Parece que a relação tóxica entre a Apple e a Google encontrou um novo impasse. O Google parece estar querendo aumentar o número de usuários que utilizam o Google Chrome no Iphone; A Apple, por outro lado, busca manter os usuários dentro do seu jardim murado chamado Safari. E o grande ponto utilizado pela Apple é a privacidade garantida pelo Safari. (que eu nunca consigo acreditar muito, até porque a Apple é uma empresa como qualquer outra rsrs). Tendo isso em vista, eu fiquei pensando se sobre os outro navegadores que não são o Google Chrome mas utilizam o Chromium como base. Estes navegadores são tão invasivos quanto o Chrome? Ou é possível ter segurança mesmo usando o código do Google?
20 comentáriosBluesky, Mastodon, Telegram e RSS
Depois de ler tudo, incluindo os comentários, me peguei pensando por que os browsers precisam ser tão complexos a ponto de precisarmos de empresas para que eles existam e continuem existindo. Justamente por haver empresas por trás dessas aplicações é que temos que enfrentar todo esse caos. Ora, por que a web se tornou tão complexa se no final das contas a esmagadora maioria dos sites é basicamente um chumaço de texto com imagens/vídeos fazendo requisições banais para servidores? Em tese, isso é infinitamente mais trivial que, por exemplo, os jogos 3D do final dos anos 90. Vocês sabiam que o Chromium tem hoje quase a mesma quantidade de linhas de código que o kernel do Linux inteiro? Mais do que apavorante, esse dado é embaraçoso.
E aí a conclusão que chego é a de sempre: não há maneira razoável de contornar os problemas do capitalismo sem ser acabando com ele. Todo o esforço que temos feitos nas últimas décadas (incluindo a bem intencionada União Europeia) é um colossal desperdício de energia, pois estamos lutando contra a ponta regeneradora dos tentáculos do monstro, em vez de atarmos a criatura como um todo. Mas é aquele clichê (verdadeiro): é mais fácil imaginar o fim do mundo do que o fim do capitalismo.
O que acham do Edge?
Olha, eu diria que tem muitas leituras a serem feitas.
De um ponto de vista exclusivo de preocupação com a privacidade, ele é tão ruim quanto, e talvez pior, do que o Google Chrome.
De outro ponto de vista, como a Google controla o projeto Chromium muito de perto, tem quem veja aí uma disputa entre grandes empresas que pode ajudar a manter o projeto saudável.
Acho que cabe um acréscimo, que é uma posição que me parece negar o problema, que são as pessoas que argumentam que o Chromium é open source, e, sendo assim, não haveria motivo para que ele se tornasse um problema. Pra essas pessoas, é como se essa monocultura fosse, na verdade, uma solução pra desordem dos vários motores de renderização.
Me parece que isso joga pra debaixo do tapete a ideia do controle do Google sobre o projeto. Me falta conhecimento de como isso acontece de fato, nos bastidores do desenvolvimento, e como que essa influência acontece.
Acho que a maior preocupação hoje em dia em usar qualquer skin do Chrome está mais relacionada ao monopólio que se dá de bandeja pro Google em desenvolver e determinar protocolos e padrões web à bel prazer, e conforme sua conveniência.
Nem mesmo a W3C possui mais qualquer influência nessa questão e apenas serve de carimbador pra qualquer coisa que o Google vomitar.
E como se trata da maior base de usuários, acabamos também com desenvolvimento web totalmente enviesado com sites funcionando apenas no Chrome, mas quebrados em outros navegadores.
Infelizmente, a única alternativa viável e saudável pro futuro da web pra combater a monocultura do Google, é o Firefox, que possui também seus demônios e arranjos com o diabo ao incorporar chromeísmos a fim de manter uma experiência web minimamente estável e sem quebrar com qualquer nova atualização do Chrome.
Lamentavelmente, remar contra a maré é inconveniente e desgastante, então pro usuário comum que só quer rolar no instagram e ver vídeos no youtube, e pros desenvolvedores que são obrigados a entregar resultados pra ontem; acaba sendo mais fácil se resignarem e permanecerem no conforto na bolha do Chrome 😣
Isso não tira o mérito dos forks que tentam atenuar a agressividade do Google, mas sem combater a raíz do câncer que está deteriorando a experiência na web, acabam sendo trabalhos inócuos e sem muita expressão pra mudar as coisas ☹️
Atualmente uso o Vivaldi como navegador secundário, tanto no laptop como no celular, meu navegador principal deixou de ser o Firefox e passou a ser o Waterfox
Honestamente, todos são mantidos por alguma empresa, penso eu, que um dos motivos de usar o Chromium como motor de renderização seja por, talvez nele, conseguirem coletar mais informações da navegação do usuário.
Atualmente acho que o único navegador viável (https://manualdousuario.net/navegadores-web-firefox), como mencionado em um post do Manual, seja mesmo o Firefox, inclusive é o que uso aqui. E os motivos são simples, uso em 3 plataformas diferentes, Windows, Linux e iOS, além disso as extensões que preciso tem nele, sem contar o fato de que praticamente todos sites que acesso abrem normalmente nele e para todas estas plataformas é o único não Chromium.
Acredito que assim como as demais empresas coletam informações, a Mozilla não fica atrás, mas assim como a Apple, a propaganda deles é a privacidade. Olhando para privacidade ainda uso as extensões uBlock Origin e Disconnect.
No iOS ainda tem o Firefox Focus, que promete uma privacidade ainda maior. Pelos testes tive uma sensação de ser mais privado mesmo.
Não são tão invasivos quanto o Chrome, nem de longe. Não sei qual a notícia dessa extensão que o Lex mencionou no outro comentário, mas quem distribui navegadores baseados em Chromium teoricamente teriam o controle para removê-la, desde que saibam como.
Vai da confiança em quem faz o fork. O Opera é cheio de rastreadores, por exemplo. O Brave promete ser o mais rígido com relação a isso (embora seu dono seja um bosta). O Vivaldi vive reiterando o comprometimento com privacidade, e tem uma boa reputação. O Arc diz não ter qualquer tipo de rastreamento.
No fim se faz muito auê de que se usa Chromium é Chrome, mas ao meu ver não é bem assim. Firefox também tem seus rastreamentos e polêmicas recorrentes, e o Safari é… bom, o Safari.
Pode contar mais sobre o dono do Brave, por favor?
Este post (em inglês) faz um bom apanhado das polêmicas e controvérsias do Brave.
O cara inventou uma moeda nova (nem moeda é na verdade, só ativo especulativo delirante) para pagar as pessoas. kkkkkkk
Esse vídeo do Diolinux é um excelente apanhado de todas as controvérsias em volta do Brave: https://www.youtube.com/watch?v=Ib0Gk9TIiqo
Meu resumo: fuja desse browser rsrs
Recentemente saiu a notícia que a Google mantém extensão oculta no chromium impossível de ser removida. Essa extensão captura dados dos dispositivos em que os navegadores são instalados. Afeta todos os navegadores baseados nele.
Putz… Então não tem pra onde fugir!
Mas o código do Chromium (o navegador azulado, no qual o Chrome é baseado) não é aberto? Uma extensão que não pode ser removida, pode ser tirada alterando linhas de código.
Eu uso Firefox há mais de 20 anos, apesar de ter o Chromium nos meus PCs c/ Linux (e quase não usá-lo). Não será agora que eu vou deixar a “raposa de fogo” de lado.
Pode, mas aí o Google Meet fica uma carroça. É por isso, por exemplo, que o Vivaldi mantém a extensão oculta ativa, mas expõe ela nas configurações para quem quiser desativá-la.
O ungoogled-chromium, por outro lado, remove a extensão oculta (salvo engano).
Segundo o site do Brave, eles também desativam a extensão.
Ok, vocês venceram, eu acabei instalando o ungoogled-chromium aqui. Eu uso pouco o Chrom{e,ium}, mas pelo menos estarei um pouco + livre da interferência do G na minha navegação. Valeu pela dica.
Será que é por isso que minhas sessões de terapia dão uma travada do nada?
Eu uso o Brave, depois vou dar uma olhada nisso.
Sobre Vivaldi Browser, dentro da aba “privacy and security”, eu mantenho tudo desmarcado relacionado a Google. Navego assim há anos; nunca tenho (tive), portanto, problemas durante a minha navegação. Dentro dessa mesma aba, há também duas ou três coisas que tenho deixado desmarcado.