Lendo algumas coisas aqui não é de surpreender que o país tá indo pro saco…
Eu vou comentar aqui o que eu disse numa postagem no Instagram sobre controle de desastres desse tipo no Brasil:
O Acre submergiu sem alarde em fevereiro deste ano. 120 mil desabrigados, 19 das 22 cidades alagadas. Boa parte da população perdeu tudo, um ano depois de o estado ter sido devastado pela água. A deste ano foi a pior enchente da história do Acre. Depois veio a seca, que transformou a lama em pedra. Não havia água potável, não havia comida, a dengue explodiu (os casos da doença aumentaram 359,7% nos primeiros dois meses do ano).
Alguém soube disso? Alguém viu uma vakinha sendo aberta? Famosos sensibilizados gravando vídeos pedindo doações? Mobilização nacional? Bancos suspendendo cobranças de empréstimos? Supermercados segurando preços?
Resposta de um gaúcho de Gravataí que achou que eu era acreana:
“Sudeste e sul já bancam vocês aí seus parasitas.”
A ultima linha é perfeita:
resposta de um idiota da internet (e nesse ponto preencha absolutamente qualquer frase que tu desejar – serio, se tu não achar um idiota falando merda online tu não procurou)
Mas olha só o problema: o que uma pessoa do Acre me disse sobre as enchentes e mortes do RS: BEM FEITO GAUCHO OTARIO. É verade? Não sei, alguem em algum lugar pode ter dito, portanto vou vir aqui dizer que é a opinião de todos do estado!
Em lugar algum eu generalizei que TODOS os gaúchos acham isso. O que eu disse (se você não entendeu) é que acima do sudeste moram brasileiros de segunda classe cujas tragédias geram zero empatia, mobilizam zero pessoas e merecem zero atenção da mídia.
O que eu apontei ao final do meu comentário (e houve outros casos – esse foi o primeiro) é como muitos gaúchos estão vestindo essa carapuça e reforçando a minha premissa. Pedem a união de “todos os brasileiros pelo RS” mas me responderam usando “inúteis”, “parasitas”, “imprestáveis” e outros epípetos para nomear nordestinos e nortistas. Vários me mandaram calar a boca. Um inclusive nem notou a ironia do próprio comentário, dizendo que acreanos são naturais “comedores de lama”.
A pergunta original permanece: alguém viu algum movimento de solidariedade para o Acre?
Me questiono que tipo de pessoa, num momento como esse, faz paralelos entre tragédias. Alguém que acha que aquela região tem mais que se ferrar pq votou mais em fulano, e não em ciclano. O Acre tem 800 mil habitantes, o RS tem quase 12 milhões. Óbvio que a dimensão humana desta tragédia é muito maior. Não é a mesma coisa.
O tipo de pessoa que, como repórter, há muito tempo ouviu de um editor que a relevância de uma tragédia está intrinsecamente ligada ao CEP onde ela ocorre. E que traz essa reflexão porque, como bióloga, sabe que isso vai atingir TODO mundo, independentemente do CEP onde se mora. Se você está indignado com o paralelo, imagina quem sempre viveu o mesmo e jamais recebeu atenção alguma.
O que vc falou não é totalmente inverdade, porém, trazer isto a tona enquanto ainda conta-se os mortos é, no mínimo, uma imensa insensibilidade. Mas talvez seja só um bando de latinazis né? Rebaixar, desumanizar e generalizar sempre funciona. Viva a polarização.
Desculpe, não existe melhor hora do que essa. Qual seria a melhor hora? Os rios do Ceará já estão trababordando. A gente espera?
E olha a carapuça que você vestiu: quem falou em “bando de latinazis”? Eu falei isso? Quem está “rebaixando, desumanizando e generalizando” sou eu? Eu SEQUER falei do Rio Grande do Sul.
O comentário do gaúcho de Gravataí podia ser de um paulista de Santos ou de um catarinense de Camboriú. Você acha que baiano chama paraense de “parasita”? Ou maranhense fala assim do goiano?
Quem está generalizando aqui definitivamente não sou eu.
O gaúcho de Gravataí é o estereótipo da narrativa que precisa ser alimentada a todos custo. É ela que permite que a polarização siga firme e forte. E ela que permite que vc mostre o seu virtuosismo e empatia pelos “brasileiros de segunda classe”. Não precisa mencionar expressamente seu preconceito chamando os sulistas de fascistas. Está implícito. O monstro da polarização precisa ser alimentado. É preciso seguir dividindo o país.
Amigo, você não entendeu nada do que eu disse. E infelizmente não sou eu a alimentar o estereótipo, são seus conterrâneos que, lamentavelmente, se acham europeus e insistem em bizarrices como “O Sul é o meu país” (https://osuleomeupais.org/) e seu anedótico plebiscito anual. A polarização não partiu do Norte (terra do meu pai) ou do Nordeste (onde eu vivi muitos anos). Mas o que adianta discutir, não é mesmo? Espero sinceramente que esse imenso movimento de ajuda ao RS sirva para que o estado passe a olhar a questão ambiental da maneira que o fez ser pioneiro na conservação no país. Quanto a desprezar nortistas e nordestinos, quem o faz hoje não vai mudar – não tenho nenhuma esperança em relação a isso.
(E sobre “polarização”: engraçado como ela só é chamada assim quando são nortistas/nordestinos apontando o preconceito, não é mesmo?)
Mesmo pensamento aqui. Quando aconteceu no Nordeste, ñ vi essa sensabilização toda.
As pessoas estão sofrendo e espero que cobrem depois dos governantes no futuro.
E lembrando que esse orgulho gaúcho de separação sempre some quando a UF está falida (e já está falida tem vários anos).
Já é pra comparar tragédias, traga números. Quantos afetados no Acre e quantos afetados no RS agora? Prejuízo econômico TB. E quanto de dinheiro cada estado recebeu, de recursos privados e públicos, pra se recuperar.
Ninguém está comparando as tragédias, mas sim o quanto o brasileiro ñ se importa com outras pessoas que sofrem o mesmo.
Pelo amor!
Que tal isto?
O Nordeste Independente (NEI) é uma organização que busca a independência da Região Nordeste do Brasil. É representada pelo economista, engenheiro e professor universitário Jacques Ribemboim,[1][2][3] o qual promove o separatismo nordestino desde a década de 1990. Em 2017, o grupo possuía cerca de 57 membros.
Gente, por favor. O Nordeste tem 57 milhões de pessoas, esse bando de malucos não chega a três dígitos.
O debate foi completamente desvirtuado, por isso estou fechando aqui, ok? Para o futuro, peço encarecidamente que se atentem às regras de convivência, em especial à #1.
Lendo algumas coisas aqui não é de surpreender que o país tá indo pro saco…
Eu vou comentar aqui o que eu disse numa postagem no Instagram sobre controle de desastres desse tipo no Brasil:
O Acre submergiu sem alarde em fevereiro deste ano. 120 mil desabrigados, 19 das 22 cidades alagadas. Boa parte da população perdeu tudo, um ano depois de o estado ter sido devastado pela água. A deste ano foi a pior enchente da história do Acre. Depois veio a seca, que transformou a lama em pedra. Não havia água potável, não havia comida, a dengue explodiu (os casos da doença aumentaram 359,7% nos primeiros dois meses do ano).
Alguém soube disso? Alguém viu uma vakinha sendo aberta? Famosos sensibilizados gravando vídeos pedindo doações? Mobilização nacional? Bancos suspendendo cobranças de empréstimos? Supermercados segurando preços?
Resposta de um gaúcho de Gravataí que achou que eu era acreana:
“Sudeste e sul já bancam vocês aí seus parasitas.”
A ultima linha é perfeita:
resposta de um idiota da internet (e nesse ponto preencha absolutamente qualquer frase que tu desejar – serio, se tu não achar um idiota falando merda online tu não procurou)
Mas olha só o problema: o que uma pessoa do Acre me disse sobre as enchentes e mortes do RS: BEM FEITO GAUCHO OTARIO. É verade? Não sei, alguem em algum lugar pode ter dito, portanto vou vir aqui dizer que é a opinião de todos do estado!
Em lugar algum eu generalizei que TODOS os gaúchos acham isso. O que eu disse (se você não entendeu) é que acima do sudeste moram brasileiros de segunda classe cujas tragédias geram zero empatia, mobilizam zero pessoas e merecem zero atenção da mídia.
O que eu apontei ao final do meu comentário (e houve outros casos – esse foi o primeiro) é como muitos gaúchos estão vestindo essa carapuça e reforçando a minha premissa. Pedem a união de “todos os brasileiros pelo RS” mas me responderam usando “inúteis”, “parasitas”, “imprestáveis” e outros epípetos para nomear nordestinos e nortistas. Vários me mandaram calar a boca. Um inclusive nem notou a ironia do próprio comentário, dizendo que acreanos são naturais “comedores de lama”.
A pergunta original permanece: alguém viu algum movimento de solidariedade para o Acre?
Me questiono que tipo de pessoa, num momento como esse, faz paralelos entre tragédias. Alguém que acha que aquela região tem mais que se ferrar pq votou mais em fulano, e não em ciclano. O Acre tem 800 mil habitantes, o RS tem quase 12 milhões. Óbvio que a dimensão humana desta tragédia é muito maior. Não é a mesma coisa.
O tipo de pessoa que, como repórter, há muito tempo ouviu de um editor que a relevância de uma tragédia está intrinsecamente ligada ao CEP onde ela ocorre. E que traz essa reflexão porque, como bióloga, sabe que isso vai atingir TODO mundo, independentemente do CEP onde se mora. Se você está indignado com o paralelo, imagina quem sempre viveu o mesmo e jamais recebeu atenção alguma.
O que vc falou não é totalmente inverdade, porém, trazer isto a tona enquanto ainda conta-se os mortos é, no mínimo, uma imensa insensibilidade. Mas talvez seja só um bando de latinazis né? Rebaixar, desumanizar e generalizar sempre funciona. Viva a polarização.
Desculpe, não existe melhor hora do que essa. Qual seria a melhor hora? Os rios do Ceará já estão trababordando. A gente espera?
E olha a carapuça que você vestiu: quem falou em “bando de latinazis”? Eu falei isso? Quem está “rebaixando, desumanizando e generalizando” sou eu? Eu SEQUER falei do Rio Grande do Sul.
O comentário do gaúcho de Gravataí podia ser de um paulista de Santos ou de um catarinense de Camboriú. Você acha que baiano chama paraense de “parasita”? Ou maranhense fala assim do goiano?
Quem está generalizando aqui definitivamente não sou eu.
O gaúcho de Gravataí é o estereótipo da narrativa que precisa ser alimentada a todos custo. É ela que permite que a polarização siga firme e forte. E ela que permite que vc mostre o seu virtuosismo e empatia pelos “brasileiros de segunda classe”. Não precisa mencionar expressamente seu preconceito chamando os sulistas de fascistas. Está implícito. O monstro da polarização precisa ser alimentado. É preciso seguir dividindo o país.
Amigo, você não entendeu nada do que eu disse. E infelizmente não sou eu a alimentar o estereótipo, são seus conterrâneos que, lamentavelmente, se acham europeus e insistem em bizarrices como “O Sul é o meu país” (https://osuleomeupais.org/) e seu anedótico plebiscito anual. A polarização não partiu do Norte (terra do meu pai) ou do Nordeste (onde eu vivi muitos anos). Mas o que adianta discutir, não é mesmo? Espero sinceramente que esse imenso movimento de ajuda ao RS sirva para que o estado passe a olhar a questão ambiental da maneira que o fez ser pioneiro na conservação no país. Quanto a desprezar nortistas e nordestinos, quem o faz hoje não vai mudar – não tenho nenhuma esperança em relação a isso.
(E sobre “polarização”: engraçado como ela só é chamada assim quando são nortistas/nordestinos apontando o preconceito, não é mesmo?)
Mesmo pensamento aqui. Quando aconteceu no Nordeste, ñ vi essa sensabilização toda.
As pessoas estão sofrendo e espero que cobrem depois dos governantes no futuro.
E lembrando que esse orgulho gaúcho de separação sempre some quando a UF está falida (e já está falida tem vários anos).
Já é pra comparar tragédias, traga números. Quantos afetados no Acre e quantos afetados no RS agora? Prejuízo econômico TB. E quanto de dinheiro cada estado recebeu, de recursos privados e públicos, pra se recuperar.
Ninguém está comparando as tragédias, mas sim o quanto o brasileiro ñ se importa com outras pessoas que sofrem o mesmo.
Pelo amor!
Que tal isto?
O Nordeste Independente (NEI) é uma organização que busca a independência da Região Nordeste do Brasil. É representada pelo economista, engenheiro e professor universitário Jacques Ribemboim,[1][2][3] o qual promove o separatismo nordestino desde a década de 1990. Em 2017, o grupo possuía cerca de 57 membros.
https://pt.wikipedia.org/wiki/Nordeste_Independente#:~:text=O%20Nordeste%20Independente%20(NEI)%20%C3%A9,possu%C3%ADa%20cerca%20de%2057%20membros.
Gente, por favor. O Nordeste tem 57 milhões de pessoas, esse bando de malucos não chega a três dígitos.
O debate foi completamente desvirtuado, por isso estou fechando aqui, ok? Para o futuro, peço encarecidamente que se atentem às regras de convivência, em especial à #1.