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Capitalismo está devorando a si mesmo e a seus criadores sem paywall www1.folha.uol.com.br

No fundo, o que está em jogo não é apenas o destino de um sistema econômico, mas o de uma civilização inteira que, ao perder o controle do que consome, está consumindo a si mesma.

5 comentários

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  1. As vezes me pego pensando no porque das nomeclaturas de sistemas econômicos e sociais. E a ironia que no caso um texto deste é publicado em um noticiário que geralmente é parte da elite econômica/capitalista também.

    Talvez esta análise do texto talvez busca uma “solução” que seja similar ao capitalismo – o poder na mão de quem ainda o tem. Só que o detalhe é que toda vez que há uma guerra,o poder meio que se reconfigura. Talvez a expectativa de uma grande guerra é alta por alguns, pois aí eles “resetam” e podem tentar de novo o jogo do capitalismo.

    Porque vejamos bem. Só ver que precisamos pagar para ter uma moradia. Pagar para ter um nome de site. Pagar para ter algo – o capitalismo se baseia muito nesta premissa. E ao invés de compartilhar ou simplificar o uso e deixar na mão de pessoas de confiança o poder de comunicação, tentamos espalhar e criar um jogo de atenção – vale quem tem mais, quem cativa mais, quem conquista mais.

    Eu já ganho pouco (por problemas próprios que dificultam eu ter um emprego estável). Quem dera ter nascido em berço de ouro… mas tipo, vendo meu passado, em partes tive uma vida boa na infância mais meus pais falharam em alguns momentos e de classe média alta, fomos para a baixa. Por sorte, não caí em uma favela ou algo assim porque minha mãe se esforçou em ajudar a fazer uma casa. Tudo troca – do tempo e trabalho por dinheiro, deste dinheiro para fazer a casa. Troca essa que era o princípio do capitalismo nos anos 80-90 ao menos no Brasil (que sofria com hiperinflação, diga-se).

    Os anos 00 foram de aprimoramento de tecnologias e agora nos anos 10/20 estamos usando estes aprimoramentos para, como posto pelo Gaio, usar a atenção como valor de troca. O tempo gasto vendo vídeos, textos, dando joinhas, tudo isso vira um valor, valor este que vira dinheiro aos influencers e ideias para quem tenta usar ao máximo disso. E atenção é abstrata a sua medição. Não a toa gente dentro deste jogo usando “fazendas de atenção”, com produtos falsos feitos por IA.

    Ninguém neste meio para para pensar que comida não vem da IA (e nem dos entregadores de iFood). Vem da terra, das plantações, e tais podem ser feitas por nós mesmos. Ou poderia, se tivessemos mais terras férteis em cidades para hortas comunitárias. Perdemos nossa capacidade de criar nosso próprio alimento? Ou tememos perder o conforto que criamos? Tantas questões. E não acho que (só) o socialismo vai resolver. Ou o fim do capitalismo.

    Mas sim, creio que tá na hora de pensar em uma forma de acabar com o capitalismo.

  2. Meus dois centavos escritos sem pensar muito, com fome, mal-hunor e depois de uma leitura por alto:

    A gente dá de barato algumas coisas bem específicas, como o desejo de que o desenvolvimento seja sempre crescente. E talvez isso fizesse sentido no começo do capitalismo, mas será que precisamos continuar acelerando nesse ritmo ainda? Me parece que deixamos algumas coisas caírem no caminho e a decisão mais racional seria pegá-las a tempo.

    Outra coisa: Parece que começamos a supor ou acreditar que o capitalismo é um advento “humano”, porque ele é feito por humanos, explora humanos, humanos o defendem etc. Mas ele é um tanto esquisito justamente por ser inumano.

    Se, mesmo tendo comida pra todo mundo, pessoas morrem de fome, de doença, ou se têm vidas de merda (ou até um dia de merda) e precisarem de uma pausa, isso será imposssível de ser corrigido. Um surto, uma heresia. Me pergunto (hipoteticamente, claro): se a gente criasse máquinas de produzir, máquinas de consumir e máquinas de registrar resilientes, a coisa toda não ficaria de pé sem os humanos?

    (Ah, mas máquinas quebram! Se imaginar isso é impossível, eu pergunto: Tá, ok, então é só isso de humano? Apertadores de porcas de um maquinário que não pode parar ou desacelerar? Por que tudo me parece um grande jogo sem sentido às vezes)

  3. Fora a série de problemas na suposta análise, onde partes do princípio que o objetivo do capitalismo não seja tudo o que foi dito ser um descontrole do sistema, tem o problema maior do texto que é não vir com uma reflexão concreta de qual seria a solução.

    Mas aí fica impossível poder escrever esse texto na Folha porque a resposta é tão simples quanto a dada neste vídeo.

    https://www.instagram.com/p/DLP_1pws6Vr/

  4. a única coisa que discordo é que ele não se tornou isso. ele sempre foi e não é de hoje que se sabe disso

  5. Ótimo texto. Apesar de não ver novidade, é importantíssimo manter essa reflexão viva e ativa, ainda mais em meios de grande visibilidade.

    O espírito humano se nutre de vínculos, reconhecimento e sentido. Ele precisa de tempo para contemplar, espaço para imaginar e silêncio para refletir. Ele precisa das dimensões da vida que não cabem num carrinho de compras.

    E algo interessante é que hoje o “carrinho de compras” não é tão somente produtos e serviços, mas a atenção. Essa necessidade de atenção que as redes sociais instigaram em nós, nos tornando produtos e consumidores dessa atenção. A necessidade de sempre alimentar redes esperando ter o mínimo (ou máximo) de atenção, desde a selfie pra “biscoitar”, à resposta agressiva e provocativa buscando o conflito. E no final, nos perdemos em uma rede superficial de relações.