Muito boa a “prestação de contas” do Signal, a primeira que a fundação sem fins lucrativos faz. O custo operacional em 2023, até agora (novembro), é de ~US$ 33 milhões, e estima-se que em 2025 será de US$ 50 milhões/ano. O que é pouquíssimo comparado a aplicativos similares, também gratuitos, que não têm nem de longe o mesmo cuidado com a privacidade do Signal. Via Signal (em inglês).
Fiz dois adendos às regras de convivência nos comentários do Manual. A primeira (#8), bem a tempo da Black Friday, proíbe a veiculação de links de afiliados/comissionados a fim de manter as nossas recomendações desinteressadas. A segunda (#9) é referente ao uso de inteligência artificial gerativa. Peço a todos para que leiam.
Dica: vasculhar e pegar livros emprestados de uma biblioteca satisfaz a parte da terapia de consumo do seu cérebro sem custar um centavo.
Não podemos para generalizar, mas é sempre bom escutar com um pé atrás as novidades e ferramentas que empresas como a Meta lançam para aplacar críticas. Embora existam algumas que, bem usadas, podem fazer a diferença na saúde mental de menores de idade, as revelações na Justiça dos EUA de que Mark Zuckerberg vetou alterações em produtos pensadas para esse fim colocam sob outra perspectiva (ou a mesma, dependendo de quem vê) as prioridades da empresa. Via CNN (em inglês).
Algumas coisas nunca mudam, vide a confusão com nomes na Microsoft. Nesta quarta (15), a empresa rebatizou o Bing Chat de Copilot e o Microsoft 365 Copilot de Copilot para Microsoft 365. (Sério.) O primeiro é para usuários domésticos; o segundo, para empresas.
Pelo que li, as mudanças têm duas motivações complementares:
- Unifica todos os serviços de IA gerativa da Microsoft sob o nome “Copilot” — já presente no GitHub e no Windows, por exemplo.
- Reposiciona essa oferta como concorrente direto do ChatGPT — tem até site agora.
O uso da marca Bing pareceu uma tentativa de alavancar o buscador com IA para fazer frente ao Google. Não deu muito certo.
O elefante na sala da nova estratégia é que a Microsoft se posiciona como rival da sua principal parceira e fornecedora de tecnologia, a OpenAI. Via The Verge (em inglês).
Google paga dezenas de bilhões a rivais para manter buscador como padrão
A linha de defesa do Google no processo que os EUA movem contra a empresa por monopólio do mercado de buscas, é que as pessoas usam o Google porque é o melhor buscador.
Nesta segunda (13), uma testemunha do Google deixou escapar que a empresa repassa à Apple 36% do que fatura com buscas no iPhone, iPad e Mac, em troca de ter seu buscador como padrão nesses dispositivos.
Segundo o relato da Bloomberg, o advogado do Google reagiu visivelmente à revelação do percentual, que deveria ser confidencial.
Em outro processo, este movido pela Epic Games, descobriu-se que o Google pagou à Samsung US$ 8 bilhões em quatro anos (desde 2020) para manter seu buscador, assistente de voz e loja de apps como padrões nos dispositivos Android da empresa sul-coreana.
Essas revelações colocam em xeque a principal linha de defesa do Google. Afinal, se o buscador é tão bom quanto a empresa diz, por que abrir mão de (literalmente) dezenas de bilhões de dólares para assegurá-lo como padrão em navegadores e dispositivos de terceiros?
Parece até… estratégia monopolista. Será?
Para colocar a situação em perspectiva: a Microsoft faturou ~US$ 11,6 bilhões com publicidade (a maior parte no Bing) no ano fiscal de 2022. Nem se a empresa oferecesse 100% da receita do Bing à Apple o acordo seria vantajoso à dona do iPhone, comparado ao que ela tem com o Google — que rende à Apple, segundo estimativas, US$ 18–20 bilhões por ano, ou 14–16% de seu lucro operacional anual.
A revelação também pega mal à Apple, que já faz algum tempo explora a privacidade como um diferencial dos seus produtos. Pode até ser, desde que isso não deixe uma grana alta na mesa. Via Bloomberg (em inglês).
Foliate 3.0

Quem lê livros digitais no Linux/Gnome tem no Foliate um excelente aplicativo para tal finalidade.
A nova versão (3.0), lançada no domingo (12), foi refeita do zero com base nas bibliotecas mais recentes do Gnome (GTK 4 e Adwaita) e um mecanismo próprio para exibir os livros.
Outra novidade legal, ainda que pouco aplicável no momento, é a compatibilidade com telas pequenas e sensíveis a toques.
O Foliate abre diversos formatos de arquivos (*.epub, *.mobi, *.pdf, *.cbz etc.), tem suporte a marcadores e anotações, diversas opções de tipografia e dicionário embutido. O código é aberto.
Foliate / Linux (Gnome) / Gratuito.
O Conselho Nacional de Justiça (CNJ) vai investigar um juiz que usou o ChatGPT para escrever uma sentença. A decisão se baseou em uma jurisprudência inventada (“alucinada”) do Superior Tribunal de Justiça (STJ). Via Conjur.
O WhatsApp ganhou um recurso de conversas por voz para grandes grupos (+33 pessoas), parecido com Slack, Discord e Telegram. A Meta, não é de hoje, está numa sequência forte de “inspiração” em aplicativos rivais para turbinar seu app. Imagino que o movimento seja bem-vindo por quem só usa o WhatsApp, mas me pergunto se ele atrai gente que prefere outras soluções. Via @whatsapp/Threads (em inglês).
A caixinha Bluetooth numa casca de noz e outros links legais
Este cara fez uma caixinha de som Bluetooth numa casca de noz.
A vida, mais uma vez, imita a arte: óculos polarizados bloqueiam anúncios de rua que usam telas viradas em 90º — exatamente como no ótimo Eles vivem, de John Carpenter.
Deezer
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A Deezer está de cara nova. A plataforma de streaming francesa ganhou um novo logo, repaginada nos aplicativos e até um slogan, “Viva a música”, que destaca o foco renovado em experiências.
Há uma nova fonte também, usada em títulos e outros elementos destacados na interface. O aplicativo traz novos ícones e um visual mais despojado — ou, segundo a empresa, “uma personalidade ousada, antenada e excêntrica”.
Por baixo dos panos, a Deezer continua fazendo o que sempre fez: oferecer milhões de músicas e de podcasts a ouvintes do mundo inteiro.
Deezer / Android, iOS / Freemium (gratuito com anúncios ou a partir de R$ 22,90/mês).
Um memorando vazado de Matt Mullenweg, CEO da Automattic, anunciando uma redução no escopo do Tumblr, foi confirmado pelo próprio.
Os 139 funcionários dedicados à plataforma serão remanejados para outros produtos da empresa em 2024, e o trabalho no Tumblr será mais de manutenção do básico, sem grandes planos de expansão, para que ele funcione de modo “suave e eficiente”.
Mullenweg comentou que, em quatro anos, ~200 pessoas se dedicaram integralmente ao Tumblr, e que os esforços na plataforma deram prejuízo de US$ 100 milhões.
É como diz o título do memorando: ou você vence, ou você aprende. Via @photomatt/Tumblr (em inglês).
Na terça (7), o site de conversas anônimas Omegle fechou as portas. No lugar das salas, o fundador Leif K-Brooks deixou uma longa mensagem lamentando o encerramento, que atribuiu a “ataques” contra serviços de comunicação.
A Wired descobriu que o fechamento se deve a um acordo firmado na Justiça entre o Omegle e uma vítima de abuso sexual perpetrado pela plataforma. (Eu nem sabia que o Omegle tinha virado uma espécie de Chat Roulette, com videochamadas entre anônimos.)
Essa parte ficou de fora da mensagem derradeira de K-Brooks. Talvez não fosse uma boa ideia colocar anônimos aleatórios em contato imediato e irrestrito, afinal. Via Wired (em inglês).
O efêmero como padrão no digital
Quem tinha mais de 30 anos em 2013 provavelmente nunca usou ou sequer entende o Snapchat.
Hoje, porém, todos sentimos a influência do aplicativo de mensagens efêmeras. Os stories, grande legado do Snapchat à humanidade, rejeitam uma máxima da internet comercial: a de que todos os dados devem ser guardados “ad aeternum”, para sempre.
O efêmero no digital é um conceito não intuitivo. Com os preços de armazenamento em queda e as promessas de novas tecnologias capazes de extrair insights de grandes volumes de dados — big data, machine learning, LLMs! —, dispensá-los se torna uma atitude quase subversiva.
ogpk (opengraph peek)

O protocolo Open Graph é quase onipresente na web: tags que são lidas por redes sociais, aplicativos de mensagens e outros, que se convertem em cartões mais bonitos que o link cru (subjetivo; eu prefiro links crus).
Existem diversas maneiras de verificar as tags OpenGraph. O aplicativo ogpk (de “opengraph peek”), criado por Alasdair Monk, é uma delas: com ele, é possível visualizar tais tags pelo terminal, incluindo a imagem (og:image).
A sintaxe é bem simples:
ogpk [link]
Caso queira exibir a imagem na saída, adicione o parâmetro --p, assim:
ogpk [link] --p
Também é possível criar um arquivo *.json com os resultados:
ogpk [link] --json
ogpk / Linux, macOS / Gratuito.