Interfaces para o coração partido

Em dezembro de 2022, a designer Marie Spreitzer terminou um relacionamento. Para lidar com seus sentimentos, fez este exercício com interfaces de aplicativos que ela usa no dia a dia.

Você verá diferentes explorações de como as interfaces para o coração partido poderiam parecer. Adicionando um toque de comentário social e muitos sentimentos, estou tentando representar meu mundo emocional neste momento.

EUA acusam Apple de monopolizar mercado de celulares

Estou lendo a acusação do Departamento de Justiça e 17 estados estadunidenses contra a Apple, por monopólio do mercado de celulares. (Íntegra aqui, *.pdf, em inglês.) Eles acusam a Apple de práticas anticompetitivas no mercado de celulares que levam ao aumento de preços e maior dificuldade aos consumidores para trocarem de aparelhos e ecossistema.

Numa primeira leitura incompleta (~2/3), sinto que a falta de foco nas acusações enfraquece o argumento contra a empresa. Há áreas em que ele é forte, como a restrição a partes do sistema (“tap to pay”, envio/recebimento de SMS), mas outras meio estranhas, como a dos “super apps” (uma panaceia no Ocidente, mas que só funciona na China — talvez pela sabotagem continuada da Apple a apps do tipo?) e superadas (restrição a apps que fazem streaming de jogos da nuvem, que caiu em fevereiro).

Um trecho saboroso é um em que os procuradores resgatam críticas de Steve Jobs feitas à Microsoft em 1998. O então CEO da Apple criticava o monopólio da rival e suas “táticas sujas” para atingir a Apple. A acusação também atribui ao processo antitruste contra a Microsoft a abertura aproveitada pela Apple para deslanchar o iPod e o iTunes às custas da compatibilidade com o Windows.

Gerenciador de arquivos é destaque do novo Gnome 46

Lançado nesta quarta (20), o Gnome 46 “Kathmandu”, nova versão do ambiente gráfico líder em sistemas Unix, veio cheio de refinamentos e algumas mudanças visuais.

O carro-chefe do Gnome 46 é o gerenciador de arquivos Arquivos (Nautilus, para os puristas). A busca foi separada entre global e na pasta em exibição, há um novo indicador de transferências de arquivos embutido na janela e otimizações de desempenho, entre outras.

O sistema de contas online também recebeu carinho neste ciclo. Finalmente dá para usar contas WebDAV para acessar calendários, contatos e arquivos nos aplicativos padrões do Gnome. E para quem usa o OneDrive, agora há uma integração nativa que leva os arquivos da nuvem da Microsoft ao Arquivos.

(Esse trabalho é resultado de um financiamento de € 1 milhão que a Fundação Gnome recebeu de um fundo alemão.)

A equipe do Gnome ainda destaca a experiência reformulada de acesso remoto (RDP), os tradicionais polimentos (classificados como “enormes”), melhorias em acessibilidade e em apps específicos.

Destacam, ainda, os cinco apps integrados ao Gnome Circle, o programa de promoção e auxílio ao desenvolvimento de apps para o Gnome, desde a versão 45. O Switcheroo, destacado neste Manual, foi um deles.

Por ora, o jeito mais fácil de acessar o Gnome 46 é via versão “nightly” do Gnome OS. Distribuições Linux “rolling release” devem trazer o Gnome 46 em breve. O Fedora 40, principal distro que usa o Gnome, está previsto para 16 de abril.

Dissent, um cliente alternativo para Discord que parece em casa no Gnome

Ícone do Dissent: um balão de diálogo que se parece com um controle de video game roxo.

Quem usa Discord e Linux tem uma alternativa nativa para usar o app de comunidades, o Dissent (antes, conhecido como gtkcord4).

Em especial para quem usa Gnome como ambiente gráfico, o Dissent “parece em casa”, pois é construído com as ferramentas nativas do sistema.

O projeto ainda é um tanto cru (está na versão 0.0.22) e lida com as limitações impostas pelo Discord, que desencoraja a criação de clientes alternativos.

Aliás, vale o aviso do repositório do Dissent (grifo do original):

Usar um cliente não oficial é contra os Termos de Serviço do Discord e pode fazer com que sua conta seja banida! Embora o Dissent tente o seu melhor para não usar a API REST, a menos que seja necessário para reduzir o risco de abuso, ainda é possível que o Discord possa banir sua conta de usá-la. Por favor, use por sua conta e risco!

Dissent / Linux, Windows / Gratuito

Pague para trabalhar: Rappi agora cobra taxa semanal dos entregadores no Brasil

A Rappi está cobrando R$ 12 por semana dos seus entregadores no Brasil. Eles começam a jornada no negativo e precisam pagar a dívida (é assim que a taxa é chamada no app) antes de começarem a faturar.

Fico pensando onde foi que o brilhante executivo que teve essa ideia se inspirou — se em golpistas do WhatsApp, traficantes de seres humanos ou nos casos modernos de trabalho análogo à escravidão.

Brave, Firefox e Opera ganharam mais usuários na Europa. E agora?

A entrada em vigor do Regulamento Mercados Digitais (DMA, na sigla em inglês), em 7 de março, apresentou aos cidadãos da União Europeia uma tela de escolha ao abrirem o Safari no iOS 17.4 ou configurarem novos dispositivos Android. (O porquê dessa discrepância me escapa.)

Os primeiros resultados parecem animadores. Ao menos, as empresas beneficiadas com a medida demonstraram empolgação:

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Nunca me ocorreu tentar o reconhecimento facial pelo celular usando a câmera principal (traseira). A ignorância decorrente do ~privilégio — câmeras frontais costumam ser piores que as principais, uma diferença mais dramática em aparelhos baratos e/ou antigos.

Nesta semana, o aplicativo gov.br ganhou uma nova versão com esse recurso. Segundo o Ministério da Gestão e Inovação, “a medida beneficia diretamente quem tem celulares antigos e também pessoas com deficiência, do espectro autista, com doenças neurodegenerativas e idosos”. Via Agência Gov.

Onyx BOOX prepara operação brasileira e enfrenta os desafios da importação

A Onyx BOOX, fabricante chinesa de e-readers, está se preparando para entrar no mercado brasileiro. Já tem uma loja virtual operando em “soft launching”, com produtos à venda com valores a partir de R$ 1,3 mil, e, segundo o PublishNews, com estoque e peças de reposição em solo brasileiro.

É uma alternativa ao Kindle, que reina soberano no Brasil, embora não seja comparável ao modelo básico da Amazon. Os e-readers da Onyx BOOX miram o topo, com telas avançadas e tamanhos maiores, além de usarem Android. É bom termos mais opções, de qualquer forma. Via @pinguinsmoveis/Telegram.

Stashpad Docs: Alternativa minimalista ao Google Docs

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O Stashpad Docs é uma alternativa ao Google Docs com suporte a Markdown e que dispensa a criação de uma conta.

É possível criar textos em grupo, com edição colaborativa em tempo real e suporte a comentários. Para convidar alguém, basta enviar o link de compartilhamento.

Outro detalhe legal é que o conteúdo fica salvo localmente. O que também pode ser um problema, caso você perca acesso ao dispositivo ou apague os dados locais. Fazendo o cadastro, é possível sincronizar documentos — entre outros benefícios.

Atenção: a Stashpad é uma startup financiada por capital de risco. O Docs é o segundo produto deles — o primeiro, um app de anotações com interface de mensagens de texto, não repercutiu como se esperava.

Stashpad Docs / Web / Gratuito

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Curso gratuito de inteligência artificial na USP

A USP está oferecendo um curso gratuito de introdução à inteligência artificial em comemoração aos 90 anos da universidade. São 600 vagas para o curso presencial e 50 mil para o virtual, que será transmitido pelo YouTube. As aulas acontecem no dia 5 de abril. Via Jornal da USP.

A mesa de trabalho do Juarez Pedra Jr.

Trabalho no almoxarifado de uma entidade pública — não é nada secreto, mas vamos deixar assim. A natureza do trabalho não permite que trabalhe em casa 🙌🏾 Se desse para pilotar a empilhadeira a distância… eu não ia querer.

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O mastodon.social, principal servidor de Mastodon, publicou uma nova regra (tradução livre):

Conteúdo criado por outros deve ser creditado e o uso da IA deve ser informado
O conteúdo criado por outras pessoas deve fornecer claramente um crédito ao autor, criador ou fonte. Para conteúdo adulto, isso deve incluir artistas [que aparecem]. Os perfis não podem publicar conteúdo gerado por IA exclusivamente.

Se tem um lugar em que regras de atribuição/crédito aos criadores originais pode funcionar, é no Mastodon. Ansioso com a aplicação da nova regra.

Sobre a da IA gerativa, fico reticente. Daqui a algum tempo, será o equivalente a exigir que edições feitas no Photoshop sejam informadas. Se bem que… talvez fosse uma boa? Via @Gargron@mastodon.social (em inglês).

iPulse para iOS e iPadOS mostra recursos de uso do dispositivo em qualquer lugar

Ícone do iPulse para iOS: duas barras de progresso, azul e verde.

Não existe, no iOS, um jeito de monitorar o uso de recursos do sistema em tempo real. Ou melhor, não existia.

Com o iPulse para iOS e iPadOS, essa lacuna foi suprida de um jeito… curioso: usando a tecnologia PIP (picture-in-picture), aquela que permite destacar um vídeo da web ou de um app e deixá-lo suspenso, acima de outras aplicações.

Craig Hockenberry, da The Iconfactory, explica a ~mágica:

O iPulse para iOS/iPadOS literalmente cria um vídeo do que está acontecendo dentro do seu dispositivo e o atualiza a cada segundo. Você pode redimensionar a janela para caber bem na sua tela ou deslizá-la completamente para fora do campo de visão. Tivemos o cuidado de usar recursos mínimos do sistema, como CPU (3% de uso) e memória (apenas 1 MB), enquanto criamos o vídeo.

O iPulse oferece dados do uso da bateria, espaço em disco, tráfego da rede e uso da CPU.

iPulse / iOS, iPadOS / R$ 49,90

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Project Afterlife

O Think Tank Team, um pequeno enclave da Samsung no Vale do Silício, gera ideias futuristas em várias áreas da tecnologia. Uma delas, o Project Afterlife, tenta dar vida nova ao 1,7 celular sem uso em cada casa estadunidense com um design engenhoso, um aplicativo simples com três funções e os sensores de movimento do próprio celular.

Seria melhor se usássemos o mesmo celular por mais tempo, mas na impossibilidade disso, é melhor que nada.

O LeiaIsso anunciou em e-mail enviado a cadastrados no serviço que descontinuará recursos do tipo “ler depois” para voltar-se à proposta original — extrair o conteúdo dos links e exibí-los em um ambiente de leitura sem distrações e, nessa, quebrar alguns paywalls. Em 2023, o serviço tentou uma expansão mal sucedida para o segmento de apps do tipo “ler depois” — ou seja, tentou concorrer com Pocket, Instapaper, Omnivore e afins.

O LeiaIsso continuará funcionando da mesma maneira que o Ladder do PC do Manual.