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Debate do livro “Porteira 9”, de Rodrigo Pontes

Há pouco rolou uma conversa, no grupo de assinantes do Manual, de Porteira 9, segundo livro do Rodrigo Pontes. Tivemos a honra da presença do próprio Rodrigo, que esclareceu vários pontos da história da Dieine, Vladimir e Manuela, bem como de debates mais… filosóficos.

Agora trazemos a conversa ao Órbita, para expandi-la a toda a comunidade do Manual. Rodrigo segue conosco aqui também.

O Brasil do futuro se divide entre quem é dono da comida e quem implora por migalhas. Dieine vive em Porteira 9, uma metrópole de oprimidos e esfomeados no litoral do Brasil. A cidade nasceu após a construção da Cerca, uma muralha de cem metros de altura idealizada pelos fazendeiros governantes do Brasil. Sua função é isolar o interior verde e bucólico do litoral cinza e abarrotado de ex-brasileiros e refugiados. Dieine é uma pedreira de demolição sem paciência que usa, com orgulho, sua brutalidade para enfrentar aqueles que controlam o acesso à comida. Seu destino se entrelaça ao de Vladimir e Manuela de formas que ela não imagina. Vladimir é um homem perdido que cava um túnel clandestino na Cerca para fugir de sua vida em Porteira 9. Manuela é uma jovem ingênua da elite fazendeira que vive a vida perfeita no interior do país sem imaginar o quão frágil é a perfeição. Porteira 9 é uma história de união e revolta em um Brasil como você nunca viu, mas consegue imaginar. Leia para aprender com Dieine que é assim que se encara um mundo injusto, com uma marreta na mão.

7 comentários

7 comentários

  1. Adorei o livro. Infelizmente não pude participar da chamada por conta de um compromisso que surgiu de última hora.

    Teve um certo ponto do livro que me causou uma sensação muito engraçada:

    No capítulo em que os membros da cooperativa se apresentam para a Dieine - um a um - ela ainda não entendia muito o que estava acontecendo, o que representava de fato a cooperativa. Então ela vai perdendo a paciência... Junto comigo. Eu já estava pensando "poxa, ele bem que podia ter enxugado um pouco esse trecho, né?". Chega a um ponto em que, quase ao mesmo tempo em que a minha, a paciência dela se esgota, ela toma uma atitude infantil e leva uma bronca. Nessa hora me estalou: "aaaah, entendi o que você quis fazer aí, eu tô tendo a mesma experiência que ela!". Depois disso, acho que comecei até a entender melhor a personagem. Não sei se alguém mais sentiu isso, se foi de caso pensado, ou se era muito óbvio e apenas eu demorei a perceber, enfim. Foi um momento bem legal pra mim.

    Gostei bastante de como as histórias se alternavam, não fiquei cansado de nenhum dos personagens e sempre quebrava minhas leituras para ler ao menos um capítulo de cada personagem, toda vez que lia.

    Em breve começarei As neurofiandeiras de Val.

    Obrigado, novamente!

    1. Obrigado por esse comentário, foi bem essa experiência que quis passar na escrita. A personagem nem aí para quem faz parte da cooperativa assim como o leitor hahaha

      Mas esse é o capitulo mais controverso do livro. Teve gente que amou, gente que diz que foi “brilhante”, mas também gente que odiou e pulou as apresentações para seguir lendo.

      Mas já fico feliz que funcionou pelo menos para um leitor

  2. Uma coisa que me intrigou bastante é que a despeito de todas as barbaridades perpetradas pelos latifundiários na sua escalada ao poder, eles tomaram consciência de algo que não é muito compartilhado pelas suas contrapartes na nossa realidade: de que a preservação dos ecossistemas é necessária para que a agricultura prospere, a ponto de isolarem a Amazônia completamente (a base de genocídios, mas enfim). Teria algum motivo em particular para essa mudança de mentalidade?

    1. Começou com simplesmente querendo impedir que concorrentes expandissem para dentro da Amazônia né? Mas a ideia é que é um fato a importância da Amazônia para o clima no continente , e, com o controle de todo o território, fazia mais sentido para eles proteger a Amazônia do que ficar agindo no modo “tragedia dos comuns” que seria mais o cenário atual.

      Quando todo o recurso é controlado por um grupo só, não existe tragedia dos comuns.

      1. Eu gostei muito que ao mesmo tempo que houve essa preocupação com a Amazônia em função de garantir o sistema climático o mesmo não aconteceu com a distribuição de energia.

        E esse seria um fator tão importante quanto, considerando que a sociedade estava toda fundamentada em robôs e IA.

        Essa contradição, baseada em picuinhas e brigas de poder é bem coisa de serumanos.

  3. Consegui terminar o livro, mas de última hora surgiu um compromisso e não consegui participar da chamada do clube. Uma coisa bem banal, mas que fiquei com curiosidade de saber do autor é se a cidade de Porteira 9 teve inspiração mais forte de alguma metrópole específica do nosso litoral

    1. Não teve nenhuma referência específica não, até porque é uma cidade completamente nova, criada em volta de onde colocaram a tal porteira. Não é como uma “Nova São Paulo” nem nada do tipo. E como parte relevante da população são refugiados estrangeiros, achei que não seria muito parecido culturalmente com nenhuma cidade atual.

      Agora, geograficamente, essa porteira é a que liga à região centro-oeste. Acho que nunca desenhei o local exato, mas seria em algum lugar ali pelo Espírito Santo ou sul da Bahia. A Porteira 1 seria lá no Norte e aí vai contando pra baixo,