Os brasileiros já vendem os seus dados há muito tempo. É só ir em qualquer farmácia para receber a não-escolha: ceder os seus dados ou pagar uma multa para comprar um remédio semi-anonimamente. Só que os prejuízos para quem vende os dados são muito maiores que o suposto desconto.
Institucionalizar essa prática, como o Mauricio bem colocou, seria algo como legalizar a venda de órgãos.
Por outro lado, uma iniciativa que promete nos dar um pouco de controle sobre o uso dos nossos dados pessoais é o padrão Solid, proposto pelo criador da web, Tim Berners-Lee.
A proposta é armazenar os dados de maneira descentralizada, em “pods”, em que as pessoas teriam o controle para autorizar ou revogar o acesso a terceiros quando quisessem. Ainda não a examinei de maneira mais aprofundada para avaliar os riscos e estimar em que situações seria aplicável ou mesmo benéfico usar esse modelo.
Cara, quer ganhar atenção do povo brasileiro: lhe ofereça dinheiro ou qualquer outra coisa que traga algum benefício (ético ou ñ).
Nada para surpreender depois dos brasileiros vendendo o registro de sua própria íris por R$ 600.
Detalhe: esses R$ 600 são em cryptomoeda e o valor é estimado. O “usuário” precisa instalar o app deles e manter instalado por pelo menos um ano para receber todo o valor, que chega picado na “conta” da pessoa.
Se já vendem meus dados na praça da Sé, por que eu mesmo não posso vender eles em vez disso? #empreendedorismo #pracima #visaodenegócio #topsales
(É brincadeira, gente, tá?)
Lá no final, no último parágrafo da (boa!) matéria, está o maior problema dessa ideia:
“Once you treat data as an economic asset, you are subverting the logic behind the protection of personal data,” said [Pedro] Bastos. The data ecosystem “will no longer be defined by who can create more trust and integrity in their relationships, but instead, it will be defined by who’s the richest.”
Os brasileiros já vendem os seus dados há muito tempo. É só ir em qualquer farmácia para receber a não-escolha: ceder os seus dados ou pagar uma multa para comprar um remédio semi-anonimamente. Só que os prejuízos para quem vende os dados são muito maiores que o suposto desconto.
https://noticias.uol.com.br/cotidiano/ultimas-noticias/2024/02/29/o-desconto-nao-e-real-o-que-esta-por-tras-do-cpf-que-pedem-na-farmacia.htm
https://noticias.uol.com.br/videos/2025/04/17/uol-prime-66-cpf-nas-farmacias.htm
Institucionalizar essa prática, como o Mauricio bem colocou, seria algo como legalizar a venda de órgãos.
Por outro lado, uma iniciativa que promete nos dar um pouco de controle sobre o uso dos nossos dados pessoais é o padrão Solid, proposto pelo criador da web, Tim Berners-Lee.
https://solidproject.org/
A proposta é armazenar os dados de maneira descentralizada, em “pods”, em que as pessoas teriam o controle para autorizar ou revogar o acesso a terceiros quando quisessem. Ainda não a examinei de maneira mais aprofundada para avaliar os riscos e estimar em que situações seria aplicável ou mesmo benéfico usar esse modelo.
Cara, quer ganhar atenção do povo brasileiro: lhe ofereça dinheiro ou qualquer outra coisa que traga algum benefício (ético ou ñ).
Nada para surpreender depois dos brasileiros vendendo o registro de sua própria íris por R$ 600.
Detalhe: esses R$ 600 são em cryptomoeda e o valor é estimado. O “usuário” precisa instalar o app deles e manter instalado por pelo menos um ano para receber todo o valor, que chega picado na “conta” da pessoa.
Se já vendem meus dados na praça da Sé, por que eu mesmo não posso vender eles em vez disso? #empreendedorismo #pracima #visaodenegócio #topsales
(É brincadeira, gente, tá?)
Lá no final, no último parágrafo da (boa!) matéria, está o maior problema dessa ideia:
É a razão de não poder vender órgãos.