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Precisamos de Cloud Drive?

Quando abandonei o Android em 2016 (pois meu Moto G 2 estragou e ganhei de presente um iPhone 5s super surrado), por questão de conveniência, migrei meus dados e serviços para o ecossistema da Apple. Na época, apesar de já estar preocupado com certas questões que envolvem estar inserido nesses ecossistemas das Big Techs, ainda não tinha um posicionamento tão rígido como atualmente. Mas este é assunto para outra postagem.

Ano passado, meu telefone com iOS (que já não era mais o 5S) estragou e fiquei sem telefone (foi libertador). Baixei todos os meus dados para meu notebook, fiz backups de contatos, senhas, agenda de compromissos e migrei para meu ecossistema privado de aplicações GTK/Libadwaita. No início deste mês, me deram um telefone de presente com a argumentação de que eu era difícil me contatar e blá blá blá… Um Moto G35. Meu primeiro passo foi “deGooglar” ele. Depois, instalei alternativas FOSS para os GApps removidos.

Enfim, quando ainda usava telefone com iOS, a maneira de sincronizar alguns dados do meu notebook com meu telefone era usando o aplicativo MEGA e o Resilio Sync. Ao ganhar esse novo telefone e por ele ser Android, vi a possibilidade de integrar melhor meus dispositivos. Aproveitei que um colega aqui do MdU falou do Nextcloud do Sleckjeff e comprei uma assinatura lifetime de 150GB (15 anos de dados digitais e eles não ultrapassam 30GB, sou bem lite). Após fazer isso, fui configurar as sincronizações (cuja odisseia daria uma ótima discussão sobre como a comunidade FOSS é pouco acessível para pessoas leigas em tecnologia) entre o notebook e o telefone.

Nesse processo de configurar as sincronizações, comecei a refletir sobre o último ano sem sincronização e como minha produtividade e minha vida digital não foram significativamente afetadas pela falta de uma sincronia com a magia da nuvem. Então, me perguntei: “Cloud Drive é mesmo necessário?” Óbvio que não ignoro os diversos cenários e tipos de uso em que isso é útil e até mesmo muito necessário, mas para a maioria das pessoas, a grande parte das usuárias comuns, não tem utilidade alguma enquanto ferramenta. Pelo contrário, conheço pessoas e já vi na internet diversos relatos de pessoas que perderam dados importantíssimos por confiarem na nuvem (no caso, confiarem unicamente na nuvem).

A verdade é que não precisamos de uma nuvem para nossos documentos, fotos ou contatos. E sim, sei que isso ajuda quando alguém troca de dispositivo ou perde ou tem ele roubado. Mas isso é mais um problema do modo como negligenciamos o cuidado com nossa vida digital e nossos dispositivos eletrônicos. Daí a importância do backup e de dispositivos com maior durabilidade/suporte.

Mas se formos refletir e fazer as devidas ponderações, essas sincronizações realmente necessárias se aplicam apenas em alguns, não todos, cenários corporativos e usos de nicho. Mas a maneira como nossa relação foi construída com a tecnologia, que chegou na maioria das casas de maneira imposta e por algumas únicas empresas, que têm como produtos agregados a “Nuvem”, criou-se uma cultura de que isso é necessário para as pessoas comuns, mas não é.

Então, decidi que não vou usar a “Nuvem”, só que mais ou menos. Tenho um notebook velho que transformei em um “NAS” caseiro e usarei ele para sincronizar meus dispositivos e para fazer backup dos meus dados usando uma configuração RAID. Além de periodicamente fazer cópias de segurança com RSYNC e um HDD externo.

Daí alguém diz: “Por isso a nuvem é importante para as pessoas. A maioria não sabe configurar um NAS ou usar o RSYNC.”

Minha resposta: “Não exatamente. Só uso o NAS e o Rsync pois sei fazê-lo e tenho as condições para tal. Mas não é algo que eu realmente precise. E sobre o uso da nuvem por pessoas comuns: a confiabilidade única nessas ferramentas é o maior fator de risco para os dados digitais delas. Assim como uma vez perdi o acesso a minha conta do Dropbox (por sorte eu tinha backup) pois eles simplesmente decidiram que meu dispositivo não era confiável e não tinha outra forma de recuperar o acesso (que usava 2Auth).”

E vocês? Se algum dia por algum motivo não pudessem mais usar a nuvem, que falta ela realmente faria em suas vidas? Excetuando-se aqui os usos profissionais/nicho.

16 comentários

16 comentários

  1. Volta e meia o assunto volta, é bem importante mesmo.
    Guardo tudo em casa, dois HD’s externos, com versionamento de 90 dias e retenção de 180. Além de duas nuvens diferentes.

    Não faria falta, mas com certeza precisaria aumentar os custos/preocupações com meus armazenamentos locais (PC/Note/Smartphone)

  2. Eu uso nextcloud em nuvem privada… e é uma mão na roda. Divido com um amigo um servidor remoto e, mantenho os arquivos profissionais (sou professor) e fotos pessoais sincronizados.

    Poder acessar meus arquivos do navegador de qualquer navegador é bem útil, pra mim.

  3. Eu não uso mais arquivos pessoais na nuvem nem serviços de assinaturas de terceiros desde 2023. Em 2018 fui para o ecossistema Apple, comecei a assinar espaço no iCloud e Apple Music. Quando lançaram o Apple One corri e me inscrevi no plano familiar mais caro que custava 80 reais mensais.

    Em 2023 mudei a mentalidade e decidi armazenar por mim mesmo as minhas coisas, fiz backups em HDs externos e investi em um SSD pra ficar o tempo todo plugado no Mac pra acessar os arquivos mais rápido, pra mim é o estilo de vida que mais faz sentido.

    No SSD ficam os projetos de trabalhos e arquivos pessoais, já no HD tem redundância dos arquivos mais importantes e ficam desplugados do computador. Minha biblioteca pessoal pesa cerca de 100GB, 50GB de fotos e vídeos e 50GB de músicas MP3s em 320kbps, já decidi também que não volto mais a assinar streaming algum.

  4. Como diz o famoso ditado: a nuvem nada mais é do que um computador que você não sabe onde fica. Isto posto, guardo tudo localmente. Mas também, eu sou uma pessoa que gera muito poucos arquivos. Minha vida digital é pífia, kkkkk.

  5. Como já mencionaram, eu perderia bastante conveniência e até mesmo segurança.
    Minhas fotos e vídeos da família são importantes e não gostaria de perdê-los. Não morreria, mas seria uma grande dor.

    Perder meus documentos digitalizados importantes seria bem “menos pior”, pois os relevantes mesmo ainda existem em papel ou permitem uma emissão de segunda via, ainda que com certa burocracia.

    Estou me organizando para montar um NAS, mas ele será apenas 1 cópia dos documentos. A regra 3-2-1 de backup é uma que reputo muito importante. A ideia é usar um HDD externo para uma segunda cópia, semanal provavelmente. E uma terceira cópia, fora do local, como regra é na nuvem pois protege as pessoas de desastres (naturais ou não, como enchentes e incêndios, além de roubo/furto no local em que estava o computador e os discos). Fazer esse backup na casa de outra pessoa é uma opção, mas também tem custos de entrada altos e requer muita confiança e disponibilidade.

    1. pior eh que pra isso de documentos de familia, eu to achando legal imprimir as fotos. etc. fazer album.

      se for parar pra pensar, incendios e enchentes destruiriam os hds do mesmo jeito que o albuns de papel, e ladroes.. dada a a oportunidade levariam laptops e hds mas nunca albuns de fotos.

  6. No meu uso, percebi que faz pouco sentido usar armazenamento em nuvem também. Eu tenho alguns HDs externos e uso da seguinte forma:

    Tenho dois HDs com dados mais importantes, que criptografei e matenho um comigo e outro na casa dos meus pais, como garantia caso ocorra algo com um dos discos.
    Um para uso mais frequente entre meus dispositivos.

    Além disso, meu desktop tem uma quantidade razoável de armazenamento (6 TB), aí acabo nem precisando desse tipo de serviço.

    1. deve ser ruim pra acrescentar/remover arquivos desses HDs, já que não estão fisicamente no mesmo lugar.

      aqui eu mantenho tudo com cópia local + segunda cópia de becape. a cópia que não está fisicamente aqui no escritório fica no backblaze mesmo. acho mais seguro e os arquivos são atualizados automaticamente.

  7. Possível, é sim. Sem um “drive na nuvem” perde-se conveniência e, para a maioria das pessoas — que não sabe o que é NAS nem como instalar/usar rsync e tem só o celular como dispositivo com acesso à internet —, o único becape possível, mesmo não sendo a solução mais adequada a isso.

  8. sem serviços de armazenamento em nuvem eu morreria de fome, ou minha vida seria um inferno. tudo relacionado à minha vida eu tento tornar digital e, consequentemente vai parar em algum serviço de nuvem. sejam documentos, anotações, arquivos, mídias… eu sempre preciso resgatar algo quando estou fora de casa, e esse algo está na nuvem. um simples e-mail com um ingresso de um show é um armazenamento em nuvem. eu dependo de serviços de nuvem para enviar e receber arquivos com clientes e fornecedores. hoje são 22TB de arquivos (em 40TB de HDs disponíveis) em que alguns estão em nuvens como Google Drive e OneDrive, mas todos estão com becape na nuvem do BackBlaze.

  9. Até o momento, nunca realmente precisei, pois tenho apenas 15 GB de arquivos de backup armazenados em um SSD externo de 240 GB e também no meu notebook. Normalmente, uma vez por semana, conecto o SSD ao meu notebook e, com o programa “Pika Backup”, que é um aplicativo do GNOME, faço a cópia dos arquivos do notebook para o SSD. Tanto o notebook quanto o SSD são criptografados.