Gostaria de saber a opinião de vocês. Ainda vale a pena fazer um mestrado/ doutorado no Brasil, mesmo diante de tantas questões, algumas delas citadas pelo Olavo Amaral? São muitos formados e poucas vagas, os concursos estão cada vez mais escassos e concorridos, os processos seletivos são muitas vezes duvidosos, as vagas em universidades particulares também parecem raras e suas condições de trabalho parecem bem difíceis, a cobrança por produção é adoecedora, as empresas não querem saber de mestres e doutores no seu quadro… Se seu sonho é ser professor universitário/ pesquisador, você precisa mesmo fazer um mestrado e doutorado e tal, mas eu pergunto se vocês acham que vale a pena passar por todo esse processo e ainda ter um futuro tão incerto. Vocês fizeram/ fazem uma pós? Quais as perspectivas que vocês têm do mundo acadêmico?
PS.: eu sei que a maioria aqui é de exatas e provavelmente deve encontrar condições melhores do que nós de humanas encontramos, mas gostaria de saber a perspectiva de vocês sobre o tema.
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Exatas é tão amplo quanto Siqueira (quem é de exatas conhece a piada). Muitos engenheiros fazem pós porque não conseguem emprego assim que se formam e muitos matemáticos, como eu, não conseguem emprego.
Então muita gente de exatas – não gosto desta denominação porque não é exata 😏 … – vive a sua situação.
Minha opinião é que se deve seguir o melhor caminho, naquele momento, que esteja próximo das suas pretensões.
Tentar prever o mercado de trabalho é muito angustiante e talvez não leve a conclusão nenhuma, faça o que precisa e quer fazer e vá ajustando no caminho. Como diz um amigo meu: tem que aprender a atirar durante o tiroteio.
Se vc já é bolsista o melhor é seguir em frente, muitas oportunidades aparem durante o percurso. Se não é, por que não?
Na minha modesta opinião, a partir do momento que vc tem remuneração já está no mercado de trabalho, não vejo muito sentido em separar o trabalho do bolsista com outro com carteira assinada. Boa sorte!!
Você percebe que o mercado de trabalho está ruim também para quem faz Matemática?
No meu caso, não sou bolsista e tenho um emprego que não tem nada a ver com minha área de formação. Daí vem parte das minhas incertezas, porque nos processos seletivos para professor universitário, ter experiência na área conta pontos (literalmente), o que me leva a ficar sempre em desvantagem em relação aos colegas.
Oi, Vanessa! Atualmente eu estou chegando no meio do doutorado. É como disseram ali embaixo, as vagas existem, mas cabe a pessoa ter desprendimento e saber que a chance de tê-las perto de onde mora é difícil. Na minha área, ciência da informação, sei de 4 concursos abertos nesse momento – dois no Sudeste e dois no nordeste.
Isso é muito real! Vi alguns processos seletivos em SP, eu sou do Rio.
Acho que a maior desvantagem desses concursos é que os exames são realizados durante a semana, nem sempre o edital traz as datas exatas e por isso a data e o horário são divulgados posteriormente, entre outras coisas. Isso enfraquece demais quem precisa negociar dispensa do trabalho, comprar passagem com antecedência, etc.
Em relação a concurso, não estão escassos. O lance é que tá descentralizado. Tenho acompanhado a abertura para minha esposa, que está no mestrado em educação, e abre concurso para ela praticamente toda semana em algum canto do brasil. E pelo que eu vejo, em praticamente toda área segue esse mesmo padrão, mas aí tem que ter o desprendimento de onde você vive atualmente, pois se for esperar algo no local onde já vive, aí demoram anos entre uma oportunidade e outra.
Nem fala, pode passar muito tempo até uma nova seleção! Mas como eu respondi o Vinicius aqui em cima, os editais geralmente deixam a data e o horário da seleção em aberto (pelo menos os que eu vi esse ano), o que impede um planejamento com mais calma, passagens mais baratas, etc. Acho um processo muito caro e a seleção começa nesse ponto, onde só concorre quem tem condições financeiras pra isso. Pelo menos é a minha impressão inicial :(
Não consegui ler a matéria, mas estou há vários minutos pensando na impossibilidade de dar uma resposta definitiva a esta pergunta.
Atualmente estou no meio do doutorado e o tempo todo dá vontade de desistir — menos até do que pelo esgotamento físico e mental e mais mesmo pela total desestímulo que temos pra isso. Por outro lado, é a oportunidade única de refletir sobre um assunto de pesquisa de meu particular interesse.
Amanhã ou depois venho com uma opinião um pouco mais bem refletida.
Também demorei para vir responder ahahahha. Se vc tem um bom orientador e uma boa relação com os colegas da pós, é uma ótima chance para aprender mais e ter reflexões interessantes sobre o tema através dessa troca com seus pares.
Eu observo que as perspectivas são ruins não só porque são poucas vagas para muitos candidatos, mas os processos seletivos não são muito transparentes (participei de dois esse ano e foi o que notei, além de várias histórias que eu já ouvi). É certo que nem todos são assim, não posso nem quero generalizar, mas essas histórias desanimam a gente.
Oi, Vanessa. Sempre fiquei lurkeando no Manual, mas decidi criar uma conta só pra responder.
Atualmente faço mestrado em direito na USP e posso seguramente te dizer que é uma das coisas que tenho mais certeza que valem a pena, ao menos na minha área. Os escritórios onde trabalhei e onde trabalho valorizam imensamente o estudo acadêmico e nunca vi um que desestimulasse isso. Logicamente, é uma questão um tanto limitada talvez aos círculos de advocacia de São Paulo, que é o que eu conheço, mas sempre que mencionei meu desejo de ser professor fui muito encorajado.
Particularmente na área de humanas, onde o saber técnico-pratico se conjuga muito com o saber acadêmico, o mestrado acaba sendo uma extensão lógica da especialização profissional. Em áreas de exatas, a tecnicidade de eventuais aprendizados que não se inserem nos moldes do ensino formal e o saber técnico-pratico são mais valorizados do que o saber acadêmico propriamente. A lógica produtiva (e exploratória) se aplica nos dois casos, mas com valorizações diferentes pra diferentes saberes. De qualquer forma, o mestrado, de forma alguma, impede a aquisição de saberes paralelamente à formação acadêmica. Tudo isso pra falar que acho que vale a pena sim. Ninguém nunca vai achar menos de alguém por ter feito mestrado.
É verdade, na área de Direito um mestrado e/ ou doutorado tem seu valor para os escritórios de advocacia! Isso é ótimo. Acho que algumas áreas valorizam mais e outras menos essa formação, eu ainda estou entendendo em qual lado está a minha área e como ela vê alguém como eu, que quase não tem experiência profissional na área, trabalhou a vida inteira em outra coisa e investiu o tempo que sobrava fazendo mestrado e agora doutorado.