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Sugestões de canais brasileiro sobre eletrônica/computadores antigos

Há algum tempo acompanho canais, em sua maioria norte americanos sobre eletrônica/computadores antigos, como 8bit Guy, Adrian’s Digital Basement, Usagi Electric, entre outros. O conteúdo é fantastico, mas sinto falta de ver conteúdo nacional sobre o tema. Infelizmente, os canais até hoje que tive contato são, bem, insatisfatórios, se posso dizer isso sobre o conteúdo alheio. Na maioria das vezes o assunto e a abordagem são até bons, mas normalmente é feito com uma camera de celular balançante, num esquema sem nenhum corte, sei lá. Acho dificil de acompanhar e um estilo que acaba me distraindo muito do conteúdo. Alguma dica de conteúdo em vídeo assim mais “bem produzido” por se dizer?

11 comentários

  1. Cara, essa falta de conteúdo brasileiro parace ser um problema que atinge varias áreas. De uns anos pra cá tenho tentado consumir mais coisas do Brasil/Portugal, falo de Youtubers, podcasters, etc.

    Não tem sido um sucesso… sempre que busco algo e encontro tipo 10 vezes menos material que encontraria em inglês, acabo desistindo… isso quando não encontro coisas em português que são “réplicas” de fontes em inglês.

    Acho que é bem isso que o Ricardo Jurczyk disse, criar conteúdo a sério é praticamente um trabalho full-time.

    Mesmo não gastando um cent pra criar, esse enorme tempo disponivel para manter um canal “custa” algo entre 2 a 5 mil reais/mês. Nada é gratuito. Isso é inviável pra maioria dos brasileiros que queriam criar conteúdo.

    O maior poder acquisivo nos EUA permite muitos cidadãos médios dedicar esse enorme tempo na criação de conteúdo.

    Uns anos atrás reparei que, praticamente tudo que eu consumia na net, videos, livros, podcasts, uns 95%, provinha de apenas um grupo de pessoas: americanos, homens, brancos de classe media alta ou ricos.

    Situação deplorável eu sei 🤣, diversidade zero. Mas lógico que não escolhi seguir esse grupo de forma consciente — esse grupinho simplesmente domina o mundo digital.

    Tenho feito um certo esforço pra consumir conteúdo de outros tipos de pessoas. Desde que o conteúdo seja top, eu não me importo se o Youtuber é um índio tupi guarani ou até mesmo um afrodescendente pobre da periferia de São Paulo.

    Mas a coisa não é tão simples assim — simplesmente não encontro conteúdo de qualidade vindo desses grupos menos privilegiados, pois como ja disse, criar conteúdo de primeira (e manter) requer muito tempo e esse tempo “custa” uma boa grana.

    Aí fico amarrado àquele grupinho privilegiado que ja mencionei…

    Sinceramente, ja tô de saco cheio das manias e arrogâncias dos americanos… da visão americo-centrista, da prepotência…

    Enfim… ja fica aí o desabafo… 😁

    1. Não é só isso também. Não sei se falo besteira, mas gente como o David do 8-Bit Guy não me parece que ganha horrores, só lembremos que lá nos EUA a forma de remuneração e custo de vida são bem diferentes em relação ao BR, fora os preços como você mesmo cita.

      Toda vez que vejo um conteúdista de YouTube fazendo vídeos sobre desabafo deles, eles mesmos falam que o próprio YouTube só ajudou no começo, mas depois eles tiveram que diversificar pq a remuneração do YouTube não deu tanto quanto pareceu ser bom.

      Salvo engano o Usagi é engenheiro, David do 8-Bit Guy era suporte e depois se dedicou a fazer os jogos digitais dele, ajudou na construção de um espaço de arcade, etc… Eles não são exatamente “full time”, mas parte dos trabalhos deles permitem fazer uma intercalada entre produzir um conteúdo e fazer o trabalho deles comum. Assisto da área o PhilComputersLab (que é mais focado em emulação e jogos DOS) e outros que são mais recentes. Mas mais por curiosidade do que por empenho – tou com um Pentium 3 parado e não sei mais o que fazer.

      Outro ponto também é que no Brasil nosso cenário de retrocomputação tem dois problemas: primeiro o sucateamento rápido das tecnologias, segundo que de fato as tecnologias antigas eram realmente “para as elites” dado a relação econômica BR. E nem todo mundo que ganhou da empresa ou do chefe rico um 286 com tela de fósforo conseguiu manter em casa por algum tempo dado tamanho, gasto de energia e também desânimo de manter. Ou no caso de MSX e outros similares, muitos confundem com máquina de escrever.

      Em tempos: o ponto também é que em questão de tecnologias “retrôs”, os consoles ficaram bem mais populares que a informática em si.

      1. O David (The 8-Bit Guy), no momento é full-time pro canal. Ele é o maior canal de retrocomputação que eu conheço, passou de 1 milhão de assinantes. Mas a grande maioria faz por amor à arte mesmo, e parte do que lucra, entra pra ajudar a pagar as contas.

        Nos episódios do Repórter Retro, a gente tenta diversificar (tanto que a gente sempre cita o colombiano [https://www.youtube.com/@RetroComputo](Retrocomputo), e anteriormente falávamos muito do espanhol [https://www.youtube.com/@NoelsRetroLab](Noel Llopis) – mas ele está meio sumido). Infelizmente, a maioria tem origem anglo-saxã branca – sejam estadunidenses, britânicos, australianos… Já vi até canal norueguês. Mas com a maior presença dos EUA, a maioria do conteúdo que encontro é de… Commodore 64, que é até hoje o computador que mais vendeu em uma única versão (está no [https://www.guinnessworldrecords.com/world-records/72695-most-computer-sales](Guiness)). MSX é um raridade, mesmo porque os MSXzeiros no geral não são lá muito afeitos a fazer videos – honrosa exceção do Manoel Neto e de outros abnegados.

        Lembro do esforço que meus pais e meus avós fizeram, pra presentear a mim e ao meu irmão com um Expert 1.0, um gravador cassete e uma TV de 14 polegadas. Como disse [https://loja.uiclap.com/titulo/ua37014/](nos agradecimentos do meu primeiro livro), aquele ato deles mudou a minha vida. Mas não era nada comum, eu estudava em escola pública, e não podia nem sonhar em falar que tínhamos um computador em casa: Naquela época, assaltos a casas era algo bem comum na nossa vizinhança.

        Tem também que consoles foram muito mais populares do que os micros em si. Afinal, videogame vende muito mais do que computador, por diversos motivos. Só ver os eventos de retrogaming, como são grandes em comparação aos encontros retrocomputacionais. Pelo menos temos um bom relacionamento com todos, e podemos colocar “nossas máquinas de fazer doido” pro povo ver e admirar – afinal, este é o propósito último do colecionador: Admirar, expor e falar da própria coleção.

  2. Saudade da boa e velha lista [CANAL3] do Yahoogroups. Será que alguém conseguiu fazer becape antes do apocalipse do YahooGroups?

  3. Realmente há uma carência muito grande de conteúdo nacional sobre retrocomputação. E produção de conteúdo é trabalhoso e caro. Vou te indicar alguns que podem ajudar, então:

    – Em primeiro lugar, te indicaria o podcast e site que eu e mais algumas mentes em baixa resolução cometemos, que é o Retrópolis (https://www.retropolis.com.br). Temos canal no YouTube, mas só publicamos lá os episódios do podcast, e eventualmente alguns vídeos, como entrevistas e lives. Mas queremos mudar isso no futuro. Como disse, produção é caro e muito trabalhoso. Por isso que nós focamos no podcast, e em 11 episódios por ano. Melhor fazer bem e pouco do que fazer muito e ruim.

    – Te indico também o TByteCreator, do meu amigo Manoel Neto. O foco dele é o MSX, mas ele fala de outros conteúdos também. Como ele está em processo de aquisição de um Tandy 1000, acho que teremos vídeo disso no futuro próximo.

    – Tem os Jogos Mofados, do PV. Ele é MSXzeiro, mora no Canadá, o foco é jogos no MSX, mas ele fez um vídeo da VCF Montreal 2026 recentemente, por exemplo.

    – O Daniel Falcão tem um canal (dbfalcao) onde ele fala de micros clássicos, assim como o Betão, do Tem Continue. O Mundo 4K também tem conteúdo relacionado, tô com um vídeo dele na fila de uma restauração de um CP-500.

    – O canal Além do Fato tem vídeos curtos e bem produzidos sobre história da computação, fizeram um ótimo sobre o Amiga, sobre Z80, sobre o 68000 e agora soltaram um sobre “o mais mágico dos microconputadores”, o MSX. Ainda não vi.

    – Se você se vira bem com espanhol, te indico o Retrocomputo, de um colombiano muito divertido que agora está explorando a arquitetura Atari ST.

    Esses são os que eu me lembrei. Desculpe não mandar as links, mas estou no celular, escrevendo com pressa!

        1. Sim, bem incomum. Esse PC devia ser super caro. Nós éramos pobres, nem sei como meu pai conseguiu comprar. Deve ter tido algum subsidio da empresa que ele trabalhava. Isso foi na década de 80.