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Novo Lulu é uma mistura do velho Lulu, Secret e Tinder

Mulher olhando o celular enquanto anda na rua.

No final de 2013, um app chamado Lulu caiu como uma bomba nas redes sociais. Sua proposta era inusitada e, para muitos, de mau gosto: permitir que mulheres avaliassem, anonimamente, homens com quem tiveram qualquer contato. A polêmica se transformou em algum sucesso e, meses mais tarde, ações na justiça e o consequente “fim” do app no Brasil. Quase dois anos depois, o Lulu está de volta, mudado, com uma proposta um pouco diferente. Agora vai?

Desde sexta venho testando o novo Lulu. Era para ser um teste reduzido, restrito, mas logo vi que havia muito mais do que as “20 pessoas selecionadas” que a assessoria citou no convite. Segundo me informaram, a avaliação do app atualizado nas lojas da Apple e Google foi mais rápida do que esperavam, então ele acabou estreando (e entrando no radar de mais gente) antes da hora. Isso acabou se revelando uma boa coisa, porque deixou o ambiente mais natural, como ele deve estar, agora, caso você resolva usá-lo.

Antes de entrar nos defeitos e virtudes do novo Lulu, questionar o app é um exercício válido. Há dois anos apps que provocavam flertes, encontros, que aproximavam solteiros eram novidade. Hoje, o Tinder está consolidado, e até alternativas curiosas como o AdoteUmCara, também.

O Lulu saiu meio queimado do Brasil e, em seu retorno, mudou algumas regras para tentar não repetir o fiasco. Nada disso talvez importe dada a iminente saturação do segmento. Tenho lido e ouvido relatos de pessoas cansadas da intermediação de telas na hora de conhecer gente. Faz falta a serendipidade, o acaso, o “amigo do amigo que apareceu na festa e ele é tão legal!” Talvez seja apenas um reajuste natural de expectativas, comum a qualquer novidade que deixa de sê-la, mas o ponto é que apps do tipo perderam o fator surpresa de outrora. Em outras palavras, está mais difícil agora.

O novo Lulu, agora livre do Facebook

Tela de cadastro do novo Lulu.

Ilustração com uma mãozinha depositando uma moeda em uma caixa com o logo do Manual do Usuário em uma das faces, segurada por dois pares de mãos. Ao redor, moedas com um cifrão no meio flutuando. Fundo alaranjado.

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De cara, o novo Lulu se livrou do componente responsável pelas maiores dores de cabeça da versão anterior: não há mais vínculo com o Facebook. O antigo Lulu se aproveitava da API do Facebook para montar o “catálogo” de homens. Quando uma mulher se cadastrava, o app coletava a sua lista de amigos automaticamente e apresentava todos os homens dela para serem avaliados, mesmo aqueles que nunca tinham usado o Lulu. É uma boa mudança. O modelo antigo era decididamente controverso, quase imoral.

Agora, a validação de perfis se dá pelo número do telefone, como no WhatsApp. Ao fazer o cadastro, a confirmação do número é feita via SMS. É uma alternativa válida ao Facebook porque mantém a autenticidade dos perfis — e, como efeito colateral, facilita uma eventual identificação a pedido da justiça.

Note que eu sou homem, então só posso comentar do lado masculino do Lulu. O novo app foi melhor trabalhado para esse público. Há mais coisas para se fazer; o Lulu agora tem partes ativas em vez de ser apenas um app passivo, para consultar sua nota e ficar se perguntando quem foi que te detonou lá. É em cima dos homens, também, que o Lulu espera faturar.

As novas áreas do Lulu

O novo app é dividido em quatro áreas. A primeira é o perfil, onde o homem pode acrescentar fotos e se descrever. Três dos quatro campos (Sobre mim, Excitantes? e Não curte?) são formados por hashtags pré-definidas. O último, status, também oferece termos (não hashtags) pré-definidos. A variedade é enorme e as hashtags, mesmo as mais pesadas, são bem-humoradas.

Hashtags que formam o perfil no Lulu.
Da esquerda para a direita: Sobre mim, Não curte? e Status.

A primeira aba também serve para conferir suas notas, hashtags, quantas mulheres viram seu perfil e quantas gostaram de você. Boa parte desse conteúdo fica oculta atrás da assinatura, que custa US$ 1,99 por mês, ou pode ser obtida gratuitamente quando três mulheres o avaliam (mais sobre isso abaixo).

A segunda área se chama Verdade Pura e, honestamente, falando a pura verdade, é um clone do Secret. Os cartões com as mensagens são azuis/verdes (homens) ou roxos/vermelhos (mulheres). As mensagens podem ser respondidas, filtradas por fatores temporais e geográficos, e dali pode migrar para a aba ao lado, ou seja, virar uma conversa. A exemplo do AdoteUmCara, essa premissa é reservada às mulheres. Só elas podem tomar a iniciativa do papo privado.

Secret e Tinder no novo Lulu.

E é essa terceira aba, Conversas, que tem a porção Tinder do novo Lulu. Aqui não há nomes reais; em vez disso, o app atribui algum apelido engraçadinho, como LagostaLilás. Um diferencial curioso é que dá para trocar fotos por ali — o Tinder, por exemplo, não tem esse recurso.

Por fim, a última aba é a de notificações. Tudo que acontece com você no Lulu é registrado ali, e em tom incentivador — “Alerta de pegador! 21 garotas espiaram seu perfil hoje”, diz uma. “Você foi favoritado no Lulu! Mandou muito bem, cara”, e quase imagino alguém me dando um soquinho no ombro. É como se o seu wingman virtual fosse uma versão pervertida do narrador da Sessão da Tarde.

Mostre a grana

Por sorte (ou azar), alguém me avaliou no Lulu nesse curto período de testes pré-lançamento. Morri com os US$ 2 para ver como funciona — sem o pagamento, não dá para sequer ver sua nota.

Minhas notas e hashtags no Lulu.

Depois de pagar, a sua nota média, que é o consolidado de todas recebidas, é mostrada na aba “Eu”, embaixo da foto. Um toque, e você vê as notas individuais, de cada critério. São sete:

  • Experiências sexuais.
  • Beijando.
  • Humor.
  • Ambição.
  • Boas maneiras.
  • Visual & estilo.
  • Compromisso.

Eles não são todos mandatórios, aparentemente — minha avaliação não tem três notas, por exemplo. E não ficou claro, também, se com duas ou mais eu consigo ver as notas individuais, dadas por cada mulher, em separado.

A assinatura também me permite ver as hashtags que elas me deram. A exemplo da versão anterior, todas são pré-definidas e divididas em boas e ruins. Segundo minha avaliadora desconhecida, eu mereci uma #TemTalento (boa!), mas sou #Imprevisível (o que, segundo o Lulu, é ruim).

A vitória do amor sobre o rancor?

Muitos dos que reclamavam do antigo Lulu diziam que o app era cruel e não dava chance de defesa aos caras. Essa porção ainda existe, e o potencial para magoar homens mais sensíveis é o mesmo. As hashtags, a possibilidade de dar notas ruins, tudo está ali. (Poxa, me deram nota 6 em “visual e estilo” :/ )

De qualquer forma, o novo Lulu não fica apenas remoendo o passado (dos caras), ele também olha para frente. As novas ferramentas a la Secret e Tinder, embora pouco originais, têm finalidades mais nobres (e que tornam o uso do app mais recorrente, claro). Apps de namoro têm o estranho problema de serem deixados de lado quando funcionam, mas isso, para o Lulu, já é lucro. Antes, ele era apenas um repositório de ressentimento e piadas cruéis para mulheres, e uma fonte de surpresas (nem sempre agradáveis) aos homens.

O Lulu tem um nome forte, que ficou bastante conhecido há dois anos e ainda está na cabeça das pessoas. Só que a associação não é de toda boa, e com a saturação/maturação do mercado, pode ser difícil acabar com o estigma e convencer as pessoas a lhe dar uma segunda chance. Mas se o app conseguir mostrar que, além da avaliação de caras, agora há mais coisas para se fazer ali, talvez cole.

O Lulu está disponível para Android e iPhone.

Foto do topo: Susanne Nilsson/Flickr.

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26 comentários

  1. Morreu com US$ 2 pra ter acesso? Mas no seu caso não foi gasto, foi investimento. Enriqueceu bastante a matéria!

    Aproveitando a mensagem, gostaria de dar um feedback daquele plugin pro Chrome (plugin?? Acho que não é plugin… enfim, aquela procedimento que se faz no Chrome pra recebermos notificações de novas postagens no MdU). Então, eu fiz e funciona, mas com ressalvas. Acho que não deixei de ser avisado de nenhuma nova postagem, mas alguns notificações aparecem logo após a postagem, outras demoram algumas horas e outras até dias. Já aconteceu de atrasos de até 3 dias…

    1. Era para o plugin disparar a notificação automaticamente, mas ele tem falhado todas as vezes. Então, o que me sobra, é fazer o envio da notificação na unha. Às vezes esqueço e mando depois (por isso o atraso), mas estou assimilando a tarefa à minha rotina e, espero, esses atrasos serão cada vez menos frequentes.

  2. Só me deixe entender a lógica da coisa: Tipo, é um app que as mulheres avaliam homens pelo o que passou com eles, e isso uma conta para a outra, enumerando em uma pontuação, como o cara é?

    Esse negócio de “avaliar” como se fosse “super trunfo” é meio porre.

    Como já disseram da outra vez: se existisse um “Lulu” masculino, onde homens avaliavam mulheres e davam pontos (salvo engano, deve existir mas não é mainstream), isso seria alvo de feministas e grupos de justiça social.

    Se for começar a fazer avaliações deste jeito…

    1. Essa comparação intervendo os papéis é meio inadequada porque parte da premissa de que, perante a sociedade, homens e mulheres estão em pé de igualdade — e, sabemos bem, não é o caso. Seria o mesmo caso de pedir um “dia do orgulho branco”, ou acusar alguém de “heterofobia”.

      Claro que um “Lulu masculino” seria alvo de críticas. Ele institucionalizaria uma situação que, além de incomodar as mulheres, em muitos casos é ofensiva, perigosa, até fatal. Não que o Lulu, do jeito que é, seja perfeitamente moral ou qualquer coisa assim, mas dados os papéis (infelizmente dissonantes) que homens e mulheres ocupam hoje, passa.

      1. Esse é o problema no discurso de igualdade / justiça social.

        Sim, homens e mulheres ainda não estão em pé de igualdade. Nossa geração atual começa a quebrar esta cadeia de repetição social. Mas noto que fazer este tipo de coisa (classificar por pontos por questões sociais) é criar outra forma de segregação e controle. No final, se dá poder a quem as pessoas julgam que merece uma maior pontuação.

        Não vejo muita graça nisso, sinceramente.

  3. Acho uma boa ideia. Vai dar muitos feedbacks (o tempo dirá se serão válidos) rsrs
    Agora pagar 10 reais nele…. :/

  4. Ghedin, já que vc está solteiro poderia fazer um review desses APPs/Sites disponíveis. O mais interessante parece ser o OkCupid que pouco se fala por aqui e merece mais visibilidade…

    1. Hahaha, eu tenho experiência no assunto, mas não sei se seria creepy fazer um review. Mexe com outras pessoas (as mulheres com quem saí), e… sei lá.

      (OkCupid é o pior, pelo menos aqui, justamente por ser impopular, ou seja, não ter muita gente usando. O Tinder é, de longe, o melhor nesse sentido.)

      1. Ah, mas uma coisa são as pessoas, outras as ferramentas :-) Cada uma tem sua dinâmica de contato e foco de apresentação, por exemplo. A do OkCupid com seu repositório de perguntas tem um diferencial interessente para ajudar a traçar um perfil… Enfim, poderia ser divertido hehe

  5. Ghedin, não te preocupa com a nota baixa em visual e estilo. Gosto é subjetivo, vai ver tu só tenha saído com a pessoa errada :P

  6. Instalei aqui. Parece mais interessante que a versão anterior.
    Mas a política de mensagens tá complicada, fui escrever “coisa” e o app já barrou a palavra.

    1. Salvo engano, geralmente este tipo de programa tem foco definido. Pode existir um “Lulu LGBT”, mas não vi por aí.

      Apps de namoro em grande parte são para público hétero e “liberal”. A cada dia que passa, são lançados apps de namoros com foco mais específico. Tem para religiosos por exemplo.

  7. Que massa, fico feliz dos caras terem voltado. Eu rodo um site nessa pegada de curiosidades entre homens e mulheres e não é fácil cativar o público, precisa ter um algo a mais para o pessoal interagir lá dentro.

    Boa sorte ao novo Lulu ;)

      1. um amigo meu havia excluido facebook por causa do Lulu anterior…, pelo jeito agora vai ter que excluir o numero de telefone…, ou dar um jeito =P

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