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O recurso de auto-dubbing me fez abandonar o YouTube

Claro que o YouTube nos dá diversos motivos diariamente para nunca mais o acessarmos. O recurso de dublagem feita por IA (chamado de “auto-dubbing”), que aparentemente foi liberado para uma quantidade mais abrangente de criadores, foi a gota d’água para mim.

Se pensarmos bem, é uma troca justa. Para o YouTube, uma justificativa para as toneladas de dinheiro investido na Anthropic; para o criador de conteúdo, a possibilidade de atingir o público não-lusófono.

Quem perde é só a gente. Nós, os não nascidos nos Estados Unidos, pessoas que estudam inglês, italiano, espanhol etc., pessoas que quando dão play em um vídeo em outro idioma, é porque queremos assistir conteúdo em outro idioma.

Como se não bastasse essa feature, além de mequetrefe, não pode ser desabilitada permanentemente. A opção de reverter a tradução — e que vale apenas para o vídeo que você está assistindo — está escondida sob 3 cliques.

É essa a nova experiência “powered by AI” do YouTube para quem quiser assistir vídeos como um não americano.

P.S.: Eu só queria que mais gente estivesse falando sobre isso.

29 comentários

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  1. Olha, eu entendo a frustração com a dublagem automática do YouTube, mas tem um tom elitista nas suas palavras que não dá pra ignorar. Quando você diz que “quem perde é só a gente” e se coloca como parte de um grupo que valoriza o conteúdo em seu idioma original, parece que está esquecendo que nem todo mundo tem a mesma facilidade com línguas estrangeiras.

    A verdade é que estamos no Brasil, e a realidade é que a porcentagem de pessoas que falam uma segunda língua é bem baixa, especialmente fora das classes média e alta. Para muitos, a dublagem automática pode ser uma forma de acesso a conteúdos que, de outra forma, estariam fora do alcance. Não é só uma questão de “ah, eu sei inglês, então não preciso disso”. É sobre inclusão e dar a chance para que mais pessoas possam aproveitar o que o YouTube tem a oferecer.

    Eu mesmo consumo alguns conteúdos em outras línguas por meio de legendas. Mesmo que as legendas não sejam perfeitas, elas ajudam muito e tornam a experiência mais rica. É válido e justo cobrar uma forma de desabilitar a dublagem por completo, mas como já disseram aqui nos comentários, desativá-la não é tão complicado assim — são só três toques. Não é como se fosse um labirinto sem saída!

    E, sinceramente, logo logo eles devem dar a opção de desativar por completo. Essa dublagem pode, sim, tornar conteúdos mais acessíveis para um público que, de outra forma, não teria a oportunidade de consumir essas obras. Em vez de criticar a ferramenta como algo “mequetrefe”, que tal pensar em como ela pode ser uma solução para quem quer consumir conteúdo de outras culturas, mas não tem a fluência necessária?

    No fim das contas, a discussão precisa ser mais ampla e considerar as diversas realidades dos usuários. Não dá pra ficar só no “eu não gosto, então não deveria existir”. Vamos pensar em como tornar a experiência mais acessível para todos, não só para quem já está confortável com o inglês ou outras línguas.

    1. Se a dublagem do YouTube fosse, vamos dizer assim, “mais humana”, ou seja, pessoas reais dublando; acho que essa discussão se esvaziaria um pouco.

      O problema maior é a dublagem automatizada. A voz soa razoável, mas ela é única, e muitas vezes nem segue o tom da voz original ou define a mesma de forma diferente. Já peguei casos da voz não casar gênero ou tom com a voz original.

      De fato, assim como colocado pelo Ghedin, o recurso é ótimo na teoria – e na prática inclusive para leigos. Mas o mal é o “dark pattern” colocado para remover (como explicado em outro comentário: precisa de muitas etapas para acessar a desativação – ir até configurações, desligar a dublagem automática ou mudar a língua). Se fosse um botão para ligar e desligar a dublagem automática, seria bem melhor.

  2. A impossibilidade de desativar essa função como usuário (que ainda paga o premium, que teve mais um reajuste esse mês) me frustrou demais. Quando estava pesquisando como desativar, descobri que o criador pode desabilitar essa função nos vídeos de seu canal, e tenho avisado aos gringos que eu sigo sobre isso, porque acredito até que muita gente que posta não saiba que tá rolando. Como em geral eu vejo mais os canais em que estou inscrita mesmo, com isso o problema reduziu bastante. Mesmo assim, enviei uma mensagem pro suporte do youtube com a sugestão da função de desativar por parte do usuário, acho que não custa.

    1. Acho que para mim esse é o ponto, a questão não é ter ou não a dublagem automatica, é simplesmente não existir nenhum mecanismo para trocar isso.

      Ainda mais assistindo Youtube na TV, que tu tem menos facilidade de trocar para o idioma original.

  3. fiquei curiosa em pq eu praticamente nunca cliquei em um video e apareceu essa dublagem automática. acho q uma ou duas vezes só. e eu vejo video em inglês o tempo todo, normalmente na tv. será q é meu youtube q está com inglês como padrão? essa seria uma solução temporária.

  4. Eu tive que mudar meu idioma padrão para inglês na época que começaram a testar isso, não darem uma opção de desligar de cara é ridículo, nem tinha os 3 cliques em shorts, sem contar que desligar tem que ser permanente, e não por video (se já tiver uma forma permanente tudo bem)

  5. O pior é que não tem como desabilitar no site do youtube no ios.
    Vendo na tv tb é horrível desabilitar.
    É uma parada IRRITANTE mesmo.
    E ainda pago o Premium………..

  6. Guilherme, eu te entendo demais!!! No meu caso foi pior: eu uso (usava, né) o navegador Brave em inglês e os vídeos brasileiros já vinham dublados E EU NÃO CONSEGUI DESABILITAR!!! (Dá pra desabilitar sem usar o app do youtube ou sem estar logado na versão web???)

    Eu também não acharia tão ruim se não me obrigassem a utilizar algo de um jeito que eu não queria. (Sem contar que eu não confio nas traduções automáticas.)

  7. Já já eles colocam opção pra desabilitar, por enquanto só querem divulgar, fazer testes, coisas do tipo. Também não gosto da maneira que foi empurrado goela abaixo, mas imagina quem não fala inglês ou outro idioma qualquer e vai poder assistir o que quiser, sem essa barreira.

  8. Cara, não cai em nenhum video desse. Mas NÃO DÁ DE DESABILITAR?????? Que porra é essa?

  9. É um recurso de acessibilidade fantástico, daqueles que a ficção científica imaginava algumas décadas atrás (peixe de Babel, é o nome?) e nos pareciam inatingíveis.

    Dito isso, a implementação do YouTube peca em não oferecer uma saída fácil a quem não precisa da dublagem. Tudo bem que é um público pequeno, o de pessoas bilíngues/poliglotas, mas… né, custava colocar um botão para desabilitar isso? 🥲

    1. Se for o do Guia do Mochileiro, acho que é Peixe Babel mesmo.

      É, pois é. Se bem que fiquei pensando se é realmente uma minoria. A imagem do post é de um vídeo de um programa de auditório da Colômbia. Nele, essa menina chega falando inglês e logo é interrompida pela apresentadora, que, entre muitas coisas, diz “quem fala duas línguas é? Bilíngue. Quem fala três línguas? Trilíngue. Quem fala uma língua só, como se chama? Americano.”

      Tenho zero dados além dos do Instituto DataGuilherme, mas imagino que muita gente que acessa o YouTube fora dos Estados Unidos pelo menos entende/ouve inglês. Mas é só uma intuição.

      1. Tenho zero dados além dos do Instituto DataGuilherme, mas imagino que muita gente que acessa o YouTube fora dos Estados Unidos pelo menos entende/ouve inglês. Mas é só uma intuição.

        A depender da pesquisa, o percentual de brasileiros que manjam inglês varia entre 1% e 5%.

  10. Uma coisa que não estou gostando são os títulos gringos traduzidos automaticamente. As vezes quero consumir a experiência de um brasileiro sobre algo (seja de alguma viagem, compra de eletrônico, etc) afim de saber a opinião de alguém que tenha uma experiência de vida mais próxima a minha realidade e o título traduzido junto com uma thumbnail sem palavras acaba dando a inconveniência de ter que clicar no conteúdo e ver alguns segundos para verificar se foi feito ou não por um brasileiro.
    Com relação ao auto dubbing, aqui uso o Safari primariamente, mesmo com tudo no idioma em português o YouTube sempre começa com o idioma original, a mesma coisa acontece no app de iOS.
    E nem da pra dizer que é IA, é somente um TTS um pouco mais elaborado. A voz da pessoa não é clonada e nem trejeitos são impostos, vai demorar mais um pouco pra não ficar tão estranho enquanto está agora.

  11. Po, falta mto pra eu deixar de consumir conteúdo no YouTube. Auto-dubbing é muito bom pra mandar vídeos de ciências pros meus pais, por exemplo, então vejo valor na ferramenta. Se você se incomoda com dar 3 cliques sendo alguém que entende de tecnologia, talvez você devesse rever mais do que o uso do YouTube. As lutas verdadeiras da vida já são pesadas, não tem porquê fazer tudo ser ainda mais difícil. Pega leve, enjoy the ride ;)

    1. Mas é um problema/inconveniente gerado pelo próprio YouTube que também não dá a opção de desligar permanentemente. Tá certa a reclamação.

      Isso é outra birra que tenho com IA, toda empresa que adota uma solução mais ou menos quer empurrar isso a todo custo pro usuário, sem opção do usuário falar que preferia sem. É pra inflar métricas para investidor?

    2. O problema não é a quantidade de cliques. Talvez eu não tenha deixado claro pro post não ficar muito grande.

      A questão principal é “por que três cliques nessa feature e menos cliques em outras como ativar/desativar legendas?”. É um dark pattern.

    3. Não só nossos pais, mas também nós temos que ser menos elitistas e ter consciência de que mais de 90% da população brasileira não fala inglês. É um recurso de acessibilidade que mais ajuda do que atrapalha. Quem fala inglês, uma sabida minoria, pode desativar o recurso com três cliques, como o colega apontou.

  12. Uso o Firefox + uBlock Origin. O YouTube demora mais para carregar, mas em compensação o “autodubbing” é meio aleatório, muitas vezes vindo desligado. Tenho usado o FreeTube também.

    Eu queria deixar o YouTube, mas peguei gosto por alguns canais.

    (Uma coisa gozada: o DankPods, que é um dos canais que curto, o autodubbing joga a voz do Wade como “feminina”).