Neste ano, em vez de usar o podcast, escrevemos um post colaborativo para revisitar as previsões feitas no final de 2022.
E para as de 2024, resolvemos abrir esta conversa no Órbita. Logo mais eu, Jacque e Guilherme publicaremos as nossas, e desde já convido a todos para que façam as suas previsões. Em dezembro do ano que vem a gente volta aqui.
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Vou me arriscar aqui – mesmo não sendo um sucesso com capacidade de competir com o X/Twitter, a entrada do Threads no Fediverso forçará o BlueSky a construir uma ponte que integre em alguma medida os protocolos ATProto e ActivityPub.
Uma coisa que eu gostaria muito de ver no próximo ano, embora acho que aqui vai ser mais torcida do que uma previsão de fato. A volta do skeumorfismo.
Já deu de visual flat em tudo. A gente está ficando meio que “um pouco burrinhos”, ou destreinados. Tudo plano, tudo simplório demais. Apenas imaginem aquelas texturas nos botões, artes gráficas e tudo mais, porém na era das telas 4K.
Podia combinar esse dois mundos, mesclando esses elementos visuais. Se for bem trabalhadinho, vai ficar bom.
Recentemente vi uns screenshots meus velhos, da época do iPhone 4, e como era bonito e interessante!
Twitter X = continuará firme e forte, apesar de TUDO (em 2024 ao menos). A força da inércia se revelou muito mais forte do que previsto, a quantidade de movimento de centenas de milhões de usuários frequentes superou a força oposta do Elão Mosca. Netflix já voltou a pagar anúncios (https://www.thewrap.com/netflix-resumes-advertising-x-elon-musk-controversy/) (ao que outros seguirão), e ano que vem tem eleição presidencial norte-americana com o Trump já readmitido, etc. Bluesky continua sob convite, Mastodon e Fediverso cresceram muito (e são muito melhores) mas são de nicho, Threads teve uma péssima primeira impressão (erro estratégico, afinal primeiras impressões são lembradas pra sempre), continuou péssimo durante o resto do ano (sem aplicativo de web, sem Europa Ocidental, sem integração com fediverso, etc – eu nem sei se isso mudou, mas era pra ter desde o começo e ficou semanas sem isso), e não acho que outra vai suplantar a utilidade fornecida pelo Twitter tão cedo.
Máquinas geradoras de textos, imagens, páginas web, robôs, e afins vão aumentar em muito o nível de ruído da internet toda. Seja resultados de motores de busca, seja redes sociais abertas, seja mensageiros, vai ficar um espaço cada vez mais populado por robôs e com conteúdo ficcional ou comercial. Parecendo uma simulação de mundo, mais que o mundo ”real”.
Carro elétrico não vai deslanchar no Brasil nem agora, nem tão breve. A tecnologia elétrica já é cara, carro já é caro por causa da margem de lucro astronomica engabelando o brasileiro (que na média acha que empresário tá é certo de lucrar o máximo, e não quer governo enfrentando o santo mercado, então vai continuar assim). E tem o tamanho continental junto com o padrão médio da infraestrutura brasileira. Quem tem esperança que o país com estrada esburacada, com estrada de terra, com marcações degradadas ou inexistentes (i.e. faixas, semáforos, lombadas, etc), e isso nas principais metrópoles, vai investir 1 trilhão de dólares para colocar carregadores de bateria é muito mais otimista do que eu. povo comum não vai nem querer pensar em elétrico. Mais fácil expandir energia eólica e solar.
Linux talvez ganhe mais uns usuários, já que o Windows 10 vai acabar com as atualizações de segurança do plano base (plano extendido dura mais, mas é pago), e talvez em vez de fazer a gambiarra para instalar windows 11 eles prefiram fazer a gambiarra mais fácil de instalar uma distro.
Rússia vai começar a expandir em massa seu projeto de longo prazo de fazer a tecnologia de fissão nuclear em ciclo completo, isto é, reaproveitar o lixo nuclear pra produzir mais energia. https://www.neimagazine.com/news/newsmox-use-at-russias-bn-800-reactor-confirms-reliability-of-the-technology-11278025 . Neste ano, o primeiro reator nuclear que usa exclusivamente plutonio e uranio descartados pelas usinas nucleares normais e pelo processo de enriquecimento do uranio original completou 1 ano de operação bem-sucedida. Com esperança, isso permitirá decuplicar (aumentar em 10 vezes) a quantidade de energia que se pode extrair do combustível nuclear, e reduzir significativamente o lixo radioativo. Ou seja, praticamente cumprir as promessas da fusão nuclear, só que com a boa e velha fissão.
Minhas previsões para 2024:
– Nem Mastodon, nem BlueSky, nem Threads… a rede social do ano será o Linkedin, inclusive com entrada no fediverso. Com o X respirando por aparelhos, perfis de políticos, figuras públicas e instrituições irão bombar no Linkedin.
– A revanche dos blogs! Com o bloqueio cada vez mais comuns ao acesso dos LLMs, os blogs/ sites independentes ganharão o seu lugar ao sol.
– No campo da programação, a linguagem Rust, apesar de todo o hype, não ganhará muita tração.
– A Cloud do Magalu vai bombar.
Achei que faz muito sentido a sua previsão sobre o LinkedIn. É uma rede que já tem forte presença de pessoas identificadas e já é muito utilizada pelos governos e por empresas.
Sobre o nuvem da Magalu, bombar na sua cidade significa sucesso ou fracasso?
Sobre a nuvem da Magalu, o que quis dizer com “bombar” é que em 2024 ouviremos e comentaremos muito sobre ela. Apenas lembrando que isso é uma previsão baseada única e exclusivamente no meu achismo.
Achava mais fácil quando quem dava os chutes por aqui era o trio Ghedin-Lafloufa-Felitti haha
Será que consigo acertar uma?
A integração Threads-Fediverso não vai vingar, mas vai marcar como um primeiro experimento fracassado da transição de um modelo de plataforma para um modelo de protocolo nas redes sociais.
1.1 Não veremos uma transição relevante para as redes com base em protocolo, mas devemos ver mais eventos interessantes nessa direção.
1.2. A tendência atual, na qual as redes se profissionalizam e as pessoas preferem se relacionar em ambientes menores e mais íntimos deve continuar;
A inteligência artificial vai se deparar com grandes empecilhos pra sua difusão, eu apostaria em três frentes que, para além dos direitos autorais, protagonizarão o cenário:
2.1. Questões ambientais, para as quais as inteligências artificiais e os grandes servidores da big data serão chamadas à responsabilidade pelo uso de água e energia;
2.2. Questões de custo, dado que, passada a lua de mel, essas tecnologias perderão a faceta de custo zero e passarão a ser vistas como recursos premium;
2.3. Questão de influência social possivelmente catastrófica, porque acredito que veremos os primeiros grandes casos do seu uso ampliado na política e na propaganda.
(Só) No fim do ano, estaremos mais atentos, e levando mais a sério, a ideia de uma web mais descentralizada, em virtude das questões ambientais e judiciais que atingiram a big tech. Me falta pesquisa, mas os créditos de carbono talvez sejam uma grande coisa nessa mudança.
3.1. Apêndice mais arriscado daqui, diria que a big tech vai focar em se estender para o fornecimento da infraestrutura da web, mais ou menos como a Alphabet/Google costumam fazer, furtando-se da exposição judicial. Não vai ser um movimento tão claro, mas será consistente e vai, finalmente, defini-las como uma indústria estável e de players estáveis.
No 3.1: Foco em se estender para o fornecimento de infraestrutura aqui tá sendo compreendido em contraste com a ideia de uma plataforma geral que é responsável pela transmissão dos conteúdos, pela sua circulação e todos esses elementos que são mais “públicos” e mais “judicializáveis”
No 2: Grandes empecilhos para a difusão que não impedirão essa difusão de maneira alguma, mas que terão mais dificuldade de serem rebocados kkk
Minhas previsões para 2024:
– Mastodon vai ultrapassar o Twitter/X em MAU.
– Os blogs pessoais terá um crescimento semelhante ao dos anos 2000.
– Plataformas independente de notícias como o MdU irão ganhar mais atenção inclusive da mídia tradicional. MdU e Ghedin irão aparecer em reportagem do Fantástico.
Um grande nome da tecnologia irá morrer: Musk, Bezos, Zuckerberg, Linus, Gates ou Wozniak.
Ou Richard Stallman. Façam suas apostas/desejos.
Pra se ver livre do Stallman basta um unfollow kkk
Os outros…
Gente ruim dura mais que gente boa.
Musk e Zuckerberg podemos tirar dessa lista.
Wozniak quase se foi esse ano. Teve um princípio de AVC, se não me engano, mas se recuperou. Bill Gates ainda vai durar mais alguns anos.
Linus e o Bezos ainda tem muito pela frente.
Impactante mesmo vai ser a do Tim Bernees-Lee, o pai da Internet Moderna
não é diretamente sobre mercado de tecnologia (mas indiretamente é): vamos finalmente começar a nos livrar dessa praga que são os filmes de hominho (principalmente os da marvel)
já tá todo mundo cansado disso
(ou eu posso estar redondamente enganado e surgir uma nova onda desses filmes)
o problema é: isto não será suficiente para reverter o movimento de monopolização do cinema hollywoodiano
e em adição a isso: o max (anteriormente conhecido como hbo max) vai se transformar em estudo de caso de serviço de streaming que tinha tudo pra dar certo e se tornou um desastre para a empresa
e em adição a isso vamos assistir a um aumento acelerado dos preços de assinatura de streaming, assim como a naturalização da presença de comerciais mesmo nos planos pagos
Acho que já estamos numa nova fase no streaming, a da consolidação. Apple TV+ e Paramount+ devem lançar uma assinatura conjunta em breve, Disney+ e Star+ vão virar uma coisa só no mundo inteiro, o próprio Max é resultado disso — união do HBO Max e Discovery+.
Em outro flanco, os estúdios que se fecharam em streamings próprios estão voltando a disponibilizar seus títulos em serviços concorrentes. Séries da Warner Bros. Discovery estão pipocando na Netflix, por exemplo.
Talvez (e talvez isso se configure como uma previsão), em meio a essa reorganização do setor, a pirataria ganhará mais força. Além dos preços cada vez mais altos, toda essa fragmentação e instabilidade dos catálogos deve pesar a favor dos pernas-de-pau.
Minhas previsões pra 2024:
O “Nintendo Switch Plus” é finalmente confirmado
Elon Musk faz alguma bosta que estrague o Twitter/X de vez
Surgimento de outra tecnologia superestimada (tipo o que foram as NFTs e o Metaverso)
A Nintendo faz mais uma besteira
Atualizações/Lançamento de Hollow Knight: Silk Song
Aumento nos golpes via PIX;
Novos impostos em eletrônicos;
Popularização dos celulares dobráveis no Brasil.
O boom do carro elétrico chinês.
Acho que esse boom já morreu em 2023, pois o governo retomará o imposto de importação para os carros elétricos em 2024. Esses BYD e GWM abalaram (positivamente) o mercado. Vi há pouco uma análise do BYD Dolphin Plus, e é impressionante o que esses carros chineses estão oferecendo por preços extremamente competitivos. Peugeot reduziu o preço do e-2008 em 100K como resposta, evidenciando o lucro astronômico destas montadoras. Minha dúvida é se dá para manter essa competitividade com uma alíquota de 35%.
Acho que carro elétrico ainda é algo bem questionável: daqui a dez ou quinze anos vc troca a bateria ou troca o carro?
A bateria corresponde a 40%, em média, do preço do carro. Some a isso a depreciação natural dos carros e vc tem um casamento indissolúvel em mãos.
Estou longe de ser uma pessoa muito inteligente, então acho que outras pessoas fazem as mesmas contas que eu e vão continuar investindo nos carros à combustão.
Nem isso, 5 anos vc troca de carro, porque trocar bateria é inviável.
Nossa infraestrutura elétrica mal aguenta o consumo industrial/residencial, imagina uma frota relevante de carros. Ah, sim, vamos gerar eletricidade em termoelétricas para os carros elétricos.
Não sei se perceberam, não existe possibilidade de usar caminhão elétrico de grandes cargas para cobrir grandes distâncias, como é o Brasil.
Então, sou muito cético disto.
O aumento da alíquota só fará com que as montadoras tradicionais (peugeot, volkswagen, fiat etc) ganhem tempo. A própria BYD fabricará carros no Brasil na antiga planta da Ford em Camaçari. A frustração com a promessa chinesa de carros a combustão que correu ali nos idos de 2014 (Chery, JAC, Geely) acompanhou a mudança estratégica da China que “desistiu” de ser líder na produção desses carros. Já na questão dos carros elétricos o cenário estratégico é muito diferente. A China, maior parceira comercial do Brasil, e suas fabricantes de automóveis também fazem lobby. Dessa vez, eles não desistirão tão fácil.
Li em algum lugar do Mastodon, fazendo uma previsão, que apesar de achar muito otimista, vou registrar aqui para a posteridade: basicamente, as grandes plataformas da Web ficaram inviáveis e voltaremos a Web fragmentada pré-2010. Os motivos são diferentes para cada tipo de plataforma.
Para a App/Play Store é o martelo da Justiça, tanto nos EUA quanto UE, dizendo que obrigação de meios de pagamento por meio exclusivo da plataforma é ilegal e o side loading das Apps deve ser permitido ou facilitado.
Para as search engines e redes sociais, o problema será o ruído criado pelos LLM generativos, obrigando o usuário a consumir informação diretamente da fonte. Essa degradação dos sistemas de busca já é perceptível já tem um bom tempo.
Acho que é uma previsão otimista porque, no caso das App Store, só power user tem paciência e interesse para tirar proveito disso. Mas também deve aumentar a pirataria de Aplicativos e o aumento de dispositivos comprometidos por malware.
No segundo caso, acho que as pessoas vão preferir usar outro LLM generativo como filtro do ruído criado por outra ferramenta de mesmo tipo. Não que vá ser efetivo, será provavelmente um efeito placebo.
YouTube será alvo da União Europeia: devido às últimas práticas do Google em relação a combater os Adblocks no YouTube (até mesmo deixando o site mais lento no Firefox), não ficarei surpreso se os legisladores europeus tomarem alguma ação com relação a isso.
YouTube finalmente será ameaçado por algum concorrente de peso: essa é mais uma torcida minha do que só uma previsão. Acredito que a maior ameaça atualmente para o site sejam as redes sociais de vídeos curtos, mas ainda falta um lugar alternativo para vídeos mais longos. Não que não existam, Twitch e Facebook em tese tem algum espaço para isso, só que ambos não são focados nesse tipo de conteúdo. Talvez, a partir do ano que vem, isso comece a mudar. Ou então surja algo totalmente novo para bater de frente com o Google.
Youtube é o serviço mais difícil de ter concorrente, pelo menos no âmbito dos vídeos mais longos. Lá é um verdadeiro museu digital do audiovisual, e teria que ter algum outro serviço que chupinhasse esse acervo, pra ter alguma chance.
Se os grande youtubers tivessem o próprio streaming, em paralelo ao youtube, a audiência com o tempo migraria para fora do youtube. Precisa que alguém tenha coragem de enfrentar a fera.
Coragem e MUITA grana.
É muito caro manter um servidor pra hospedar conteúdo em vídeo, ainda mais com diversos acessos simultâneos.
E tem outros fatores, como usar o próprio youtube como busca de algum assunto que você procura, o que não daria em um “streaming” do próprio criador de conteúdo.
Fora que você busca no google e aparece uma recomendação de vídeo como resposta.
É um processo bem complexo fazer isso funcionar fora de uma plataforma.
Passkeys irão se tornar regra. Avisos meteorológicos e climáticos locais irão ficar mais sofisticados. Introdução das redes domésticas 2.5GbE. Consolidação dos serviços de streaming continuará. Novidades no caso Assange.
Vai ser quente, muito quente.
Cada vez mais ondas de calor destruindo a infraestrutura enérgeticas das cidades, principalmente dos BRICS e outros locais. Seguidas de “desastres” como alagamento e cheias. Mas o que a tecnologia tem com isso? Bem, até o Estadão falou sobre isso. Com link para ninguém precisar navegar no mar de artigos pagos que dizem que a IA vai salvar a gente do aquecimento global.
Pra mim, o principal dado é esse aqui:
Interoperabilidade entre mensageiros: Todos já sabemos que isso vai acontecer, por causa da DMA da União Européia, então já não é previsão. Mas minha previsão é que Signal, Telegram e outros mensageiros vão conseguir mais usuários (por causa da interoperabilidade), porém longe de ser algo expressivo pra ameaçar a hegemonia do whatsapp.
WeChatificação do whatsapp e anúncios:
A Meta já vem testando compras dentro do próprio app, então esse recurso já deve estar disponível para todos em 2024. Assim, finalmente, transformado o whatsapp num “super app”.
Outra coisa que deve vir são anúncios no app. Os acionista já estão pressionando a Meta por lucros do whatsapp, e como ela não é boba, vai querer tirar até o último centavo da base de usuários de bilhões de pessoas.
Chips chineses de alta tecnologia: Após os EUA sancionar a venda de semicondutores e dos equipamentos de fabricação de chips para a China, o governo de Xi Jinping começou a investir pesado na pesquisa de desenvolvimento e produção de semicondutores, então recentemente a Huawei anunciou um smartphone com chip chinês que compete com vários do mercado. Minha previsão é que no ano que vem a China já tenha chips de alta tecnologia pra suprir a demanda interna e quem sabe começar a exportar pro resto do mundo.
Sobre compras no WhatsApp, essa semana vi um vídeo na aba “Status” anunciando esse recurso. Inclusive, no vídeo, que provavelmente foi para o público brasileiro, tinha até a opção de pagamento com o Pix.
Desde abril é possível fazer compras pelo WhatsApp no Brasil de pequenas empresas. (Fomos o primeiro país a receber esse recurso.)
Tá ai!
No caso, pelo o que entendi no vídeo divulgado no “Status”, apareceu a opção Pix, que ñ tinha anteriormente.
Caramba, eu pensei que isso só tava em testes na Índia :O
Pessoal do 4-Day week vai ter bons resultados
Todo mundo QUER trabalhar menos, a tecnologia supostamente DEVERIA nos ajudar a trabalhar menos, mas é preciso de um “modelo”, uma “metodologia” para provar que é possível. E agora que há gente estudando, minha previsão é que o estudo conseguirá comprovar em que setores isso funciona e de que maneiras isso funciona bem. Arrisco dizer que depois do home office, o 4-Day Week vai se tornar o benefício mais queridinho dos colaboradores e mais divulgado pelos recrutadores.
Resultado do “Succession” que vimos na Open AI vai levar a mais velocidade na popularização de serviços de IA Generativa
Vai ter no Word, no Google Docs, vai ser tão inescapável que a gente vai precisar aprender a lidar com isso. Lamento, é uma má notícia, mas qualquer freio que poderia existir foi arrancado e jogado pela janela pelo ímpeto do capitalismo. Aguentem firme e se preparem.
Nada mais é crível e tudo precisa de checagem
Não só a IA Generativa de textos e imagens está surpreendentemente boa, mas o número de golpes sofisticados em termos de engenharia social deve ser capaz de engabelar até os mais safos. Os detalhes técnicos estão tão superados que golpistas têm acesso a 0800, sabem copiar o formato de interação por email e mensagem das marcas, conseguem criar chatbots e deep fakes de voz para massificar o golpe, tá muito difícil desviar baseado na qualidade da mensagem golpista. Redobre seu desconfiômetro.
A batalha contra o uso de reconhecimento facial e em prol da privacidade está complicada – e vai perder se não tiver reforços em breve
Quem acompanhou as temporadas do Guia Prático de 2020 a 2023 sabe que eu tenho uma batalha pessoal forte contra o reconhecimento facial sendo usado de maneira ampla e irrestrita e tenho feito esforços pessoais intensos para evitar ter minha imagem capturada. Contudo, como o assunto está sendo tratado como “inescapável” e pouca gente reclama da captura de imagens biométricas (e sensíveis!!!) sem exigir LGPD e/ou contrapartidas de cuidado com a informação na base de dados, a batalha se torna complicada.
Sinto que tem sido cada vez mais difícil desviar disso. Em 2023 aconteceu pela primeira vez um episódio de eu ser impedida de acessar um espaço comercial por não autorizar o recolhimento da minha imagem sem um termo de consentimento. Acho que essa briga vai ficar ainda mais difícil a partir de 2024 se não começarmos a abrir precedentes legais e se a ANPD não começar a entrar em ação de verdade. Vamos precisar de reforços de organizações do terceiro setor, como o IDEC, e de órgãos públicos de defesa do consumidor, como o PROCON. A ver.
Jacque, sentimos sua falta!
Ah, eu sinto falta da audiência do Guia Prático também! Obrigada pelo carinho, Vitor!
Amei que uma previsão sua é exatamente o contrário do que o Guilherme previu — IA gerativa vai acelerar/desacelerar. Em 2024 voltamos para saber quem acertou :)
Opa, mas as previsões são diferentes. Jacque cravou nesta de adoção: tenho a impressão que muita gente está esperando desacelerar o ritmo de novidades.
Acho que eles estão relacionados no sentido que uma desaceleração das novidades deve deixar muita empresa mais segura para adotar.
Faz sentido. Desaceleração sinaliza maturidade e estabilidade, e é disso que empresa gosta, né?
Fui no mesmo entendimento do Felitti: nossas previsões meio que se complementam ao invés de se opor.
reconhecimento facial: parei de comprar no Mercado Livre por causa disso
recentemente a empresa trocou os notebooks da equipe em que trabalho, e no novo note o ML está exigindo reconhecimento facial, mesmo eu já tendo o 2 fatores do ML
fiquei indignado com isso, parei de comprar no ML (fiz uma única exceção para um tipo de teclado que estava namorando faz tempo)
Pois é, e hoje em dia todo e qualquer banco quer fazer autenticação com reconhecimento facial. Eu tenho cá comigo que é mais pra ter uma foto de quem tá fazendo a transação, e não um reconhecimento real-oficial (deve ter algum turkerizado do outro lado da tela tendo que reconhecer meu rosto, imagino), mas é bem irritante. O difícil é conseguir evitar passar por isso, porque a conveniência de alguns serviços é bem boa e eu gostaria de continuar usando em formatos alternativos. Ao menos reparo que não estou sozinha nesta cruzada! :)
4-Day Week não vai ocorrer, nunca na historia do Brasil, e nunca em mais de 1% de empresas no planeta, portanto será tão relevante como NFC no final desse delírio todo.
AI vai crescer de forma incrível. Hoje eu estou conversando com o GPT no celular quase todos os dias (depois de ir em uma farmácia fiquei curioso sobre genéricos… depois de ver Wonka fiquei curioso sobre esses filmes…). As pessoas vão aprender a praticidade de usar GPT(s) para muita coisa que não pensaram, e isso vai revolucionar. Para bem ou para mal.
Golpes serão sempre mais do mesmo, sempre visando as mesmas pessoas, e quem cai sempre será o mesmo tipo de pessoa. Um blogueirinho conhecido esse ano cairá novamente, EH O HORROR, mas eles não precisam fazer bem feito e nunca será bem feito para enganar pessoas como quem acessa esse site aqui.
Reconhecimento facial, está certo, vai aumentar demais. Não gostou? Fica em casa, pois ninguém de verdade na sociedade se importa com isso. O que lemos em sites como o Manual não são pessoas normais. MAS claro, vamos ver notícias falsas constantes sobre o bloqueio de uso sem autorização e tal, por procons e outros…. tipo a Analtel, que a cada 6 meses acaba com todos os TV box do Brasil, e “ninguém” realmente repara que nada aconteceu na prática.
Ih, Andre, assim você vai concorrer com o Ghedin como o maior pessimista deste Órbita, hein? hahahaha
Eu gosto de ter esperanças – no 4-Day Week e na chance de não ter que deixar meu rosto em todo santo lugar que eu tentar entrar. Eu me importo bastante e não pretendo deixar de sair de casa por isso.
Quanto ao GPT, concordo contigo, acho que será mesmo inevitável e vamos aprender a conviver com essa novidade. Espero também que os críticos consigam ser escutados pra garantir que o sistema seja o mais ético possível (hoje o pêndulo não parece estar muito pro lado da ética).
Por fim, quanto aos golpes, olha, em um momento de vulnerabilidade acho que todos estão bem sujeitos, viu. Claro que todos por aqui tendem a ter um conhecimento acima da média, mas a qualidade anda tão sofisticada que não custa ficar mais atento. Mas fico feliz que você está entre os 1% que conseguem ter a confiança de que não serão engabelados. Torço para que siga sendo assim nos anos por vir!
4-day week
acho que tem chance de ser parcialmente adotada, mas não em 2024
para equipes “grandes” (tipo, 10 pessoas ou mais) é só colocar a 2ª feira como livre para metade da equipe, e 6ª feira para a outra metade
não acho tão difícil assim de implementar
Generative AI: muito rápido, mas não enlouquecedoramente rápido
A tecnologia anda rápido, mas, mesmo para o ritmo do mercado, Generative AI teve um 2023 com uma sucessão bastante veloz de novidades. Acompanhar os novos LLMs, bibliotecas, frameworks, serviços na nuvem e afins se tornou praticamente uma profissão em si. Mesmo quem acompanhou de perto termina o ano com a impressão de que ainda está atrasado. Acompanhar um moving target, ainda mais de um assunto tão quente, é correr numa esteira infinita. Até quando este ritmo vai? Tendo a achar que o setor deve atingir um patamar médio em 2024. Temos os principais players já posicionados. Devemos ter alguma grande novidade (principalmente de player entrante), mas o grosso parece estar aí. Em 2024, o ritmo vai diminuir um pouco. Vai ser rápido, mas não tão enlouquecedor como 2023.
Alguém vai comprar a HuggingFace
O HuggingFace funciona como uma espécie de GitHub para modelos, prompts e bibliotecas focados em LLMs de código aberto. A popularização de LLama, Falcon e Mistral se deu toda por ali, assim como repositórios que melhoram modelos já prontos. Nesta guerra de novos players, a Big Tech está se posicionando: a Microsoft se arranjou com a OpenAI, o Google está tentando fazer in-house com o Gemini, o Facebook abriu seu Llama e a Amazon investiu no HuggingFace enquanto tenta melhorar sua família Titan. No mesmo molde da compra do GitHub pela Microsoft, o HuggingFace se tornou valioso demais para operar sozinho. Quem compra? A Apple parece ter uma abordagem mais silenciosa, integrando inteligência artificial em seus produtos e serviços sem fazer muita festa. Se eu precisasse apostar meu dinheiro, iria na AWS, que já integrou o HF no SageMaker, seu serviço de treino e deploy de LLMs.
OpenAI continua a subir a maré com o aumento da abstração do GPT
Abstração é um conceito em programação que esconde uma enorme complexidade atrás de comandos simples. Em 2023, além de lançar o GPT-4 em março e assumir a liderança entre os modelos, a OpenAI foi ajustando seus produtos para torná-los cada vez mais simples para usuários finais. No último evento do ano, pré-O Poderoso Chefão, a OpenAI mostrou que seus passos vão na direção de tornar suas tecnologias tão fáceis de usar que você é capaz de usá-las sem programar. A onda da OpenAI invadiu a barraca de praia que dezenas de startups montaram durante 2023 ao permitir a criação de serviços simples sem precisar pensar em chunks, embeddings e bancos de dados vetoriais. A OpenAI vai seguir subindo a maré para tornar serviços do tipo abstratos o suficiente para qualquer pessoa replicá-los usando a interface do GPT.
NVidia está overpriced (oi, Lu!)
Como principal fornecedor de pás para a corrida do ouro da Generative AI, a Nvidia triplicou seu valor de mercado em 2023 e virou a sexta empresa mais valiosa do mundo, à frente de todo o varejo, o mercado financeiro e empresas de energia, com exceção da Saudi Aramco. O problema: seu market cap está desconectado dos seus dados financeiros fundamentais. Para justificar o valor, a empresa teria que aumentar substancialmente a venda de GPUs. Cada casa precisa ter um desktop/laptop e cada bolso, um smartphone. Mas uma GPU por pessoa parece ser improvável – os maiores compradores serão provedores de cloud e grandes empresas. Deve existir um ajuste no market cap da Nvidia em 2023.
Elon Musk vai continuar se banhando na merda e culpando os outros
Mais torcida que análise: pelamordedeus, eu não aguento mais ouvir falar no Pinóquio de estrume.
Sobre a facilidade de uso dessas IA generativas, me abriu a mente de o que Google ainda ñ lançou nada que facilite a integração com os modelos deles. Imaginei eles lançando um conjunto APIs que facilitem a criação de serviços/extensões usando o modelos deles para qualquer pessoa (pagando ou ñ).
talvez ocorra a decolagem (pun intended) da tecnologia dos “táxis aéreos urbanos” (ou: “carros voadores”, aviões/drones para uso urbano, geralmente elétricos via baterias)
aparentente a empresa Joby vai testar seus veículos no transporte de passageiros entre o centro de Nova York e os aeroportos
me parece que existe um serviço de helicópteros que faz isso hoje
se os testes forem bem sucedidos, acho que essa tecnologia vai deslanchar
acho que o ponto centrar é a segurança: se for demonstrado que esses veículos são tão ou mais seguros que os helicópteros, então vai ocorrer o estouro da boiada para o uso desses veículos (no Brasil a Embraer também está trabalhando na criação desses veículos)
é claro que (por bastante tempo ainda) só vai ser usada por empresas, e talvez por gente rica (e muito provavelmente por “influencers”), mas acho que é uma tendência inescapável … ao contrário da bolha dos veículos autônomos, que está murchando a cada ano que passa
Uma apenas: assistentes de voz (google e alexa) voltarão a ser relevantes devido a migração para AI (Bard e sei-lá), no lugar de apenas responder de forma estúpida e procurando palavras chaves.
A Amazon já expos a “nova” Alexa. Logo, ñ será mais uma simples assistente.