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  1. Eu sempre me lembro de um estudo que o Buzzfeed fez mostrando que, nas eleições de 2016 nos EUA, as cinco fake news que mais viralizaram repercutiram muito mais do que as cinco notícias reais da mídia mainstream. Aqui tem uma notícia da Folha que saiu na época: https://m.folha.uol.com.br/mundo/2016/11/1833158-nas-redes-mentiras-sobre-pleito-nos-eua-superam-noticias-reais.shtml

    Mas o que me chamou a atenção na época e que nunca esqueci (e que a matéria ou o estudo não ressaltavam), é como as notícias reais se confundiam com as fake news, no seu estilo de texto e chamadas do tipo “você não vai acreditar”. Na matéria da Folha na versão online não aparece, mas na versão impressa tinham as manchetes lado a lado. Aqui tem um link pro estudo original onde é possível ver: https://newsmediauk.org/wp-content/uploads/2022/10/Buzzfeed-_This_Analysis_Shows_How_Viral_Fake_Election_News_Stories_Outperformed_Real_News_On_Facebook_-_BuzzFeed_News.pdf

    “Stop pretending You Dont’ Know Why People Hate Hillary Clinton” e “Melania Trump’s Girl-on-Girl Photos from Racy Short Revealed”. Estes são dois títulos dos que mais viralizaram. Mas não, não entre as fake news, entre as notícias! São do Huffington Post e do New York Post, respectivamente. Você pode argumentar que o NYP é considerado um tabloide, mas mesmo assim faz parte da mídia e deveria seguir seus critérios, não é um site criado para espalhar fake news.

    Meu ponto é que quando a própria mídia utiliza elementos que tornam seu estilo parecido com as fake news, ela está dificultando ao leitor fazer essa distinção. Além do que, com a digitalização, muitas pessoas recebem as notícias via redes sociais, mensageiros etc., fora do contexto da página original, às vezes até sem o crédito claro da fonte e da autoria, tornando ainda mais difícil fazer essa distinção. Então, se a mídia tradicional usa desses artifícios, não pode culpar o leitor que, ao receber um link de fake news tenha dificuldade em distinguir da mídia tradicional.

  2. O que diferencia o jornalismo da fofoca e do “jornalismo marrom” é que o primeiro se erra admite e corrige na hora, além de sempre consultar outros pontos. O segundo e o terceiro não vão admitir que estão errados e ainda vão espalhar que estão falando mal deles.

    O termo anterior para fake news é “jornalismo marrom”. Em partes entendo o porque de não usarem mais o termo – recaí na questão do racismo também, pq há muita divergência no uso de termos de cores para definir adjetivos postivos e negativos. Mas bem, só quis fazer um lembrete.

    O engraçado deste texto ter sido replicado aqui nesta semana recaí coincidentemente na ocorrência policial do Rio de Janeiro, onde já há contabilizado mais de 100 mortes (entre oficiais e citados por populares). E durante uma programa, um jornalista faz uma correção bem incomum (mas totalmente necessária): Reinado Azevedo interrompe uma fala para corrigir um dos jornalistas que usaram o termo “bandido” para se ferir aos mortos sem informação. (não duvido que a informação foi originalmente fornecida pelo governo).

    Bom jornalismo educa. Mal jornalismo e fofoca replica e mal ensina.

  3. Eu acho que pior que mentiras são as meias-verdades, dignas de serem premiadas com o Troféu Bel Pesce.
    Por exemplo, dizer que o governo diminuiu a quantidade de brasileiros na pobreza extrema. Essa informação está correta, porém o governo não fez isso aumentando a renda ou diminuindo a desigualdade, o que ele fez foi alterar o critério para considerar pobreza extrema para um valor ainda mais baixo, assim um monte de gente sai dessa conta sem ter nenhuma renda a mais.
    Isso é uma desonestidade jornalística. A informação está correta, então não é uma fake news ou desinformação passível de correção, mas existem várias maneiras de contar mentiras dizendo só a verdade, dependendo de quem você quer exaltar ou derrubar. Notícias sobre política quase sempre são tendenciosas.

    1. Por exemplo, dizer que o governo diminuiu a quantidade de brasileiros na pobreza extrema. Essa informação está correta, porém o governo não fez isso aumentando a renda ou diminuindo a desigualdade, o que ele fez foi alterar o critério para considerar pobreza extrema para um valor ainda mais baixo, assim um monte de gente sai dessa conta sem ter nenhuma renda a mais.

      Tem algum link que conte essa história, Andre?