Cartazes do AntiMWC espalhados por Barcelona.

Os AntiMWC


3/3/17 às 18h56

Para grande parte dos jornalistas brasileiros com quem tenho contato, o Mobile World Congress é o melhor evento de tecnologia do ano. Não só porque reúne os principais lançamentos da área de mobile, mas também pela organização caprichada e benevolente — ela oferece transporte público e almoço grátis à imprensa. Isso sem falar que acontece em Barcelona, na Espanha, uma cidade que é um prato cheio para o turismo nas (poucas) horas vagas. Essa opinião, porém, não é unânime, conforme denunciavam alguns cartazes colados em agências bancárias e próximos de caixas eletrônicos com os dizeres “AntiMWC”.

Um breve histórico do MWC

O Mobile World Congress, ou MWC, acontece desde 2006 na capital da Catalunha. Em 2012, com a fundação da Mobile World Capital Barcelona, o evento e a cidade de Barcelona estreitaram ainda mais os laços, superando os rumores de que o evento estaria mudando de cidade — Milão, Munique e Paris eram algumas das candidatas.

Em 2015, em meio a boatos de que Madrid também estaria interessada em hospedar a feira, Barcelona e a GSMA, que a organiza, renovaram contrato até 2023. Segundo dados divulgados pela própria GSMA, no ano da renovação, a MWC levou € 436 milhões à cidade e gerou mais de 12 mil trabalhos temporários. Naquele ano, décimo do evento na cidade catalã, quase 100 mil visitantes e cerca de dois mil expositores vindos de 200 países estiveram lá. De fora, todos os dados parecem impressionantes e positivos, mas são esses mesmos dados que aqueles que se opõe ao MWC usam para questionar os supostos benefícios que ele traz a Barcelona.

AntiMWC

Este é o segundo ano de atividades do grupo por trás dos cartazes AntiMWC. Dessa vez, além de conferências e oficinas, eles convocaram uma manifestação para o dia 1º de março. O grupo, como eles mesmo preferem se denominar, uma vez que eles ainda não veem o AntiMWC como um movimento, é formado por ativistas — grande parte também anarquistas de diferentes coletivos que preferem não serem identificados. Ao que parece, segundo uma das pessoas com quem conversei, desde que o ETA encerrou suas operações na Espanha, todo o aparato para conter o terrorismo se voltou para os ativistas da Catalunha.

Na agenda do evento, de três dias (18, 24 e 25 de fevereiro), os ativistas questionaram a tecnologia a partir de diferentes perspectivas. “Nova exploração via smart: trabalhar em um mundo smart”, “Desmontando o MWC”, “’Tecnologização’ das fronteiras”, “Novas tecnologias para a repressão”, “Contaminação eletromagnética (CEM) no desenvolvimento cognitivo de bebês e crianças”, “Desanonimação via Twitter”e “Smartphones e redes sociais: uma visão crítica” eram os temas das conferências e dos debates divulgados nos cartazes e no site oficial. Entre as oficinais, algumas ensinavam autodefesa digital básica e como consultar fontes de informação abertas.

O palco desses encontros foi o Can Batlló, um antigo complexo industrial que, abandonado pelas autoridades locais, acabou tomado pela comunidade e transformado em um espaço de convívio. No sábado (24), estive em uma dessas oficinas. Para meu espanto, constatei que aqueles cartazes espalhados pela cidade foram incapazes de atrair mais do que 30 pessoas.

Onde ocorrem as reuniões do AntiMWC.

O debate era sobre tecnologia e repressão, mas não consegui entender muito o que eles falavam. Toda a conversa do grupo era em catalão, não em espanhol. É sabida a rixa entre os catalães e o resto da Espanha, mas, nesse caso, não teria sido melhor recorrer a um idioma mais difundido e ter um quórum maior? Mesmo eu, que estava interessada, tive dificuldade de permanecer interessada na medida em que não entendo a língua da região.

As críticas à realização do MWC ensejam uma questão mais local do que global, porém, em tempos de Internet e considerando algumas das bandeiras levantadas pelo grupo (feminismo e sustentabilidade), de natureza globalizada, talvez fosse uma boa ideia falar em espanhol.

Se nos debates apareceram pouquíssimas pessoas, na manifestação marcada para 1º de março a presença foi ainda menor. Rodei a região onde o protesto deveria acontecer e não os encontrei. Pelo Twitter (veja você mesmo em #amwc2017), descobri que existiu sim, um ato, talvez com as mesmas 30 pessoas presentes no outro encontro. Naquela noite, a polícia estava mais preocupada fazendo a segurança de uma festa privada do Twitter que acontecia no mesmo bairro do que com os manifestantes AntiMWC.

As três motivações do AntiMWC

Chamada à manifestação do MWC.

Ainda assim, e mesmo com a baixa adesão, vale a pena pensar nos motivos que levaram essas pessoas a se mobilizarem contra a maior feira de tecnologia do mundo. Porque existem, sim, pontos interessantes ali.

O primeiro deles é o ponto econômico. Embora a feira gere empregos e traga dinheiro à cidade, os ativistas questionam a destinação dos recursos que os governos local e nacional injetam no evento por meio da sua administradora, a GSMA. Uma matéria recente do El País reforça essas suspeitas. Luis Cueto, um representante do governo de Madrid, cidade interessada há anos no MWC, disse que o congresso recebe subsídios do município de Barcelona, do estado da Catalunha e do governo federal espanhol. “Se os organizadores recebem cinco milhões de euro de cada uma dessas instituições, é lógico que a feira vai terminar sendo em Barcelona e não em Madrid”, disse ao jornal espanhol.

Em conversa com o Manual do Usuário, o pessoal do AntiMWC disse que a feira não traz tantos benefícios para a cidade quanto parece porque o dinheiro que é gerado pelo evento volta, em grande parte, para as empresas de tecnologia e telecomunicações participantes. Além disso, os salários pagos para os trabalhadores temporários são baixos. E há um efeito colateral que reflete mesmo os que não participam da feira: a cidade lota e os preços dos restaurantes e táxis sobem entre 30% e 40% nessa época, afetando os residentes de Barcelona. (Nesse sentido, vale lembrar que enquanto terra de Gaudí, Barcelona já é uma cidade bastante turística.) Também para os ativistas, o MWC serve de desculpa aumentar a presença de policiais na cidade.

Uma segunda questão, que é menos local e talvez nos seja mais tangível, é a de gênero. A publicidade, ainda hoje, se baseia em parte na objetificação de pessoas, especialmente das mulheres. Em eventos de tecnologia, tal comportamento machista fica mais evidente, uma vez que predominam os participantes do sexo masculino.

No MWC e em outros eventos do setor, é fácil encontrar promotoras mulheres que seguem rígidos padrões de estéticos. Ao site Crônica Global, os ativistas descrevem a mulher que costumamos encontram nesse tipo de evento na função de promover produtos de maneira degradante: elas têm entre 18 e 25 anos, cabelos medianos para longos, maquiagem e unhas feitas, calçam salto alto e vestem roupas justas que normalmente combinam com as cores do estande. Não raro, essas mulheres fazem apresentações de danças ou coisa que o valha nos estandes — eu mesma vi uma no ano passado. Ainda segundo os ativistas, a prostituição na cidade aumenta consideravelmente na época da feira.

Em terceiro, mas não menos importante, eles lembram que grande parte dessas empresas de tecnologia fabricam seus dispositivos com materiais adquiridos de zonas de conflito ou fruto de trabalho em condições análogas à escravidão: o ouro de Gana e do Peru, a platina da África do Sul, o cobre do Chile e o cobalto do Congo. Produzindo com materiais dessas regiões, as empresas não só estão contribuído com algumas guerras, mesmo que indiretamente, como também com a destruição do meio ambiente, visto que é comum essas extrações serem clandestinas, sem nenhuma preocupação com sustentabilidade. Não foi por acaso que um ativista do Greenpeace tentou invadir o palco da coletiva da Samsung no dia 26.

Enquanto um não-movimento organizado por ativistas que preferem não se identificar é difícil dizer quão efetiva pode ser essa plataforma nos próximos anos. Eles mesmos têm como ideal conseguir que Barcelona não renove o contrato com a GSMA depois de 2023 e que o MWC se mude para outra cidade ou país — e estão cientes de que mesmo isso é algo bem difícil de alcançar.

Pelo que me disseram, os ativistas do AntiMWC já se dariam por satisfeitos em abrir os olhos da população para esse outro lado do evento e da tecnologia, lado que até no Brasil, convenhamos, costuma-se ignorar. O objetivo não é ruim; talvez a execução, a começar pela hostilidade aos simpatizantes da causa não-catalães, é que esteja equivocada. Mas, ei, é só uma jornalista brasileira falando.

Emily viajou a Barcelona para cobrir o MWC e se deparou com o AntiMWC.

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59 comentários

  1. Excelente texto. O movimento AntiMWC tem boas razões para existir mas ele precisa de melhor organização e divulgação.

    Gostaria de poder divulgar tal tipo de manifestação mas infelizmente ele entra em conflito com meus atuais interesses, já que indiretamente lucro ao colaborar com a cobertura da MWC em um blog de tecnologia. BTW, ao menos sei que existe quem seja contra, gosto de ouvir o outro lado.

  2. Parabéns à Emily e ao MdU por abordarem a pauta. Simplesmente não há menção ao movimento em nenhum outro grande portal de tecnologia cobrindo a MWC.

  3. Até agora MWC parece ter ficado perdida sem Samsung,que de longe dava brilho com seus lançamentos ,espero que repensem isso para 2018.

    1. Também acho. Li alguns artigos parecidos com o daqui, sobre a nostalgia, mas não vendeu pra mim. Talvez os tópicos sobre 5G que acontecem lá sejam mais interessantes pro futuro.

  4. Sobre o movimento: tem lá sua legitimidade.
    Sobre a “birra” catalã: são séculos de dominação. Um acontecimento comum na Europa, algum estado mais poderoso dominar os vizinhos e impor sua língua, rebaixando o idioma do outro à “dialeto local”. No caso da Catalunha, eles ainda não perderem o senso de nacionalidade. Assim como na Escócia.
    Sobre as promotoras: uma vez um amigo meu disse que “Tudo que o ser humano faz não passa de um ritual de acasalamento sofisticado”. Esse machismo do evento, que cria a demanda por essas mulheres, que são adultas e aceitaram participar, talvez se enquadre na sentença citada acima.
    O problema aqui me parece sempre associar a beleza e o prazer às mulheres. No caso, a beleza dos aparelhos, e prazer de usa-los… É quase uma pegadinha do Silvio.
    Sobre as praticas absolutamente condenáveis de exploração promovidas pelas fabricantes: eu me sinto culpado. Eu tenho um smartphone, e eu sei que há grandes chances de algumas partes dele terem sido feitas por meio alguma forma de exploração desumana. O pior é que não há como escapar. Se eu comprar um smartphone baratinho da China, eu certamente apoiarei a escravidão maquiada desse país. Se eu comprar um flagship ultra top, eu apoiarei do mesmo jeito essa indústria e ainda darei um lucro brutal para alguma corporação repartir entre poucos abastados

      1. Um sistema horizontal está muito longe do nosso paradigma. Superar o capitalismo hoje significa ou pegar em armas e matar muita gente (o que me parece fora de cogitação), ou deixar que o próprio sistema quebre.

          1. Concordo. Todavia eu percebo que não falta apenas planeta, falta população. Uma hora essa mærda vai quebrar, e muita gente vai morrer em meio à total calamidade…

  5. Ainda que dizem, os Catalães só ficaram felizes quando forem independentes, ai a culpa será dos espanhóis por prejudicarem eles.

    1. Bom mesmo é estar ocupado e não refletir e não questionar, né?

      Esse bando de gente ocupada é realmente o máximo, pena não ter tempo pra vir aqui comentar e dizer o que acha das coisas!

        1. Se vc se mantém ocupado falando de desocupados, talvez vc tenha encontrado um sentido na vida. Respeito isso.

          1. No final esta seção de comentários se tornou um bando de desocupados criticando uns aos outros…

            Vou lá tomar um copo de chá de maracujá e jogar Majjong… :p

          2. Exatamente, virou isso mesmo. E vc, claro, não tem participação nenhuma nisso. Está acima desses comentários. Os apaga justamente por isso.

          3. Não sei quando vou apagar de novo, só sei que a crítica que fiz vale para todos, inclusive eu. Um desocupado critica a atitude de “desocupados”. Outro desocupado crítica a atitude do desocupado que críticou a atitude dos desocupados. E nisso fica esta escadinha. Eu fui um desocupado que critiquei todos os desocupados presentes – eu incluso :p. É simples.

            E eu não apago porque estou acima ou abaixo de ninguém – eu sou eu e sou um ser humano chato e xarope como qualquer outro.

            Apago porque simplesmente as vezes vejo que nem deveria ter escrito, e porque ao menos eu tenho o poder de apagar as palavras e isso dá algum efeito psicológico bom em mim :op (teoricamente, pois na prática os comentários ficam em outro BD, atualmente oculto da visão comum dos usuários daqui).

          4. Se encher o saco dos outros te causa um efeito psicológico bom, não sou eu quem vai te servir de remédio.

          5. Eu não falei que encher o saco dos outros me causa um bom efeito psicológico. E sim que apagar os comentários me fazem sentir melhor … ah, deixa pra lá, já desvirtuou o assunto aqui. O post livre é no outro.

        2. a questão é, amigo, e vc provavlemente está fechando os olhos pra ela: vc é beneficiário direto desses e tantos outros ‘desocupados’. são eles q, minimamente, demovem certas ambições e abrem caminho para certos direitos q todos usufruímos hj. essas lutas por direitos podem ter esse aspecto meio atabalhoado, mas se ganharem corpo podem promover grandes transformações sociais. cada um ajuda a sua maneira, seja pelo empreendedorismo social, seja pela intervenção ou protesto. tachar essas pessoas de ‘desocupadas’ ou vagabundas não ajuda em nada… ou pelo demonstra sua má vontade em abordar o assunto de maneira honesta.

          1. Não cara, a questão é que você está generalizando, quando eu falei que o antiMWC era formado por desocupados, não estou dizendo que todos os protestos e reinvindicações são feitos por pessoas assim. Estou falando apenas deste caso, ao generalizar, quem está sendo desonesto aqui é você. Já tinha dito que tô fora de ficar discutindo isso por aqui, se quiser conversar, me manda um email. Eu acabei de desativar as notificações deste post, então se for responder novamente com as suas bravatas, saiba que vai estar falando sozinho. Passar bem.

          2. Vc tratou os participantes por ‘bando’. Isso não é generalizar!? Ok, vc ignora os indivíduos q participam dos protestos, sem conhecê-los, e diz q todos são um ‘bando de desocupados’ e isso não é generalizar… Eu generalizo por necessidade de te incluir na porra de um contexto e tirá-lo dessa bolha imbecil q vcs criam pra si – por desonestidade mesmo.

            Agora, eu tenho q te mandar um email se quiser te ensinar algo!? Ah, amigo, faça-me o favor… Tá cheio de vídeo (recomendar um texto é demais) na internet (uns bons e outros lixos com a alcunha de nerd) com os quais vc pode conseguir uma orientação mínima. Mas o mínimo q espero de vc, agora, é q vc use camisinha e não estenda esse tipo de “”princípios”” a outro ser humano sob sua responsabilidade (se é q vc tem alguma).

            Passar mal.

      1. há 7 minutos
        Em relação a sua citação lamentável sobre o meu site, no qual aliás o Ghedin já trabalhou, nao somos machistas ou elitistas nem aqui nem em Marte, se você acha isso, não lê os textos, ou não sabe interpretar. E outra coisa, eu tô dando minha opinião pessoal aqui, não seja desonesto.

        Agora tentando mais uma vez dar a minha humilde opinião, volto a dizer, acho falta do que fazer este tipo de protesto. O único lado que respeito é o das condições de trabalho, e mesmo assim se fosse pra reinvindicar isto, acredito que não deveria ter o nome AntiMWC.

        Pronto. Ah, e se você realmente não for capaz de respeitar a opinião alheia, parei por aqui.

      2. Em relação a sua citação lamentável sobre o meu site, no qual aliás o Ghedin já trabalhou, nao somos machistas ou elitistas nem aqui nem em Marte, se você acha isso, não lê os textos, ou não sabe interpretar. E outra coisa, eu tô dando minha opinião pessoal aqui, não seja desonesto.

        Agora tentando mais uma vez dar a minha humilde opinião, volto a dizer, acho falta do que fazer este tipo de protesto. O único lado que respeito é o das condições de trabalho, e mesmo assim se fosse pra reinvindicar isto, acredito que não deveria ter o nome AntiMWC.

        Pronto. Ah, e se você realmente não for capaz de respeitar a opinião alheia, parei por aqui.

        1. Achava que você possuía uma capacidade argumentativa melhor do que simplesmente alegar que “é só a minha opinião.”

          Não há pior forma de desqualificar alguém do que denunciar um suposto caráter supérfluo da ação que o sujeito se propôs a fazer. Afinal, o que seria ser “ocupado” para você? Não questionar os evidentes problemas do capitalismo do silício e resignar-se quanto a ele? São desocupados todos aqueles que minimamente procuram questioná-lo? Isto não é opinião, é tentativa de silenciamento — e não só de sujeitos, mas de uma pauta relevante para nosso futuro.

          Sua sugestão de que são “desocupados” não difere muito de certo discurso de ódio contemporâneo: “vai trabalhar ao invés de fazer protesto”; “vai lavar louça ao invés de reclamar de machismo”, “vai estudar ao invés de ocupar escola”, etc.

          Sobre o site: a notícia que citei é de quase dez anos atrás e desde então o MeioBit melhorou muito. Mas são recorrentes as piadinhas com “SJWs” (repercutindo o mesmo tipo de silenciamento que você promove aqui) — sobretudo quando a pauta é feminista. Infelizmente, porém, os textos do Cardoso continuam mantendo a péssima qualidade de sempre e arregimentando uma turba particular de bolsominions. E se você chama isso de “ironia”, então o problema é bem mais profundo.

          1. Bom, essa discussão explica bastante sobre o Meio Bit e a sua linha editorial, ainda que seja uma “opinião pessoal” como frisou o Ellis, o comportamento segue o mesmo padrão que a gente encontra no Meio Bit. Uma pena porque seria bom ter uma discussão melhor do que “bando de desocupados” e depois silenciar o interlocutor com as falácias usuais – era ironia, era minha opinião que você não respeita, etc.

          2. Gente, o Cardoso já começou a gritar de raiva no twitter!

            Qual a estratégia dele? Desqualificar, como sempre!

          3. Gabriel, não por mal, mas tu deu uma falha aqui. O problema do MeioBit não é o MeioBit per si, mas o Cardoso e alguns que copiaram o estilo dele (essa é a minha opinião. E como tal, posso estar errado.

            Acho que a opinião do Ellis não reflete (ou não deveria refletir) na personalidade do site. Ele está falando como NickEllis nos comentários, não como Meio Bit. Já começa o erro aí.

            No entanto acho que aqui não seria o melhor espaço para reclamar de site ou temperamento alheio (digo por experiência própria ;) ). Tu no final falha pelo ad hominem :p

            Uma coisa que tenho aprendido com o tempo é: se não curte algo, melhor deixa-los para lá (apesar de algumas vezes eu agir ao contrário desta ideia :op ). Nunca mais acessei o Meio Bit e não estou nem aí para o que eles fazem. Se alguém de lá tem algum problema, que a (lenta e in)Justiça brasileira resolva.

            Audiência negativa é uma forma de audiência, e também de polarização. Eu não posso obrigar o @NickEllis, Cardoso ou qualquer outro a pensar como eu ou tu pensamos. Acho que esta discussão poderia ser feita em outro lugar. Por aqui acho bom pararmos.

            E sim, já sei que eu criticava assim no passado também, mas acho que perseguir deste jeito não resolve nada :op

          4. Tenderia a concordar, mas nesse caso trata-se de um comentário ofensivo do Ellis. Ativistas agora são desocupados? É como eu comentei acima: é o mesmo tipo de discurso de ódio que manda feministas irem “lavar louça”.

          5. Cara, sinceramente tem alguns que são. Toda generalização tende a ser burra, mas por causa de uns é que o resto sofre.

            Fora que na questão de ativismo, o que noto é quem realmente tem valor é aquele que reverte o outro de forma mais positiva. Quando apenas reclama e não atua de forma mais positiva, ou aberta, ou até se esforça para atingir mais pessoas, tudo se reduz a generalização – a mesma que Ellis fez e eu também fiz em outro comentário.

            É uma discussão difícil, mas se quer “converter” as pessoas, tem que saber como. Pastores sabem fazer isso de alguma forma. Palestrantes motivacionais também. Pessoas bem articuladas na comunicação também. Só que ambos as vezes fazem (olha a generalização aí) de forma bem fora dos padrões que muitos que hoje defendem atitudes “mais sociais” (preciso de uma definição melhor aqui) não conseguem.

            É como falei ao Montarrios: estamos aqui desocupados reclamando de outros desocupados.

            Pois quem realmente está ocupado não está reclamando de pessoas, mas atuando para mudar as pessoas ;)

          6. Por favor, não chame os que aqui comentam de desocupados.

            A gente se reúne nos comentários para debater, aprender e crescer. É nas divergências que entramos em contato com outros pontos de vista e elevamos a visão de mundo. Nesse sentido, debater é importante — inclusive por comentários. Eu mesmo já aprendi muito com essas discussões.

            Existem outras formas de realizar mudanças? Certamente, mas participar das nossas discussões não as excluem. Essas ações podem ser, inclusive, complementares. Quando você diz que isso é para desocupados, ofende, ainda que não intencionalmente, a todos nós. E isso é meio chato ?

          7. Eu acho teus dois comentários bastante lúcidos @disqus_ulQPKxfEb4:disqus mas o caso aqui foi o modo como o Ellis simplesmente desceu a lenha sem dar margem para qualquer papo e o @gafernandes:disqus fez uma correlação com o modo como o site, Meio Bit, é administrado ou tem a sua linha editorial administrada.

            Eu fui um cara que acompanhou bastante o Meio Bit na minha época de formação em Física porque era um site que ia além de dar manchetes como o Gizmodo – sempre rolava uma história junto – mas aos poucos o modus operandi ia me incomodando e eu não sabia exatamente o porquê disso. Com o meu amadurecimento eu entendi melhor o que tava ocorrendo e com os estudos em áreas sociais entendi o que era que me incomodava – basicamente a incapacidade de ter empatia que eles tem por lá o discurso que beira o ódio a qualquer tentativa de se racionalizar socialmente – o que me fez aos poucos abandonar o site e todos os editores de lá (eu cheguei a ouvir o podcast do Scicast e o Sala da Justiça, por exemplo).

            Eu hoje “deixo eles morrer” como você disse, mas acho que essa é atitude que não ajuda em nada o corpo social ácido e corrosivo da internet, principalmente nos ditos “sites de ciência e tecnologia” e acho que tentar combater esse tipo de pensamento deve ser sim uma bandeira que, caso se consiga “converter” uma pessoa de 1000, já vale a pena.

            Infelizmente é uma luta quase perdida e deveras desigual porque o megafone que essas pessoas usualmente tem é ampliado pelos seguidores, principalmente no Twitter, de modo que qualquer tentativa de debate/discussão esbarra nessa negativa que vimos hoje. É uma pena, reitero, porque seria interessante ter outra visão e ter um debate minimamente honesto e aberto.

          8. Eu acho teus dois comentários bastante lúcidos @disqus_ulQPKxfEb4:disqus mas o caso aqui foi o modo como o Ellis simplesmente desceu a lenha sem dar margem para qualquer papo e o @gafernandes:disqus fez uma correlação com o modo como o site, Meio Bit, é administrado ou tem a sua linha editorial administrada.

            Eu fui um cara que acompanhou bastante o Meio Bit na minha época de formação em Física porque era um site que ia além de dar manchetes como o Gizmodo – sempre rolava uma história junto – mas aos poucos o modus operandi ia me incomodando e eu não sabia exatamente o porquê disso. Com o meu amadurecimento eu entendi melhor o que tava ocorrendo e com os estudos em áreas sociais entendi o que era que me incomodava – basicamente a incapacidade de ter empatia que eles tem por lá o discurso que beira o ódio a qualquer tentativa de se racionalizar socialmente – o que me fez aos poucos abandonar o site e todos os editores de lá (eu cheguei a ouvir o podcast do Scicast e o Sala da Justiça, por exemplo).

            Eu hoje “deixo eles morrer” como você disse, mas acho que essa é atitude que não ajuda em nada o corpo social ácido e corrosivo da internet, principalmente nos ditos “sites de ciência e tecnologia” e acho que tentar combater esse tipo de pensamento deve ser sim uma bandeira que, caso se consiga “converter” uma pessoa de 1000, já vale a pena.

            Infelizmente é uma luta quase perdida e deveras desigual porque o megafone que essas pessoas usualmente tem é ampliado pelos seguidores, principalmente no Twitter, de modo que qualquer tentativa de debate/discussão esbarra nessa negativa que vimos hoje. É uma pena, reitero, porque seria interessante ter outra visão e ter um debate minimamente honesto e aberto.

          9. Eu não discordo do fato que tem que se combater estas atitudes na internet (e aproveito para dizer que quando as vezes entro em uma discussão boba contigo ou com outros aqui, é meio que para justamente tentar ver se acha uma forma de “quebrar” a posição do outro ou vocês justamente saberem com lidar com este outro – neste caso eu sendo o alvo :p Sei que empaco na conversa, mas é porque a minha linha de pensamento acaba chegando aos pontos que vocês implicam).

            O problema é que houve uma falha pois vocês usaram uma bela de uma “falácia ad hominem” aqui, que já matou qualquer discussão possível aqui. Não adianta chegar e já chutar falando “pô cês são blabla pois isso e aquilo”. Pior que a própria Emily colocou que a discussão lá ficou só “entre eles” porque ficou tudo em Catalão. Isso já justifica também as críticas – tem que ter alguém disposto a entender plenamente eles para poder pegar a conversa. Soa que eles só estão fazendo por fazer aquilo.

            O argumento do Ellis foi besta pra caramba – “bando de desocupados”, mas essa é a visão comum que muitos que não são fãs do “ativismo de esquerda” usam – eu algumas vezes também (vide o outro comentário). Não se quebra este argumento falando “é, mas você é um chato bobo que é elitista”.

            No final ficamos todos desocupados aqui criticando uns aos outros – tal como falei ao Montarroios. Fica uma briga inútil. É como falei ao Gabriel aqui – falta alguma articulação para poder conseguir superar isso – um poder que pastores, políticos e palestrantes tem.

          10. Primeiro, que não vejo nenhum problema em ser desocupado =P

            Sim, tu tá certo, o argumento do @gabriel foi ad hominem total, mas, foi uma resposta a agressividade desmedida que se iniciou com o Ellis. Eu pontuei que faz sentido a linha editorial do Meio Bit quando se tem pessoas que pensam assim. Muita coisa “se encaixa” quando as coisas são postas dessa maneira. E no Twitter esse comportamento seguiu – o Cardoso começou a chamar os seguidores naquela chuvinha de massagem de ego de sempre comentando sobre o assunto aqui. Eu acho bem estúpida essa atitude, mas, como eu disse, tu tá certo quando diz que é melhor deixar eles morrerem (e eu diria que ou morrerem ou ficarem isolados em seus pares). Mas na hora sempre me sobe o sangue.

            Sobre o evento em si, eu acho que ele segue o problema de toda a esquerda mundial: ela não consegue descer as “escadas do DCE”, e quando eu digo isso eu quero dizer que ela não consegue falar com os outros, arregimentar pessoas pra luta, conscientizar pessoas sobre a situação atual da política econômica capitalista, etc. Isso é uma grave falha da esquerda que está sendo suprida, aqui no Brasil ao menos, pelas religiões neo pentecostais.

            O pastor consegue dialogar com as pessoas de baixa renda e, muito mais do que isso, ele consegue fazer essas pessoas se sentirem parte de algo, se sentirem úteis e serem ouvidas. Ele dá a elas pertencimento e não acusa a esmo. É um erro da esquerda e um acerto da religião. A esquerda é sim muito fechada entre si, o anti-evento em catalão só corrobora esse ponto.

          11. Cara, o Ellis só falou que ele achou o grupo “um bando de desocupados”. Entendo se sentirem ofendidos com a colocação dele (as vezes quando comento é com o sangue alto também :p ), mas no final só criou um muro.

            Os dois últimos parágrafos são ótimos, era isso que eu queria ler :) . Uma sugestão que lhe dou, caso esteja no Facebook, é procurar o jornalista e cartunista Claudio de Oliveira (do Agora), o cientista político Marco Nogueira, entre outros. Tenho visto bastante reflexão a partir deles justamente sobre esta questão de saber conversar e se colocar. :)

          12. Me inclua fora dessa. Vc não saca as sutilezas das coisas, infelizmente. Não somos desocupados por estarmos aqui. É bem provável q estejamos todos bem ocupados e estamos nos desviando de tarefas (qualquer uma) pra estarmos aqui comentando algo q nos interessa. Mas é preciso se desocupar de determinadas tarefas pra poder seguir adiante com ativismo, com a realização de protestos etc. Se vc não gosta dos protestos, da forma dos protestos ou dos motivos do protesto, ok. Mas não desqualifique as pessoas por fazerem protestos. Isso é uma atitude muito em voga hj em dia e disseminada por gente tola q caiu no papinho furado anti-pt. Se tem gente q vive disso e até ganha dinheiro com isso (MBL), é problema deles… Se o cara é agressivo ou não, isso é de menos, o problema é essa fala preconceituosa. Se veio até aqui escrever isso, aguente. Mas nem isso o cara aguenta… É um tipo de covardia bem característica com a qual não compactuo e nem sinto um pingo de solidariedade. É simplesmente inaceitável q pessoas com recursos e com inteligência digam e difundam asneiras. Sejam honestas, pelo menos, e falem q isso é pela grana, pela audiência. Não vem com essa de ‘opinião’ isenta q não cola… E, cara, sinceramente, quero distância de gente assim. Atravesso a rua se trombar por aí pra nem ter q passar perto.

          13. Insisto: é uma briga inútil sua, do Ellis e de qualquer outro (e minha também, pois sei que você não vai mudar sua posição por causa de minhas falas). Você se sentiu incomodado com o que eu escrevi, aguente também. O problema que noto em você, Montarroios, é que você fica em um ponto limítrofe de ser radical, e também é preconceituoso (admita), principalmente com pessoas que pensam o contrário do que você pensa. Pense um pouco sobre isso, por gentileza (mas se quiser). Sugiro seguir as pessoas que indiquei ao Paulo Pilotti, pois eles defendem o social e também as ações moderadas :)

            Não discordo que as pessoas deveriam ser menos hipócritas e mais sinceras / honestas – isso você tem total razão e não é a toa que temos um problema sério de sociabilidade. Hoje o que mais tem é gente fazendo de tudo para chamar a atenção e “chamar para si” uma causa. Fica esta briga tola.

            No entanto, desqualificar por fazer protesto até gente que antes defendia hoje desqualifica também. O mal é que as manifestações passadas estragaram a “moral” de se manifestar. As de 2013 mudaram alguma pouca coisa neste país e não resolveu de imediato os problemas (no final só foi o começo da tormenta que culminou nas manifestações pró-impeachment), mas no final pavimentou o caminho para justamente o MBL *(coisa que antes a CUT, UNE e outras faziam por dinheiro e influência também, vamos ser francos) fazer o que fez.

            No caso do Ellis, acho que também foi covarde o que vocês fizeram. Este tipo de conversa nem deveria começar do jeito que vocês começaram. Se o cara falou uma besteira que vocês se sentiram ofendidos, este trecho que você falou agora para mim era o ideal para começar a conversa:

            Se vc não gosta dos protestos, da forma dos protestos ou dos motivos do protesto, ok. Mas não desqualifique as pessoas por fazerem protestos. Isso é uma atitude muito em voga hj em dia e disseminada por gente tola q caiu no papinho furado anti-pt. Se tem gente q vive disso e até ganha dinheiro com isso (MBL), é problema deles…

            Não fez um ad hominem direto, e atacou o assunto, não a pessoa.

            Eu sinceramente não sou fã de protestos. Participei uma vez só no passado (passe de estudante no final dos anos 90) , mas vi com o tempo que aquilo tudo tinha um teatro por trás – não venha me falar que não vejo sutileza nas coisas. Não desmereço quando o foco do protesto tem algo que eu possa apoiar – como um combate a corrupção ou às atitudes de trânsito que matam. No entanto desmereço quando é “briga teatral” contra “uma elite”. Esse papo para mim já cansou.

          14. Ligeiro, vc nega a história. Protestos (rebeliões, revoluções, revoltas, motins, insurgências etc) acontecem há séculos. Não começaram com a CUT, com a UNE e muito menos em 2013 com MBL ou MPL e, principalmente, com patriotas de ocasião com discurso anti-pt. Mas não vou discutir sobre isso contigo… Não tenho interesse e nem forças.

            Obviamente não “ataco” pessoas e sim questões. Não tinha nada contra esse cara. Agora, tenho! Mesmo, pq até meio hora atrás eu nem sabia da existência dele. Não tem como nutrir confiança num cara assim, pq não é questão de posicionamento, de opinião como ele diz, trata-se de ódio, de desqualificação do Outro e do ok pra violência. É esse discursinho, travestido de devoto de seriado enlatado americano (mas poderia ser de qualquer país), q dá margem pra violência policial, pra justiça seletiva e toda sorte de abusos em âmbito doméstico do qual não ficamos sabendo.

            “Bando de desocupados” é eco de “bando de vagabundos”, “senta a porrada neles”, “pode matar, que isso não é gente” etc. Coisas q se vc aprova, vc está no mesmo nível deles e, sinceramente, acho desprezível. PROMOTORES DE JUSTIÇA dizem coisa do tipo! E as pessoas, desde o tonto q vê o mundo pela ótica de um seriadinho até o um servidor público justiceiro, abrem caminho pra ainda mais violência, pq negam o Outro, as diferenças e a realidade q os cercam. Isso é inaceitável vindo de pessoas nitidamente privilegiadas. E, claro, eles não admitem serem questionados.

            Vi lá o twitter do rapaz com indiretas sobre ‘estão problematizando tudo q o eu digo’. Como se um barnabé desses merecesse algo além de espasmo pra ser respondido. Não se problematiza questões tão cretinas qto essa, pq elas são só o capacho da entrada de problemas muito maiores dos quais esses caras até se dão conta, mas não são honestos o bastante pra dizerem isso.

          15. Vou lhe facilitar então pois aí você usa uma ferramenta fácil de usar do Disqus, que é o “block” caso não aceite o que eu escreva aqui e agora, seja em mim ou no Ellis: uso também o “bando de vagabundos” e “senta a porrada neles” quando necessário.

            Não foi você que já foi assaltado ou violentado por alguém que hoje você define como “pobre coitado vitima da sociedade”. Eu já. Eu tenho que desviar de rua todos os dias pois sei de criminosos que moram perto de mim. E não posso fazer nada. Apoio a violência policial quando a violência da sociedade fica desmedida – se bem que a polícia hoje é bem corrupta também e nem pega e prende o criminoso que mora perto de mim. E isso não vem de série de TV.

            Boa parte daqueles que virem participar de protestos no passado, hoje são aspones. Ganharam cargos graças justamente ao contato que tiveram nos protestos. Fizeram a vida sem fazer muita coisa e sem mudar muita coisa na política – o contrário do que defendiam antes.

            Da mesma forma que tem gente que tem trauma pois foi vitima da violência policial, há muito mais gente ainda, em número maior, que tem trauma pois é vítima da violência da sociedade. Da ganância do outro, da vontade de crescer rápido, da conversa fiada de que o outro é vitima da sociedade e vira criminoso por causa disto – romanceando o crime.

            Então antes de criticar alguém que critique um movimento social como “bando de desocupados”, faça uma autocrítica e veja se esta não se é inválida por uma “vista grossa” da própria pessoa, que não critica aqueles que se corromperam no próprio meio.

            Qualquer coisa eu também posso usar o block, ou apagar a conta. Qualquer coisa para encerrar esta conversa, que provavelmente vai ficar na mente daqueles que a lerem (até ela estar ativa aqui) e vai ser remoida ou ignorada, vai de cada um.

  6. Eu vejo um ativista ultimamente da mesma forma que vejo o personagem “Militante Revoltado” do Tá No Ar. Sei que é um preconceito, mas bem…

  7. Muito legal o texto.

    Também para os ativistas, o MWC serve de desculpa aumentar a presença de policiais na cidade.

    Anarquistas são bem estranhos.

      1. Essa vou tentar explicar. Por favor, não me entenda mal ;)

        Há uma visão em cima de alguns tipos de anarquistas, que são geralmente aqueles que são altamente radicais: querem apenas que sua postura vingue, e não a do outro, não sabendo conversar, apenas provocando com alguma raiva. Isso fica bem claro quando vê matérias como esta, mostrando as atitudes dos anti-mwc. Se é para as pessoas entenderem o lado de quem é ativista, de quem reclama, então que se convite, e não que se grite.

        É que nem a reclamação que tu fez em cima do Nick Ellis em relação ao Meio Bit. Mas essa vou deixar em uma resposta para ti direta lá.

          1. Nesse caso, não devemos tomar a polícia brasileira como parâmetro. Assim como os políticos. Em países desenvolvidos ela é treinada para defender o cidadão e combater a violência.

          2. Em todo o mundo capitalista a polícia é mobilizada para defender os interesses da classe dominante empregando violência contra os mais pobres. No Brasil o nível de terrorismo praticado pelos assassinos da polícia é descomunal, mas mesmo em países centrais isto acontece.

            No caso específico de Barcelona: https://www.youtube.com/watch?v=g4LdL5RF0To

  8. Que grande achado!

    E esse trecho me lembra muito sobre o legado da Copa, que se circunscreveu ao aparato policial modernizado e, agora, usado pra impedir manifestações de forma muito eficiente:

    “desde que o ETA encerrou suas operações na Espanha, todo o aparato para
    conter o terrorismo se voltou para os ativistas da Catalunha.”

    Algo similar acontece tb nos EUA, com boa parte do equipamento que não é mais utilizado pelas Forças Armadas em zonas de guerra sendo entregues para serem usadas pelas Polícias.

    1. Muito pior, algumas polícias tem armas não letais mais avançadas que a polícia, ferramentas de dispersão extremamente eficazes, não é nem questão de aparato de guerra, são tecnologias avançadíssimas, que não caberiam só no orçamento militar.

      1. Mas vc deve ter notado, nos protestos que se espalharam pelos EUA, que as polícias estavam usando equipamento de guerra e se comportando como se estivessem em guerra. Algo similar aconteceu aqui: muito do equipamento adquirido para a proteção da Copa e Olimpíada foi destinado às polícias.

        Mas nos EUA esse fenômeno é relativamente recente, pq eles não têm polícia militarizada como a nossa, apesar do gosto pela brutalidade ser universal. Isso, da polícia militarizada, pôde ser visto de maneira mais intensa na dispersão dos protestos em Ferguson: http://gulagbound.com/46155/militarized-police-roll-on-ferguson/. Fora que sendo um país belicista, a cultura militar ganhar as polícias nos EUA é um tiro, literalmente.

        Essas compras de equipamentos mais sofisticados de dispersão me parecem gastos mais pontuais. Como aqui q compraram carros israelenses q receberam a debochada alcunha de ‘Guardiões”. As armas sônicas, por exemplo, ainda seguem com uso tímido.

        https://www.youtube.com/watch?v=ngPH1nnU61o

        1. Podem ser pontuais, mas o custo elevadíssimo de um maquinário que quase não tem uso. Hoje a Polícia de Ferguson está numa crise de dar inveja, por conta dos investimentos nesses brinquedos.

          Outros investimentos para a Copa/Olimpíada que terão pouco uso, são as máquinas para derrubar drones.

          A militarização da polícia, ou sua inexistência no caso americano, tem pouco haver com a violência praticada pela mesma. Percebo que é muito mais relacionado a cultura do medo, que vem o medo/ódio da Polícia e consequentemente sua maior agressividade à população.
          Estamos comprando armamento não-letal de empresas geradas por guerras, Israel, e muito do que compramos já é feito com o propósito de guerra, o problema que existem lugares extremamente violentos que necessitam disso.

          Temos bandidos com calibres .50 para roubar carros fortes. Isso é munição anti-tanque/anti-aérea, e está sendo usada na rua como se fosse uma arma qualquer.