Mas eu queria chamar atenção pra uma fase ainda mais essencial dessa compulsão: quando a pessoa tem o desejo nu, peladíssimo, de usar o computador, mas sequer colocou as mãos nele.
O sujeito acorda de manhã, como se diz hoje em dia, atravessado pela ansiedade. Não detecta seu estado mental saltitante, borbulhante, sambante. Apenas sente que precisa “fazer alguma coisa numa interface”.
Já ouvi (da psicóloga) que minha pira com mexer no leiaute deste Manual pode ser uma maneira de eu regular meu humor. Apesar disso, tenho tentado me afastar do que o Eduf chama de “compulsão”. Mesmo ciente da suposta função, acho que o saldo acaba não sendo muito positivo…
4 comentários
Puxa,me identifiquei totalmente com esse texto
Eu tenho uma “compulsão” parecida com a sua, Ghedin. Mas, como não tenho um blog pra mexer no layout, me contento com testar distros linux aleatórias em VMs toda semana sem nunca escolher uma pra uso longo.
Esse sou eu fingindo que vou passear com o cachorro quando na verdade uso ele pra sair de casa, andar sem rumo e pensar em absolutamente nada.
eu sinto muito isso como um sintoma de como nós perdemos a possibilidade/capacidade de nos apropriarmos das coisas que utilizamos. vc pode trocar uma peça do seu gabinete, aprender como funciona, mesmo sem saber eletrônica, com uma chave philips tu abre e vê tudo e futuca e consegue se virar até fazendo besteira. eu nem sei como se abre meu celular nem oq vai acontecer se eu fizer isso, provavelmente vai estragar. da mesma forma no ambiente virtual… é foda, mas vejo até esse retorno ao analógico como um mecanismo de compensação (talvez no desenvolvimento web seja voltar ao html?). tudo que usamos foi feito por humanos, mas nunca estivemos tão longe de nos reconhecermos nas coisas como atualmente.