Descobri alguns sites que testam seus bloqueadores de anúncios

Descobri (tarde, eu sei) alguns sites que testam seus bloqueadores de anúncios. Além de certificarem que suas barreiras contra a publicidade invasiva estão de pé, eles permitem encontrar eventuais brechas e tapá-las. / d3ward.github.io, adblock-tester.com, test.adminforge.de

Mudança na forma de salvar contatos no WhatsApp tem duas consequências concorrenciais

O WhatsApp agora permite salvar contatos no próprio WhatsApp, ou seja, independente da agenda de contatos do celular. / blog.whatsapp.com

Além disso, a empresa prometeu para “em breve” a possibilidade de adicionar e gerenciar contatos pelo WhatsApp Web e app do Windows, e suporte a nomes de usuários a fim de dispensar o número de telefone ao adicionar alguém. (O Signal tem isso desde fevereiro de 2024.)

Segundo a Meta, os contatos salvos em seus servidores usando um novo sistema de armazenamento criptografado, chamado Identity Proof Linked Storage (IPLS). / engineering.fb.com

Há dois desdobramentos concorrenciais que, por óbvio, a Meta não comenta no comunicado à imprensa.

Primeiro, ao restringir os contatos ao WhatsApp, o “povoamento” de outros apps de mensagens que competem com ele se torna mais difícil. A agenda de contatos do celular é compartilhada por todos os apps, a critério apenas do usuário; os contatos salvos no WhatsApp nesse novo modelo, por outro lado, ficam limitados ao WhatsApp.

O segundo diz respeito a uma novidade em privacidade que a Apple implementou no iOS 18:

A permissão do app Contatos foi aprimorada e permite que você escolha quais contatos compartilhar com um app. / support.apple.com

Até o iOS 17, um aplicativo como o WhatsApp tinha acesso a todos os contatos ou a nenhum. No iOS 18, existe a possibilidade do acesso seletivo — como já existia com a permissão das fotos, por exemplo.

Curioso para ver se essa mudança no WhatsApp disparará algum alerta em órgãos antitruste.

App oficial do Syncthing para Android será descontinuado

O Syncthing, um software livre usado para sincronizar arquivos entre dispositivos, perderá o app oficial para Android em dezembro. O anúncio foi feito por Simon Frei, mantenedor do projeto, no domingo (20). / forum.syncthing.net

Simon atribui o fim do app à falta de manutenção ativa e “o Google tornando a publicação na Play Store algo entre difícil e impossível”. Ele alega que não há mais benefícios ou motivação o suficiente para continuar.

O IT’s FOSS lembra, por exemplo, que em fevereiro o Syncthing foi derrubado da Play Store. / github.com/syncthing, news.itsfoss.com (ambos em inglês)

Em outra postagem no mesmo tópico, Simon esclareceu que o app, que ainda receberá uma última atualização em dezembro, continuará disponível, só que sem atualizações. Mas…

[…] e qualquer outra pessoa pode continuar publicando um app do tipo lá [na Play Store]. Parece que vai ficar mais difícil, à medida que o Android se inclina cada vez mais para uma direção similar à do iOS, mas mesmo lá apareceu um novo app do Syncthing, de código aberto.

O Syncthing nunca teve um app oficial para iOS. Por muito tempo, a única solução para sincronizar o celular da Apple foi o app Möbius Sync. Simon provavelmente se refere ao Sushitrain.

No Android, o Syncthing-Fork, talvez o “fork” mais popular do Syncthing, continuará na ativa, mas sem a pretensão de tornar-se um app de ponta a julgar por uma mensagem do mantenedor, Catfriend1 (não encontrei o nome verdadeiro dele):

O Syncthing-Fork é um projeto pessoal, criado a fim de manter o aplicativo para Android vivo para meus amigos e familiares. Desde o início compartilho esse trabalho e o farei quando mexer no código para atualizações. A prioridade é manter a compatibilidade com os celulares Android que “nós” usamos aqui, o que no momento compreende do Android 10 ao 14. O desenvolvimento de recursos não está nos meus planos. Eu uso o aplicativo e dependo da disponibilidade do Syncthing na plataforma Android para meus próprios fluxos de trabalho.

Você é bem-vindo a usar os lançamentos na F-Droid ou no meu GitHub caso queira fazer um fork. / github.com/Catfriend1

OK Video: “A câmera de vídeo mais simples que existe” para iOS

Ícone do OK Video: a palavra “OK” e um semi-círculo embaixo, formando um rosto, contra fundo vermelho e laranja em degradê.

É perceptível, na linha iPhone Pro, o foco da Apple em transformar o celular em alternativa a câmeras profissionais. Isso tem apelo com parte dos consumidores, mas suspeito que aliena outra muito maior — gente como eu e você, que só quer fazer fotos da família e amigos e vídeos bobos.

Descobri, não lembro onde nem como, um aplicativo para iOS chamado OK Video (na App Store). Ele se apresenta como “a câmera de vídeo mais simples que existe”, o que se confirma na prática.

O OK Video serve para criar vídeos curtos feitos na vertical (em modo retrato), propícios para serem vistos no próprio celular e em plataformas como TikTok e nos Reels da Meta.

O que o diferencia da câmera padrão e de outros apps é a simplicidade. A gravação dos trechos é feita segurando o dedo em qualquer parte da tela. Há poucos controles na tela, apenas os essenciais, expostos de modo óbvio, fácil de entender.

(O “onboarding” — aquela explicação comum no primeiro uso de um app — é exemplar, ainda que apenas em inglês. Caixas de texto, como se fosse alguém mandando mensagens, apresentam as funcionalidades aos poucos e te incentivam a usá-las.)

Por baixo da simplicidade, não muito escondido, está um editor mais completo, que permite recortar e reordenar os clipes gravados.

O editor é uma compra dentro do app de R$ 9,90. É um dos três módulos pagos, cada um pelo mesmo preço unitário. Os outros dois são a remoção da marca d’água nos vídeos salvos/exportados e a expansão do número de projetos simultâneos para seis. (Sem esse módulo, o limite é de dois.)

Gosto desse modelo de negócio: sem assinaturas, com precificação pé no chão e modular. E deixa espaço (e incentivos ao desenvolvedor, Pim Coumans) para atualizações relevantes no futuro.

O OK Video é… simples. Para alguns, acostumados ao CapCut ou mesmo à câmera do Instagram, pode ser simples demais — não tem efeitos visuais, “máscaras” de realidade aumentada, nada disso. Para outros, porém, essa simplicidade pode ser o maior atrativo.

Caixa de som JBL Go 3 por R$ 179 (no Pix), FastShop / Monitor LG 27MP400-B (27 polegadas, Full HD) por R$ 649, Magalu / Fraldas Pampers Supersec (diversos tamanhos) por R$ 53, Carrefour / Teclado Baseus Creator Series por R$ 156 (cupom BRKEY18), AliExpress / Smartband Samsung Galaxy Fit3 por R$ 235, Magalu via AliExpress / Frigideira de cerâmica Hyllis/Home Goods (28 cm) por R$ 69, Magalu / Air fryer WAP (4l) por R$ 279, Amazon / Carregador de parede da Apple (20W) por R$ 129, Amazon

Calendário em uma folha só imprimível

Sei que estamos na reta final de 2024, mas achei que valia a menção a este calendário em uma folha só imprimível. (E a torcida para que saia uma atualização em 2025.) / neatnik.net

Vários leitores (obrigado!) notaram que basta acrescentar um parâmetro à URL para ter calendários de anos diferentes, assim: https://neatnik.net/calendar/?year=2025

Bitwarden pode estar se afastando de licenciamento FOSS

Uma issue aberta no repositório do gerenciador de senhas Bitwarden na quinta (17) questiona se o app para computadores ainda é um software livre. O problema é uma nova “dependência” que impede o desenvolvimento de aplicativos derivados do Bitwarden. / github.com/bitwarden (em inglês)

Após a repercussão, o perfil da empresa no X informou que trata-se de um “bug no pacote” que será corrigido e que “o Bitwarden segue comprometido com o modelo de licenciamento de código aberto em vigor há anos”. / @Bitwarden@x.com (em inglês)

Seria um final feliz para um mal-entendido não fossem outros indícios preocupantes e ainda não esclarecidos.

Em julho, outra issue, esta no repositório do SDK (kit de desenvolvimento de software), chamou a atenção para o uso de uma licença não livre (FOSS), o que impede a compilação do aplicativo do Bitwarden para a loja F-Droid. / github.com (em inglês)

Na primeira resposta, Kyle Spearrin, fundador e CTO do Bitwarden, disse que:

Não há planos de ajustar a licença do SDK no momento. Continuaremos publicando no nosso próprio repositório no F-Droid.

Até a manhã desta terça (22), o comentário tinha +260 reações negativas e a issue voltou a receber comentários após ser mencionada na outra, do suposto “bug no pacote”.

Outro indício no subreddit do Bitwarden, em uma conversa a respeito do já referido bug no pacote. O usuário u/xxkylexx, que se identifica como desenvolvedor do Bitwarden, disse que:

Tudo que fazemos não é FOSS há muitos anos. Temos vários produtos corporativos/para empresas que vendemos sob uma licença de código-fonte proprietário disponível. Essencialmente um modelo de “núcleo aberto”. Não temos planos de mudar essa estratégia. / reddit.com/r/Bitwarden (em inglês)

Vale lembrar: em setembro de 2022, o Bitwarden levantou US$ 100 milhões em uma rodada de investimentos. / manualdousuario.net

Novos desdobramentos da “guerra nuclear” de Matt Mullenweg contra a WP Engine

A “guerra nuclear” de Matt Mullenweg contra a WP Engine está mudando de campo de batalha. Além do processo já movido pela empresa contra o dono do WordPress, ela pediu uma liminar à Justiça que obrigue Matt a devolver o acesso às contas no WordPress.org. / theverge.com (em inglês)

Matt choramingou em seu blog que o pedido da WP Engine é uma afronta à sua “liberdade de expressão”. ma.tt (em inglês)

Em outra frente, a empresa Very Good Plugins enviou uma notificação extrajudicial à Automattic exigindo que a empresa removesse a versão gratuita do plugin WP Fusion do seu diretório — aquele que Matt clonou do WordPress.org para dar mais visibilidade à hospedagem da Automattic, o WordPress.com, onde o acesso a plugins gratuitos está condicionado à compra dos planos mais caros. O pedido foi atendido. / wpfusion.com (em inglês)

Faltou um capítulo da novela neste Manual: o de quando Matt ofereceu 6 meses de salário a funcionários da Automattic que discordassem da sua “guerra nuclear” com a WP Engine. Ao todo, 159 aceitaram a proposta. / ma.tt (em inglês)

Segundo a 404 Media, Matt fez outra proposta indecorosa na quarta (15), desta vez oferecendo 9 meses de salário. / 404media.co (em inglês)

A reportagem, que falou com alguns funcionários que seguem na Automattic, também relata um clima de paranoia e recuperou uma história bizarra de que Matt estaria interceptando e-mails de confirmação da Blind, uma plataforma para funcionários de empresas conversarem anonimamente.

Segundo um blog que alega ser mantido por um ex-funcionário da Automattic, as propostas de Matt para expurgar “traidores” têm gerado caos dentro da companhia, a ponto de Matt ter que postar, no Slack, para que os funcionários que toparam cair fora continuassem trabalhando mais alguns dias porque faltam braços. “Não é o momento para um monte de gente sair ao mesmo tempo.” / antimattic.net (em inglês)

Os EUA são meio que uma terra sem lei trabalhista, e ainda assim o que Matt tem feito talvez seja ilegal no estado da California. De acordo com o blog, empregados têm direito a cinco dias úteis para consultarem advogados ao receberem propostas de demissão voluntária.

Compre 2 livros e ganhe 60% off no mais barato, Amazon / R$ 100 off em Artesanato, Amazon / Lavadora de roupas Samsung WW11T (11 kg, 127V por R$ 2.399, Amazon / Celular Moto g85 por R$ 1.609, Mercado Livre / Celular Galaxy S23 (256 GB) por R$ 2.573,10 (no Pix), Mercado Livre

Um estudo da Universidade de Sydney descobriu que trabalhar de pé não traz benefícios cardiovasculares e, pior, aumenta os riscos de problemas circulatórios. / sydney.edu.au (em inglês)

Passar o dia sentado tampouco ajuda, alertam os pesquisadores. Fora os comumente associados ao sedentarismo, descobri que existem problemas específicos da região glútea, como a “síndrome do bumbum morto”. / folha.uol.com.br

Os pesquisadores australianos — que descobriram que ficar o tempo todo de pé não é saudável — alertam para o real vilão: o sedentarismo.

Para quem passa o dia sentado na frente do computador, fazer pequenas pausas, caminhadas, descer e subir escadas mitigam os malefícios do sedentarismo. Em uma pesquisa anterior, o dr. Matthew Ahmadi, que liderou o estudo, descobriu que 6 minutos de exercícios intensos ou 30 minutos de moderados para intensos por dia diminui os riscos de doenças cardíacas mesmo em pessoas que passam mais de 11 horas diárias sentadas. / url.au.m.mimecastprotect.com (em inglês)

Após três anos fechado para novas contas gratuitas, o Write.as voltou a oferecê-las nesta sexta (18). O serviço é a instância principal do WriteFreely, um sistema de blogs de código aberto compatível com o protocolo ActivityPub. É dos mais simples — não substitui um WordPress da vida —, mas bom o bastante para quem só quer um espaço na web sem anúncios para escrever vez ou outra. / write.as (em inglês)

Os únicos pré-requisitos para usar o Write.as/WriteFreely são entender alguns termos em inglês, para navegar pela interface, e Markdown para formatar os posts — o editor visual é restrito aos planos pagos.

Números enormes

A Aliança FIDO está trabalhando em uma especificação para padronizar a transferência chaves-senhas (passkeys) entre apps/plataformas. No anúncio, revelou que 12 bilhões de contas digitais já podem ser acessadas por elas. / fidoalliance.org (em inglês)

O Bluesky ganhou mais de 1,2 milhão de novos usuários em dois dias após o X de Elon Musk avisar que o bloqueio não impedirá mais alguém de ver as postagens de perfis públicos e alterar os termos de uso na maciota para treinar inteligências artificiais com o conteúdo da plataforma. É como alguém disse por lá: o Bluesky é engraçado porque é a única plataforma cujo crescimento está condicionado ao ódio coletivo contra uma pessoa. / @bsky.app/Bluesky (em inglês)

Apps novos e atualizados

Fossify Launcher: Um “lançador” para Android do sucessor espiritual do finado Simple Mobile Tools. Parece bem simples (e talvez ainda um pouco cru), como todos os apps do projeto. / Android / github.com/FossifyOrg (em inglês)

Infuse 8: Um dos melhores softwares de “media center” para plataformas Apple, o Infuse ganhou um novo visual e compatibilidade com o Vision Pro. / iOS, macOS, tvOS, visionOS / firecore.com (em inglês)

Inkscape 1.4: Um punhado de novidades, todas explicadas e ilustradas no anúncio oficial, focadas em acessibilidade e personalização. / Linux, macOS, Windows / inkscape.org (em inglês)

Obsidian 1.7: As “novidades reluzentes” da versão são a introdução de um histórico no Obsidian Sync e a edição de pré-visualizações de páginas. Há uma lista enorme de melhorias. Destaque para a velocidade de abertura e uso de memória. / Android, iOS, Linux, macOS, Windows / obsidian.md (em inglês)

Pageboy: Um gerador de sites estáticos que não depende da linha de comando nem de um sistema de templates. Legal! Custa US$ 13. / macOS / pageboy.app

Photomator 3.4: Atualização do editor de fotos do Pixelmator foca em novas ferramentas para organização. / iOS, macOS / pixelmator.com (em inglês)

Threads: Por algum motivo que só deve fazer sentido dentro da Meta, o Threads agora conta com um indicador que denuncia quando o usuário está online. / Android, iOS, Web / @mosseri@threads.net (em inglês)

TickTick 7.4: O app de listas de tarefas ganhou uma nova visualização semanal. Lembra alternativas mais simples, como TeuxDeux e Tweek. / Android, iOS / youtube.com/@GetTickTick (em inglês)

Papéis de parede bonitos da Microsoft

A linguagem visual da Microsoft sempre foi… controversa. Nos últimos anos, porém, a empresa aprendeu a fazer vídeos legais e tal talento se reflete nesta coleção de papéis de parede bonitões. Até o Clippy saiu bem na foto — digo, no papel de parede (“Nostalgic Scenes”). / microsoft.design