.)

        1. a maior diferença, a meu ver, é q na infância de quem tem mais de 30, o realismo era pífio, apesar da violência estar toda lá. hoje, quer dizer, desde há alguns anos, temos um nível de realismo nesses jogos em q a experiência de matar está sendo emulada de uma forma q pode ter, sim, algum tipo de impacto imprevisível na forma de tratar o assunto ‘matar’ qdo ele entrar em discussão. a infame proposição do governado do rio, de usar drones e snipers, para atingir traficantes é recebida de q forma por jovens? isso me lembrou um documentário do michael moore, qdo ele mostra um jovem soldado todo empolgado em um tanque de guerra, ouvindo heavy metal, e se divertindo com a possibilidade de matar. aliás, o exército americano (e creio q não só) usa os videogames para treinamento e tb como uma forma de atrair jovens para o alistamento…

    3. Minha visão de boteco diz que sempre fomos insensíveis às violências gratuitas, nas suas mais diversas formas nos mais diversos momentos.

      E não acho que qualquer produto da cultural popular/de massa/whatever tem responsabilidade nisso. Parece ser algo quase biológico. Ou além: algo da condição humana que vai além de qualquer investigação. Faz parte da nossa história.

    4. Vira e mexe me pego perguntando se há uma relação direta entre isso. Penso que a banalização da violência gratuita não ocorre só nos games, é só ligar em qualquer telejornal vespertino para ver como diversos crimes são destilados e a brutalidade à carne crua. No fim, acredito que todos nós humanos tenhamos essa relação com a violência, de uma forma que podemos não perpetrá-la no dia a dia, mas matamos essa sede ao ver vídeos escalabrosos e/ou jogar jogos violentos.
      Ainda há a discussão de como nossa sociedade está doente de certa forma, e a internet agora serve de abrigo para todos os nichos de pessoas discutir abertamente suas ideias deturpadas.
      Soa meio negativo, mas me parece que estamos lascados (para não dizer fudidos) e não há muito o que se fazer além tentar de cuidar da nossa própria saúde mental? Eu simplesmente me afastei do twitter e similares quando fiquei sabendo da tragédia, não aguento mais ver tanta gente ruminando o mesmo assunto traumático a fio.

    5. Outra perspectiva também é: se a violência nos jogos não serve como uma espécie de substituto para a violência “real”

    6. um controle rigoroso de idade deveria existir para jogos violentos (‘call of duty’, por exemplo). e, claro, tudo dependeria tb da vigilância dos pais para q os jovens não burlassem essas restrições. seria difícil, mas valeria o esforço. já fazemos esse esforço com conteúdo relacionado a sexo de algum modo (pouco efetivo devo reconhecer)…

      jogos q tornam matar divertido são os q mais me preocupam. ‘fortnite’, por exemplo. ‘mortal kombat’ eu vejo como muito fantasioso para enquadrá-lo nessa categoria. estaria próximo do espetáculo gráfico de um ‘doom’ moderno’. já o jogo de estupro, em q há uma nítida orientação como recompensa ao jogador atingir o objetivo de concretiza o estupro é apologia ao crime pura e simples. é gente querendo normalizar o estupro, ponto.

      não creio q pessoas q fazem ‘call of duty’ e similares queiram normalizar a matança, mas esse já envolveram em polêmicas, como aquela fase do aeroporto russo, em q os personagens (o jogador, incluso, pode atirar tb se quiser) promovem um massacre antes de enfrentarem os inimigos (a polícia). mas a cruz vermelha já chamou a atenção para isso indicando q jogos de guerra deveriam punir os jogadores q cometessem genocídios ou crimes considerados de guerra com o claro intuito de educar os jogadores q, invariavelmente, vão jogar aqueles jogos. acho válido, mas pode ser pouco efetivo qdo se é jovem demais pra entender essas questões a fundo. por isso professores deveriam estar mais próximos desse universo para guiar os jovens assim como guiá-los para a educação sexual (algo visto como indesejável pelo atual governo).

      a cultura violenta (basicamente machista) é deplorável em promover e em tornar a morte um espetáculo (algo promovido por muitas outras mídias, diga-se) é a mesma q coloca as mulheres em situação igualmente deplorável em tantos jogos…

      na minha experiência de jogador de ‘cs:go’ noto a presença de muitos jovens q jamais deveriam ter contato com um jogo tão violento. mas não há escrúpulos: há torneios mundiais desse jogo com prêmios milionários protagonizados por jogadores majoritariamente jovens.

  11. Às 9h42 de ontem, G.T.M., de 17 anos, atravessou o portão da Escola Estadual Professor Raul Brasil, em Suzano, São Paulo. Tinha em mãos um revólver calibre 38. Ex-aluno, o rapaz começou imediatamente a atirar contra um grupo de estudantes e funcionários na recepção. Era hora do lanche. Trinta segundos após, cruzou o portão seu amigo, Luiz Henrique de Castro, 25, também ex-aluno. Trazia besta, arco e flecha e uma machadinha. Golpeou corpos no chão e se jogou contra quem tentava fugir. Eles já haviam matado o tio de um deles, Jorge Antonio de Moraes, na locadora de carros da família. Foi de lá que pegaram o automóvel que os levou. Dentro da escola, mataram a coordenadora pedagógica e uma funcionária. No pátio, mais cinco alunos. Os assassinos seguiram para o centro de línguas, onde alunos e professora haviam se trancado. E então, no corredor, um deles voltou-se contra o outro e o matou, cometendo suicídio na sequência. Em 15 minutos. (Estadão)

    1. Essa discussão sobre jogos violentos só surge em época de atentados

      A humanidade desde sempre teve históricos de violência. Nossa raça emergiu do barbarismo tribal, passou pelo barbarismo estatal e hoje vive, no brasil, entre uma constante barbárie em narcoguerras urbanas e eventuais e isolados atos de violência gratuita como nesse caso dos jovens.

      Qualquer obra cultural, da Bíblia, passando por quadrinhos e filmes pode inspirar atos de bondade ou malignos. Vídeo games não são uma categoria especial.

      Nosso passado os jovens liam livros e hoje jogam ps4

      Sempre vai ter um percentual dos jovens da população que vai fazer merda pelo prazer de fazer merda, inclusive estupros, assassinatos e roubos. Faz parte da raça humana.

      A violência é uma característica inata do ser humano e alguns indivíduos nunca conseguirão lidar com isso.

      Por isso temos forças policiais e militares

      Se algum doido desses entrar na minha casa, o matarei com prazer e amparado pela excludente legal da legítima defesa.

      Mas se me pegarem desprevenido, já era. Morri e minha família será abusada. É a vida. Sempre foi e acho q sempre será.

      Cuidado por onde andas.

      Abs

      1. acho que esse comentário era lá pra cima

        mas teria algo a dizer: cuidado com a naturalização do suposto “instinto” humano de barbárie. Não naturalize a agressão e a violência.

        1. “Não naturalize a agressão e a violência.” – não acho que a agressão e a violência são ideais ou devem ser consideradas normais, mas são uma herança sombria da evolução biológica do ser humano.

          abs

          1. “você está biologizando construções sociais” – construções sociais decorrem de nossa biologia e de outros fatores.
            não há sociedade humana sem seres biológicos movidos por instinto, emoção e razão.

            abs

          2. Se você resume tudo à biologia, é de se espantar que consiga viver em sociedade. Esse convívio moderno só é possível porque somos capazes de conter nossos instintos, de tomar o controle e moldar a nossa vivência ao convívio pacífico com os demais.

            Dizer que o ser humano é violento e contentar-se com isso implica em abdicar de qualquer esperança de melhora — e ainda descarta todo o progresso que tivemos do tempo das cavernas às sociedades contemporâneas.

          3. “Se você resume tudo à biologia” – eu não resumi tudo a biologia.

            Escrevi no comentário anterior que: “construções sociais decorrem de nossa biologia e de outros fatores.”.

            Esse outros fatores podem ser psicológicos, sociológicos, ambientais, econômicos etc. Muitos fatores ainda são desconhecidos.

            “Dizer que o ser humano é violento e contentar-se com isso implica em abdicar de qualquer esperança de melhora ” – bem, eu disse que o ser humano é violento, mas ele não é só isso. ele é amoroso, engenhoso e muitas outras qualidades.

            eu só quis destacar o lado violento, pois estava comentando um ato de maldade/terrorismo. não consigo enxergar muitas qualidade positivas no que os jovens fizeram.

            na raça humana temos médicos e assassinos. achar que só há pessoas de bem ou vivendo em amor é ignorar a parte podre da maçã.

            “descarta todo o progresso que tivemos do tempo das cavernas às sociedades contemporâneas.” – não destaco, mas muitos vivem de maneira a ignorar essa evolução e continuam violentando seus semelhantes.

            pessoas malignas não são uma percepção, são um fato. e dos fatores que as geram apenas destaquei o biológico, pois não tenho como falar de todos os outros.

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