Bluesky, Mastodon, Telegram e RSS

Finalmente tomei a decisão de excluir meu Twitter

Estava naquela espelunca desde 2008. Passei boa parte da minha vida on-line por lá. Moldou muitos dos meus pensamentos. É uma rede social rápida, me trouxe muitas coisas boas como ter uma noção superficial sobre diversos assuntos. Ajudou até a conseguir empregos, tanto pelas conexões quanto por ter esse leque de assuntos que fora do Twitter demoram para chegar. Numa entrevista de emprego posso conversar sobre vários temas só por saber um pouco sobre vários.

Mas já tem uns anos que eu precisava sair dali. O maior problema, na minha visão, é que o Twitter recompensa demais o contraditório. As respostas a um tweet ficam muito acessíveis. Os quote retweets te dão basicamente a oportunidade de arrastar alguém pro centro do pátio e chapiscar a fuça. É uma estrutura onde ser de contra é altamente recompensado pelo algoritmo. Em outras redes sociais isso é possível, mas abrir os comentários do Instagram ou repostar nos stories tem um alcance muito menor. No Youtube a seção de comentários é vista por pouquíssimas pessoas, e mesmo assim você pode controlar quem comenta.

Ao mesmo tempo em que isso no Twitter é ótimo para acelerar o rebate de fake news, de opiniões ruins ou equivocadas, ao mesmo tempo estimula uma performance do contraditório. As pessoas querem ser do contra só por ser, só pela recompensa algorítmica. Era estresse atrás de estresse quando abria.

Mas, ao mesmo tempo, não conseguia sair de lá. É altamente viciante. Hoje, o dia começou com a Pitty falando umas besteiras, daí de repente ela se transformou em uma vilã, racista, medíocre, lixo, etc… pensei: caraca, isso tá um pouco desbalanceado. Fiz um tweet defendendo ela e comecei a receber xingamentos personalizados: pessoas que entram no seu perfil e te atacam com algo da sua vida. Decidi: é hora de sair disso aqui, não vou esperar ano que vem.

Deletei minha conta pela primeira vez desde 2008. Fiquei o dia vendo youtube, lendo blogs, limpando minha caixa de e-mail. No final do dia surgiu a notícia do PC Siqueira. Fiquei ansioso para ver a opinião da galera por lá. Era como perder alguma coisa importante, a galera reunida na praça comentando o último assunto do momento. Depois vi comentários que tava um lixão por lá, e meio que me senti aliviado por ter poupado um pouco do meu cortisol.

Então já favoritei o Órbita por aqui, e junto com Reddit vai ser o local aonde vou pra “ver gente” quando estiver me sentindo solitário na internet.

29 comentários

29 comentários

  1. Eu simplesmente não consigo largar aquele lixão a céu aberto que é o Twitter, eu me divirto horrores com tudo. Meio sádico da minha parte mas não vivo sem. Tô usando mais o Threads pra fazer uns desabafos e me manter a par de gente mais próxima (Bluesky ocasionalmente) e deixo o Twitter pra entretenimento.

  2. Eu nunca entendi essa rede social.
    Quando entrei me foi sugerido seguir a atriz Luana Piovani, ai entrei no perfil e a ultima postagem dela tinha muito hate pra cima da mulher.
    Ai fiquei pensando “Ué, não era para seguir quem temos algum afeto ou admiração? Pq tanto hate?”

    Enfim pra resumir:
    Entendi que as pessoas seguem quem odeiam para malhar umas as outras tipo luta na lama, o Musk comprar nem melhora nem piora, sempre foi ruim e o Threads nem existe.

  3. Estava no Twitter desde 2006, mas depois da eleição do Bolsonaro, tive muitas crises de ansiedade, deixei de usa-lo. Só tenho o perfil para ñ perder o usuário, mas ñ consumo nada por lá.

    Sobre o fato especifico ds Pitty, sinceramente, até ela “quis” provocar esse tipo de situação e deve saber o quanto vai ter comentários (odiosos ou ñ) sobre.

  4. Como já comentaram, as redes estão ficando cada vez piores. Não tenham receio de abandona-las. A maioria das coisas é supérflua e não vai mudar em nada o rumo de suas vidas.
    Eu só tenho usado Reddit como fonte de notícia ou troca de experiência em alguns subs, mas não perco tempo tecendo comentários em discussões. Em poucas horas um bagulho desses vai pro limbo e um dia vai deixar de existir também. Vida que segue.

    Feliz ano novo pessoal!

  5. Já saí faz tempo e não acho que esteja perdendo nada. Às vezes alguma fofoca ou trend eu perco mas não que vá mudar minha vida.

  6. Também exclui a minha conta nesse ano. Hoje consigo ver nóticias em outros lugares. A rede virou um lugar ruim. As contas de tecnologia que eu seguia por lá coloquei no mastodon ou via RSS.
    Digo que o vício de tela e nóticias passou para outros apps e redes como o Reddit e por incrível que pareça. O linkedin. Talvez veja pelo momento atual, mas me vi pegando a consumir o feed desse rede.
    Utilizo o rss para pegar as nóticias que provavelmente apareceram primeiro no X (velocidade na atualização), mas isso para mim não importa mais.

  7. Estou cada vez usando menos o twitter e foi basicamente pelo motivo que falou. Limitei a quantidade de informações que recebo todos os dias e já sinto uma melhora significativa.

  8. Desde que o Musk comprou eu parei de usar e não abro la desde então. De fato, sinto falta zero, porém uso o Mastodon ainda. Mas é outra vibe…

    Só não exclui a conta mesmo porque as vezes preciso acessar algum artigo que postaram link por la e agora sem cadastro, não da pra ver a thread completa. Mas não interajo com nada…

    1. Eu deletei e criei uma conta vazia pra esses momentos onde por um acaso preciso ver a thread lá.

      Engraçado a manobra de exigir cadastro pra ver um conteúdo efêmero (nesse caso). A experiência ao abrir um link do twitter só não é pior que a de abrir um do Reddit no mobile e ser praticamente coagido a baixar o app.

  9. Os dias nessa rede estão cada vez piores. Porém, ainda, receio que possa ser uma percepção de bolha

  10. Realmente tá insustentável, é um contato constante com o ódio que nos torna mais estourados até na vida real. Com essa monetização de agora ainda sinto que piorou muito, é gente falando absurdos e baits só pra viralizar. Usava mais pra ver notícias de futebol e política, mas não tem condição. Cheguei à conclusão de que não preciso daquelas atualizações constantes, posso mto bem acompanhar temas de interesse pelos jornais, amigos e outras redes (por enquanto)

  11. “Os quote retweets te dão basicamente a oportunidade de arrastar alguém pro centro do pátio e chapiscar a fuça.”

    Definição perfeita.

      1. Chapiscar é aquele negócio que pedreiros fazem na parede sabe? Pegam cimento e jogam com tudo na parede kkk. Fuça é a cara da pessoa. Um dialeto bem tuiter kk

        1. Ou seja, o tweet ali fala em arrastar alguém pro centro do pátio e surrar a pessoa?

          Acho que agora entendi!

  12. Eu acho que o problema dessas redes são mais de ordem temporal. Elas incutem na gente um ritmo muito desumano. É como se vivêssemos uma crise permanente com eventos que demandam sua atenção e reação a todo momento no cotidiano, seja uma curtida, um comentário, um encaminhamento. Esse ritmo é avassalador e estressante. Se conseguir baixar o ritmo, não entrar todo dia, espaçar mais, já ajuda muito. Consumir canais mais lentos e menos comerciais é o que tenho feito. O Twitter não tenho mais, mas gosto de ver alguns perfis, semanalmente ou a cada 3 dias, mas jamais diariamente, pelo Nitter. Acho que quando você respeita o seu ritmo e não aquele que o algoritmo habituou você, já é um avanço tremendo. De qualquer forma, parabéns pela atitude de respeito a si mesmo.

  13. Parabéns pela iniciativa. Aqui foi a mesma coisa, no começo eu achei que estava me alienando, mas hoje vejo que o que é realmente importante chega até mim, seja vendo manchetes de notícia na home do YT na tv, seja pelo canal do Meteoro com seus plantões. Tudo com teor de ódio reduzido na maior parte das vezes.

    Hoje só tenho instagram para participar dos posts com a namorada, mas fiz a limpa e deletei 80% das contas seguidas/seguindo. Sigo utilizando apenas Órbita, YT e Hacker News (a galera podia postar mais por aqui).

  14. Sair de TODAS as redes sociais foi a melhor coisa que eu fiz. Só faz perder tempo mesmo. Tudo que é feito por lá, dá pra fazer fora delas, sem nenhum prejuizo.

  15. Boa! Há uma sensação de perda nos primeiros dias, mas você já sacou (rápido!) que boa parte das opiniões compartilhadas ali tem um tempero de raiva e outros sentimentos que não agregam.

    Depois do “desmame”, você passa a perceber que: 1) as polêmicas do Twitter costumam ser só isso, polêmicas criadas e que só têm relevância lá; e 2) as que são de fato importantes chegam “limpas” do ódio e do teor performático inerente ao Twitter por outras formas (sugiro acompanhar/ler jornais).

    1. Sobre acompanhar e ler jornais, quais indica @ghedin? Queria utilizar mais o miniflux, então seria ótimo colocar jornais no feed.

      1. Não recomendo acompanhar jornais por RSS, Rennan. Eles publicam muita coisa, os maiores passam de 100 itens por dia, o que torna impossível acompanhar dessa maneira.

        O que eu faço é manter vários (nacionais e locais) nos favoritos do navegador e acessar a capa diretamente uma ou algumas vezes ao dia.

        No Miniflux/feeds RSS, mantenho blogs, changelogs de projetos de código aberto e outras fontes com atualizações menos frequentes e/ou sem periodicidade definida.

        Escrevi isto em 2019, e quase tudo ali continua valendo (a parte do Twitter envelheceu mal; não uso mais e não faz falta).

        1. Bem observado. Valeu pelas dicas :)

          Gostei dos feeds de telegram que compartilharam recentemente no grupo do conselho. Tenho usado aqui pra passar o olho, realmente o volume é gigante.

          1. Eu costumava usar o Flipboard como agregador de notícias, achava bacana… mas acabo ficando com receio de como se dá a “curadoria” das noticias, como é selecionado o que vem para mim. Mas é uma boa opção para se manter informado “em um lugar só”.

    2. sugiro acompanhar/ler jornais

      eu acho que os jornais tradicionais são super tóxicox, distorcem absolutamente quase tudo por motivos políticos e interesses financeiros próprios dos donos (ou então, simplesmente mentem, na cara dura)

      os Marinho são multi-bilionários, os Frias são “só” bilionários (não pelo jornal, mas pelo braço financeiro), a Veja foi (na prática) comprada pelo banqueiro André Esteves (parça do Guedes), o Estadão é um cachorro morto mas não perde a pose de escravocrata

      sinceramente, se for para se “informar” pela mídia tradicional vale mais a pena continuar no Twitter

      eu me lembro do 2º mandato de Lula (e 1º da Dilma), meu irmão aposentado mas empregado, um sobrinho fazendo faculdade pelo PROUNI (depois fez mestrado, hoje é professor universitário), outro sobrinho comprando o apartamentozinho dele (dica: sou de família pobre), todo mundo trabalhando, e meu irmão “preocupado com a crise” que ele via diariamente na Globo…

      mídia tradicional (e televisão) é um câncer, uma ferramenta de controle das massas

      não assisto televisão nem leio jornais desde por volta de 2007, simplesmente não suporto (e nem as emissoras de rádio com aqueles locutores imbecis que às vezes sou obrigado a ouvir no Uber), e percebo que normalmente sou mais bem informado sobre as coisas importantes do que as pessoas que acompanham a mídia tradicional (exemplo atual: genocídio que está sendo cometido pelos israelenses)

      1. É necessário exercer o senso crítico ao se informar. De fato, todo grande jornal/conglomerado de mídia tem seus interesses, e esses muitas vezes diverge dos nossos.

        Eu sugiro (e leio) jornais porque existe um método ali, alguma transparência e temos a quem cobrar em caso de abuso. É uma estrutura muito mais robusta e confiável do que um perfil aleatório no Twitter. Não é impossível, mas é muito mais difícil um jornal sério veicular uma mentira deslavada ou mesmo um erro não proposital do que um perfil de rede social — vide o caso da Choquei/Whindersson Nunes.

        “Ah, mas a Escola Base…” Pois é, por isso disse que “não é impossível”. Aquele caso foi uma falha tão grave, tão marcante, que continua lembrado até hoje, 30 anos depois. É tipo acidente de avião: todo mundo se junta, analisa o caso e faz os ajustes para evitar que algo do tipo se repita no futuro.

        1. sem querer estender muito o assunto nem criar polêmica, mas os jornais e tvs desinformam DIARIAMENTE

          a Lava Jato foi praticamente criada pela Globo, que inventou o “triplex do Lula”, e ficou malhando em cima, enquanto transformava em heroi um sujeito tosco e semi analfabeto (para não entrar no mérito da honestidade) como o Moro

          esses dias mesmo o Estadão está dando “notícia” de que Lula e Janja estão “esbanjando” dinheiro comprando móveis para eles … enquanto qualquer pessoa com 2 neurônios sabe que os móveis são para o Palácio do Planalto, que foi depenado pelos ocupantes anteriores

          tem uma frase famosa do ativista negro nort-americano Malcolm X. (dica: foi assassinado) que diz mais ou menos assim, “Se você não tomar cuidado, os jornais farão você odiar as pessoas que estão sendo oprimidas, e amar as pessoas que estão oprimindo” … a mídia brasileira (que é uma caricatura da mídia americana) é exatamente isso, sem tirar nem por

          1. Mas aí você tá sendo muito enviesado apenas para um lado. Os bolsonaristas acusam a Globo da mesma coisa, e ela de fato foi importante pra preservar a democracia no governo passado. Mídias hegemônicas fazem escolhas, isso todo mundo sabe. Todo mundo sabe que a Globo HOJE está apoiando esse governo. Todo mundo sabe que ela não apoiou Bolsonaro, que ela não apoiou a Dilma, que apoiou a Lava Jato. Faz parte do jogo. Isso não quer dizer que tudo que venha de lá deva ser ignorado. Sem contar outro detalhe importantíssimo: eles tem dinheiro, e sem dinheiro não se faz jornalismo. Isso não se acha facilmente fora da mídia tradicional. E nem toda cobertura é política. A maior parte das boas discussões nascem de investigação de jornalistas desses veículos que não podem ser jogados na mesma fogueira dos editores e donos dessa mídia. De nada adianta também o sujeito ignorar Globo e consumir Brasil 247, Revista Fórum etc.

      2. Eu entendo e concordo no geral com a crítica à mídia tradicional; eu mesmo tenho me afastado, cansei de passar raiva com as “polêmicas” dos jornalões, do tipo artigo sobre “racismo reverso”, os exageros e falsas simetrias na cobertura política, o tratamento com militares, sempre com espaço para dar pitaco em off etc. Mas ainda tem muita gente boa, mesmo na mídia tradicional. Só para citar um exemplo seguindo o citado, da cobertura da guerra, o Jamil Chade, no UOL, tem feito uma boa cobertura. Mas, como dica de “detox” dos jornalões, recomendo a newsletter da Ajor (a qual o MdU faz parte, inclusive), Brasis, que traz conteúdo de veículos independentes que fazem parte da Associação. Ela traz uma boa mistura de hard news, mas de veículos independentes, como Congresso em Foco e Intercept Brasil e matérias de outros temas, como meio ambiente, racismo etc., com histórias de pessoas veículos como InfoAmazônia, Azmina, Marco Zero, Ponte Jornalismo, com muita coisa de veículos de outros estados, cobertura da periferia etc. É uma boa forma de fugir dos problemas citados da grande mídia, mas se mantendo bem informado, inclusive com temas e coberturas que não estão no radar dos jornalões.

        1. boa sugestão

          eu reforço minha opinião, mídia tradicional é veneno