Qual o problema com o Lensa, aplicativo de selfies criadas por inteligência artificial?

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Um raio cai duas vezes no mesmo lugar? O novo aplicativo sensação nas redes sociais, o Lensa, é cria da Prisma Labs, que em 2016 viralizou com um aplicativo similar, o Prisma, que transformava selfies em ~arte. Lembra dele?

O Lensa não é novo (foi lançado em dezembro de 2018), mas viralizou na última semana após o lançamento dos “avatares mágicos”, selfies criadas por inteligência artificial a partir de fotos enviadas pelo usuário. As selfies são pagas, custam a partir de R$ 16,90.

Leitores do Manual do Usuário estão se perguntando qual a pegadinha e se o Lensa tem alguma cláusula nefasta em sua política de privacidade que mereça atenção, como era o caso do FaceApp, de 2019.

À primeira vista, porém, a Prisma Labs foi bem cuidadosa. A política da Prisma é explícita em dizer que as fotos do usuário só saem do celular para serem processadas pela inteligência artificial da companhia na nuvem (e são recebidas de forma anônima) e são apagadas em até 24 horas. (Cláusulas 4 e 5.) Nenhum outro tipo de uso é previsto. Nesse sentido, parece ser uma aplicação segura para suas fotos.

Não que isso isente o aplicativo de problemas. Ilustradores estão ressentidos com a popularidade do Lensa, sentindo-se preteridos por um algoritmo. Segundo a consultoria Sensor Tower, desde esta terça (29) o aplicativo era o mais popular entre os gratuitos e o mais rentável do Brasil na App Store (iOS) e o segundo mais popular para Android.

Fazendo o advogado do diabo, é difícil a seres humanos concorrerem com o Lensa porque o volume que a IA produz é sobre-humano. Enquanto uma arte comissionada custa… sei lá, R$ 50, leva dias e resulta em uma ou poucas variações, o pacote mais robusto dos “avatares mágicos” do Lensa custa R$ 36, gera 200 ilustrações variadas que ficam prontas em 20 minutos. Um problema que já foi antecipado aqui e que só tende a piorar.

Problema mais grave é o viés de racismo embutido na IA e que reforça o que alguns chamam de “dismorfia de Snapchat”. “A IA muda nossa feição e muito do que entendemos como ‘belo’ deriva de traços eurocêntricos”, explica Gabriela Moura em uma postagem no LinkedIn. “Assim como a maioria dos filtros, o teste na AI me mostrou que meus traços naturais negróides foram mudados pra traços considerados popularmente mais ‘finos’: a pele clareou, o nariz afinou.”

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21 comentários

  1. O problema é maior. É a não aceitação própria. Psicologicamente os filtros já nos fazem mal. Agora isso!!!

  2. Claro, precisamos frear a tecnologia porque um bando de artistas ressentidos com suas mediocridades acham que ela vai lhes tomar o emprego. Por que não voltamos a fabricar coisas na mão ao invés de usar indústrias também? Aposto que isso seria uma excelente forma de levar a humanidade de volta a era das trevas.

    1. Esse argumento simplório nos leva para longe dos debates que importam. A industrialização, à parte todos os benefícios que trouxe à humanidade, não o fez sem causar outros tantos problemas. Talvez se tivéssemos pensado melhor nessas implicações, estaríamos melhores hoje, sem termos que confrontar a ameaça existencial da emergência climática.

      Inteligências artificiais que geram conteúdo não afetam apenas “artistas ressentidos”. Elas alcança a todos, produtores e consumidores, porque ainda não entendemos direito suas implicações.

    2. Que comentário mais estúpido e desumano.
      Com certeza deve ser um filhinho de papai, que não sabe como é se matar para ganhar o dinheiro suado.

    1. Essa discussão não é tão recente e já tem estudos sérios mostrando como a IA pode ser sim preconceituosa, escolhendo por exemplo, candidatos brancos, que morem em bairros mais caros, etc, numa vaga de emprego.

      1. Exatamente. A discussão não é nova . E não é simplesmente “ mimimi com App “ . Os vieses extrapolam , e muito … a criação dos tais avatares etc . Pesquisem mais sobre : “ Viés das I.A : Como isto pode afetar a sua vida “ ( A.I. Bias problems ). ESTUDEM MAIS !

  3. Paguei esta porcaria e estou tentando usar e manda pagar novamente ! Em resumo fui Lensado esta é a função !

  4. Vi o povo comentando nas redes e agora que me toquei: as pessoas estão pagando por isso? Que coisa

  5. É meio sazonal esses aplicativos que aplicam algum efeito em foto. Agora como IA tá “na moda” vieram com esse. Pessoalmente acho uma grande bobagem que, assim como das últimas N vezes, vai ser esquecido talvez até antes de 2023.

    Falando nisso, lembrei agora daqueles macacos de NFT terríveis. Sumiram também, né?

    1. Toda vez que penso em NFT, só penso que o Neymar comprou um… :\

      1. O sonegador? Old q ele ganhou esses nfts para falar q comprou.

        Tá aí um cara q tinha tudo para ser um herói nacional e conseguiu se vender para o podre do podre

  6. A caixa de pandora foi aberta e assim como no mito, não tem mais volta. Resta saber como vamos enfrentar todos os problemas que estão surgindo com as IAs. Direitos autorais, vieses discriminatórios, competição desleal, desemprego, obsolecência, etc…

    Só espero que todos esses problemas derrubem de uma vez por todas a crença utópica e infantil de que o progresso tecnológico só pode trazer benesses. E que se depender do “livre mercado” se autorregular só há um caminho a seguir: concentração de capital independente de qualquer ética ou compromisso social.

    1. Tem hora que ligo o “modo estoico” e imagino que que a galera vai largar mão quando ver que faz mal para si isso tudo. Não duvide que se há algum tempo já vemos movimentos para reduzir a vida online, isso aumente ainda mais nas próximas gerações.

      Vou soar idiota, mas IA de caricatura me soa como os antigos Buddy Poke que usavamos no Orkut… Só satisfez nosso ego e pronto.

      1. Eu acredito que com excessão dos artistas que antes da fotografia pintavam um quadro para retratar um período ou personalidade histórica, a arte em si não tem nenhuma finalidade prática. É subjetividade pura e simples. Até aí não há problema. O problema é que pelo jeito não nos restará absolutamente nada que seja exclusivamente humano e que possa nos distinguir de uma máquina sofisticada.

        É evidente que um algorítmo não tem consciência e muito menos subjetividade, mas isso não quer dizer muita coisa já que esse é um dos maiores problemas filosóficos que temos hoje.

        Acredito que o ser humano irá experimentar mais uma grande queda em breve. Primeiro, descobrimos que a terra não é o centro do universo. Depois, o darwinismo nos mostrou que não fomos criados de forma especial. Com Freud descobrimos que não somos os senhores nem da nossa mente consciente. E agora, o que nos restou? Será que até a nossa subjetividade poderá ser emulada por uma máquina? Acho que estou viajando demais…

        1. Se nossa subjetividade não fosse emulada por uma máquina, não estaríamos discutindo com bots em redes sociais.

          Ou, nas palavras de Kristian Wilson:

          “Vídeo-games não influenciam crianças. Quer dizer, se o Pac-man tivesse influenciando a nossa geração, estaríamos todos correndo em salas escuras, mastigando pílulas mágicas e escutando músicas eletrônicas repetitivas”.

          1. É bem isso mesmo. A citação dela é a exata descrição de uma festa rave…

  7. Lembro de quando eu paguei um curso anos atrás do murilo gun, sobre criatividade, e falando de um ranking ou coisa do tipo falando quais profissões tinham mais risco de serem automatizadas e quais estavam mais ~seguras. Arte estava em um deles. Agora sei que isso não passava de ilusão rs.

    Eu era ilustradora digital (digo “era” porque meu emprego atual destruiu minha motivação pra desenhar) e fazia arte comissionada. Nunca consegui me sustentar só com isso. Imagino então como ficaria isso com essas IAs ficando cada vez mais aprimoradas.

    Tem quem pague artistas porque gostam da pessoa em si e querem que ela continue produzindo. Então na melhor das hipóteses, quem vai usar massivamente essas paradas talvez seja mais essa galera que já tem alguma má vontade prévia em pagar justamente o trabalho de ilustração e/ou tem um orçamento pequeno e quer divulgar marca nas redes e afins. Divago.

    1. Sabe o que eu acho mais irônico? Inteligência Artificial que temos hoje é só uma jogada de marketing. Na verdade, se trata “apenas” de uma forma sofisticada de análise estatística.

      Digo isso porque para essas “IAs” funcionarem precisam ser treinadas com milhões de imagens para “aprenderem” a identificar um rosto e aplicar um estilo qualquer.

      Agora de onde vieram esses modelos? Os artistas originais serão creditados de alguma forma? E se forem, como isso pode ser definido?

      Temos muito mais perguntas do que respostas e não creio que existam respostas fáceis para nenhuma dessas questões.