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Audiolivro conta?

Semana passada, durante uma conversa sobre literatura no trabalho, comentei que tinha escutado dois audiolivros no mês passado. Me suspreendi com a resposta de um colega dizendo que “audiolivro não conta”, e entramos em uma discussão sobre essa validadação do consumo de literatura pela forma da mídia.

Nunca tinha pensado nesse tema antes, pensar o audiolivro como um meio menor, confesso que hoja em dia até prefiro em vez da leitura “tradicional”.

E vocês, o que acham? Audiolivro conta? E qual a relação de vocês com o formato?

8 comentários

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  1. Como LEITURA, pra mim, não conta, pois, não se lê, mas sim, se ouve.
    Agora, como consumo de livro, pra mim, conta.

  2. Confesso que nunca tive uma experiência com audiolivro, então não tenho opinião. Mas qual foi a conclusão da discussão de vocês? (sim, sou curioso)

    1. Um parêntese aqui se formos considerar livro como simplesmente uma “forma de passar uma mensagem” (talvez isso se enquadre como arte ou não, mas não é a discussão que eu quero propor). Existem outras maneiras audiovisuais de contar uma história, como filmes, séries, música, imagens, etc. Mesmo considerando livros escritos, existem vários formatos diferentes: novela, crônica, poesia, etc. Audiolivro pode contar com vários recursos que não existem no livro escrito, porém também está restrito de alguns recursos da linguagem escrita, apesar do objetivo (creio eu) dos dois serem equivalentes. Acho que entendo porque alguém diria que “não conta”, mas também não entendo porque “não contaria”.

  3. a primeira pergunta a se fazer é: por que precisa “contar”? o que exatamente vocês querem dizer com isso?

    a segunda pergunta a se fazer é: o que significa a experiência da leitura para você? você quer simplesmente “absorver” um conteúdo ou apreciar o movimento e a forma das palavras?

    e finalmente, mais uma pergunta: se uma pessoa cega ouve um audiolivro isso não “conta”? se ela aprecia o livro por meio de seus dedos utilizando o braille isso também não “conta”?

    rigorosamente, o ato de ouvir é não só objetivamente diferente do ato de olhar para letras como também envolve formas distintas de se relacionar com a forma literária: quando você ouve, você necessariamente está se relacionando com a voz de alguém, com seu timbre e com as entonações que essa pessoa dá para o texto. É necessariamente uma mediação — mediação que TAMBÉM ocorre na leitura com os olhos, afinal o aparato visual não é meramente fisiológico mas também cultural e envolve microescolhas e convenções de leitura.

    rigorosamente não são a mesma experiência, mas, PRA VOCÊ, que diferença isso faz para a SUA experiência?

    1. um outro exemplo:

      leia Guimarães Rosa (no sentido tradicional, percorrendo os olhos no texto) silenciosamente. Depois, “leia” em voz alta. Depois, escute o mesmo trecho em diferentes versões de audiolivro.

      num caso seus olhos vão e voltam, buscam ler os mesmos trechos mais de uma vez. Noutro caso, o ritmo vai se adaptando à sua própria fala. E no caso da audição, você vai acabar se acostumando com o ritmo do intérprete, eventualmente parando e voltando.

      certeza de que serão experiências distintas. Mas independente da diferença: por que uma contaria e outra não?

  4. Por “contar”, você quer saber se conta como leitura? Acho que sim, embora seja uma experiência (por óbvio) distinta da de ler um livro. Não sei dizer o que muda, nem se é pior ou melhor (nunca ouvi um audiolivro), mas acredito que o suporte altera a maneira como percebemos e internalizamos o conteúdo.

  5. Claro que conta! E se eles não consideram, problema deles…

    Você não deixará de entender um livro por ter o escutado ao invés de ler.

  6. Por que não contaria? Livro em braile deixaria de ser livro, então?