Os post-its que te seguem na web através de anúncios são frutos da vigilância online


1/6/15 às 10h44

O leitor Fred colocou o vídeo acima no nosso último post livre. É uma ideia genial, mas que ao mesmo tempo revela o quanto somos rastreados na web.

Uns dias antes havia lido este texto da Quinn Norton. Ela foi repórter da Wired por um bom tempo, mas talvez tenha ficado mais conhecida pelo relacionamento que teve com Aaron Swartz. Nele, Quinn aborda o que intitula de “hipocrisia do jornalismo online,” argumentando que os sites meio que se vendem para publicitários, fornecendo dados que ajudam a criar perfis de uso incrivelmente detalhados a fim de segmentar melhor os anúncios.

Se você não ligou uma coisa a outra, é a mesma tecnologia/sistemática que permite ver os post-its digitais personalizados da 3M em vários sites diferentes.

Alguns rebateram o texto de Quinn classificando-o de FUD, ou exagerado. Há algumas passagens que talvez aumentem um pouco a situação, como “sua experiência na Internet não é o maior resultado dos algoritmos criados para a vigilância de dados; você é,” mas ele nos dá, no mínimo, alimento para pensar.

Se você instalar uma extensão que revela os scripts executados por sites, como a Ghostery ou a Disconnect, verá que são muitos, e que eles se repetem de site para site. Na maioria, eles chegam aos dois dígitos1. É um tema delicado, mas que com o diálogo sobre a responsabilidade de dados que começa a se desenhar em países mais avançados nessas questões mais filosóficas sobre o uso da Internet, certamente não passará batido.

E o Google?

Uma omissão grande no texto da Quinn é o Google. Também recentemente, Marco Arment, um blogueiro com foco em Apple, explicou num post por que não usa os serviços da empresa. A gratuidade do Google (e do Facebook) vem às custas da cessão de dados pessoais que, ainda que anonimamente e sem registros de vazamento até hoje, são repassados a anunciantes a fim de segmentarem melhor suas peças e ações.

O preço do Gmail, do ótimo Google Fotos e de outros serviços gratuitos é esse.

Eu uso muita coisa do Google, mas resolvi colocar um pé fora desse cercado. Desde ontem mudei o motor de busca padrão do meu navegador (Chrome, que é… do Google) para o DuckDuckGo e pretendo usá-lo por alguns dias para ver se a hegemonia do Google nessa área é mais por costume ou se a qualidade pesa. Em breve volto para contar as conclusões desse pequeno experimento.

  1. No Manual do Usuário são três, apenas: Google Analytics (estatísticas), Disqus (comentários) e Gravatar (meu avatar, no topo dos posts). Em posts em que são exibidos anúncios do AdSense, tem mais um, da DoubleClick, e quando incorporo um elemento externo, como vídeo do YouTube/Vimeo ou um tweet, eles também executam scritps extras.

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