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Clientes do Microsoft 365 monitoram atividades individuais dos funcionários

Print do painel da pontuação de produtividade do Microsoft 365, com vários gráficos e a nota, 58% nesse caso.
Clique para ampliar. Imagem: @WolfieChristl/Twitter.

O Microsoft 365 tem uma “pontuação de produtividade” que monitora de perto os hábitos de uso dos funcionários, oferecendo-os ao empregador em um painel cheio de gráficos e que os comparam aos de outros funcionários. Não é muito difícil imaginar os impactos que saber quantos e-mails, edições em documentos colaborativos e outras métricas vazias do tipo, e compará-las às de outros funcionários, pode causar no dia a dia de uma empresa.

O recurso pode ser desativado, mas vem ativado por padrão, e a Microsoft incentiva que as empresas compartilhem esses dados com ela, para que possam compará-los aos de outras empresas, centralizando dados sensíveis de trabalho numa Big Tech.

O pesquisador Wolfie Christl, que soou o alarme no Twitter, resumiu bem o grande problema desse tipo de coisa: “A Microsoft ganha o poder de definir métricas altamente arbitrárias que podem afetar as vidas de milhões de trabalhadores e até remodelar como as empresas funcionam”. Por exemplo, um funcionário que manda muito e-mail aparece muito melhor no painel do chefe que aquele menos sociável, mesmo que esse último entregue mais ou melhores resultados, gerando impactos em salários, demissões e em toda a cultura de trabalho do local. Via @WolfieChristl/Twitter e The New Republic, em inglês.

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3 comentários

  1. A empresa onde trabalho adotou o Microsoft 365 como ferramenta. Após a primeira semana de uso fiquei surpreso ao receber os dados do My Analytics com extrato de quanto tempo fiquei em vídeo chamadas, reuniões, horas extras e etc. Apesar de ter achado até que legal ter essa visão, pois meio que justifica aqueles dias em que parece que você trabalha para um caramba, mas parece que não fez nada de útil (ou seja, ficou o dia todo em reunião, chamada, respondendo e-mail) na hora me ligou o alarme de que estes dados não estão disponíveis somente para mim. Como o fio do twitter deixa bem claro, isso é muito problemático e deve ser algo comum em muitas outras ferramentas e pacotes que foram adotados em massa com a pandemia. O que me leva a outro ponto, que é o dos abusos trabalhistas causados justamente porque temos tecnologias que agora permitem tais abusos: o whatsapp sempre disponível, o pacote de software da empresa que define o que é produtividade, o chefe que exige webcam sempre ligada e por aí vai. Eu, particularmente, gostei muito da empresa ter optado pelo pacote da Microsoft, pois o que usávamos antes era bem antigo e as funcionalidades e integração do novo pacote, de fato, facilitaram o dia a dia. Mas claro, nunca fomos informados que tipo de dados coletariam de nós e muito menos como isso vai ser utilizado. Me pergunto inclusive como isso se encaixa com a LGPD. Obrigado Gedhin por ter levantado o assunto por aqui, muito embora provavelmente teremos que apenas engolir esse sapo se os sindicatos não se interessarem pelo assunto. Afinal a gente sabe qual o lado mais fraco dessa corda e sem respaldo não dá nem para pensar em abordar esse assunto diretamente com o empregador.

  2. Querer medir produtividade talvez seja uma das funções primordiais dos cargos de gerência, afinal de contas é muito relevante análises quantitativas e qualitativas.
    Mas se isso agrega pro negócio, daí eu já não sei. Eu sei que é mais um passo em direção ao “data lake” da Microsoft.
    Diz que isso se chama inovação… mas tá mais pra invasão.

  3. No sistema capitalista em que vivemos, as pessoas são apenas insumos que devem ser espremidas ao máximo para obtenção do maior lucro possível. Bem estar de funcionário só entra em pauta quando isso faz a empresa perder dinheiro e somente por isso.

    Como bem apontado, o problema é muito maior do que só a Microsoft, isso aí vai em algum momento ser exportado para outras empresas.

    Acho que ficar aguardando por “autorregulação do mercado” é como acreditar em papai noel ou contos de fadas. Não vai acontecer sem pressão da sociedade.

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