Parem de usar meu vídeo sobre urnas eletrônicas

Um vídeo de 2017 do Ronaldo Lemos, editado e tirado de contexto, está circulando em grupos de WhatsApp como argumento contra a urna eletrônica brasileira. Em uma coluna, Ronaldo pede para que parem de usá-lo e explica que “essa tentativa de propaganda com a minha fala é enganosa e absurda”. Fala-se muito dos perigos de deepfakes, mas um simples Movie Maker nas mãos de alguém mal intencionado já é capaz de causar muitos estragos. Via Folha de S.Paulo (com paywall).

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15 comentários

  1. As vezes vejo estas conversas sobre “voto impresso X voto digital”, aí paro e penso: 2018/2020 foram os piores anos de eleições no país. Toda escolha feita atendeu os anseios de egoístas e muitas vezes se voltou contra à quem votou.

    O maior problema das eleições ao meu ver não é auditar voto ou ser impresso ou ser digital.

    O maior problema ainda é a cultura brasileira e a falta de senso crítico sobre as relações políticas. Se tivéssemos algum mínimo senso crítico, primeiro iríamos atacar as ações políticas que geram por exemplo “currais eleitorais” (quando um grupo influencia de forma violenta uma região por um voto) ou abuso de poder (pesquisem sobre denúncias de reuniões políticas durante as eleições para entender isso). Depois íamos falar sobre urna eletrônica.

    2020 foi o ano que mais escutei gente falando que ia vender o voto. 2018 resultou neste desastre dos últimos 4 anos (que já vem desde 2013 diga-se de passagem).

    Salnorabo tem uma mania de gerar cortina de fumaça, então na verdade qualquer conversa sobre legitimidade das urnas é na verdade para distrair a claque dele, desviar a atenção de muitos enquanto ele mesmo tenta mexer os paus para mexer no poder.

  2. Todo argumento a favor da segurança da urna eletrônica brasileira é imbecil e deveria parar no fato de que não deixam auditar ela. Ponto.
    Se é segura, o governo daria prêmio pro hacker que conseguir violar, pra provar que é inviolável e, caso descobrissem brechas, aumentar a segurança dela constantemente.
    Mas é brasil né… não pode esperar nada dessa pocilga.

    1. Mas deixam auditar sim senhor então ponto no seu argumento quando começa com essa falácia. E sim em toda eleição são convocados hackers para tentarem violar os votos, não pra provar que é absolutamente inviolável, que isso não existe sem uma série de medidas de segurança, mas que no estado atual da tecnologia, não descobrem como violar em tempo hábil, e se descobrirem alguma brecha para violar, dar tempo de corrigir isso, aumentando a segurança dela. Não é impossível cometer fraudes, mas é impossível cometer fraudes sem deixar rastros que possam ser detectados, o que torna a fraude impraticável pois basta descobrir para anularem a eleição, corrigirem a falha de segurança, e fazer a eleição de novo. Temos várias eleições suplementares todo ano porque prefeitos são cassados por serem julgados culpados de ter cometido crime eleitoral durante a campanha, e essas eleições municipais são anuladas e precisam ser refeitas… O povo não sabe que a maior fraude, está na campanha eleitoral, e que fraude em urna, se conseguirem, será descoberta cedo ou tarde, e a eleição será anulada, e o candidato que tiver culpa, se tornará inelegível.
      https://www.tse.jus.br/imprensa/noticias-tse/2019/Outubro/voce-sabe-o-que-e-o-teste-publico-de-seguranca-do-sistema-eletronico-de-votacao

  3. Eu tava lendo o texto do Ronaldo Lemos sobre a segurança da urna, e a questão de voto utilizando uma identidade digital segura, através do celular. Eu acho a ideia legal, mas ela meio que não bate no problema de vendas de voto também? A burocracia de ir até as urnas votar é chata, porém evita de ter uma pessoa com uma arma na minha cabeça mandando votar em político X por uma cesta de comida.

    1. Sim. Eu genuinamente não entendo por que ele bate tanto nessa tecla e, pior, sempre usando o sistema da Índia, que já esteve no centro de vários escândalos, como exemplo a ser seguido.

    2. Não só venda. Imagina o eleitor da favela com um traficante ou um miliciano botando uma arma na cabeça dele mandando votar no vereador e no prefeito aliados do PCC ou do CV ou dos verdadeiros donos do tráfico e das milícias?

  4. Infelizmente, todo o debate na grande mídia ou na mídia dita ‘especializada’ sobre segurança das urnas eletrônicas tende fortemente a se embasar em argumentos do ‘senso comum’.

    Admiro o Ronaldo Lemos (tirando aquela vez que ele fez campanha pra Accenture), mas deveríamos estar ouvindo e dando atenção aos reais especialistas, acadêmicos que estudam o assunto e, ainda mais, o consenso científico sobre esse tema. Li o artigo dele, é uma pena estarem usando um vídeo dele de forma fradulenta, porém tudo o que ele escreve de ‘Desde 2017…’ pra frente não tem fundamento técnico.

    Outro capítulo dessa tragédia é o Bolsonaro ter cooptado o assunto pra debaixo da sua asa e colocado um debate tão importante na pauta de seus fanáticos. E aí o desafio passa a ser o de manter sua honestidade intelectual até mesmo quando seu adversário/inimigo passa a defender algo que você também concorda, nem que seja por motivos diferentes e métodos condenáveis.

    1. Dado que claramente Bolsonaro cooptou essa pauta para tentar melar as eleições de 2022, não seria o caso de, por ora, aqueles que questionam a urna eletrônica com embasamento científico fazerem uma trégua e cerrarem fileiras com os que defendem que a urna eletrônica atual, no sentido de que entre a essa urna eletrônica que temos aí e a volta do voto impresso, a urna eletrônica é indubitavelmente mais segura/menos suscetível a fraudes?

        1. “Voto impresso” = sistema de votação que gere um papelzinho que possa ser contado manualmente após o fechamento das urnas. Antes das urnas eletrônicas você escrevia o número do candidato ou marcava um X na cédula, mas enfim, você entendeu o que eu quis dizer :P

          1. voto impresso != voto em célula de papel

            E o correto seria ‘instância física que representa o voto eletrônico/digital’, algo nessa linha.

            Pode ser impresso, mas não é só o único modelo disponível. A Argentina testou um interessante, usando RFID, porém ainda tinha seus defeitos e podia ser aperfeiçoado (digo no passado pois acho que foi descartado, mas não por isso).

            E a urna eletrônica hoje disponível no Brasil não é mais segura nem menos suscetível a fraudes do que os modelos de cédula em papel pois ela não é auditável*, ou seja: não tem como saber. Provavelmente é, mas é uma posição baseada atualmente numa crença e/ou sobre argumentos de plausabilidade.

            O fato de que seja improvável de que ainda/até hoje/agora tenha havido fraudes em grandes escala nela é diferente de poder dizer que é impossível.

            Poderia continuar aqui, mas sugiro de convidar quem realmente manja do assunto falar sobre isso, como o Rafael Evangelista (http://www.labjor.unicamp.br/?mestrado-professores=rafael-de-almeida-evangelista) e, claro, o professor Diego Aranha (https://sites.google.com/site/dfaranha/).

            * Sobre isso, vale pesquisar o fato do Supremo Tribunal Alemão ter banido tecnologias de voto (algo que o Gilmar Mendes convenientemente nunca vai querer citar/se lembrar em público)

          2. @ rafa

            Volto ao meu comentário inicial: pode ser melhorado? Sim. É isso o que Bolsonaro quer? Evidente que não. Vale a pena levantar essa bandeira agora, correndo o risco de dar munição para Bolsonaro em sua tentativa de instrumentalizar o voto auditável para melar as eleições de 2022? Eu acho que não.

        2. O voto já foi impresso em 2002 para testes. Deu muita falha de impressão, pois papel, impressora, guilhotina, são equipamentos mecânicos, sujeitos a falhas numa ordem de grandeza muito maior do que equipamentos puramente digitais/eletrônicos.

      1. É o que eu penso. A discussão sobre a adoção de uma geração mais moderna de urnas eletrônicas é válida? Sim. A hora adequada para fazer essa discussão é num momento de grande instabilidade democrática em que o Presidente da República claramente coloca o sistema eleitoral em cheque para tumultuar o processo e se perpetuar no poder? Me parece óbvio que não.

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