No Reddit /r/pirataria as pessoas agem quase infantilmente como se eles estiverem derretendo o capitalismo fazendo pirataria.
Minha opinião é que pirataria é PURO CAPITALISMO. Código aberto, comunismo. E anarquismo? Difícil, acho que teria que envolver atitudes ativas e não passivas, se é que me entendem.
Na comunidade existe uma ideia de que piratear estão fazendo revolução, acho que estão apenas perpetuando empresas e marcas, e elas adoram já que empresas não conseguem escapar das licenças e nem da pressão sobre aplicativos populares como Windows e Office. Popularidade essa quase sempre impulsionada pela pirataria doméstica.
Qual opinião de vocês?
23 comentários
Preciso ler mais sobre, mas acho que é possível dividir da seguinte maneira:
Se é “pirateado” um artigo cientifico ou conteúdo relativo a ensino, isso para aprendizado próprio ou ensino público sem custos, isso é anarquismo. Pois se tais produções tivessem sido divulgados de forma aberta mas remunerado seu criador, é comunismo (pois o Estado está valorizando o trabalho com foco a população). Acho que isso recaí no que Aaron Schwartz defendia, não?
Se é “pirateado” um produto midiático, seja livro, vídeo, áudio; em partes é consumismo, o que recaí no capitalismo, como já colocaram abaixo. Consumir um produto de mídia está dentro do capitalismo, não do comunismo. Se a pessoa vai ver um “produto cultural” dentro do comunismo, acho que se subentende que de alguma forma todos ali vão estar vendo algo cujo atores estarão bem remunerados – seja via Estado ou cobrança justa dos espectadores – e os espectadores estão ali pelo interesse real sem uma divulgação maciça.
Cópia de design industrial, patentes e invenções, é bem complicado. Pois parte do capitalismo nasce justamente desta defesa de patentes. Um inventor/criador precisa pagar taxas para ter direito de ganhar dinheiro com o que gerou. Aí paga-se advogados, policiais/milícias, paga-se a própria justiça… Se tem um ecosistema econômico que talvez se eles se quebrarem talvez o capitalismo se corrói, é o das patentes e direitos autorais.
Hoje não, ABIN :-)
Sobre o assunto, dia desses assisti The Pirate Bay AFK (2013) | Libreflix e achei interessante que, na Europa, existe o Partido Pirata e, segundo o documentário, contava à época com dois assentos no Parlamento Europeu. Quando o site Pirate Bay ficou na mira das autoridades, o Partido ofereceu sua estrutura para hospedar seus servidores, pois contaria com imunidade (o local parecia um bunker dentro de cavernas). Achei bem interessante como o tema é tratato por lá.
E esta semana ouvi em algum lugar sobre um processo que a África do Sul sofreu por suposta violação de patentes de medicamentos contra HIV / AIDS. Há uma notícia da Folha de S.Paulo, de 06/03/2001:
Outro documentário interessante sobre os questionamentos no mundo acadêmico é O Menino da Internet (2014) | Libreflix.
PS: Os links acima são da plataforma brasileira Libreflix, para quem gosta de streaming, não quer pagar assinatura nem praticar pirataria :-)
Antes de clicar no link, pelo título, já sabia sobre o que era sua recomendação. Curioso que percebi esses dias que evito assistir coisas sobre o Aaron Schwartz. Alguém me mandou um vídeo que o colocava numa posição de herói e não consigo vê-lo assim. Ele é uma vítima. Não só tiraram a vida dele, mas mataram as ideias dele. Até o reddit, com o nomezinho dele lá entre os fundadores, virou a antítese da prática do Schwartz.
Isso dá uma tristeza, uma sensação de derrota.
A história dele teve um final bem triste mesmo. Mas não sei se concordo sobre a sensação de derrota: entre as (co-)criações dele estão o a liguagem markdown que usamos nestes comentários e também o RSS. Este último, ao menos em nosso nicho, está ganhando muita força ultimamente. Principalmente na chamada Indie Web.
Fato é que ele deixou um grande legado, mesmo com sua estadia tão breve na Terra.
Obrigado! Vou procurar para assistir depois!
Devo concordar com o que o colega disse, mais abaixo.
Cria-se uma dinâmica complicada.
Não podemos pagar, portanto pirateamos.
É o ideal? Jamais. Vai destruir o sistema? Muito pelo contrário.
Só por todo o esforço que é feito para se piratear um filme mostra que as empresas venceram.
Suas propriedades intelectuais movimentam o interesse de exércitos inteiros, dispostos a democratizar o acesso ao novo filme do Superman.
Interessante seria se ninguém consumisse, independente de qualquer coisa.
Revolução tá longe de acontecer dentro do qbitorrent.
Eu gostaria de acrescentar que nem toda pirataria é uma extensão da indústria cultural dominante. Tem muita pirataria de mídias antigas, de nicho, estrangeiros, não comercializados pelos seus donos, etc fazendo um esforço de preservação histórica e divulgação mínima de mídias alternativas que seriam apagados da história sem o esforço dessas pessoas. São uma minoria comparados às pessoas que só copiam os filmes de Hollywood do momento, mas elas existem.
Não me importo com esses conceitos, por que não é necessário justificativa para fazer pirataria.
Participo de um forum de pirataria de apps de macOS, essa semana mesmo o desenvolvedor de um dos apps foi la pra desabafar. O aplicativo dele não recebe há 2 anos atualizações e quebrou agora no lançamento do macOS 15.2 ele falou que não vai atualizar devido a grande base dos usuários serem piratas, até tentou convencer a comunidade dando um código exclusivo com 50% de desconto há um tempo atras mas falou que as vendas foram pífias. Chamou a galera de “Robin Wood ao contrario” pois o aplicativo que sustenta a familia dele, grande luta comunista essa hein?!
Enfim, tem argumentações pra todos os âmbitos, o pessoal mais a direita pode falar que pirateando não estão dando impostos ao governo esquerdista atual e nem aos globalistas que dominam tudo e querem transformar as crianças em gays. Já a galera de esquerda vai argumentar que estão tirando imposto do plano fascista e das megacorporações que esmagam o trabalhador quando alguém de direita estiver no poder.
Eu consumo pirataria e uso Adblock em tudo sem remorso, é uma discussão que rende bastante, mas nesse caso prefiro ser individualista e pensar no meu bem estar, me colocando na frente deixando as coisas mais convenientes pra mim, só isso mesmo, sem discussão politica nem narrativas pra justificar.
Papo furado desse desenvolvedor. Ele só não atualizou o app pq que não compensa, ele culpou a galera, mas o problema é o sistema… E provavelmente ele tem outro trabalho, relaxa. Ele poderia apenas ter liberado o código fonte ao invés de criar essa polêmica toda.
Entendo que o desejo de alguns é poder ganhar dinheiro com o que criou. Se pegar o que o cara do WinRAR fala https://manualdousuario.net/comprou-winrar-licenca/, a gente vê que é possível ganhar mesmo com a pirataria. Nem todo mundo consegue pagar uma licença do WinRAR (ou uma assinatura do Manual), mas quem usa sem licença (ou vê a parte gratuita do Manual), ao menos está satisfeito.
Vender software é um exercício também, inclusive social. Cada um acha a melhor forma de divulgar seu produto. E de cobrar por ele também.
Eu tenho uma tese de que pirataria foi o que tornou viável tecnicamente a distribuição digital e até mesmo os serviços de streaming, além de meio que validar tal forma de entrega de conteúdo como modelo comercial.
Bem, no minimo as empresas capitalistas consideram elas próprias pirataria e livre compartilhamento de mídias como uma ameaça para si próprios, e fazem muito lobbying há decadas para que os governos do mundo construam todo um aparato judiciario-policial para perseguir e limitar o quanto puderem, e também fazem o mesmo para eternamente aumentar o período de proteção estatal até suas obras (propriedades intelectuais) ‘caírem’ em domínio público (quando qualquer um pode fazer o que quiser, seja compartilhar as obras ou fazer obras derivativas, como as N versões de Sherlock Holmes – e nisso até a união soviética produziu uma série de TV de Sherlock Holmes). Só ver as N vezes que TVs piratas são derrubadas no brasil.
Se isso não é por si só um desafio ao capitalismo enquanto sistema, certametne ao menos um bando de agentes sentem isso como uma ameaça e fazem uma reação feroz, daí que algumas pessoas talvez façam uma conclusão errada de que vamos vencer a Disney pirateando filmes da Marvel.
Eu não concordo com inúmeros aspectos do sistema cultural atual, como isso do tempo até obras entrarem em domínio público, ou o fato que quem detém a propriedade das obras não são mais os criadores em si, mas empresas, ou o baixo % do preço que vai até os artistas. Mesmo eu simplesmente não teria acesso a inúmeras obras para educação e entretenimento se não fosse a pirataria e tivéssemos que seguir o que as empresas acham certo. De fato, tem um opinião corrente que se Bibliotecas fossem inventadas hoje, os capitalistas iam proibir com alguma justificativa. Uma não compra adicional de facto vai ser considerada uma perda para elas de qualquer jeito.
Então, pirataria por si só não é um desafio sistêmico, mas é uma semente de rebeldia, que pode não brotar em nada também, ou pode levar pessoas a buscarem maneiras alternativas de como a cultura deve ser produzida distribuida e consumida.
Você falou justamente de Código Aberto junto com pirataria, são coisas diferentes mas com conexões. Código Aberto seria justamente uma forma legalizada de todos poderem fazer a reprodução de obras (digitais no caso) que pessoas pirateiras fazem com obras privadas. Eu entendi que você já considera código aberto (software livre no geral) como comunismo ? Eu considero ele um mecanismo nessa direção, que mostraria como as coisas deviam ser, e ao menos tem empresários por aí falando que sofware livre é câncer ou que o richard Stalman é um comuna. Na prática é uma obra pública que pode ser aproveitada por todos, desde que não haja comercialização (ao menos diretamente do código em si), que é financiada socialmente para o bem comum. O fato que são majoritariamente empresas privadas financiando não muda a essência.
Apenas para enriquecer o debate com novas camadas, importante ressaltar que software livre e código aberto não são sinônimos e que software livre pode ser comercial/pago.
Eu admito o erro confundindo código aberto com software livre, mas reitero que na minha visão amadora tendo lido previamente e novamente o Stallman, software livre, na prática, não é comercializado diretamente pelo código em si (termos meus). Se for seguir as liberdades e normas, um software livre não pode ser ‘comercializado’ do jeito tradicional que se entende por comercializar (vendendo um programa que só pode ser rodado por quem adquiriu de mim, seja compra ou licença). Como o programa em si justamente é livre, qualquer um pode ver, copiar e colar o código, e rodar ele sem me dever nada. O que as empresas de programas livres fazem geralmente é ou pedir doação (que é voluntária), ou oferecer serviços que giram em torno do programa mas não são o programa em si, que seria um uso comercial como o Stallman escreveu mas é indireto. Coisas como o ubuntu oferecer suporte técnico mediante assinatura, mas todo o código do ubuntu é livre, ou os serviços de nuvem, que oferecem aluguel de hardware para rodar o programa da nuvem neles para você, mas você poderia copiar o código e rodar em hardwares seus.
Meio complexo tentar analisar a pirataria sob uma ótica só. Existem diversas motivações pelas quais a pirataria é praticada. Deixa eu tentar dar uma explicada em cada uma que pensei.
Pirataria de software (aqui excluindo games): geralmente quem pirateia software é para cumprir uma função específica no computador, e não tem o dinheiro para adquirir a licença do software, e essa função específica quase sempre está ligado a algo “produtivo”, por assim dizer. Quem pirateia o Office, por exemplo, é para usar o Word ou o Excel para criar um trabalho ou um relatório, por exemplo. Algo semelhante acontece com o Photoshop, editores de vídeo ou mesmo ambientes de desenvolvimento. Mesmo o próprio Windows e outros utilitários, é para poder utilizar o computador em si. Em resumo, quase sempre é por necessidade. E isso se enquadra com o anarquismo, talvez? Digo, a pessoa pirateia o software porque precisa dele, sem se importar com leis ou regras. E não vejo as empresas ganhando diretamente com isso (obviamente elas ganham na base de usuários), mas ainda vejo como raro alguém comprando as licenças de todos os softwares que utiliza, exceto outras empresas.
Pirataria de entretenimento (incluindo games, filmes, séries, músicas, etc.): quem pirateia essas mídias em geral é por dois motivos: ou é pelo produto ser caro demais, ou é por ser inacessível em certa região. Nesse sentido, eu penso muito numa entrevista que o Gabe Newell (dono da Valve) onde ele disse que a “A pirataria é quase sempre um problema de serviço e não um problema de preços”, numa época em que ainda era comum adquirir um jogo ou filme por mídias físicas, e não raramente eles não estavam disponíveis em muitos países. Existem muitas análises que indicam uma diminuição da pirataria quando os serviços de streaming se tornaram populares, por exemplo (e quando eles ainda tinham preços acessíveis). Mesma coisa para músicas e o iTunes, e até para games e o Steam.
Claro que o preço de uma plataforma de streaming ou um jogo é fundamental para afastar ou atrair um possível cliente, e isso acaba impactando na pirataria também. Mas isso revela que, se uma pessoa considera o valor de um serviço ou mídia justo, essa pessoa eventualmente irá comprar, caso contrário, não, e/ou irá recorrer à pirataria, pois não é algo de primeira necessidade. E aí talvez isso esteja mais relacionado ao capitalismo, ou seja, a estratégias que as empresas acabam tomando para atrair mais consumidores, e que acabam nos afetando.
Pirataria de produtos de marca (roupas, joias, etc.): talvez esse tipo de pirataria não tenha sido considerado, mas estou incluindo aqui por ter uma característica diferente das demais. Produtos de marca são geralmente pirateados porque representam status, um símbolo de que o produto original somente é acessível por pessoas mais abastadas e são desejadas por classes mais baixas da sociedade. Obviamente que o capitalismo está envolvido aí, mas será que o fato de uma pessoa pobre poder ter acesso a um produto parecido (ou até mesmo idêntico) ao original por uma fração do preço, não tem um “quê” de socialismo ou comunismo aí? Eu já vi discussões sobre o que representa uma pessoa da periferia conseguir ter contato com um tênis que originalmente custa mais de mil reais. Isso sem falar que, quem está envolvido na distribuição desses produtos, na maior parte, são pessoas à margem da sociedade, por motivos óbvios.
Enfim, isso foi o que eu pensei no momento, talvez eu esteja errado em alguns pontos, mas estou aberto à discutir e mudar de opinião.
São bons pontos.
A pirataria como termo moderno origina-se justamente no fato que quem cria algo quer ter o valor relativo da cópia daquilo criado. Lembrando que invenções mesmo tem patentes e se quisermos replicar uma invenção com patente ativa, a mesma acaba sendo algo pirata. O “direito autoral” é a solução que virou problema: quem cria algo acaba dependendo de uma cadeia de proteção deste direito para poder ganhar um valor relativo. Advogados, investigadores, em alguns países policiais especializados e fiscais cuidam disso também.
O dilema na pirataria é justamente o “ter”. Fica-se a questão, para quê no final ter um produto que é uma réplica de algo? Só para ter a sensação da marca? Isso falando de produtos de consumo como roupas por exemplo.
No caso do software, tem um ponto extra: quando algo vira “padrão de mercado”, como os famosos softwares mais pirateados como Photoshop, Office, AutoCad, isso na verdade diz muito mais de como o mercado se modula do que realmente é. Fica a questão: por quê não usar softwares alternativos então? E existem tais softwares? É fácil de se adaptar a eles ou precisa de uma nova curva de aprendizagem? E bem, muitas vezes há um esforço, sei que já tem alternativas para tais softwares que não precisa pagar. Só que o ponto é saber se são tão eficientes quanto as contrapartes pagas.
Houve tentativas no Brasil de se implantar uma cultura de “open source / free software”. O “Computador Para Todos” em um primeiro momento oferecia computadores com Linux instalado. O custo de software “era zero” pois não era um Windows. Em alguns casos era uma distro comum de um sistema Linux ou no caso da Positivo, alguma distro modificada.
Não vou me estender muito mas acho que posso ter deixado um bom ponto para discorrer
Pirataria é consumismo. E quem é consumista é refém da lógica capitalismo. Os caras não quebram nada, apenas fazem parte da máquina, veneram marcas.
Mas acredito que pode haver pirataria consciente, assim como o consumismo. Ou consumismo consciente já não é consumismo?
Acho que consumismo consciente é só consumo. 🤔
É um efeito colateral do capitalismo, mas não acho que seja capitalismo em si. É uma não-compra, afinal, o que tem de capitalista nisso?
A diferença entre o valor produzido pelo trabalho (de criar) e o que é recebido pelo trabalhador em troca (ou seja, a mais-valia) nesse caso é zero. Livros não são escritos por elfos domésticos.
Concordo contigo,
Pirataria, software livre ou aberto, e qualquer outro ‘hack’ ‘no sistema’ capitalista é criado considerando as relações capitalistas na sociedade global, ou seja, no final essas coisas todas são guiadas pelo poder econômico do capital.
Achar que o Linux ‘não é comercial’ ou é ‘anticapitalista’ por ser livre é ingenuidade, pois grande parte (pra não dizer tudo) do que foi adicionado no Linux nos últimos 20 anos foi guiado pelo fluxo do capital que sustém a iniciativa.
No capitalismo, não existe almoço grátis.
eu penso que esse rótulo é irrelevante. mas hoje em dia evito ao máximo consumir pirataria, principalmente de softwares, devido as dores de cabeça que já tive no passado. hoje só uso tudo 100% original. única pirataria que ainda consumo são vídeos de shows de bandas que gosto que eu baixo pra poder assistir offline