Positivo Kids ressuscita a questão: qual a idade ideal para crianças terem smartphone?

A Positivo anunciou um novo smartphone. Até aí, nada demais. Salvo quando aparece com uma marca nova ou promove um desses aparelhos com funk o$tentação, é só mais uma notícia corriqueira no concorrido noticiário de tecnologia. O que chama a atenção nesse novo modelo é o público a que ele se destina: crianças.

O Positivo Kids é, no máximo, um smartphone meia boca. Tem apenas 512 MB de RAM, parcos 4 GB de espaço interno, roda o arcaico Android 4.4 e, talvez sendo pioneiro no mundo, uma câmera frontal de maior resolução que a principal — 5 contra 2 megapixels. Tem conectividade 3G, tela de 5,5 polegadas de sabe-se lá qual resolução e bateria com 2100 mAh. Sai de fábrica com capa protetora no formato de leão que se integra com um wallpaper animado, além de uns apps extras como o WeSafe, que permite aos pais monitorar a localização do pequeno usuário, e joguinhos. Custa R$ 699, o que provavelmente faz dele o pior custo-benefício do mercado nacional.

Positivo Kids com sua capinha de leão.
Foto: Positivo.

A justificativa para a criação do Positivo Kids, segundo Norberto Maraschin Filho, vice-presidente de mobilidade da Positivo, é uma pesquisa do Google sobre consumo de vídeos infantis no YouTube. O Google constatou que 60% dos acessos aos nove canais infantis mais populares do Brasil são feitos por smartphones. Se tem criança consumindo isso tudo em celular, tem mercado para um produto exclusivo para elas, certo? Ou não?

Crianças usam celulares, tablets, são nativos digitais. Negar isso em 2015 é tapar os olhos à realidade. Mas esse uso é, ou deveria ser, acompanhado, especialmente por crianças que se sentiriam atraídas por uma capinha de leão — gente com idade em um dígito, imagino. De um smartphone próprio subentende-se liberdade para carregá-lo e usá-lo quando o dono bem entende, o que derruba esse cenário ideal de limitação de uso e supervisão por um responsável.

Há público. Do avô ao netinho, todo mundo mexe em telas, em celulares e tablets. Mas a oferta da Positivo meio que ignora circunstâncias importantíssimas numa fase onde as influências externas são poderosas e moldam a personalidade da pessoa.

Ilustração com uma mãozinha depositando uma moeda em uma caixa com o logo do Manual do Usuário em uma das faces, segurada por dois pares de mãos. Ao redor, moedas com um cifrão no meio flutuando. Fundo alaranjado.

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O debate sobre a idade “certa” para que a criança comece a ter contato com dispositivos móveis e, em última instância, ter um smartphone para chamar de seu não é novo. Há dois anos abordei o tema aqui, com foco nos tablets, e as orientações parecem não ter mudado desde então. Diversos especialistas (e a Academia Americana de Pediatria) orientam a proibição total desse tipo de produto para crianças de até dois anos. Smartphones, ainda segundo alguns deles, só devem ser dados a elas depois dos 11 anos. Em todos os casos que precedem essa idade, o uso deve ser assistido por um adulto e limitado.

Levando em conta tudo isso, é difícil fugir à pergunta: o Positivo Kids se destina a crianças de que idade, exatamente?

Questionada pelo Manual do Usuário, a Positivo respondeu:

Nós não temos uma recomendação precisa. Nossos estudos mostraram que tanto os pais de crianças muito pequenas, quanto de crianças entre 8 e 10 anos, tinham interesse em ter algum tipo de controle do conteúdo acessado por seus filhos na internet. Por isso, indicamos o aparelho para os pais que querem oferecer um smartphone ao seu filho, sem abrir mão da segurança, bons conteúdos e diversão.

É compreensível que os pais anseiem por algo assim. Em restaurantes, praças de alimentação e outros locais públicos, não é difícil vê-los cedendo seus próprios smartphones aos filhos em troca de um pouco de sossego. Um efeito unânime dos smartphones é o anestésico. Adultos e crianças conseguem passar muito tempo rolando telas, quietinhos, sem fazer barulho ou fazer bagunça.

Um estudo recente do Einstein Medical Center Philadelphia, nos EUA, com 370 famílias urbanas de baixa renda, constatou que 1/3 dos bebês de um ano já tinham tido contato com dispositivos do tipo, e que aos dois anos, mais da metade já mexera em alguma tela sensível a toques. Nessa idade, também, mais de 1/4 das crianças usavam tablets ou smartphones por pelo menos uma hora por dia.

Questionados pelos pesquisadores sobre esse comportamento, os pais alegaram que smartphones acalmam e entretêm as crianças. Eles também se mostraram ansiosos e dispostos a falar sobre o assunto, que é novo e repleto de incertezas. As telas representam uma saída fácil e, portanto, tentadora para acalmar as crianças. E elas, espertas que são, têm curiosidade, querem saber o que tem de tão interessante naqueles retângulos brilhantes que seus pais não largam.

Há mercado para algo como o Positivo Kids, mas isso é bom para o público a que ele se destina? Até que ponto a “terceirizar” para telas os cuidados a uma criança afeta o desenvolvimento delas? A tática do smartphone é tão eficiente e inofensiva que justifique o Positivo Kids (em outras palavras, a propriedade) para alguém que acabou de sair das fraldas? São questões delicadas e que, por isso, merecem bastante reflexão.

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22 comentários

  1. Meus sobrinhos, o menino de 3 e a menina com quase 2 usam dessa tecnologia. Para eles, e acredito que pra todas essas crianças isso é só mais um brinquedo. Acho impressionante que crianças que não sabem ler saberem desbloquear um celular/tablet e abrir o jogo que querem jogar.
    A mais nova não sabe mexer direito ainda, apenas mostra, fala que quer ver a Galinha Pintadinha e fica lá cantando e dançando, e sabe que o celular serve pra fazer ligações.
    O menino já sabe quando a bateria está acabando e sabe abrir os jogos e outros aplicativos.

    Acredito que o uso deve ser restrito sim, inclusive quando se está entre os seus 11 e 16 anos, sabemos que existe gente ruim por aí!

  2. É difícil afirmar em qual idade as criancas poderiam ter livre acesso a gadgets como smartphones e tablets…..acredito que a partir dos 6-7 anos elas já queiram participar do whatsapp e facebook …..sei la.

  3. Tem uma questão aí sobre a audiência de 60% a partir de dispositivos móveis. Estimo que a maioria desses 60% é em tablets e não em smartphones, porque tablet é um produto que se popularizou absurdamente como um brinquedo para crianças, até muito pequenas. Que as usam em casa ligadas a redes wi-fi.

    Não acho que os pais são tão propensos a dar smartphones para crianças, que poderiam acessar conteúdos perigosos na internet mesmo estando na escola, por exemplo.

  4. Gostaria de levantar dois pontos, baseados nas opiniões lidas:

    1 – Quem não tem filhos e pretende tê-los um dia: a teoria, na prática, é outra. Explico: diariamente quando chego em casa do trabalho e a filhota (2 anos e meio) demanda atenção, brinco bastante com ela, com brinquedos físicos mesmo, boneca, Lego Duplo e afins. Depois de algum tempo, quero dividir minha atenção entre ela e a esposa, ou ela e o jornal, por exemplo e aí os brinquedos virtuais são bem vindos – aplicativos da Lego são sensacionais e bastante educativos e divertidos. Livros ela tem literalmente aos montes e altera a “leitura” deles com as demais brincadeiras.

    2 – O que é um smartphone? E o que você queira fazer dele. E sim, crianças transformam em brinquedo absolutamente tudo. Obviamente cabe a nós, pais limitar esse “tudo” ao que não possa fazer mal a ela. E o tablet/smartphone pode sim ser educativo e fazer bem. Minha filha aprendeu nomes de animais exóticos graças a um aplicativo da PlayKids. Hoje quando ela vê um tamanduá ela sabe o que é. Os aplicativos, assim como livros, trazem informações que muitas vezes fogem do cotidiano.

    Uma coisa interessante que li quando ainda não era pai é que, sim, continuamos seres humanos, com desejos, vontades, dores de cabeça… mesmo sendo pais e mães. Não nos transmutamos em super-heróis que vivem somente em função das crianças. Isso faz mal ao casamento, à criança e, em última instância a você mesmo.

    1. Muito legal ter o relato de um pai aqui. (Outros, manifestem-se também!)

      Não tenho propriedade para falar dessa perspectiva, então não me estenderei muito. Mas discordo do início do segundo ponto, Carlos, de que o smartphone é uma ferramenta que utilizamos como bem quisermos. A experiência é, de certa forma, moldada pela fabricante, pelo sistema, e mesmo nós, que temos alguma noção de como tudo isso funciona, acabamos influenciados por esse direcionamento.

      Por isso vejo (novamente, como “leigo” no tema) um tipo de periculosidade no uso indiscriminado de smartphones por crianças, principalmente quando usados sem supervisão de adultos. Elas carecem de discernimento. (Muitos adultos também, mas aí entramos em outro mérito.)

      1. Também vejo como um grande problema o uso indiscriminado e não monitorado de qualquer dispositivo, ainda mais conectado à internet. O uso inadequado e a inocência de uma criança são os pontos usados por quem deseja obter quaisquer vantagens.

        Li o texto postado outro dia sobre a não neutralidade das plataformas móveis e concordo com ele. Mas a experiência de uso infantil é baseada em pequenos fragmentos, em que a plataforma efetivamente não interessa tanto, leia-se reprodução de videos via YouTube ou Netflix e aplicativos que são essencialmente os mesmos em ambas as plataformas (aplicativos da Lego, o famigerado gato falante Tom, aplicativos da Disney etc.).

    2. carlos, interessante seu depoimento, mas vejo um problema nele. toda vez q falo a pais sobre crianças (seus filhos) com certa propriedade, pois sou educador, eles me olham e falam: “vc tem filhos?”. qdo digo q não, eles automaticamente passam a ponderar o q digo e me dizem: “ah, então vc não sabe como é”. oras, isso é um absurdo, pois passamos a maior parte do tempo falando sobre situações que não vivenciamos propriamente e mesmo assim falamos dela.

      se vc não é do grupo dos pais, já era… a sua opinião acaba valendo menos. o q é bem esquisito, pq, assim sendo, teríamos um alto grau de restrição pra falar sobre inúmeros assuntos se não vivenciássemos na prática tudo q falamos…

      tenho uma noção das dificuldades de ser pai e, principalmente, mãe, mas, sinceramente, acho bem perigoso esse discurso de que “na prática a coisa é outra”. mesmo pq não há uma teoria sobre tudo e para tudo. e mesmo que haja um sem número de teorias sobre desenvolvimento infantil, isso não quer dizer q essas teorias tenham prevido tudo e assimilado todas as experiências possíveis para teorizar, conceituar e especular…

      os imperativos que lhe fazem se distrair dos seus filhos (o interesse no jornal, por exemplo), talvez nunca tivessem estado fora do escopo de quem teoriza sobre o assunto, pq, não importa a época, sempre houve e sempre haverá distrações. qdo sua filha vê um tamanduá, seja no app ou n tv, ela não está vendo um tamanduá propriamente, ela está vendo apenas a representação de um, seja por um desenho ou por uma fotografia. bom, é assim q aprendemos, a escola faz isso faz alguns séculos já. e os pais, nem todos claro, costumam ajudar na educação do filho propiciando experiências q a escola nem sempre pode dar… e eu acho q o aparelho da positivo entra aí, na terceirização da atenção e no fomento do mini consumidor.

      vc observa muito bem, as crianças são capazes de transformar tudo em brinquedo! uma arma, por exemplo, elas tb podem brincar com uma. o smartphone não é uma arma, mas tb não é o mais inofensivo dos brinquedos… acho ótimo tb q vc dê muitos livros a ela e brinque tb. mas me incomoda a presença do app como substituto da atenção ou como um cercadinho virtual…

      enfim, não é uma crítica ao q vc escreveu. só um posicionamento mesmo.

      1. Gosto muito do assunto educação. Dei aula para graduação por vários anos, dou cursos técnicos específicos e, de um jeito ou de outro, sempre estive envolvido com sala de aula. Gosto bastante de ler sobre o assunto e concordo com o Gustavo Ioschpe (li num livro dele, não sei se a ideia original é dele) que fala que a educação de uma pessoa é 30% escola e 70% casa.

        Concordo com você quando diz que sim, podemos analisar situações sem necessariamente vivencia-las e acho que a vivência da educação infantil é uma questão de bom senso e aplicação direta de alguns pontos teóricos bastante específicos (gerenciamento de raiva, fases evolutivas, desenvolvimento de habilidades etc.).

        O que percebo hoje é uma quase total subserviência por parte dos pais aos desejos dos filhos, o que gera adolescentes emocionalmente não preparados para terem seus desejos negados e adultos que não conseguem entender que uma carreira profissional se constrói com o tempo.

        Com relação direta aos smartphones, o uso indiscriminado e não monitorado de qualquer dispositivo, ainda mais conectado à internet é um grande risco. O uso inadequado e a inocência de uma criança são os pontos usados por quem deseja obter quaisquer vantagens.

        Com relação ao “fomento do mini consumidor”, sim, vivemos em uma sociedade de consumo (na minha opinião, melhor que a alternativa) e o que podemos fazer para educar nesse sentido é mostrar que existem opções de consumo melhores e mais conscientes que outras. Até como consumir com responsabilidade pode ser ensinado.

        Bem, espero que continuemos a trocar experiência já que toda discussão saudável agrega conhecimento e pontos de vistas ainda não vislumbrados.

        Abraços!

      2. Gosto muito do assunto educação. Dei aula para graduação por vários anos, dou cursos técnicos específicos e, de um jeito ou de outro, sempre estive envolvido com sala de aula. Gosto bastante de ler sobre o assunto e concordo com o Gustavo Ioschpe (li num livro dele, não sei se a ideia original é dele) que fala que a educação de uma pessoa é 30% escola e 70% casa.

        Concordo com você quando diz que sim, podemos analisar situações sem necessariamente vivencia-las e acho que a vivência da educação infantil é uma questão de bom senso e aplicação direta de alguns pontos teóricos bastante específicos (gerenciamento de raiva, fases evolutivas, desenvolvimento de habilidades etc.).

        O que percebo hoje é uma quase total subserviência por parte dos pais aos desejos dos filhos, o que gera adolescentes emocionalmente não preparados para terem seus desejos negados e adultos que não conseguem entender que uma carreira profissional se constrói com o tempo.

        Com relação direta aos smartphones, o uso indiscriminado e não monitorado de qualquer dispositivo, ainda mais conectado à internet é um grande risco. O uso inadequado e a inocência de uma criança são os pontos usados por quem deseja obter quaisquer vantagens.

        Com relação ao “fomento do mini consumidor”, sim, vivemos em uma sociedade de consumo (na minha opinião, melhor que a alternativa) e o que podemos fazer para educar nesse sentido é mostrar que existem opções de consumo melhores e mais conscientes que outras. Até como consumir com responsabilidade pode ser ensinado.

        Bem, espero que continuemos a trocar experiência já que toda discussão saudável agrega conhecimento e pontos de vistas ainda não vislumbrados.

        Abraços!

        1. exatamente… os pais cedem demais. preferem não ter q enfrentar a birra e a manha e vão logo dando o q a gurizada quer sem pestanejar. só q a gurizada quer atenção e carinho, né? e muitas vezes isso vem na forma de birra, manha, choradeira, bagunça, revolta, raiva, agressão, violência etc. infelizmente, e aqui há muito mesmo o q lamentar, a nossa sociedade está escolhendo o caminho da punição. vc deve ter visto o vídeo do garoto q destrói a sala dos professores e a diretora diz: “não pode bater, não pode pôr a mão. o q eu faço? chamo a polícia”? porra, eu educador falar q não sabe o q fazer é o mesmo q um médico, na hora H falar q não sabe operar ou fazer, sei lá, massagem cardíaca.

          (edit: sem falar q parece q a turma do vídeo nunca leu o ECA na vida, pq além de não saber o q fazer, expôr a criança ao constrangimento daquele jeito é imoral e ilegal… eis o perigo do smartphone na mão de adultos!!!)

          qto ao livro q vc leu, realmente não conheço o autor e na busca rápida q fiz, vi q ele tem respaldo da “Veja”. isso me deixou alerta. bom, não gosto da publicação e isso não tem nada a ver com o q eles dizem sobre o PT, pq, sinceramente, todo governante tem q estar sob suspeita e ser acossado todo santo dia pela imprensa a dar reposta sobre suas ações (a veja só não me parece a melhor representante pra isso). bom, mas eu não sei q interesses movem o grupo abril, então, tirando isso, e indo mais pela escolha do autor, q elenca lá uma série de coisas q são mitos na educação, eu vejo ele apontar várias coisas problemáticas, então, eu acho q vc poderia, sim, qdo achar oportuno, confrontar a opinião desse autor com outros e recomendo a do professor yves de la taille. qdo a ‘veja’ escolhe esse autor em particular a impressão q tenho é pq ele, digamos, vai na linha da eficiência e da gestão eficiente. então tudo o q o autor diz nessa linha é enaltecido e isso vai bem contra na linha do ensino público de qualidade q se poderia dar, já q a eficiência almejada tem vínculo com o meio privado, corporativo e o adotado por grandes grupos educacionais q são, antes de qualquer coisa, um negócio e não um grupo afeito a educação no seu sentido nobre. eles dão emprego e tal, mas o ensino é de baixa qualidade… como se vê.

          no mais, acho q estamos de acordo qto as preocupações q o uso da tecnologia apresentam qdo estão ligadas às crianças e tb aos pais… foi um ótimo post o do ghedin (e o outro tb q ele já tinha escrito sobre o assunto).

          qto a crianças e consumo, tenho uma obra em casa, q tem relação com uma pesquisa q quero desenvolver, e q depois posso passar as referências se vc quiser.

          abs,

    3. Meus sobrinhos adoram o PlayKids, quando estão em casa a gente liga o tablet na TV, quando a gente quer ver novela/jornal eles ficam quietinhos no sofá vendo os desenhos ou até mesmo Castelo Ratimbum no YouTube.

  5. me parece q a questão maior aí é: crianças consumidoras. por mais q a positivo tente, o smartphone não é um brinquedo e, ao travesti-lo como tal, ilude pais e filhos para q eles embarquem gostosamente no consumo. o aspecto infantil dado ao aparato que serve tanto a joguinhos infantis ou exibição de vídeos pornográficos me lembra muito o mc’donalds: lanches gordurosos acompanhados de brinquedinhos. há uma série de campanhas contra isso, mas todas elas sabotadas por pais que carregam filhos como fardos e não como entes queridos.

    levar a criança ao consumo, desde cedo, podendo ela tb comprar aplicativos pelo celular pode ser muito bom mesmo pra positivo no futuro. mas como faltam escrúpulos aos empresários e marqueteiros, o q teremos é mais disfuncionalidade e problemas com q lidar, pq ao invés de contato, conversa e brincadeira, estão delegando isso aos apps e aparelhos q, como se sabe, ainda são bem pouco eficazes na tarefa de educar.

    curioso q me sinto conservador falando isso, mas, sinceramente, acho abjeto ver uma mesa com pais e seus rebentos todos distraídos com celulares, tablets… depois posam de bons pais, felizes naquelas fotos babacas no facebook. teimo em dar livros a minha sobrinha, talvez qdo o inevitável tédio tomar conta dela e a bateria do iPad acabar, ela vai se deparar com coisas mais legais. torço por isso.

    1. Não concordo com a sua opinião em alguns pontos:

      – Com conhecimento básico é possível tornar o smartphone em um ambiente um pouco mais seguro. Com conhecimentos mais avançados você consegue restringir bem o que trafega pela sua rede. A não ser que seu filho seja o próximo Bill Gates as coisas podem ficar mais seguras sim.

      – A restrição de propaganda destinada ao público infantil é um assunto denso e profundo. Sinceramente não tenho opinião sedimentada mas acho que a simples e total restrição não é a solução. Hoje não temos mais programação infantil na TV aberta basicamente por isso. E quem não tem TV a cabo ou internet, como faz?

      – A criança, assim como eu e você, está imersa em uma sociedade de consumo desde o momento do nascimento. A questão, acredito eu, é educa-la a consumir com responsabilidade.

      – Empresários e marqueteiros inescrupulosos? Explique melhor… por que para mim quem está disposto a abrir uma empresa, investir no desenvolvimento de um produto, tentar vende-lo e nesse processo empregar, gerar impostos e ainda correr o risco de acabar falido é louco, não inescrupuloso. E marketing é exatamente isso, propaganda, apenas.

      Aqui as concordâncias: =)

      Quando vejo mesas em restaurantes com todos conectados também acho estranho (não abjeto, mas esquisito). Mas isso não é uma consequência dos novos tempos? Não irá ser tornar o novo normal? Não gostaria mas não sei se esse não acabará sendo o novo caminho.

      Se você parar para pensar, na época da popularização da TV, todos assistiam ao mesmo programa, gostando ou não. Lembro-me do tempo fragmentado da TV: de manhã alguma programação infantil, à noite o jornal e depois a novela. Isso por escolha ou simples falta de opção? Como conciliar desejos tão distintos de entretenimento de adultos e adolescentes? É possível hoje?

      O estímulo à leitura (e aqui falo de literatura, não leitura técnica) tem que ser feito desde a primeira infância, pois o hábito se faz com o contato e impulso. A pequena já possui uma biblioteca maior que a maioria dos adultos de minha família. Sempre fui estimulado por meu pai a ler. Fui criado em livrarias na cidade e tenho muito apreço pelos meus livros. É esse o maior legado que ele me deixa e é o que quero deixar para a pequena.

      Bem, apenas alguns pontos de reflexão.

      1. cara, não gosto muito de responder ponto a ponto, aqui pelo menos, pq faço muito isso em email corporativos, mas acho q facilita a vida e evita longas digressões da minha parte… numero pela ordem das suas considerações.

        1. sinto profundo receio qto a esses controles. pois, ao mesmo tempo q eles existem pra tolher, tb podem ser burlados. sinceramente, o smartphone em questão (um achado do ghedin, diga-se!) é infantil e, por infantil, vejo crianças de 0 a 8 anos usando esse aparelho sem pudor ou vergonha de ostentá-lo como brinquedo tecnológico. acho q as barreiras ali são próximas do ineficaz, mas precisaria pegar o aparelho. só q duvido q essas barreiras tenham sido testadas pra valer, saca?

        2. esse é um ponto realmente difícil. tb não imagino uma programação infantil sem propagandas, mas vc, claro, já viu a invasão de marcas e brinquedos q são os intervalos da programação infantil, certo? e, como se sabe, muitos desenhos animados existem apenas para vender brinquedos, ou seja, eles são criados apenas para a venda de brinquedos. george lucas q o disse, acho q foi justamente ele q disse algo como: “o filme star wars não vais nos render nada de bilheteria, mas vc vai ver o q vamos ganhar em produtos”. claro q a coisa mudou pro filme, mas ele disse isso na década de 70. propaganda pra deixar as crianças malucas por brinquedos (muitos deles bugigangas q não estimulam a fantasia, a imaginação e o faz de conta) deveriam ter sérias restrições, a meu ver.

        3 e 4. olha, aqui não estou usando aquele linguajar ideológico clássico pra tratar do empresário mal e do trabalhador bom, ok? mas qdo penso q empresários (por mais q o empreendedorismo deles seja o motor da economia) fazem produtos de modo irresponsável eu não posso aboná-los por criarem empregos, pq de um lado eles criam empregos e ajudam o papai e do outro eles destroem a gurizada incutindo neles o desejo por comprar, comprar e comprar. vivemos a sociedade do consumo? sim… outra sociedade é possível? sim, sempre é e não quer dizer q essa outra seja melhor, claro, mas existem outras formas de ocupar o tempo e o espaço além do ato de consumir. não demonizo o consumir e não creio q num consumo responsável, pq todo consumo implica no uso de algo escasso e não renovável em termos de indústria, portanto, consumo responsável, pelo menos nesses termos, é algo impraticável, a meu ver. quem acompanha o mundo tecnológico fecha os olhos e tapa o nariz pra poder comprar um celular, pq enqto uns chafurdam na lama e são escravizados (mais ou menos), nós gozamos das benesses do google isso, apple aquilo, microsoft não sei o q… e isso é assim aqui, na china, nos eua e na suécia, lamentavelmente.

        —————-

        sobre o q concordamos tb podemos discordar! mas não tenho objeções. e, claro, vc deve perceber q tb transito sobre idealizações (próprias e alheias) e o q desejo pode mesmo esbarrar na sua prática cotidiana de pai. é querer muito q alguém siga qualquer manual (teórico, teológico ou, sei lá, de guia de revista semanal).

        isso! pode ser saudosismo ou sinais de q já estou virando dinossauro querendo pais conversando numa mesa sem distrações, além daqueles folhetos do mc’donalds com “atividades” do tipo labirinto e etc. eles já eram ardilosos há tempos… e parece q só agora aprontam, mas não. é bem provável mesmo q seja um caminho sem volta e as relações cada vez mais mediadas sejam assim mesmo, todas intermediadas por alguma virtualidade. vai ser estranho. por ora, acho abjeto, pq não estou tão distante assim do meu passado.

        e, cara, como seria bom mais bibliotecas públicas. são o anticonsumo. não a solução pra tudo, mas pra iniciar pequenos na valorização do q é público, daquilo q pode servir a muitos e não ao interesse exclusivo de quem é dono e proprietário. é nisso q eu vejo o problema da positivo: ela estimula o consumo dos pequenos, força a barra com seus aparelhos na escola e, se não estou enganado, é tb um grupo educacional forte (rico), não?

        abs!

  6. Ghedin,
    Ficou meio confuso: no titulo vc diz que o positivo kids levantou a questão. E no decorrer do texto vc diz que isso já foi levantado há mt tempo.
    Quanto ao produto em sí: acho ele ótimo pra quem coloca seu smartphone na mão das crianças.
    Eu não colocaria, mas a exemplo dos meus amigos que tem filhos, sei que a maioria faz isso.
    Então se tiver um produto que tenha apenas conteúdo infantil (como o youtube kids), se esse WeSafe Protetor funcionar mesmo e se não tiver o risco de acontecer o que aconteceu com uma amiga minha, então ótimo (sua filha de 5 anos fotografou-a de roupas intimas e mandou pra alguns contatos no whatsapp – por sorte os contatos eram as amigas).

  7. Sobre o Positivo Kids – provavelmente daqui a um ou dois anos vou achar um monte deste para comprar na Santa Ifigênia por 150 reais cada. A propósito, é o que vem acontecendo com alguns lançamentos deles por lá :p

    Sobre idade ideal de uso – É difícil dar uma resposta. Como bem colocado, o que mais vale é sempre o adulto ser um parceiro da criança. Se um adulto consegue educar bem uma criança – o que realmente é difícil, dada inúmeras condições sociais hoje, como o trabalho, o estresse, a base de ensino, etc… -, não precisa de uma distração. Se bem que aqui também tem que se entender as condições de levar uma criança a uma reunião de adulto. Isso tudo é bem complexo e tem que esmiuçar tudo – desde o relacionamento pais-filhos até o aceite da sociedade das crianças acompanharem situações de adultos. A se lembrar que em lugares onde há reunião de adultos, como restaurantes por exemplo, há investimentos em espaços infantis, assim a criança se distraindo e gastando energia, enquanto pais, filhos mais velhos e amigos conversam e comem.

    Focando no uso de uma tecnologia. Ei, lembremos que o termo “babá eletrônica” era usado para as televisões. Esta que há décadas atrás, mulheres de shortinho, salto alto e roupas provocantes anunciavam desenhos animados para crianças. E há anos atrás, as emissoras se focaram em criar canais exclusivamente infantis. E a pouco tempo atrás estas emissoras criaram apps para assistir os programas em aparelhos como este anunciado (se bem que fico em duvida se este anunciado vai rodar bem… como assim 512 MB de RAM, sendo que pelo que me lembro, até o Kit-Kat meio que recusava menos de 1GB de RAM :p ).

    Me lembro de ganhar um Atari com uns 4 ou 5 anos de idade (ou mais, sei lá). Se fiquei viciado? Isso eu me lembro – sim, fiquei. Toda forma de distração é uma forma de não ficar parado, de gastar a energia interna, a criatividade, e quando acabar ela, descansar.

    Se isso afetou negativamente a minha vida? É o que venho me perguntando… Há pessoas que viciam em games ou em outras formas de tecnologia, mas não afetam a vida de forma a prejudicar em um todo. Vai de cada um, da vivência, das questões sociais.

    Por que eu fiz estes dois últimos parágrafos? Para justamente pensar no que como sociedade estamos criando “nossos filhos” (ou os outros estão criando os filhos). Se vemos que é mais fácil usar um eletrônico para dar atenção ao filho ao invés de estar presente (sim, soa meio pedante, meio “feminista”); acho que é mais fácil aqui fazer uma “fabricação de humanos”. Sabem? Admirável Mundo Novo? Do jeito que anda a sociedade e os tratos sociais, estamos próximos dos acontecimentos desta novela de Aldous Huxley.

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