Com Birdwatch, Twitter joga o problema da desinformação aos usuários

O Twitter anunciou uma nova iniciativa de combate à desinformação em sua plataforma. Chamada Birdwatch, ela joga para a comunidade a tarefa de contextualizar tuítes incorretos via anotações e votações feitas pelos usuários. Por ora, o Birdwatch só funciona nos Estados Unidos e não tem efeito prático, ou seja, as anotações não aparecem no app do Twitter para todos os demais usuários. O objetivo, neste momento, é entender como isso pode funcionar.

O Birdwatch pode vir a suprir uma lacuna da ferramenta de denúncia do Twitter, que não contempla desinformação. Embora essa ausência por vezes seja alvo de críticas, ela está alinhada à postura do Twitter na moderação de conteúdo: suas regras não proíbem a publicação de mentiras e, portanto, a empresa nunca age em conteúdos falsos por si só, exceto quando a mentira desemboca em uma das proibições previstas, como risco à saúde pública durante a pandemia de COVID-19, por exemplo — o que levou às rotulações do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) e do Ministério da Saúde.

Visto de outro modo, o Birdwatch permite que qualquer um seja um verificador de fatos e tenta fazer com que a “comunidade” (termo estranho para se referir às muitas bolhas do Twitter) se autorregule. O guia do serviço traz algumas explicações importantes, como requisitos para se candidatar (dificultam o uso de robôs para melar as anotações) e tutoriais ilustrados com prints.

Ainda é muito cedo para dizer qualquer coisa, salvo que o Twitter finalmente está tentando alguma coisa nessa frente. Entre isso e não fazer nada, já é um progresso. Via Birdwatch Guide (em inglês), @TwitterSupport/Twitter (em inglês).

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5 comentários

  1. Posso estar falando besteira, mas não é algo tipo o que o Mastodon faria? Não conheço o site, por isso não sei afirmar com certeza, mas até onde eu me lembro, o Mastodon não é composto por instâncias (bolhas) quase que auto-gerenciáveis?

  2. Apesar de o twitter ter bolhas, não dá para deixar de usar o termo “comunidade” dado que a maior bolha seria a própria comunidade como um todo, mesmo com seus isolamentos internos.

    Não é diferente de forma análoga a ver município > bairro > quadra / condomínio / conjunto.

    1. Acho que o seu exemplo contradiz a afirmação que ele tenta sustentar. Nunca ouvi alguém se referir aos, sei lá, moradores da cidade de São Paulo como a uma “comunidade”, por exemplo. Compartilhar um território pode ser uma característica de uma comunidade, mas não é o único para se ter uma — e nem obrigatório; comunidades online, como a do Manual do Usuário, são desterritorializadas e nem por isso deixam de ser comunidades. Concordo que o Twitter contém traços de um país ou cidade, porém.

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