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Algo que você gosta, mas não do estereótipo de quem gosta

Durante o tempo livre da pandemia, um dos meus hiperfocos (é assim que os jovens falam?) foi ficar vendo vídeo sobre relógios. Uso relógio de pulso desde que me conheço por gente, mas aí cai na vontade de comprar relógio “de verdade” e já gastei mais com relógios do que o necessário. No caso, mais que zero reais haha

Os relógios sempre foram uma ferramenta de ostentação, mas minha impressão é que virou uma pauta mais proeminente no círculo de pessoas mais destestáveis. No caso, coachs (e.g. Primo Rico, Pablo Marçal, Flávio Augusto) discutindo sobre a “importância” de um relógio para sinalização. O Flávio Augusto gerou caos, ao dizer que não faria negócio com alguém que usa um Seiko ou algo nesse sentido, nada mais simbólico dessa galera. O Alberto Brandão do Startup da Real comentou sobre.

E, mesmo quem realmente gosta de horologia, não é algo que dá para se levar muito a sério. Não existe motivo pragmático para existir relógios mecânicos, é algo essencialmente inútil desde a invenção do relógio a quartzo. Não faz muito sentido, argumentar uma análise custo/benefício, em que o benefício é “história da marca”. É uma coisa pessoal, os valores intangíveis e irracional na essência. Admito que é um luxo, brinquedo de adulto.

Em resumo: apesar de gostar do assunto, não prefiro não ser associado a “fanbase” do assunto. Tem algo assim na vida de vocês?

47 comentários

47 comentários

  1. Olha, acho que estereótipos tendem a ser negativos, retratando falhas e características desagradáveis. Assim, normalmente, seria difícil gostar de um estereótipo.

  2. Perfumes e futebol americano (sempre fui nerd das que achava que não gostava de esportes)

  3. Cachorro (eu sou protetora), mas odeio ser chamada de “mãe de pet”.

  4. Gosto de correr e odeio tudo relacionado aos aficionados pela modalidade, em especial os clubes de corrida. Rs

  5. Oi Gabriel, bem interessante o assunto. Sempre gostei de desenhar e, consequentemente, de ler quadrinhos. Mas depois de me aprofundar, ir a eventos e ver como algumas pessoas encaram o meio (leia-se, decepções), admito que não me fez mais sentido e acabei me afastando. Prossigo desenhando, mas nunca mais li HQs, ir a eventos e meu contato com pessoas do meio rarearam. Isso não quer dizer que tomei “ranço”, só não quero ativar gatilhos. Obrigada pelo tema e sucesso!

  6. Ciclismo.

    faço longa-distancia. tenho 4 bicicletas de diferentes qualidades, mas nao uso roupa cara n tenho equipamentos caros nem tranqueiras otimizadas da aliexpress, to pouco me lixando pro equipamento/postura/custo/strava, rixas entre modalidades etc. e meus colegas de pedal tem uma vibe parecida.

  7. Muito do que gosto é assim. Livros, indieweb, anticapitalismo…
    Sinto isso bastante com ficção científica, especialmente literatura. O estereótipo é o “nerd científico”, que adora máquinas fantásticas, talvez programe, cientificista (a ciência é quase uma religião), meio antissocial, Star Trek etc. Muitas vezes quando falo que gosto de FC, a pessoa já imagina que sou assim e disfarça um virar de olhos. Pra mim, paradoxalmente, a melhor ficção científica não é científica, mas filosófica, doidona, existencial, política, de crítica aos rumos da tecnologia e ciência…

  8. Linux – Eu amo muito, uso meu Arch (btw), com i3, tenho o lutris instalado, uso nvim e ouço música no ncmpcpp e tudo mais. No entanto, você nunca vai me pegar dizendo como user de Windows é X ou Y por usar Windows. E fora que Windows 11 é melhor do que muita distro, que não tem um gerenciador de pacotes bons com pacotes atualizados

  9. Vídeo-game.
    Sei que tem muita (e cada vez mais) resistência no meio dos games, principalmente com muitas mulheres ocupando os espaços e pessoas mais progressistas batendo de frente com os perfis e streamers mais famosos. Mas de modo geral, o “ambiente gamer” é o pior possível. Só perde pro ambiente “tech”.

    1. O meio gamer é bizarro mesmo.
      Eu adoro games, é um dos meus passa-tempos favoritos, mas tenho pavor de conversar com as pessoas sobre e acharem que eu sou o típico nerdola.

      1. Eu tenhoi tanto pavor que eu não jogo online com desconhecidos.
        Diablo 4 tem vários que me mandam pedidos de amizade e eu sempre ignoro.
        Sério, não tem como, 90% é de gente que eu não quero ter nem contato.

  10. Curto carros antigos e a maioria do pessoal que gosta se encaixa naquele estereótipo do tiozão reaça. Acabo até me afastando de alguns lugares que postam conteúdo interessante.

    Tem um site grande aí que o editor sempre reclama da lei anti-seca, acho bizarro uma coisa dessa.

    1. Quase todo grupo fã de automobilismo e velocidade vai reclamar do de sempre – industria da multa, fiscalização, legislação restritiva… Não tem muito o que fazer. Meio que antes até eu tinha um certo gosto por automóveis, mas vendo a fanbase, me pergunto o que fui fazer por lá.

      E creio que provavelmente o editor do site viveu os anos 80-90, que tinha menos restrição.

  11. Videogames, com o gamer médio sendo insuportável e querendo ditar os jogos e consoles que os outros devem jogar.

  12. É algo que nunca fui atrás, porque é um ambiente altamente tóxico e com o pior que a humanidade tem a oferecer.

    Mas é algo que gostaria de fazer pois mais de uma pessoa diz ser uma atividade relaxante: clube de tiro

    1. Já ajudei um e digo: infelimente nos tempos atuais boa parte dos clubes de tiro são mais antro de gente de direita. Isso porque aquela ideia do porte de arma “te dar segurança” e etc… Fora claro, o risco do clube de tiro (ao menos no BR) ser por trás uma empresa para lavagem de origem de armas…

      Posso estar errado, mas talvez a única forma de lidar com tiro como esporte / lazer, seria ironicamente o exército. Isso porque claro eles precisam de atiradores, e dependendo pode se entrar em olimpíadas.

      Mas caso queira ao menos tentar relaxar com algo parecido – entendo o porque pois tiro requer concentração e aprender a lidar com o próprio corpo como controlar respiração e musculação – pode comprar alguma pistola tipo BB (bullet ball) ou “chumbinho”, pois salvo engano ainda não tem grande restrição. Alguns shoppings ainda tem estande de tiro para BB. A diferença entre tiro com BB e tiro com munição real, obviamente, é a potência. Mas imagino que tu deve já saber disso.

    2. Você pode ir num clube de tiro e ficar de boas, na sua. É altamente relaxante, pena que tão restrito e caríssimo no Brasil. Adoraria ver as crianças daqui atiradoras. Vi uma menininha com seus 7~8 anos, atiradora esportiva nos Estados Unidos, fiquei boquiaberto com tamanha concentração, próprio-percepção e capacidade de reação.

  13. Ultimamente, academia voltada pro bodybuilding é uma coisa que tenho me interessado e mergulhado cada vez mais. Porém, o “fã clube” é muito tóxico. O estereótipo parece se confirmar muitas vezes: pouco estudo pra muito especialista;; banalização do corpo; meritocracia da “disciplina” e do shape; nutricionismo; machismo e homofobia a rodo.

  14. eu particularmente gosto dos produtos, sistemas e interfaces da apple (acho bem construídos, bem desenhados e pensados num nível de detalhamento que é superior ao de concorrentes, apesar dos MUITOS problemas). Não que eu seja fã de empresa, é claro: por mim essa desgraça faliria e suas patentes seriam tornadas domínio público pra que todos pudessem replicar seus desenhos e interfaces.

    mas DETESTO o típico fanboy da apple (se cruzo com algum, a vontade que tenho é de destruir a empresa e falar mal o máximo possível)

    1. Confesso que eu acho engraçado o fanboyu de Apple.
      A Apple, pra mim, virou “mais uma” não consigo mais ver o apelo.
      Sei lá, o iPad ainda parece um equipamento bom e sem concorrente, o resto é passíve de você comprar um tão bom quanto (ou melhor) por preços mais baixos (não muito mais baixos). Meio que ficou uma coisa engraçada pra mim, igual os tais “legionários” ou os “nerdolas” que gostam de gibi e hominho. Aliás, provavelmente a intersecção desses grupos é bem grande.

  15. sobre sua relação com relógios:

    acho que você escolheu uma parcela muito específica de “fãs” de relógio para projetar para os apreciadores de relógios de um modo geral. Não que o status e a sinalização de distinção dos relógios não seja fundamental para entendê-los enquanto mercado de luxo e enquanto cultura material, mas essas pessoas em específico reduzem tudo o que os relógios representam a essa dimensão particular. E mais não digo sobre essas pessoas porque o jurídico não permite :)
    não tem problema nenhum que relógios sejam o brinquedo de adultos. Ao contrário, a vida é curta demais pra que a gente racionalize tudo o que faz. Você pode tranquilamente gostar do desenho dos relógios, do mecanismo interno, do que eles representam para a moda, para o design, etc. Não existe motivo pragmático pra gostar desses relógios e é ótimo que não exista. Apreciar as coisas é algo bom, a gente não precisa instrumentalizar o mundo pra gostar dele.
    Isso não quer dizer, é claro, que todas as implicações não devam ser pensadas. Mas de partida não devemos ser tão utilitaristas.

    1. (eu tinha colocado os argumentos numerados mas esqueci que o sistema de comentários apaga os números!)

    2. Não estou argumentando que deva existir um motivo pragmático, meu ponto é justamente aceitar o fato de não ser.

      Talvez seja um preconceito, mas tenho a impressão que público masculino (que é maioria desse segmento), tem muita dificuldade de aceitar coisas não utilitárias. Provavelmente, algum medo de parecer fútil ou algo assim.

      1. Engraçado que jogos (eletrônicos ou não) e colecionáveis de brinquedos não são tão utilitários assim, e homens colecionam. Eles “geram uma narrativa utilitária” mas no final são fúteis do ponto de vista de utilidade geral, tipo, não gera um valor em si (ele é gerado por gamers profissionais que criaram a narrativa para isso, ou no caso de coleções, o valor de pertencimento e revenda). Relógios são utilitários, carros de certa forma são utilitários, computadores são utilitários.

        Acho que onde você quer chegar é que o público masculino monta suas coleções diferentes das femininas (isso falando de mercado/cultura/preconceito). Não que mulher não tenha coleções utilitárias – isso deixo para uma mulher falar. Mas dependendo, é tudo a mesma coisa e como dito pelo Ghedin, há a diferença entre ter um hobby e tal hobby virar um fim em si, uma seita. As vezes o limiar é fino – entender de algo específico é legal, o problema é sua vida social se resumir à tal e não ter contato com outros.

  16. Tava nessa pira a respeito de aplicativos e questões de privacidade.
    Depois de um tempo, larguei mão.
    Fica uma coisa muito cansativa, deixa de ser interessante e beira o fanatismo, como dito pelo Ghedin ali embaixo.
    A mesma coisa com Plex, Jellyfin e etc. Exaustivo demais, tá maluco.
    A gente acaba dando tanta atenção a coisas que nem têm tanta importância, né?
    Nisso negligenciando outros pontos da vida que nos fazem muuuuito mais felizes.

  17. Eu gosto muito de ler mas acho livro um consumo como outro…
    Gosto de filme pra caralho mas nada de participar do fandom amante de sétima arte
    Gosto muito de rock, uma vergonha o fandom
    Sou de esquerda mas tem coisa no que faz alguém ser de esquerda que acho insuportável: preferir livro físico, acreditar em horóscopo, ser anti-ai just because, usar a frase que “é de humanas”, problematizar tudo menos maconha… acho que esse é o fandom que prefiro ter a carteirinha barrada pra sempre hahah
    E comecei a usar o tiktok faz pouco tempo e tenho adorado seguir coisas de ciência, música e todos meus interesses de nerd mas acaba sendo quase um tiktok paralelo do que o que se pensa na plataforma

    1. A esquerda cirandeira fã de horóscopo é dose. Não atoa foram ironizados quando vieram de “acredite na ciência”

      1. E ficaram ofendidos quando questionaram o quanto de pseudociência tem na psicanálise… é foda porque é uma esquerda que vive de problematização agora no bluesky, mas não dá de criticar nada que pareça esquerda tipo PT, putin (!!), Cuba, Venezuela e afins. Aí é culpa do pensamento imperialista hahah

        1. Eu conheço bons trabalhos científicos de Psicanálise (sou pesquisador na área de Neuropsicologia), e acabo nem dando corda pra essa conversa, só pra não ser confundido com gente que gosta de guru, ou charlatã (como tem em todo ramo). Essa gente é miito barulhenta (e defende gente ruim e mal formada), e fica parecendo que Psicanálise é só que esse povo afeta entender. É dose…

          1. eu acho que dá pra ter mta troca ainda sobre, sabe? mas é bem isso, do culto a alguma personalidade etc, aí parece que só de contestar já vem ataque ad hominem e todo esse tipo de negação que a própria esquerda critica, prefiro me abster

    2. Esquerda anti-AI deveria ir atrás do Marx, entender um pouco a relação entre tecnologia e capitalismo, ao invés de demonizar a tecnologia pq sim

      1. oxe, que interessante isso que tu falou. tem algum exemplo, referência? curti a ligação :)

  18. A fanbase de livros acha que é melhor que as pessoas que não lêem livros, parecem adorar os esteriótipos de pessoas mais chatas do mundo. Adorarores de editoras e cheiradores de livros. Acho tudo uma grande performance de internet. E sendo eu da geração anterior à internet, lembro desse pessoal na vida real, e meu deus, que preguiça.

    1. Acho que cabe um comentário sobre. A sensação é que quem é dessa “fanbase” meio que usa como disfarce de seus preconceitos contra as pessoas, ou mais específico, contra quem vive de forma simples, ou “não tão intelectuais”. Noto isso demais no discurso de alguns que se dizem progressistas, mas justamente ao mesmo tempo usam a desculpa da “falta de inteligência” para não se relacionar com outras pessoas.

    2. Ah nossa, realmente essa coisa do “leitor” como personalidade é chato mesmo. Pior que o consumismo e a performance são completamente liberados, porque são livros então tá tudo bem.

  19. Tenho comigo que, a partir de certo ponto quando se investe em um hobby/interesse/“hiperfoco”, a coisa perde o sentido e vira um fim em si mesmo, ou posto de outra forma (e um pouco exagerada), cruza-se a linha do fanatismo, vira uma seita. Isso me afasta de… meio que tudo? Mesmo das coisas de que gosto — cinema, por exemplo —, as pessoas mais investidas no assunto, os “verdadeiros fãs”, quase sempre se tornam insuportáveis.

  20. Eu tenho a moto exclusivamente pra fazer turismo.

    O ambiente de motociclismo tem muita gente legal, mas 99% são escrotos, reacionários e conservadores.

  21. Gosto de Heavy Metal, mas tenho uma preguiça enorme do estereótipo.
    Discussões infinitas sobre as fronteiras dos subgêneros ou quem é o músico mais virtuoso ou o som mais “pesado”. Fora o desprezo por outros gêneros musicais.
    Se você um dia encontrar um cara sem tatuagens, piercings etc, de cabelo curto, vestindo uma camisa laranja e uma bermuda clara num show, pode ser eu.

    1. Ah eu te entendo…

      Eu gosto de rock, gosto de muita coisa além de rock, mas também não gosto de muita coisa rotulada de rock. As vezes a gente se conecta com certas músicas, as vezes não, e está tudo bem…

      Mas tem gente que não tolera isso.

    2. Eu gosto muito de rock, também, mas me incomodo com rockistas, fandom que se leva a sério e tals. Eu nunca tive paciência pra ouvir a discografia do Led Zeppelin de tanta irritação com ser confundido com “fã de Led”.
      Esse lance de se irritar com fandom acaba dizendo sobre as nossas vergonhas alheias e as próprias, também. No fim do dia, importa pouco o que gente com quem você não anda pensa, e também sobre a relevância disso (é só música, ainda que a experiência de ouvir e tocar seja tão boa). Bem, advogar por leveza quando eu mesmo não a tenho parece um meme de “enfim, a hipocrisia”, mas é um lembrete pra quando eu também levo isso mais a sério do que preciso.

  22. Dia desses, eu vi um vídeo do Átila falando justamente sobre relógios e ostentação, achei bem interessante. (Só um parênteses, kkkkk.)

    Quanto a sua pergunta, eu aplico pra tudo aquele lema do “Jesus era um cara legal, o que estraga é o fandom”. Eu gosto de música pop (não me julguem, kkkkk) e meu deus, não aguento os fãs de “divas pop”. Eles brigam pra saber quem é a artista mais rica, gastam tempo e dinheiro pra que elas ganhem ainda mais dinheiro e eu só penso, “meu filho, seu dinheiro mal deve dar para pagar suas contas”. Triste.