Ladrão pego no flagra.

A vida pós-assalto


22/9/15 às 15h16

Estou escrevendo num teclado com o qual não estou acostumado, olhando para uma tela maior que a habitual e num local familiar, porém não em casa, de onde faço o Manual do Usuário. O assalto que sofri semana passada mexeu um tanto com a rotina e, após uma semana de adaptação à situação (provisória), algumas percepções se formaram ou mudaram.

O assalto

Para aqueles que não acompanharam o caso, uma breve recapitulação. Segunda-feira passada (14/9), saí de casa para um compromisso rápido na universidade. Voltei quarenta minutos depois e dei de cara com a fechadura frouxa, meu apartamento todo revirado e várias coisas faltando:

  • Notebook.
  • Três celulares.
  • Câmera fotográfica.
  • Tablet.
  • Kindle.
  • Controle remoto da TV.
  • Cabos USB e fones de ouvido.

A minha mochila estava em cima da cama, abarrotada pelo ladrão, com roupas, perfume, um calçado e HD externo. Foi deixada para trás apenas porque ele foi surpreendido com meu retorno rápido.

Preparativos acidentais

Escrever num site como este é um negócio low-profile: tendo uma conexão à Internet e um computador, pode ser feito de qualquer lugar. (Como faço agora, por exemplo.) Por isso o Manual não sofreu tanto, ainda, com o baque. Outra medida que ajudou a manter o fluxo do site foi ter preparado as pautas da semana no sábado e domingo; não que eu soubesse ou esperasse perder tudo no dia seguinte, mas como era a última semana do semestre na universidade, com provas e trabalhos agendados, antecipei o que pude.

É curioso como ações sobre as quais não pensamos muito acabam sendo cruciais ou apenas ajudando quando algo inesperado acontece. Meu retorno precoce, que surpreendeu o ladrão a ponto de fazê-lo deixar para trás alguns objetos, evitou que ele levasse o HD externo, onde guardava algumas fotos de família que ainda não tinha replicado na nuvem. Esse tipo de perda seria dolorosa, já que não há dinheiro capaz de comprar registros de memórias queridas.

Outra foi ter um segundo chip/número de celular, devidamente cadastrado no Google e no Facebook, o que me ajudou a alterar a senha e entrar/sair das minhas contas sem depender do meu número principal. Comprei esse chip para testar celulares que usam o padrão micro SIM depois daquele fiasco com adaptadores do Lumia 920 (também levado no assalto, aliás). Se não o tivesse, ainda poderia reaver minhas contas, mas demoraria no mínimo um dia entre o bloqueio do SIM card e a compra de um novo na operadora.

Modo de agir

A gente sempre ouve recomendações de especialistas em segurança sobre o que fazer após sofrer um assalto. Na hora, porém, com a adrenalina correndo e a desorientação natural da situação, fica difícil pensar analiticamente. Apesar disso, acho que me saí bem.

A primeira coisa que fiz foi ligar para a polícia. Depois, fiz uma varredura mais detalhada do apartamento a fim de contabilizar as perdas. Quase que simultaneamente liguei o computador (meu desktop/media center ligado à TV) para abrir o Find My Phone do iPhone que fora levado e, enquanto ele tentava pegar o sinal do aparelho, entrei no Google, Twitter e Facebook para alterar as senhas e, onde possível, desativar o login dessas redes nos aparelhos roubados, além de ligar ao SAC da operadora para bloquear o SIM card.

O Find My Phone deu sinal por um breve período, mas depois disso sumiu. Ou o ladrão conseguiu desbloquear o celular (e não sei mesmo se isso já é possível; alguém?) ou desencanou e está mantendo ele desligado; mesmo caso do iPad 2. Também tentei o gerenciador de dispositivos do Android (um dos aparelhos levados roda Android, um Prime Plus da LG), mas como estava sem SIM card e, portanto, sem uma conexão ativa, não funcionou.

O notebook estava vinculado à minha Conta Microsoft, mas o disco não estava criptografado, ou seja, basta uma formatação para que ele se torne comercializável no mercado negro. O resto das coisas são facilmente “passáveis”: da câmera, uma NEX-5R da Sony, ao Kindle, um modelo tão velho que eu já cogitei doar, pois não sei quem quereria comprá-lo, com versões novas e baratas muito melhores à venda.

A nova rotina

Passado o susto e o desgosto com o cálculo do prejuízo, comecei a pensar na reposição. Antes de falar disso, farei um breve relato dessa semana de restrições que me foram impostas por um cretino sem empatia que ganha a vida roubando bens alheios.

Como disse ali em cima, meu desktop foi deixado, bem como a TV. A dupla, que antes só servia para o lazer, virou uma desengonçada estação de trabalho que quebra o galho na resolução de assuntos rápidos, como revisar um post já pronto ou responder alguns e-mails. Não dá para usá-lo por períodos prolongados: fico sentado numa cadeira, teclado e mouse apoiados no balcão da TV, olhos a meio metro desta. Ou seja, é bem desconfortável.

Tenho acesso ao desktop de alguém próximo (nos dois sentidos, familiar e geográfico) e é nele que tenho feito os trabalhos mais demorados, como escrever este texto.

Quanto ao celular, estou usando um Idol 3, cedido pela Alcatel Onetouch (para testes, antes do fatídico ocorrido), com aquele SIM card secundário comentado acima. Ainda tenho um Nexus 4 parado, que havia emprestado (e só por isso não foi levado também) e que deverei usar provisoriamente após devolver o Idol 3, enquanto não adquiro um novo.

Tenho usado bem mais o celular e, na necessidade, ele realmente mostra seu valor — quase tudo é possível de ser feito nele, ainda que à custa de um pouco de conforto ou facilidade. Incidentalmente me dei conta de que usava bastante o tablet, um gadget que julgava supérfluo. Leio bastante, tanto para fazer o Manual quanto para a universidade (livros, papers, artigos), e só na falta me dei conta do papel importante que ele tem no meu workflow. Verdade que o smartphone também supre parte dessa lacuna, mas há um abismo de tamanho de tela e conforto visual — mais precisamente, no caso do Idol 3 para o iPad 2, um abismo de cinco polegadas.

Da câmera ainda não precisei, mas é questão de tempo. Kindle passo bem sem. Sobrou um fone de ouvido e um carregador USB, o do velho Kindle, que não sei por que não foi levado. Curioso, já que tem um cabo longo e é ótimo. Por que o ladrão levou o controle remoto da TV e um boneco do Android são outras incógnitas. Talvez para me irritar, porque, se foi isso, ele conseguiu — é bem chato alternar entre o Chromecast (ficou, também) e o computador mexendo diretamente na TV ou ter que me levantar só para aumentar o volume.

Na minha escala de prioridades, preciso, antes de qualquer outra coisa, de um notebook. Depois, um celular. Daqui em diante são coisas menos urgentes, mas que gostaria de repor algum dia: câmera e tablet. São bens materiais e, por isso, possíveis.

Nesses anos, usando equipamentos do tipo, já me peguei pensando no que aconteceria caso perdesse tudo, e lá no fundo (bem no fundo) fico contente em constatar que o melhor cenário daquelas viagens hipotéticas se concretizou: a perda foi apenas dos aparelhos, sem consequências que vão além disso. Meus (poucos) arquivos sensíveis, como o diário, estavam protegidos com criptografia pesada, e a maioria dos demais, replicados na nuvem em serviços como Dropbox e OneDrive.

Insegurança

O ladrão provavelmente estudou meu prédio, os moradores; sabia das rotinas, onde, quando e como atacar. Não era um maluco que estava passando e resolveu agir, era um profissional. Um ladrão profissional, se você considerar a subtração de bens alheios como algo que se encaixe no conceito de “profissão”. Aqui, porém, uso o adjetivo no sentido de que deve ser alguém que vive disso e se aplica ao aperfeiçoamento do seu (distorcido) ofício. Eu não sei como alguém que ganha a vida desse jeito consegue dormir tranquilo à noite. Mas essa não deve ser uma preocupação dele.

Eu quero, óbvio, que o ladrão seja capturado e julgado, e meus bens, devolvidos. É o que considero justiça — nada de dar uma surra ou de matar o sujeito, como alguns sugeriram, talvez pelo calor do momento ou por estarem expostos a casos do tipo há mais tempo. Talvez o ladrão seja alguém incorrigível, mas… paciência. O problema é que o estrago que ele causou transcende a mim e ao que me foi tomado.

O outro grande problema, talvez maior que meu prejuízo financeiro e dificuldades decorrentes do assalto, são os efeitos no coletivo. O povo do prédio está apreensivo e a sensação de insegurança do bairro, que vem sofrendo com assaltos e ataques noturnos, ainda maior. É algo que afeta a qualidade de vida. Quando precisamos ponderar se vale a pena sair à noite para comer um lanche na rua de cima, a situação já é caótica. E é especialmente decepcionante que ela se revele num bairro tão legal, cheio de universitários, um comércio local vibrante e no entorno de uma das maiores universidades do país, dentro de uma cidade que, apesar de tudo, é reconhecidamente boa de se viver.

Eu pensei algumas vezes na validade disso tudo, de por que esquentar a cabeça comprando coisas novas, boas para mim, sendo que corro o risco de perdê-las amanhã; se não valia a pena virar um ermitão e consumir o básico para sobreviver. Ainda não sei se vale e, por ora, coloquei essas reflexões no modo automático (ou em stand by).

Também bateu um desânimo com o que faço e sempre fiz, com o Manual, com escrever sobre assuntos que, embora eu julgue importantes, dividem e disputam espaço com questões primárias de humanidade que, a despeito de toda a nossa evolução, ainda são problemáticas. Coisas do tipo “não roube o amiguinho”.

É um contraste muito forte o que há entre esse tipo de atitude boçal, primitiva, com coisas tão modernas quanto as realidades e relacionamentos virtuais, ou os computadores miniaturizados que carregamos no bolso. Como falar disso enquanto muita gente não consegue sair de casa sem medo de ser roubado no caminho ou voltar e se deparar com sua casa arrombada e seus bens, levados?1

Agradecimentos

Muita gente mandou vibrações positivas e mensagens de apoio. Obrigado! Um agradecimento especial à família e amigos, que deram uma força extra no momento mais crítico; aos assinantes do Manual, que confiam nesse trabalho e me ajudam a dar prosseguimento a ele; e àqueles que, mesmo sem eu pedir, se dispuseram a doar alguns reais para me ajudar na reposição dos equipamentos levados: Amaranto Barros, Anna Raquel Serra, Caio Alexandre, David Matheus, Emerson Alecrim, Felipe Cepriano, Flávio Tomazio, Gustavo Hennig, Norbert Waage Jr., Paulo Higa, Pedro Burgos, Rodrigo Santiago, Alvaro Santos e os demais que preferiram não ser citados. Valeu!

Revisão por Guilherme Teixeira.
Foto do topo: *sax/Flickr.

  1. Não é uma pergunta retórica.

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76 comentários sobre “A vida pós-assalto”

  1. Pena de morte seria a salvação para o Brasil,se injeção letal fosse aplicada em cada bandido que realiza-se crime ,não haveria superlotação carceraria, economizariamos milhões,a população teria uma renda e vida bem melhor,a segurança seria mtoooo melhor ,além da natureza e animais agradecerem

  2. Não sei por que ainda insistem em roubar Iphones e afins, que eu saiba ainda não há maneira de ativa-los novamente, virando um peso de papel, o que será que é feito com todo esse “Lixo”?

  3. Fiquei com uma dúvida… li que você mantém seu diário offline, mas caso estivesse no seu notebook ou HD externo, o ladrão também levou, correto? Creio que conseguiu recuperar através de alguma backup na nuvem…

    Outra coisa: uns tempos atrás vi que o Truecrypt aparentemente foi “abandonado”… ainda continua usando ou mudou de ferramenta?

  4. Cara, sei como é isso. Estou morando no sul a pouco mais de 1 ano e pela primeira vez fui assaltado (mesmo após morar 23 anos no RJ e trabalhar em provedores em favelas), por um marginal com uma faca… levou o meu adorado lg l5… celular simples, mas me atendia… Fiquei mais de 1 mês sem conseguir andar a pé pelas ruas da cidade a noite. Gastei horrores em taxi para ir e voltar da casa de minha (na época) noiva (hoje esposa). Passado o trauma, em fevereiro fui a SP fazer um curso no NIC.BR/Registro.br e voltando de um barzinho com o meu chefe, fomos assaltados por 3 meliantes a mão armada. Do meu chefe levaram o moto G de primeira geração, meus foram a mochila com pendrive, notebook (lenovo i3 c/ 4gb ram e a 1 semana com ssd de 240gb), lumia 530, carteira com cnh, documentos, cartões… a sensação de impunidade foi gritante, a polícia não deu a mínima, fizeram o B.O após eu mofar por 5 HORAS na delegacia (saí de lá quase 4 da manhã), para que eu pudesse pegar o vôo de volta pra minha cidade dali alguns dias (sem documento). Pensei em comprar um notebook qualquer, pois afinal as chances de ser assaltado são grandes… mas te digo, não vale apena. Invista em segurança e tenha um equipamento mais barato para uso na rua. Exemplo, um notebook bom para trabalho e um básico para uso na rua, caso necessário. Durante meses usei um netbook atom na mochila para uso esporádico e tenho um outro note i3, 8gb, ssd, etc… para estudos em casa (trabalho em provedores de internet a radio, então simulo ambientes de testes), diversão (netflix) e afins. Procure sobre as fechaduras da MultLock (as mesmas que fazem trancas para carros) e veja se vale apena. Te garanto, vagabundo não abre mais a tua porta. Boa sorte.

  5. Entraram na casa do meu vizinho duas vezes e fizeram a limpa, depois no do outro vizinho (parente do primeiro) e fizeram o mesmo (sim, esse ano)… fico só imaginando qual casa da rua vai ser a próxima. O bairro era tranquilo e seguro…. Mas fico pensando também que esse ladrão conhece os horários da família e talvez a própria família do cara…

  6. ! VISH fi, não contos nos dedos a quantidade de vezes que fui assaltado, desde a juventude, meio que você sabe até se “portar educadamente nesta situação”, mas como conselho? na hora de repor o que foi levado opte por bons produtos, mas que não necessariamente custe um rim, a dor é bem maior. No mais cara, tu vai ficar dias questionando onde foi o seu erro, vai colocar grade interna na porta ( uma travessa de madeira é tão segura quando, desde que seu suporte seja fixado em concreto) vai mudar seus horários, vai temer andar na rua, depois acaba ficando apenas cauteloso. É phoda, mas passa, no meu caso um bela fobia de aglomeração de pessoas desconhecidas ou rua sem movimento, tratando..

  7. ! VISH fi, não contos nos dedos a quantidade de vezes que fui assaltado, desde a juventude, meio que você sabe até se “portar educadamente nesta situação”, mas como conselho? na hora de repor o que foi levado opte por bons produtos, mas que não necessariamente custe um rim, a dor é bem maior. No mais cara, tu vai ficar dias questionando onde foi o seu erro, vai colocar grade interna na porta ( uma travessa de madeira é tão segura quando, desde que seu suporte seja fixado em concreto) vai mudar seus horários, vai temer andar na rua, depois acaba ficando apenas cauteloso. É phoda, mas passa, no meu caso um bela fobia de aglomeração de pessoas desconhecidas ou rua sem movimento, tratando..

  8. Não tenha dó de ladrão, prisão apenas não adianta mais … mas não prolongarei o assunto.

    Primeira coisa, já que mencionou sobre a fechadura, é por grade na frente e cadeado de chave tetra. Apenas porta não adianta.

    Ajuda, embora apenas a grade na frente não seja 100%, visto que em Holy Ghost (terrinha esquecida pelo desgoverno), teve ladrão apelidado de homem aranha não foi a toa, o infeliz entrava em apartamentos pela janela. Só foi pego por que acordou alguém no último apartamento que entrou e na fuga se feriu embora ainda tenha conseguido pular muro e correr, um pena não ter morrido.

  9. um CONTROLE REMOTO cara..
    ainda não dá pra entender a lógica!!

    meus pesames, novamente, Ghedin!

    1. Como o Ghedin mesmo disse, deve ter sido para irritar, porque o controle remoto é de uma comodidade tão grande que não me vejo sem.

  10. É um momento complicado de fato, felizmente só fui assaltado uma vez, por um tempo fiquei com aquele ódio mortal e, o pior, que é esse medo de passar por isso novamente e perder as coisas. Hoje já nem lembro mais e, apesar de ter perdido tudo, nem lembro que era…acho que como você mesmo pontuou, é bom dar um tempo antes de qualquer opinião e/ou mudança, afinal a razão passa longe desses momentos.

    Se formos pensar, praticamente qualquer atividade profissional olhada em perspectiva é fútil ao olhar para os grandes problemas. O fato de todos participarmos de uma espécie de loucura coletiva quando se fala em vida profissional não torna as coisas menos ruins, apenas perceba que o “podia ser pior” nesse caso representa, sei lá, mais que 90% dos outros trabalhos.

    Não quero te prender na mediocridade, dentro de sua área de atuação você já procurou algo maior inclusive, apenas pontuando que talvez escrever sobre tecnologia em seu próprio blog e dar certo é o sonho dessa geração…vindo de uma sociedade que acha bonito sacrificar um monte de coisa para trabalhar em um banco bilionário que faz o que exatamente? Aliás quão mais insano te parece a cultura do unbox e coberturas massivas do evento da Apple que você tentou fugir…

  11. Enquanto não tivermos segurança, não progrediremos no processo civilizatório.
    O delito tem de ser efetivamente combatido ou seremos eternos reféns do crime.
    Mas, Ghedin, se até nas guerras falamos de flores, por que você não pode continuar seu bom trabalho?

    1. Bateu um desgosto na hora, talvez o assalto tenha sido um ingrediente ou estopim, mas… sei lá. É uma crise antiga, a de achar que eu poderia estar fazendo algo mais útil, num sentido pragmático mesmo. Enfim, não é o espaço pra discutir isso.

      1. Ghedin, o pessoal já falou sobre segurança, mas vou dar algumas dicas também. O que podemos fazer é dificultar ao máximo o trabalho deles, porque impedir totalmente beira o impossível.
        Você pode colocar sensores de portas e janelas (hoje são instalados sem fio), sensores de movimento e aí duas opções: ou paga a empresa para monitorar ou coloca uma discadora que, ao disparar o alarme, vai usar sua linha fixa para te ligar (há modelos que usam um chip de celular e também ligam).

        Boa sorte.

      2. Ghedin, se vc subtamente fechasse o barraco, do dia pra noite, e se tornasse, sei lá, monge tibetano, teria sido um baita privilégio ter acompanhando o seu trabalho e esforço permanente pra nos aproximar do seu entendimento das coisas (pra mim, muitas delas, desconhecidas). Frequento umas aulas de pós, as discussões são muito fodas, mas acho q falta ali, na academia de um modo geral, esse lance mais pragmático tb… O q vc faz não me parece inútil, sério, pq mobiliza as ações individuais das pessoas q o leem de um jeito ou de outro, não? E mesmo q se estivesse concentrado 100% em algo q vc considere útil, salvar vidas, por exemplo, é bem provável q ainda assim o esforço fosse insuficiente, já q não se pode salvar a todos… A sua contribuição agora é útil, mas se ela mudar de formato amanhã – para um com o qual não tenha acesso mais – continuará sendo útil, com certeza. É claro q alguns meio q podem criar uma ‘dependência’ dessa sua visão de mundo, mas isso tb não deve cerceá-lo a mudar :)

      3. Ghedin, se vc subtamente fechasse o barraco, do dia pra noite, e se tornasse, sei lá, monge tibetano, teria sido um baita privilégio ter acompanhando o seu trabalho e esforço permanente pra nos aproximar do seu entendimento das coisas (pra mim, muitas delas, desconhecidas). Frequento umas aulas de pós, as discussões são muito fodas, mas acho q falta ali, na academia de um modo geral, esse lance mais pragmático tb… O q vc faz não me parece inútil, sério, pq mobiliza as ações individuais das pessoas q o leem de um jeito ou de outro, não? E mesmo q se estivesse concentrado 100% em algo q vc considere útil, salvar vidas, por exemplo, é bem provável q ainda assim o esforço fosse insuficiente, já q não se pode salvar a todos… A sua contribuição agora é útil, mas se ela mudar de formato amanhã – para um com o qual não tenha acesso mais – continuará sendo útil, com certeza. É claro q alguns meio q podem criar uma ‘dependência’ dessa sua visão de mundo, mas isso tb não deve cerceá-lo a mudar :)

  12. Olha Ghedin, a poucos meses eu fui assaltado dentro de um ônibus em Belo Horizonte, voltando de casa, perdi meu ( Macbook / Iphone e meu Kindle), eu demorei cerca de 4 anos para ter isto, a minha sorte e ter feito seguro de tudo, menos o Kindle. Recebi a poucos dias o valor do Iphone e do Mac, e consegui comprar novos. O pior e a sensação de fraqueza, de não conseguir fazer nada. A cada minuto que eu me dedico e para conseguir sair fora dessa tamanha insegurança que e o Brasil.

    Força, e nunca desista daquilo que te da prazer, continue com o Manual.

    1. passei pelo mesmo problema, na mesma cidade!
      a “sorte” é que só me levaram um telefone.. a sensação de fraqueza q vc fala é realmente a parte mais brochante da história.. ainda me resta uma raiva tão grande daquele muleque que me assaltou! CARAMBA!!!

  13. É realmente foda o cara trabalhar tanto para adquirir as coisas e perdê-las em questão de minutos. Também não entendo como conseguem dormir a noite…
    Tu te questionou se vale a pena adquirir coisas pra ter “uma vida boa”, com o risco de ser roubado. Acho isso o fim do poço… Digo, não o teu questionamento, mas o fato de que chegamos a esse ponto. É realmente complicado.

    Aproveitando, pretende seguir a dica do pessoal e fazer uma “vaquinha”? Acho muito válido a ideia. Mesmo já tendo o sistema de assinaturas, ele não prevê (até onde imagino) esse tipo de investimento que será necessário.

    1. Então, não quis fazer da vaquinha um EVENTO, porque embora o prejuízo tenha sido grande, não é tão grande assim e conseguirei comprar aquelas coisas mínimas para continuar com o Manual.

      Masss, claro, estou aceitando doações. Vários leitores e amigos já mandaram uns reais via PayPal. A você e demais interessados que quiserem dar uma força financeira, é só clicar aqui: http://j.mp/ajudaghedin

    2. Então, não quis fazer da vaquinha um EVENTO, porque embora o prejuízo tenha sido grande, não é tão grande assim e conseguirei comprar aquelas coisas mínimas para continuar com o Manual.

      Masss, claro, estou aceitando doações. Vários leitores e amigos já mandaram uns reais via PayPal. A você e demais interessados que quiserem dar uma força financeira, é só clicar aqui: http://j.mp/ajudaghedin

    1. nem fala. levei um cagaço hoje. ontem de meio dia deixei o Uno da empresa no estacionamento do mercado aqui perto por que ia sair logo de tarde. vem o meu chefe e pede pra fazer outra coisa e me esqueço do carro lá.
      hoje de tarde fui busca-lo na garagem onde guardamos e nao estava lá. depois juntar meus 2 neurônios eu lembro que ficou no mercado. na rua. exposto. itacto! voce acredita?! tava de bandeja para assaltarem e nao houve nada!

  14. Há alguns anos, quando me mudei da casa dos meus pais (pro quarteirão de cima), não levei tudo o que tinha. Demorei uma semana até terminar, deixando minha coleçãozinha de vinis (uns 600) por último.
    No dia que fui buscá-los, meus pais não ficaram em casa à tarde. Quando não os vejo lá, deu vontade de matar o primeiro imbecil que visse na rua, pra transferir a culpa pra alguém. Algo que colecionei dos 10 aos 28 compulsivamente se fora como um tsunami, algo que simplesmente não tinha preço pra mim.
    Tive até instrumentos, aparelhagem de som, relógio roubados, mas isso foi como a perda não só das fotos que por sorte ficaram em seu HD, mas de todos que estavam nelas.

  15. O pior é que a única alternativa é seguir em frente. Fui assaltado ano passado, prestei queixa a polícia, indiquei o local do ocorrido e a polícia não fez absolutamente nada. Duas semanas depois, no mesmo local o assaltante esfaqueou um senhor e só assim foi preso. As leis brasileiras favorecem e ajudam os bandidos. O horizonte indica que nada mudará.

    Também tenho um tablet e hoje vejo como um dispositivo muito importante. É prático, leve, ótimo para ler notícias e definitivamente facilitou bastante a minha vida.

    Boa sorte Ghedin.

  16. O crime de roubo e furto existe por um problema no capitalismo, por assim dizer: a questão de valor por disponibilidade. Quanto mais raro, mais caro. Ou quanto mais caro, mais desejado. Ou também a questão de ser o jeito mais rápido de ter um lucro alto (no caso de dinheiro ou bens de grande valor).

    De um lado, existem ladrões “profissionais” pois infelizmente existe também um mercado que ele atende, geralmente pessoas que compram bens roubados por preços mais baixos. Bem mais baixos, diga-se de passagem.

    Do outro lado, estas pessoas que compram são de diversos tipos, muitas vezes hipócritas. Muitas vezes até os próprios policiais ou pessoas em uma loja da região fazem este tipo de atitude.

    Eu ia muito em “feira de rolo”, que são lugares onde as pessoas compram, trocam e vendem coisas. No caso do termo “feira do rolo”, geralmente, usando de esteriótipo, é aqueles caras que lembram mendigos, com objetos na mão, no chão ou em um tabladinho, que vão negociando seus objetos até chegar em acordo. Geralmente quando vou em um lugar assim, presto atenção na pessoa e no produto, pois dá para notar quando a pessoa vende algo roubado. Geralmente é o cara que desconfia sempre de quem compra ou pergunta demais.

    Roubo tem de diversos níveis, desde roubar pessoas comuns (como nós) até empresas (como os casos do ano passado de roubos de cargas da Samsung por exemplo, em Campinas).

    O ponto é “como coibir isso?”

    Geralmente desde o inicio deste tipo de abuso, se usa uma violência para esta função. Desde guardas armados e atentos, até policiais hoje treinados para investigar de tudo um pouco.

    Parte do problema da existência de roubos é também parte do problema do capitalismo – o poder de compra. Sim, existem pessoas ricas que roubam / furtam ou adquirem produtos ilícitos. Mas isso atende também pessoas pobres ou quem não querem gastar dinheiro em um equipamento por achar muito caro.

    Nisso se cerca casas, coloca-se trancas e travas, câmeras de segurança e tudo mais…

    E de alguma forma, mesmo com isso tudo, há pessoas que abusam e roubam / furtam.

    As vezes me pergunto se a violência seria o jeito mais fácil de resolver tudo isso…

          1. Desejar é MUITO diferente de roubar.

            Por isso, em uma sociedade capitalista ocorreria justamente o contrário.

            O Brasil há décadas vive sobre um regime extremamente intervencionista, com pouquíssimo espaço para a iniciativa privada crescer e um Estado abarrotado.

          2. Não sei se é impressão minha ou está com poucas palavras até demais hoje…

            Claro que desejar é diferente de roubar. O ponto aqui é que quando uma pessoa não é bem educada, ou está dentro das regras. Ela vai roubar pois é o caminho mais fácil para obter aquilo. Podemos dizer que é fácil ter aquilo que almeja: basta pega-lo para ti e ignorar o resto.

            Se não existisse o conceito de riqueza (base do capital), de ter que acumular algo para poder ser alguém superior, será que estaríamos bem? Será que teríamos tudo isso que tem hoje?

            Quanto a intervenção, isso também é parte do problema. Se intervém muito pois pessoas que se somam ao governo fazem de tudo para travar o crescimento alheio e crescerem além que os outros. Vide Lava-Jato, “máfia dos trens”, etc…

            Eu não tou falando aqui que “dinheiro é mal”, mas como se vê o dinheiro hoje, o viés que é colocado de dinheiro e objetos de valor é que temos muitas vezes uma distorção.

            “Trabalhe e conquiste algo. Acumule hoje para não faltar amanhã”.Princípio válido, mas não é mais fácil acumular rapidamente um grande número de coisas e ir consumindo aos poucos?

            Nos Estados Unidos, a propósito, crimes também são cometidos até com uma regulariedade, e só são punidos pois há um conceito de regulação por violência bem mais aceita lá do que aqui, mas aos poucos sendo quebrado tal conceito com situações como as brigas de policiais contra negros devido a morte de um negro.

            Um vídeo legal que peguei aqui: http://www.papodehomem.com.br/quando-uma-flor-e-a-causa-da-guerra

            https://vimeo.com/39056719

          3. Sim sim… o problema não está no dinheiro, o problema não está em ter dinheiro, o problema está nessa visão que as pessoas tem do dinheiro. Concordo com você…
            Só discordo de um pequeno detalhe, não acredito que hoje em dia alguém subtrai algo de alguém com o objetivo de ter aquilo também, só porque deseja, já acho que os motivos são outros, ninguém fica com um celular roubado, um carro roubado, um controle remoto roubado, roubam justamente pra vender mais barato, pois tem gente que compra (e assim o ladrão comprar o iPhone dele honestamente, na loja)…. opa, acho que dei voltas e caí no mesmo lugar, o cara rouba algo pra vender e comprar um novo? Bom, não da pra esperar lógica de alguém que se arrisca a ser pego pela polícia e perder o que roubou… cara, a cabeça do ser humano é complexa… da mesma forma que um pode fazer pra conseguir dinheiro o outro pode fazer por pura adrenalina.

            O negócio é mais complexo que crucificar o capitalismo (não estou dizendo que fez isso, li seus comentário e vi que não, só quero ilustrar). Essa visão de que quem tem mais é melhor e mais feliz é que precisa mudar, agora descobrir a solução é que é o problema.. educação, ética e princípio, talvez?
            O que quero dizer é que a culpa não é só do capitalismo ou só do socialismo (que todo mundo teima em colocar nas discussões), e possível viver honestamente com ele … o problema é o ser humano mesmo que não sabe respeitar o coleguinha.

          4. Voltamos aos meus comentários:

            O ponto aqui é que quando uma pessoa não é bem educada, ou está dentro das regras. Ela vai roubar pois é o caminho mais fácil para obter aquilo. Podemos dizer que é fácil ter aquilo que almeja: basta pega-lo para ti e ignorar o resto.

            Esqueci de um detalhe – quando rouba/furta, ele realimenta o mercado com um produto abaixo do valor oferecido, porque há uma procura, e as pessoas neste caso não ligam para a ética, só querem ter aquilo. Considere isso como continuação do parágrafo destacado.

            Quando o ser humano não respeita o coleguinha, ou é porque ele quer ganhar em cima dos outros ou os outros querem ganhar em cima dele. Criminosos (ladrões) entram nesta área pois ele se estigmatiza nisso muitas vezes (há exceções… mas infelizmente é exceção, não regra…).

            Só que quando o “coleguinha” bota um preço de um produto acima do considerado “ideal” (se bem que isso é subjetivo as vezes, mensurável em outras), ele não deixa de ser também alguém que se aproveita do alheio tanto quanto o ladrão.

            Quantos não “caíram na real” quando pagaram longas prestações por uma câmera anunciada na TV que tem qualidade pior que muita por aí, e preço de máquina “profissional”?

            Quanto os impostos interferem no preço e quanto realmente o produto vale?

            É possível ter aquele produto mais barato para atender um grande número de pessoas?

            Quanto vale o trabalho de cada um? Quanto vale uma vida? Ou o ideal é que nem a China – meta as caras e trabalhe que nem louco até “morrer”?

            Esse é um ponto que acaba naquela conversa do “capitalismo é mal”. Quando se mensura todos os valores e se vende por um preço X, enquanto outro consegue vender por um preço Y… e um terceiro vende um usado por um preço ZZ,ZZ (bem mais baixo). O que seria ético aqui?

            Se alguém rouba (ou compra roubado), desejo há. Não tem essa de “não tem desejo”, talvez no máximo necessidade. Mas acho que quem compra roubado por necessidade, vai preferir (por orgulho) juntar e comprar um mais caro, mas com garantia e tudo.

          5. Por isso que comento e tento simplificar. :) Ou pelo menos dissecar. O Loius falando toda hora “não é isso… não é isso” sem uma resposta melhor, me deu agonia.

            Eu tenho consciência que posso estar falando bobagens e entender tudo errado. Se alguém me provar de forma simples e respeitosa que estou errado, aceito de bom grado. ;)

          6. Desde quando um estado intervencionista não pode ser TAMBÉM capitalista? Capitalismo não presume que só exista a iniciativa privada. Ou melhor, funciona assim do mesmo jeito que o socialismo funciona. Não funciona.

        1. Só que em sistemas sociais onde há uma busca pelo equilíbrio social e emocional, é mais difícil ter criminosos, pois eles já estariam satisfeitos.

          Quando um sistema social soma-se ao financeiro de forma a incentivar disputas, o resultado é formas de driblar as regras e ser sempre o primeiro, o melhor, àquele na situação mais confortável possível.

      1. Mas, basicamente, é a desigualdade criada pelo capitalismo (ela é o cerne do capitalismo) que gera boa parte da violência social que temos hoje. Ou você acha que o fato de o Brasil ser extremamente desigual e extremamente violento não tem correlação nenhuma?

        Lógico que enxergar culpa apenas no capitalismo não é totalmente certo [é bem provável que a sociedade humana sempre conviva com a violência, de diversos tipos].

        1. Não é a desigualdade gerada pelo capitalismo que causa isso. Até por que o Brasil está muito longe de ser um país capitalista. Por sinal, se o nosso país fosse de fato capitalista a situação provavelmente não estaria tão absurda como está.

          1. O grande problema é esse.
            Nunca é capitalismo.

            Se cria um mundo perfeito onde qualquer perturbação não se configura mais como determinado sistema político. Acho que o grande problema do capitalismo é que existem humanos, se fôssemos todos robôs ia funcionar que é uma maravilha.

            Isso parece minhas aulas de Física no ensino médio: “considere uma vaca esférica não-condutora no vácuo” …

            Mas, resumindo, sim, o Brasil é capitalista. Social-democrata capitalista. Pode-se argumentar o grau de liberdade do país, o papel do estado etc, mas o Brasil é capitalista, bem capitalista (oligárquico).

          2. SInto que você tem aquela visão de “liberal pleno” – Governo mínimo, economia baseada no que os outros fazem e gerenciam, sem dedo de governo ou órgão regulador.

            Não estamos falando bem disto (se bem que isso também gera divisões, pois quando algo é liberal, de alguma forma também vai existir excessos – ganha mais quem conseguir “sucesso”). Mas sim que se você bota uma situação de competição, falando “vive bem quem trabalha, quem acumula mais”, vai ser sempre aquela coisa de um ganhar em cima do outro – você ser o dono de uma empresa e ganhar os lucros de um grande trabalho milionário, porém pagar os funcionários um salário pifio, que vai aumentando conforme a hora trabalhada ou mais questões conquistadas.

            Para muitos, as pessoas vão questionar este tipo de trabalho e vão procurar outras formas de fazer as coisas. Seja burlando o sistema inteiro, criando outro (ou seja, não se basear naquele exemplo que não quer seguir). Seja saindo do padrão do sistema colocado, tentando o caminho mais fácil (já que a vida de uma pessoa tem valor, melhor ameaçar e trocar uma vida por dinheiro do que usar a própria vida como escravo do alheio).

        2. Não é a desigualdade, é a pobreza. São coisas diferentes, confundidas erroneamente (e muitas vezes de propósito).

        3. Não é a desigualdade, é a pobreza. São coisas diferentes, confundidas erroneamente (e muitas vezes de propósito).

          1. É a desigualdade porque: as pessoas tem uma abismo sócio-econômico entre elas onde o mérito é o que menos conta. Você não é capaz de chegar a lugar algum porque existe uma barreira social que lhe impede. Poucas pessoas rompem essa barreira – e esses exemplos são alarmados na mídia sempre, servindo como exemplo conservador de que “basta vontade” – e isso gera um sentimento de revolta. Isso, aliado ao desejo criado pela necessidade do capitalismo de produzir e vender cria o desejo impossível de se saciar – você é valorado pelas suas posses dentro da nossa sociedade.

            Ou seja, temos o desejo criado pela necessidade artificial de possuir mais e melhores coisas aliado a impossibilidade quase crônica de se sair da pobreza. Se você tem o desejo de ter o que os outros (o que os outros mais abastados e com mais facilidades na vida, ou seja, os mais iguais socialmente) tem mas não tem possibilidade de conseguir por meios próprios (e não é educado minimamente) tem-se o cenário ideal para uma violência endêmica, caso que o Brasil enfrenta agora.

            Logicamente esse comentário não tem o rigor necessário para balizar da minha opinião, mas, em linhas gerais, o meu ponto de que é a desigualdade que gera a violência (ou a maior parte dela ao menos) está explicitado acima.

          2. É exatamente o contrário do que você disse,na seus mas pessoas romperam essa barreira.

            E a desigualdade não explica simplesmente essa questão.

          3. Apesar de não intencional, seu comentário reforçou o que eu disse: o problema não está na desigualdade, mas na pobreza, coisas que não são interdependentes. Os problemas que você apontou se originam na pobreza, não na desigualdade.
            Se você olhar a lista de países mais igualitários do mundo, notará diversos países extremamente pobres, como a Etiópia, o que mostra que a solução não é a igualdade, mas a possibilidade de geração de riqueza.
            O argumento que defende que o problema da sociedade está na desigualdade sempre confunde desigualdade com pobreza, como se fossem interdependentes.
            Quando você usa a expressão “os mais iguais socialmente” para referir-se aos mais ricos, está claramente confundindo os conceitos de igualdade e riqueza. Eles são mais iguais socialmente a quem? A seus pares ricos? Então os pobres também são iguais socialmente, aos seus pares pobres. Na Etiópia, são todos iguais socialmente.

          4. + dinheiro = + iguais (socialmente, economicamente, juridicamente).
            Era um comentário jocoso.

            Entendo o seu ponto, realmente, a capacidade de gerar riqueza é importante para um país ser mais igual (diminui a desigualdade) o que não ocorre no Brasil, por exemplo, onde existe uma elite oligárquica bem pequena, uma classe média pequena também que defende seus privilégios atrás de bandeiras caóticas como meritocracia e uma classe pobre gigantesca que não consegue sair da pobreza – salvo raras exceções.

            Entendo quando você diz que o problema é a pobreza e não a desigualdade, e realmente, depois do exposto concordo. Mas a desigualdade é usualmente pensada – como eu pensei – como a que ocorre no Brasil, com uma classe muito rica com muito acesso a oportunidades que oprime uma classe muito pobre sem nenhuma acesso – ou com parco acesso – a oportunidades (e vai se manter assim porque é interessante para essa população que se tenha um setor da população bem pobre e cobrando pouco pela mão-de-obra).

            Porém, o argumento inicial defende que o problema está na desigualdade – mas não só nela – que gera a violência pela incapacidade de gerar riqueza – alguém sair da pobreza por meio legais é muito complicado – em um país onde muitos tem muito pouco e poucos tem muito. A classe média deveria estar unida a classe pobre para diminuir essa incapacidade de acesso a riqueza, mas ocorre o oposto (e daí entraremos no viés sociológico da classe média brasileira, o que dá muito pano pra manga).

            Mas, resumindo o meu comentário: a desigualdade aliada a pobreza e a incapacidade de gerar riqueza (sair da pobreza) gera a violência. Isso é inerente ao capitalismo – precisa existir uma classe pobre com mão-de-obra barata para manter os meios de produção baratos).

  17. Como já disse por e-mail… que o sujeito seja pego e que introduzam um abacaxi de lado no orifício retro-furicular dele, repetidas vezes em média rotação e alta velocidade.

  18. Como falar disso enquanto muita gente não consegue sair de casa sem medo de ser roubado no caminho ou voltar e se deparar com sua casa arrombada e seus bens, levados?

    Creio que uma coisa nao tem relacao com a outra. Nao acredito que o fato de existir um problema socialmente mais grave nos impeça de entrar dentro de temas “frugais”. Mas esse é um ponto que me peguei pensando esses dias. Aqui, no Brasil, não temos cultura alguma de doacao (seja monetária, para instituicoes de ensino, seja de tempo e expertise, em atividades voluntárias/pro bono).

    Será que nao teriamos um impacto maior na sociedade se, durante um turno por semana, ou um turno a cada 15 dias (ou “insira o prazo temporal aqui”) nao doássemos nosso tempo em atividades lúdicas e que efetivamente se traduziriam em “educacao” aos menos favorecidos? Criar um projeto junto a algum bairro menos favorecido vizinho ao nosso? Ensinar nocoes de administracao financeira, civilidade, temas sobre o nosso país, educacao física, culinária, enfim, qualquer coisa que poderia agregar de forma verdadeira à vida de crianças (ou adultos que queiram aprender, mas estao em situacao vulnerável)?

    Penso que essa acao proativa, por si só, se replicada, teria maior efeito na sociedade como um todo do que qualquer tentativa do governo de interferir. Sim, podemos sentir medo de nos tornarmos alvos caso façamos isso, mas será que os benefícios a médio e longo prazo nao sao muito maiores do que os supostos riscos a curto prazo?

    1. Podemos dizer que em partes há no Brasil uma cultura de doação (patrimonial), mas é mais quando ou próximos precisam de ajuda, ou quando há uma situação de comoção nacional. Mas de fato, doações muitas vezes vão para instituições que revendem os objetos doados. Alguns deles vendem em valor de mercado, outros bem mais barato.

      Quanto a outros projetos, concordo.

  19. “Como falar disso enquanto muita gente não consegue sair de casa sem medo
    de ser roubado no caminho ou voltar e se deparar com sua casa arrombada
    e seus bens, levados?” – Esse pensamento circula minha cabeça todo dia. Participo de um podcast e posso dizer que sou uma pessoa politicamente ativa. Eu observo e analiso os fatos e é muito difícil pensar o quanto de tempo me dedico pra fazer a compra de um smartphone enquanto milhões de pessoas passam fome por aí.

    Acho que não devemos abdicar de nada, mas deixar de lado esse lado é totalmente fora de cogitação. Temos que discutir, apresentar ideias e tentar mudar o mundo sim. Por isso eu tento expor minhas ideias sempre que dá, mesmo que seja algo simples como uma reunião de condomínio ou uma discussão de twitter. Sempre vale a pena, de alguma forma ajudamos os outros a pensar diferente e vice versa. Talvez você deva investir de alguma forma nisso, ação comunitária, algo do tipo. A sensação é incrível, sério.

    Quanto a todo o resto do assalto, como falei no grupo, espero que resolva rapidamente os problemas e consiga voltar o quanto antes! E que continue o ótimo trabalho do Manual ;)

    Abraços!

  20. Pelo que eu sei, o controle remoto é algo relativamente fácil de ser passado adiante – ainda que absurdamente barata. Aqui em Porto Alegre o centro da cidade é cheio de barraquinhas com controles de vários modelos de TV. Pode ter sido essa a motivação do ladrão ao pegar o controle remoto da sua TV.

    Quanto ao assalto, nunca passei por isso (ainda que tenha morado/more em zonas de periferia/classe baixa) mas sei que nada que seja dito aqui ameniza o fato, mas, força aí (de qualquer modo).

  21. Força, Ghedin. Gosto pra caramba do teu blog (é provavelmente o único que eu abro todo santo dia) e fiquei sentido quando soube do roubo. Espero que consiga reaver suas coisas e, caso não, que consiga comprar novas sem muito esforço.

    Abraços!