Jovens da “Geração Z” sabem realmente usar computadores?

Dando uma rodada na minha lista de @ interessantes no Nitter, me deparei com um pessoal em um debate sobre a Geração Z (Nascidos entre 1990 a 2010) não ter habilidades em uso de computadores . (este faz link a um debate no Reddit, aqui – https://old.reddit.com/r/brasil/comments/12regst/seriam_os_millenials_a_%C3%BAltima_gera%C3%A7%C3%A3o_proativa/ )

Achei estranho. Acho que na verdade, ao que noto no meu arredor, não existe extamente um estereótipo de a pessoa saber ou não computação e operação em PCs comuns.

Sou muito mais da ideia de como o arredor teve sua cultura impactada pela informática – e a falta de informação também. Me lembro que eu estava para se formar e as salas de informática nas escolas estaduais em São Paulo não eram usadas – aprendi informática porque minha mãe bancou um curso e porque também fui atrás (comprando revistas e livros usados, e quando tive sorte, ganhando computadores usados).

A relação das pessoas com a informática no Brasil é bem complicada. E de fato, a “intuitividade” do celular se fez mais presente do que o Control+C Control+V dos computadores. As pessoas mais leigas ou que não lidam tanto com informática não se preocupam em aprender a operar um computador porque geralmente eles usam mais para o trabalho onde estão – um Ponto de Venda (PDV) por exemplo.

Como sempre bati na tecla, noto que a questão da informática no Brasil teve o problema de falta de ensino público sobre. Não é toda escola que teve, e não houve tantos incentivos sobre aprendizagem de tecnologia. Salas de informática acabaram fechadas com medo de serem detonadas pelos alunos ou furtadas pela comunidade. E no passado houve iniciativas de informática nas escolas com notebooks feitos “exclusivos” para as aulas, mas de baixa performance.

As escolas que hoje usam ensino de informática o fazem ainda sem tanto treinamento para professores, ou sem uma infraestrutura adequada – isso falando inclusive de projetos tipo “Google For Education”.

Enfim, trazendo o debate para cá também, abro o post para a gente comentar e conversar sobre. :) Não esqueçam de dar uma olhada nos links indicados sobre.

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35 comentários

  1. Acho que é questão de incentivo.

    Antes era uma corrida do ouro dominar informática. Havia novidades, avanços. Hoje está tudo planificado.

    Também tem a questão da necessidade, hj tirando programação não tem nada muito necessário que não de para fazer em outro aparelho como celular

    1. Eita acho que você exagerou kkk, ainda tem muita coisa que só se faz em PC ou faz melhor nele, como escrever por exemplo.

  2. Sim. Até já tinha comentado isso contigo faz muitos meses e você me desacreditou. Kkkkk.
    Mas eu vejo isso como algo normal, PCs são apenas ferramentas, os smartphones conseguiram facilitar muita coisa e deixou o mercado de PCs domésticos para trás.
    Vida que segue.

  3. Não há nada errado em não saber informática, o que vivemos nos anos 90/2000 foi uma transição para o que se tem hoje, ninguém precisa saber mecânica para dirigir e não precisa saber informática para usar os equipamentos disponíveis.
    Com o tempo a tendência é que precisemos saber cada vez menos, computadores serão ferramentas de desenvolvedor, usuário vai usar tablet e/ou celular ou o que aparecer.
    É bom saber? Sempre é, mas nem todo mundo tem disposição e necessidade. Ou tempo.

  4. Algo importante de se comentar também é que a maioria dos relatos do Reddit são de pessoas que nasceram com computador e seus pais não os ensinaram, tem um pouco de repudio como os filhos estão tratando a tecnologia, minha mãe sabia usar computador, e eu tive que aprender sozinho, usando o computador dela, nos anos 2000 era comum computadores em casas até por razões econômicas da época, hoje um jovem de 15 anos tem um computador em casa? no melhor dos casos um notebook velho, que o pai deixa no quarto, ou um computador gamer de algum parente interessado, o caso das pessoas no Reddit me parecem ser um desconhecimento sobre a quantidade de pessoas que tem INTERESSE com internet, quantos adultos na faixa de 40 anos hoje sabe usar bem um computador? 10%? 5%? sendo que no inicio do século quase todas as casas tinham um pc, não só essas pessoas que deram um computador aos seus filhos na década de 20 são exceção a regra como a chance média de seus filhos acabarem usando ainda é extremamente baixa, porque cacete a minha geração iria se importar um um trambolho desses? (nasci 1998 e trabalho com programação)

    1. Se eu tivesse um filho e ele me pedisse um computador, eu perguntaria pra ele o que ele prefere, um computador ou um notebook, e a resposta dele seria obvia, um celular, ele estaria sendo idiota? claro que não. quantos pais hoje estão dispostos a fazer o que os pais nos anos 2000 fizeram? deixar um computador, que você pode criar sua propria senha e instalar seus programas e ter seus arquivos ali em segurança até dos seus pais? Eu nunca compraria um computador pra deixar na sala, eu daria um nintendo switch pro garoto ou um tablet, qual as chances dele criar redes sociais sem minhas permissão? quais as chances dele se radicalizar por la? a internet era assim a 10 anos atrás? CLARO QUE NÃO, país hoje em dia tem a noção de que a internet é um espaço perigoso, como esse não era o caso nos anos 2000 ninguem se importava em deixar um garoto fazendo merda num computador, e de fato a internet não era tão perigoso naquela época, as chances de um garoto de 13 anos hoje de virar um neonazista a partir de conteudo é maior do que 1%, o que é muito mais do que precisa pra isso ser um problema maior do que: “crianças não sabem photoshopar uma foto com 12 anos de idade”

      1. Ótimos pontos Bernado! Grato pela participação! :D

        Nos anos 2000, a coisa mais perigosa que muitos faziam era pirataria. Mas olha, me lembro bem que já houve (e participei/recebi) bullying online – aquilo era um dos princípios do que hoje virou os chans. Os diversos fóruns existentes tinham muito deste comportamento. O UOL Jogos e Outer Space eram dois espaços recheados de “trollagem” e provocações mutuas – e até espaços com pornografia liberada a menores.

        Que eu me lembre vagamente – e aí precisaria conferir de forma a ver registros históricos – pode ter existido algum discurso mais violento na época, mas existia também muito discurso “classista” (A informática começou com gente que tinha dinheiro, diga-se).

        1. O meu primeiro computador foi o da minha mãe que aprendeu a mexer pra usar ferramentas de trabalho por ele, eu acabei aprendendo a mexer desde 2005 simplesmente por causa disso, aos 10 anos eu nem sabia o que era uma rede social, criei orkut bem depois de instalar jogos no computador, e basicamente minha formação digital foi feito por programas de aprendizado indireto, como jogos dados pelo mc donalds pra usar no computador, ou cds distribuídos em revistas, não há espaço pra essas coisas hoje em dia, e não vai haver, o melhor seria ensino no colégio desse conteúdo, junto com conteudo sobre desinformação e uso de redes sociais, se a intenção é “formar” jovens no uso de computador, essa formação precisaria ser profissionalizada creio eu, até por uma questão de proteção a juventude.

  5. Aparentemente não, e isso é triste.

    Estou quase chegando nos 30 e uma épocas da informática que mais gostei foi de 2007~2011. Tirando alguns poucos conhecidos, a maioria das pessoas que estudou comigo mal sabem instalar algum driver (sorte que o Windows “faz” isso automaticamente) ou instalar algum programa como Office (que nesse caso, boa parte dessas pessoas acabam tendo que usar).

    E se brincar, também não é muitos que sabem como cuidar do celular. Já vi gente que acha mais fácil pagar por um telefone novo do que simplesmente apagar arquivos que estão consumindo a memória.

    De fato, se você tem quase 30 e não era mais “viciado” em tecnologia quando tinha seus 12~14 anos, a chance de ter dificuldade com informática é alta.

    Posso estar errado, pra falar a verdade quero estar errado. Mas a realidade mostra razões para acreditar que infelizmente estou certo.

  6. A maioria da “gen z” não é antenada em computadores porque o mundo deles é o celular, do mesmo jeito que nossos pais e avós também não eram e provavelmente achavam um absurdo “esses jovens desperdiçando tempo com essas telas”
    De resto é só “geração antiga reclamando da geração nova”. Até pouco tempo eram os boomers e gen x reclamando dos milenials, achei que íamos aprender a não repetir esse comportamento.

    1. Obrigado Juarez :)

      Quando a pandemia veio com tudo e fez as pessoas serem obrigadas a lidarem com o “home office”, o que vi de gente meio desesperada porque não tinha tanta noção e teve que aprender be-a-ba em pouco tempo foi bem relevante. escolas foram para as aulas remotas e professores agora tiveram que em pouco tempo aprender a mexer com planilhas, editor de textos e editores de apresentação.

      e nisso os alunos também entraram no balaio.

      quanto ao conflito de gerações, concordo contigo. só pus no tema pois era o tema original nos fios.

  7. Agradeço a quem está participando e convido a entrar no debate você que está lendo também. Aproveitando, vamos as respostas e questões extras:

    @Rafael e @Andre-LA vocês que trabalharam ensinando, uma dúvida: o que vocês sugeririam para compensar este “gap” (vazio) relativo ao ensino de informática?

    @Rodrigo Dias e @André Kittler: De fato o uso de alguns itens “nos mostra a idade”. Mas bem, acho que “sistema de ‘trintão’ é o DOS”, o Windows pegou todas as gerações, diga-se. Aí fica a questão: será que nós que somos mais velhos temos nossos preconceitos contra jovens que não usam computadores?

    @Tadeu o seu ponto 2 acho que é o principal mesmo. Usar um PC é meio que nem usar um carro muitas vezes – vai da necessidade também. Um desktop hoje, em relação a outros computadores como celulares e media players (TV-Boxes, Dongles, Espelhamento) compensam bastante e tem economia de energia. Então faz bastante sentido mesmo.

    Curiosidade: a minha intenção inicial era hoje trazer um post sobre uso do celular no volante, diga-se. Vou deixar para daqui a dois dias, quando este post sair do algoritmo

    @Helder bem lembrado, infelizmente alguns equipamentos não compensam o uso em sala de aula… :\

    Novamente agradeço e por favor vão participando! Digo que de fato dá para ir além e tirar a característica do “etarismo”. Não a toa trouxe o debate para cá: sei que a galera daqui consegue ir para uma visão além dos preconceitos existentes.

    1. Vale dizer que só dei aula por um ano, e como temporário, não sou professor pra valer rs.

      Mas, pude acompanhar algumas discussões de outros professores, acabei por escrever no outro comentário, mas no geral, o que eles estavam considerando era voltar com uma matéria antiga na grade sobre ensino de informática básica.

      Vale dizer que se tratava de uma escola com cursos de informática, então a demografia dos alunos já era mais orientada a tecnologia, mas é explicar os básicos, o teclado, o gabinete, o mouse, o menu iniciar, os programas, copiar e colar, arquivos e pastas.

      Tbm n precisa ser do 0, os alunos já sabem lidar com celular, então é questão também do professor entender o universo dos alunos e fazer as comparações daquilo que ele entende (apps == programas).

      E assim vai, depende do bom e velho diálogo, mas por obvio cada turma tem suas diferenças também.

      1. grato por suas participações.

        talvez começar do zero ajude também a solidificar padrões de operação. a pessoa fica ciente como é o básico do básico e com isso sabe quais limites pode ir sem perder tempo experimentando coisas que não saberia se desse certo.

    2. Nem é questão de preconceito, mas de surpresa mesmo. Tudo bem, não precisa ser um especialista master, mas pelo menos precisa saber o mínimo de uso. Pessoal relatando que tem gente que não sabe usar a busca do Google (!!!) já é algo preocupante, ou até mesmo copiar e colar, que é uma das coisas mais triviais de serem feitas.

      1. Detalhe. Tenho 28 anos. E nem existe consenso onde começa a geração Z e termina os Millenials.

        Alguns falam que a Z começa em 95, outros falam que é a partir de 2000. Alguns falam que comeca nos anos 90, não tem um consenso.

        1. Fico agradecido. ótimos pontos.

          A ausência de conceitos básicos parece ser um padrão notado quando falamos de operar pcs.

    3. “será que nós que somos mais velhos temos nossos preconceitos contra jovens que não usam computadores?”

      Não. Cara, é um ferramenta necessária. Voltamos pouco… na minha época datilografia era obrigatória. Hoje não é, estou OK com isso.
      Informatica é obrigatório, se a pessoa não tem a base não está adequada para trabalhar de forma competente no mundo de 2023 em vários empregos.

      1. grato pelas participações. :)

        falei preconceito meio que tanto para expor o meu quanto para provocar.

        e falando em datilografia – fiz na Kolping -, isso me fez pensar se também é uma forma de ensinar as pessoas a operarem de tudo um pouco. Datilografia dá uma noção de operar de forma mais institiva um pc, pois dá noção de espaço de teclas. Apesar de que já falaram que queriam mudar o padrão querty. aí entra em outra história

  8. Dei aula num curso de jogos em que os alunos eram da Geração Z (ou melhor, final da Z e já já os alunos de lá serão do Alpha, não se esqueçam que Z agora já tá se formando na faculdade e não necessariamente representa só os alunos de ensino médio), e a maioria não tinha tanto o costume de usar o PC realmente (o que é diferente de não saber usar nada).

    Mas honestamente eu tenho a sensação que muitas das discussões ao redor da GenZ são exageradas também.

    Não, a maioria não tem o costume de usar o PC exceto quem tem o costume de usá-lo, como pessoas que jogam, jovens programadores, etc. Ou seja, a mesma história dos outras gerações, pessoalmente não enxergo um nível maior de domínio nas gerações mais velhas como X ou Boomers, a exceção talvez seja os millenials, que na média também já vi muita gente não sabendo usar.

    Fora isso tudo, o que posso dizer é que os professores com quem tive contato discutiam que as aulas básicas de informática voltaram a ser necessárias, antes dava pra contar que os alunos meio que já sabiam de algumas coisas, agora com o pessoal usando celular primariamente, essa necessidade acabou voltando.

    1. > Mas honestamente eu tenho a sensação que muitas das discussões ao redor da GenZ são exageradas também.

      Olhei agora o fio do Twitter/Nitter e esse fio exemplifica exatamente o que quero dizer:

      > Se você der hoje um PS5 lacrado na caixa para uma criança de 10 anos, ela não conseguirá sozinha desembalar e por para funcionar. Não sabem nem onde liga o cabo HDMI. A geração do PS1 com 10 anos já sabia copiar CD-regravável para piratear jogo.

      Existe uma coisa chamada Manual, se a tal criança de 10 anos não tem a ciência da leitura do manual ou de eletrônica pra pôr pra funcionar, isso só reflete a negligência das gerações anteriores em não passar a informação adiante e ao invés disso só chamá-las de burras (algo muito bem representado por esse fio inclusive).

      Isso é um problema bem grande no mundo da tecnologia no geral, tem muita coisa dita obvia que na verdade se trata de algo não trivial de se entender, que deveria ser ensinado pra outras pessoas, mas acaba por não ter essa transição de conhecimento pra frente, não é a toa que UX, em especial em mobile se tornou algo tão importante pra adoção de um app pelos usuários, e também não é a toa que muitas tecnologias ficarão para trás mesmo sendo de grande uso no momento meramente pq essa transição de conhecimento não foi considerada (aprender C++ agora por exemplo é algo bem difícil).

      1. (…) se a tal criança de 10 anos não tem a ciência da leitura do manual ou de eletrônica pra pôr pra funcionar, isso só reflete a negligência das gerações anteriores em não passar a informação adiante e ao invés disso só chamá-las de burras (algo muito bem representado por esse fio inclusive).

        Exatamente!

        É um dos pontos principais que quero chegar que não vi direito nem no twitt, nem no Reddit.

        Não a toa fiz a questão em um comentário: “será que nós que somos mais velhos temos nossos preconceitos contra jovens que não usam computadores?”.

        Admito que fiquei devendo a ensinar meu sobrinho a mexer com computadores, no entanto como deixei ele mexer com livros e revistas que eu tinha, no final ele acabou por conta própria aprendendo o básico, o que admirei. Salvo engano, ele tentou estudar programação, mas não sei a quantas anda.

  9. Não tenho experiência com muita gente dessa idade para falar com propriedade. Mas, na prática, acho que isso também envolve quatro coisas. E é um debate bem extenso.

    1) O conteúdo consumido em smartphone/tablet, por exemplo, pode ser consumido de forma muito mais rápida. Afinal, o uso de um smartphone com android/iOS é feito para ser tudo fácil e rápido, tudo em poucas “dedadas”. Logo, sobra mais tempo pra consumir conteúdo. Talvez tenha sido a forma que as big techs encontraram para massificar o consumo de conteúdos online. Hoje, qualquer pessoa com a mínima boa vontade, consegue acessar os serviços/redes sociais mais comuns a partir de um celular.

    2) O comportamento atual de não saber ou não se interessar por aprender a utilizar computadores, não seria o padrão? Talvez, com a facilidade os jovens tenham tido a chance de não aprender o que eles não querem. A gente que frequenta o Manual é exceção e não percebi isso. A maior parte das pessoas que conheço, usa computador porque precisa e não porque quer. Aprendeu pra poder trabalhar ou fazer tarefas que, hoje, necessitam de um computator/smartphone. Se pudessem, não aprenderiam. E acredito que a opção dos jovens pelo celular também se deva por dois motivos: a) é de uso pessoal, você não costuma compartilhar o uso do seu celular com os outros; b) praticidade/portabilidade. Você, literalmente, carrega se celular no bolso. E eles são mais intuitivos pra qualquer um, porque ali já tá tudo “na cara”.

    3) O uso de computadores/notebooks está cada vez mais voltado para áreas mais específicas, como gamers, edições (vídeo/áudio etc.). Mesmo muitas profissões ainda necessitando de computador, vejo cada vez mais as coisas migrando para os smartphones. Pelo preço? Praticidade? Facilidade? Isso eu não sei.

    4) A tecnologia, assim como o mundo, vai se modificando ao longo do tempo. O uso que se faz de um computador hoje, não é o mesmo dos anos 80/90, embora muitas tarefas ainda possam ser iguais, como digitar ou texto ou enviar uma mensagem. Hoje, um navegador web praticamente substitui o SO. Se você substituir um Win por Linux em um pc de uma pessoa que só faz edição de texto e uso de redes sociais, por exemplo, ela talvez nem note que está usando outro SO. Tudo que envolve tecnologia hoje está caminhando para automatização e facilidade, parece um caminho meio sem volta. Não estou falando que gosto disso, é só o que vejo, posso estar errado também.

    Eu, por exemplo, estou na casa dos trinta. Sou da geração que não nasceu com computador (porque ainda era caro). Só fui ter um lá em casa com uns 12/14 anos. A relação que eu tenho com computador é diferente das pessoas mais novas que eu. Instalar um programa, instalar um SO (win, linux, bsd’s etc.) já não é igual. O uso de computadores é bem mais automatizado e requer menos do usuário. No Win já existe até lojinha de programas (assim como em várias distros linux, inclusive com os flatpks e snaps). Acho que vale mais a pena focar em como é a relação da nossa sociedade atual com as tecnologias. Como isso impactas as novas gerações e por aí vai, que é onde, realmente, está o cerne da questão.

    Sobre o ensino de informática no sistema público. Cresci em uma capital e lá todas as escolas da prefeitura tinham uma sala de informática. O problema é que ela nunca era usada e, ao mesmo tempo, os pc’s que chegavam já eram meio antigos. Talvez por falta de pessoas adequadas para isso. Alias, é um ponto a se pensar. Porque não temos esse tipo de ensino de forma sistemática nas escolas? Porque não ensinar os jovens a lidar melhor com seus computadores ou smartpones?

    Enfim, tá ai os meus pitacos. Viajei um pouco, né! kkkkkkkkk

    P.S: dei uma boa lida nos comentários no link do reddit, não li tudo porque é muita coisa. Achei alguns muito interessantes e pertinentes.
    P.S²: acho esse debate sobre a geração “etc. e tal” muito generalista demais. Tende a ficar muito voltado a estereótipos e a velha e eterna disputa entre gerações.
    P.S³: vale muito a pena a leitura dessa entrevista da BBC (é de 2020): https://www.bbc.com/portuguese/geral-54736513

  10. Não sabem. Isso é visível, salvo raríssimas excessões (que não conheço e nunca vi, mas se você está aqui, é tu que to falando… ta sozinho meu!!).

    É evidente que o motivo disso é que eles nunca precisaram expremer cada bit no OS para otimizar um pentium. Nunca tiveram de ficar trocando cooler de K6 e comprando memoria, trocando processador (sim, faziamos isso!!!), fragmentando HD para o windows ficar na parte mais rapida…..
    O ato de simplesmente comprar, usar por mais de 5 anos (impensável na decada de 90!) faz não precisar aprender. Aprender cansa né (sem sarcasmo).

    O resultado é uma geração de ignorantes de informática, que no futuro cederá lugar para uma pior ainda.
    Agora, fosse um deles e pensasse (tem??), eu teria medo…. o celular serve para que, profissionalmente? Que habilidade inútil que estão aprendendo! Eles estão sendo muito limitados e isso pode não terminar bem….

    Por ultimo tenho medo de nós.
    Os softwares diversos, incluindo o proprio Office e Windows da vida, estão cada vez menos otimizados (não tem porque né, processamento e memoria é infinito) e mais bugados (simples ato de TESTAR virou caro demais, portanto se ta bom ta bom, vamos lançar para todos)… mas bonitinhos! Coloca essa geração atual seguindo o desenvolvimento nisso cada vez mais, sem uma base decente… tenho medo o que será em 10 ou 20 anos.

  11. Concordo. Quando aluno fui estagiario do programa acessa escola – 2013 (gov sp) e muitos colegas não sabiam manusear o equipamento. Hoje sou prof da rede publica e a garotada tem menos afinidade ainda. E a relaçao de equipamentos continua com configuraçoes de chorar. Positivo e multilaser reinam com suas incriveis peças.

  12. Quando usam, é mais pra rodar aqueles jogos do Android pelo BlueStacks.

    Sejamos francos. O Windows se tornou o sistema dos “trintões”. Quem já está por volta dos 30, 35 anos, tem mais afinco com o sistema dos PCs do que pelo Android.

    Pergunta pra eles se eles saberiam mexer no regedit ou gpedit ou em algo mais a fundo?

    Se não tivesse fracassado nos smartphones, o pessoal talvez lembraria disso.

      1. Não gastar 50 reais em quem sabe mexer :p
        (Aí eu teria que achar outra forma de ganhar dinheiro :V )

        Mas de fato entendo o ponto dele. Entender “mexer por baixo do capô” ajuda bastante a ter um sistema bem ajustado. :) Um jovem que entenda disso já tem valor. Consegue até fazer ajustes finos para jogar bem. ou tirar algum programa que carrega sozinho no Windows.

        (Se o cara saber fazer em linux então… nisso eu não ganho dinheiro :V )

        1. Puts, me parece um retorno sobre investimento muito baixo a ponto de justificar a crítica. A menos que o objetivo dessa pessoa seja trabalhar com suporte técnico ou desenvolver um hobby, ela gastará melhor seu tempo desenvolvendo outras habilidades.

          Talvez seja útil em algum momento raro, mas dar manutenção em Windows/computadores é a menor das preocupações de alguém com tempo limitado e vontade de se aperfeiçoar. Até porque, trabalhando em qualquer empresa essa pessoa terá gente especializada para ajudá-la caso o computador apresente problemas.

          1. Falei meio exagerado.

            Entendo que a crítica inicial que começou lá no Twitter e no Reddit tem este peso de tentar cobrar o jovem por um conhecimento que não foi repassado a ele (um dos ótimos pontos que consegui chegar nesta conversa aqui, no que espero aprofundar – sinto falta de pessoas que deram ótimos pontos de vista em outros tópicos como a Daniela e a Julia no tópico sobre violência nos jogos :) ).

            O outro é justamente o ponto como o seu – já estamos em um ponto onde o software meio que “se resolve” em caso de problemas, e ótimo! Mais gente dedicada a ver outras profissões ao invés de ser “rato de informática”.

            No entanto noto também que há muito menos “ratos de informática” hoje do que antes. Algumas coisas do que já citaram aqui também já presenciei – jovens que querem jogar, não querem gastar tanto mas não sabem nem instalar direito o Bluestacks ou ficarem atento a um tutorial sobre como configurar um jogo. Aí chega também na melhor frase até agora: “se a tal criança de 10 anos não tem a ciência da leitura do manual ou de eletrônica pra pôr pra funcionar, isso só reflete a negligência das gerações anteriores em não passar a informação adiante “

            A intuitividade ajuda bastante, mas também tem horas que desincentiva a necessidade de atenção aos detalhes, coisas que a pessoa pode resolver por conta própria em caso de emergências. O João Vitor dá a letra:

            Já vi gente que acha mais fácil pagar por um telefone novo do que simplesmente apagar arquivos que estão consumindo a memória.

            Há anos tento ficar matutando como pensar em uma espécie de “telecurso de informática” – e lembrando que celulares e muitos outros “gadgets” são computadores e podem ser englobados em uma aula -, mas hoje já tem bastante gente fazendo isso online no YouTube e outras plataformas. Fora a galera do Linux que faz algo, mas as vezes temo pelo jeito que eles agem, pois tem alguns que julgam “Linux é melhor que o Windows” e com isso gera também uma barreira.

            É uma discussão que pode ser que não tenha fim, mas não é para fazer novos ratos de info, mas sim gerar novamente aquele interesse que nem quando você por exemplo põe o Pi-Hole para funcionar. Fazer as pessoas terem um gosto para resolver problemas, e até ou economizar (pois resolve por conta) ou ganhar (para ajudar os outros) com isso. :)

  13. Dou aulas de Computação num projeto que engloba alunos da geração Z. A maioria não sabe mexer num computador x86, não sabe usar teclado e mouse, não sabe usar nada que não envolva o navegador.