Em 2023, a Adobe tentou comprar o Canva por ~US$ 20 bilhões. Pressões regulatórias melaram o negócio. Nesta terça (26), o Canva anunciou a compra da Serif, empresa dona da suíte de aplicativos Affinity, uma das melhores alternativas aos aplicativos clássicos da… Adobe. O valor do negócio não foi divulgado, mas um executivo do Canva disse à Bloomberg que foi na casa de “várias centenas de milhões de libras” (a Serif é baseada na Inglaterra), em uma mistura de dinheiro e ações.

O mundo não dá voltas, o mundo capota.

Uma das perguntas imediatas é se o modelo de negócio dos apps Affinity, que é de compra única, mudará sob a direção do Canva, que trabalha com assinaturas. Segundo uma seção de perguntas e respostas no site da Affinity, “não há mudanças planejadas no momento”. As palavras-chaves são “no momento”. Via Canva e Bloomberg/Yahoo (ambos em inglês).

Mastoot, o app de Mastodon simples que eu sempre quis

Ícone do Mastoot: elefante branco, de perfil, contra fundo roxo.

Eu não quero muita coisa de um aplicativo do Mastodon: apenas que ele seja leve, estável, sem muita invencionice e agradável de usar.

Por algum motivo que não sei, até hoje não havia testado o Mastoot. (Suspeito que o confundia com o Mast, que achei horrível; o pessoal precisa pensar em uns nomes mais originais.)

Dia desses, de bobeira, baixei o Mastoot e gostei muito do que vi. Tanto que substituí o app oficial do Mastodon por ele.

O Mastoot, desenvolvido por Bei Li, é simples de tudo. Não tem recursos avançados nem é muito personalizável — dá para trocar o ícone e a cor de destaque e personalizar a ordem das ações ao deslizar o dedo lateralmente. E só.

Por outro lado, o app é uma delícia de usar por ter todas as características que citei ali em cima. Ah, e é gratuito.

Mastoot / iOS, iPadOS / Gratuito

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Leis de privacidade não são culpadas pelos popups de cookies que poluem sites

A Wired analisou os 10 mil sites mais populares e descobriu que muitos deles compartilham dados dos visitantes com +1 empresas.

Isso não é novidade para quem presta atenção naqueles alertas/popups de cookies. (Ou lê este Manual.) O que me chamou a atenção foi o motivo de agora sabermos o número de empresas com quem os sites compartilham dados. De lá:

Em novembro de 2023, a IAB Europe atualizou seu Framework de Transparência e Consentimento em resposta a decisões judiciais dizendo que não estava em conformidade com o GDPR [lei de proteção de dados pessoais] da Europa, para incluir a disposição de que as empresas devem divulgar com quantos parceiros estão compartilhando dados do usuário nas páginas iniciais de seus sites. Townsend Feehan, CEO da IAB Europe, diz que a atualização “inclui uma série de iterações significativas”, que fornecem às pessoas mais informações sobre quais dados podem ser compartilhados e incluem mudanças como disponibilizar uma opção de “rejeitar tudo” com destaque.

Os popups de cookies são odiados por todos, e muita gente culpa a União Europeia e o GDPR por essa praga na web.

O pulo do gato é que o GDPR só menciona a palavra “cookie” uma vez, e num contexto exemplificativo. Os popups de consentimento são uma gambiarra incômoda criada por uma indústria viciada em espionar leitores/usuários — tão viciada que não sabe trabalhar de outro jeito. Este texto (em inglês) explica o dilema. (Não sou especialista em direito europeu, logo não posso garantir a acurácia jurídica das informações.)

Sabe por que o Manual não mostra um popup pedindo consentimento para usar cookies? Porque não compartilho os dados (poucos, nenhum pessoal ou identificável) coletados quando você acessa este site. O problema não é o GDPR nem os cookies.

O Bloco de Notas deve ser um dos aplicativos mais usados no Windows e, ainda assim, carece de recursos básicos. Só agora o app está ganhando verificação ortográfica e corretor automático. (Um dia, talvez, alguém dentro da Microsoft resolva arrumar o “desfazer” horrível do Bloco de Notas.) Por enquanto, apenas nas versões de testes do Windows 11. Via Microsoft (em inglês).

Atualização (23/3, às 7h40): Aparentemente, o comportamento esquisito do “desfazer” no Bloco de Notas foi corrigido. Obrigado ao Rodrigo Teixeira Dias e Marcellus, que trouxeram a boa nova nos comentários.

E-mail em texto puro

Em meados dos anos 1990, uma guerra foi travada nas caixas de e-mail de quem já estava online. Foi nessa época que o e-mail em HTML chegou, criando discussões acaloradas em BBSs, listas de e-mail e canais de IRC.

É bem provável que a maioria — talvez, você — não saiba do que estou falando. Voltemos uma casa, para ficarmos todos na mesma página.

(mais…)

Interfaces para o coração partido

Em dezembro de 2022, a designer Marie Spreitzer terminou um relacionamento. Para lidar com seus sentimentos, fez este exercício com interfaces de aplicativos que ela usa no dia a dia.

Você verá diferentes explorações de como as interfaces para o coração partido poderiam parecer. Adicionando um toque de comentário social e muitos sentimentos, estou tentando representar meu mundo emocional neste momento.

EUA acusam Apple de monopolizar mercado de celulares

Estou lendo a acusação do Departamento de Justiça e 17 estados estadunidenses contra a Apple, por monopólio do mercado de celulares. (Íntegra aqui, *.pdf, em inglês.) Eles acusam a Apple de práticas anticompetitivas no mercado de celulares que levam ao aumento de preços e maior dificuldade aos consumidores para trocarem de aparelhos e ecossistema.

Numa primeira leitura incompleta (~2/3), sinto que a falta de foco nas acusações enfraquece o argumento contra a empresa. Há áreas em que ele é forte, como a restrição a partes do sistema (“tap to pay”, envio/recebimento de SMS), mas outras meio estranhas, como a dos “super apps” (uma panaceia no Ocidente, mas que só funciona na China — talvez pela sabotagem continuada da Apple a apps do tipo?) e superadas (restrição a apps que fazem streaming de jogos da nuvem, que caiu em fevereiro).

Um trecho saboroso é um em que os procuradores resgatam críticas de Steve Jobs feitas à Microsoft em 1998. O então CEO da Apple criticava o monopólio da rival e suas “táticas sujas” para atingir a Apple. A acusação também atribui ao processo antitruste contra a Microsoft a abertura aproveitada pela Apple para deslanchar o iPod e o iTunes às custas da compatibilidade com o Windows.

Gerenciador de arquivos é destaque do novo Gnome 46

Lançado nesta quarta (20), o Gnome 46 “Kathmandu”, nova versão do ambiente gráfico líder em sistemas Unix, veio cheio de refinamentos e algumas mudanças visuais.

O carro-chefe do Gnome 46 é o gerenciador de arquivos Arquivos (Nautilus, para os puristas). A busca foi separada entre global e na pasta em exibição, há um novo indicador de transferências de arquivos embutido na janela e otimizações de desempenho, entre outras.

O sistema de contas online também recebeu carinho neste ciclo. Finalmente dá para usar contas WebDAV para acessar calendários, contatos e arquivos nos aplicativos padrões do Gnome. E para quem usa o OneDrive, agora há uma integração nativa que leva os arquivos da nuvem da Microsoft ao Arquivos.

(Esse trabalho é resultado de um financiamento de € 1 milhão que a Fundação Gnome recebeu de um fundo alemão.)

A equipe do Gnome ainda destaca a experiência reformulada de acesso remoto (RDP), os tradicionais polimentos (classificados como “enormes”), melhorias em acessibilidade e em apps específicos.

Destacam, ainda, os cinco apps integrados ao Gnome Circle, o programa de promoção e auxílio ao desenvolvimento de apps para o Gnome, desde a versão 45. O Switcheroo, destacado neste Manual, foi um deles.

Por ora, o jeito mais fácil de acessar o Gnome 46 é via versão “nightly” do Gnome OS. Distribuições Linux “rolling release” devem trazer o Gnome 46 em breve. O Fedora 40, principal distro que usa o Gnome, está previsto para 16 de abril.

Dissent, um cliente alternativo para Discord que parece em casa no Gnome

Ícone do Dissent: um balão de diálogo que se parece com um controle de video game roxo.

Quem usa Discord e Linux tem uma alternativa nativa para usar o app de comunidades, o Dissent (antes, conhecido como gtkcord4).

Em especial para quem usa Gnome como ambiente gráfico, o Dissent “parece em casa”, pois é construído com as ferramentas nativas do sistema.

O projeto ainda é um tanto cru (está na versão 0.0.22) e lida com as limitações impostas pelo Discord, que desencoraja a criação de clientes alternativos.

Aliás, vale o aviso do repositório do Dissent (grifo do original):

Usar um cliente não oficial é contra os Termos de Serviço do Discord e pode fazer com que sua conta seja banida! Embora o Dissent tente o seu melhor para não usar a API REST, a menos que seja necessário para reduzir o risco de abuso, ainda é possível que o Discord possa banir sua conta de usá-la. Por favor, use por sua conta e risco!

Dissent / Linux, Windows / Gratuito

Pague para trabalhar: Rappi agora cobra taxa semanal dos entregadores no Brasil

A Rappi está cobrando R$ 12 por semana dos seus entregadores no Brasil. Eles começam a jornada no negativo e precisam pagar a dívida (é assim que a taxa é chamada no app) antes de começarem a faturar.

Fico pensando onde foi que o brilhante executivo que teve essa ideia se inspirou — se em golpistas do WhatsApp, traficantes de seres humanos ou nos casos modernos de trabalho análogo à escravidão.

Brave, Firefox e Opera ganharam mais usuários na Europa. E agora?

A entrada em vigor do Regulamento Mercados Digitais (DMA, na sigla em inglês), em 7 de março, apresentou aos cidadãos da União Europeia uma tela de escolha ao abrirem o Safari no iOS 17.4 ou configurarem novos dispositivos Android. (O porquê dessa discrepância me escapa.)

Os primeiros resultados parecem animadores. Ao menos, as empresas beneficiadas com a medida demonstraram empolgação:

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Nunca me ocorreu tentar o reconhecimento facial pelo celular usando a câmera principal (traseira). A ignorância decorrente do ~privilégio — câmeras frontais costumam ser piores que as principais, uma diferença mais dramática em aparelhos baratos e/ou antigos.

Nesta semana, o aplicativo gov.br ganhou uma nova versão com esse recurso. Segundo o Ministério da Gestão e Inovação, “a medida beneficia diretamente quem tem celulares antigos e também pessoas com deficiência, do espectro autista, com doenças neurodegenerativas e idosos”. Via Agência Gov.

Onyx BOOX prepara operação brasileira e enfrenta os desafios da importação

A Onyx BOOX, fabricante chinesa de e-readers, está se preparando para entrar no mercado brasileiro. Já tem uma loja virtual operando em “soft launching”, com produtos à venda com valores a partir de R$ 1,3 mil, e, segundo o PublishNews, com estoque e peças de reposição em solo brasileiro.

É uma alternativa ao Kindle, que reina soberano no Brasil, embora não seja comparável ao modelo básico da Amazon. Os e-readers da Onyx BOOX miram o topo, com telas avançadas e tamanhos maiores, além de usarem Android. É bom termos mais opções, de qualquer forma. Via @pinguinsmoveis/Telegram.