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A ousadia, Quantum V, e a alegria, Sky, da startup de inovação da Positivo

Há mais ou menos dois anos surgia a Quantum, uma das únicas fabricantes de smartphones nacionais que desde o início disse que iria brigar com as grandes. Com um storytelling que lembrava um pouco aqueles contos de fadas dos Sucos do Bem e do picolé Diletto, a Quantum se apresentava como uma startup de ex-funcionários da Positivo, mas que passado o buzz deixou de lado esse papo e, de certa forma, se assumiu como uma unidade de inovação dentro da empresa brasileira de tecnologia.

Desde sempre, a inspiração nos chineses é clara: o modelo de vendas apenas online do início já lembrava a Xiaomi (que nesse meio tempo já entrou e saiu do mercado nacional), enquanto a ousadia, especialmente desses últimos lançamentos, nos remete bastante a Oppo e a Vivo. Eles mesmo falam dessas empresas com admiração.

Qual não é a minha supresa, ao descobrir, pelas palavras de Noberto Maraschin, vice-presidente da Positivo, que tem multicional chinesa querendo “matar”(palavras dele) a Quantum. Hoje, no Brasil, temos duas chinesas de fato operando no mercado: Alcatel e Motorola/Lenovo. A Asus, vale lembrar, é de Taiwan.

Não importa muito quem disse o que — depois de assistir a um vídeo do Smartphone Congress, em que Maraschin e Fernando Pezotti, da Alcatel, colocam-se lado a lado contra as gigantes, fica ainda mais evidente de quem se está falando… –, a questão é a ironia de sabermos que tem uma chinesa querendo brigar com uma empresa brasileira que se inspira na China. Tudo bem que a Motorola/Lenovo obviamente não se enxerga como uma empresa nacional da China, e sim como uma multinacional, mas vale lembrar que todo mundo saiu de um lugar, logo, por que a Quantum não poderia também?

Nesse aspecto, vale sublinhar que a ousadia da Quantum não está apenas no Quantum V, um aparelho à primeira vista de nicho, com foco no entretenimento, na educação e em profissionais que precisam de um projetor portátil, mas também na internacionalização. Argentina, Chile, Paraguai e Uruguai estão na lista, mas a dobradinha Quantum/Positivo não descarta o continente africano, por exemplo.

Se tudo isso não te parece ousado, lembre que recemente rolou uma parceria da Quantum com o Neymar Jr e que muito embora vejamos imagens de Neymar com outro cabelo e usando uma camiseta verde e amarelo, e não azul como a do Paris Saint-Germain, bem, lá está a cara do brasileiro mais famoso do mundo da atualidade ao lado do logotipo da Quantum em algumas de suas comunicações.

Quantum V e Quantum Sky

Voltando à alegria e à ousadia da Quantum, é preciso falar dos novos aparelhos que compõe o portfólio da marca e a decisão de novamente vender só pela internet. Algo me diz que essa opção é momentânea, e que logo mais eles vão anunciar uma parceria com o varejo, pelo menos para o Quantum Sky que nasceu de uma parceria com a Gionee, cuja sede fica onde? Shenzhen, China.

O Quantum Sky, que tem preço sugerido de R$ 1.349, é um aparelho promissor: tela LCD IPS de 5,5 polegadas com resolução Full HD, processador da MediaTek, o Helio P10, um octa-core a 2 GHz, com 4 GB de RAM e 64 GB de armazenamento, expansível via microSD de até 256 GB. Dual SIM híbrido, tem bateria de 4.010 mAh com carregamento rápido (50% em 30 minutos), conector micro-SD (o que para um aparelho nessa faixa de preço, tudo bem) e leitor de digital na parte da frente, junto ao botão de início (boa escolha!).

Vendido nas cores cinza e dourado, tem câmera frontal de 13 MP com Flash e lente f/2.0 e a traseira de 16 MP com Flash e lente f/2.0. Um destaque é o acabamento, que agora é de alumínio aeronáutico, e a parceria com o Google, que realmente parece forte. Não só o evento contou com a presença de um executivo do Google e de seus assessores, como os aparelhos, tanto o Sky e o V, chegam com Android 7.0, mas com a promessa de atualização para o Oreo. Olha, quanta alegria!

Já o Quantum V parece ser a nova menina dos olhos da companhia, que fez questão de compará-lo ao concorrente mais imediato, o Moto Z com snap de projetor da, óbvio, Motorola/Lenovo. Em termos de especificações, ele se parece bastante ao Sky. Também tem tela LCD IPS de 5,5 polegadas com resolução Full HD, mas o processador da MediaTek neste caso é o MT6750, um octa-core a 1,5 GHz, mas vem com os mesmos 4 GB de RAM e 64 GB de armazenamento, expansível via microSD de até 128 GB. Dual SIM com slot dedicado para o microSD, tem bateria de 4.0o00 mAh, conector micro-SD e leitor de digital, esse infelizmente na traseira, mas pelo menos mais no meio do telefone. Vendido na cor azul por R$ 1.799, tem câmera frontal de 8 MP com Flash e traseira de 13 MP com Flash.

O destaque, porém, fica para o projetor a laser com foco contínuo, que dispensa ajuste manual de foco como existe no snap de projeto da Motorola, por exemplo. O aparelho é então capaz de projetar imagens em HD com até 80 polegadas a uma distância de 2 metros. Muito embora seja visto como um produto de nicho pela empresa e por mim (rs), a Quantum acredita que ele possa ganhar as massas e que vai atrair a atenção por ter o projetor acoplado, e não como acessório. Vale lembrar que em 2012 a Samsung havia lançado um aparelho bem semelhante, o Galaxy Beam e que já não o vemos por aí.

Uma das estratégias por trás do V é oferecê-lo como um produto voltado ao entretenimento, mas também aos profissionais liberais que precisam fazer apresentações e aos professores. E aí, vale lembrar, a Positivo tem também uma editora de livros de educação…

Se a ousadia e a alegria da Positivo com a Quantum vai durar, é cedo para dizer. Por hora, podemos concordar que ver um player nacional em um mercado tomado de multinacionais é sempre interessante e, que bem, eles já estão durando no mercado brasileiro mais do que outra chinesa que passou por aqui e foi embora rapidinho.

 

 

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10 comentários

  1. já tive um Positivo S550 basicamente para músicas e Kindle, era lento na formatação do Kindle…troquei por um Quantum MUV, que achei ótimo…para outras pessoas só recomendo smartphone com rede de assistência técnica de grande capilaridade, e aí é Samsung, LG e Motorola/Lenovo

  2. Li em alguns blogs que os atuais gadgets sao na verdade fabricados pela Gionee e Ragentek, tendo a Quantum apenas ” tropicalizado” o hardware ao colocar uma UI próxima ao Android puro e acertado o pós processamento das fotos , ou seja , gadgets White Label.

  3. “(…) eles já estão durando no mercado brasileiro mais do que outra chinesa que passou por aqui e foi embora rapidinho”.
    Botaram a culpa na crise, mas a verdade é que se planejaram mal pra cacete e ao jogarem a toalha ficaram de mimimi.

  4. Eu sou professor e me interessei muito pelo Quantum V por causa do projetor. Se esse projetor embutido for de qualidade, ou pelo menos dê para “quebrar um galho”, acredito sim que ele possa chamar a atenção do “mercado de nicho” que você citou. Tenho muitos colegas de profissão com vontade de ter um projetor, mas que por diversos motivos (preço, mobilidade, assistência técnica, etc) não compram um.

    1. Como pretende utilizar ele? Na mesa, em um local parado? Como vai passar os slides ou mostrar fotos, etc?

  5. Ainda não tenho confiança em comprar um aparelho da Quantum pelo mesmo motivo pelo qual não compro um computador Positivo: histórico da companhia com componentes e montagem de má qualidade, bem como a assistência técnica deficiente.

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