Cassidy James, um dos dois co-fundadores do elementary OS, distribuição Linux focada em usuários finais, anunciou ter deixado o projeto.
Ele travava uma disputa de bastidores com Danielle Foré, a outra co-fundadora, desde que manifestou interesse em arranjar um emprego paralelo às suas funções na empresa que ambos criaram para gerir o elementary OS. Era uma tentativa de aliviar as contas do projeto, no vermelho desde o início da pandemia de covid-19.
Relembre o caso nestes dois posts.
Em seu blog, Cassidy deu mais contexto à situação que culminou com sua saída, mas não detalhou os termos dela, provavelmente por orientação de advogados. Ele disse que dedicará seu tempo livre a outros projetos de código aberto, como o ambiente Gnome e o pacote de distribuição Flatpak. Via CassidyJames.com (em inglês).
Sexta a Danielle fez uma live (https://www.youtube.com/watch?v=Khvm9nldnNc) no YouTube e falou um pouco sobre o ocorrido. Ela mencionou bastante erros feitos como empresa e que nos últimos meses, no desespero de angariar fundos o projeto serviu a empresa, e não a empresa ao projeto, que é a intenção. Acabou mencionando planos de repensar algumas coisas também as quais receberam bastante feedback, como o sideloading por exemplo (que é possível e bem fácil de fazer, mas querem deixar mais aparente ainda)
Usei o elementary durante um bom tempo, mas com essa cisão me questiono até onde vai esse discurso utópico de “não vamos dar foco ao dinheiro” da Danielle. No fim das contas as pessoas precisam pagar suas contas e a sustentabilidade financeira parece ter sido um dos pontos cruciais do projeto, visto o modelo “pague quanto quiser” que eles usam. Torço pra dar certo, mas uma hora os boletos chegam.
A questão é que a distribuição não produz valor para o universo Linux, não tem uma comunidade ativa e esse é o grande problema dessas distribuições de brinquedo.
Não duvido da seriedade do projeto e seria uma absurdo eu falar isso, porém, nenhuma distro sem uma comunidade forte (Debian ou Arch) ou com uma fonte financeira graúda (Ubuntu, OpenSuse, Fedora) sobrevive.
Sou da época que a Canonical enviava cds e adesivos para O MUNDO INTEIRO. Não era um cd e um adesivo, você escolhia a quantidade de cds e adesivos do Ubuntu.
Sem comunidade trabalhando para difusão ou desenvolvimento da distro e ou financiamento (seja direta ou indiretamente), essas brigas e projetos legais acabando vão ocorrer sempre.
Nova versão do gnome parece que está bem boa. E já ouvi dizer que o flatpack é o futuro da distribuição de software no mundo Linux.