Caixa de som MD-12 em uma mesa com objetos em volta.

[Review] Nokia MD-12: Como é possível sair tanto som de um negócio tão pequeno?


27/11/14 às 15h40

Dizem, os mais velhos e as produções audiovisuais da época, que nos anos 1980 as pessoas andavam por aí com aparelhos de som enormes movidos a baterias, as boomboxes. Talvez o equivalente moderno daqueles trambolhos sejam as pequenas caixas de som Bluetooth.

Menores, conectadas e com um som de respeito, elas são fáceis de transportar, duram bastante longe da tomada e, de quebra, ainda são bonitas. Uma das menores disponíveis no mercado é a MD-12, da Microsoft (ainda com a marca da Nokia estampada). Ela está, também, entre as mais baratas do Brasil, o que é sempre interessante, mas um detalhe suscita o questionamento: é o tipo de economia que vale a pena? Descobriremos agora.

Uma caixinha barulhenta

MD-12 perto de uma caneta BIC e um iPhone 5.

Eu realmente não esperava algo tão pequeno: a MD-12 é minúscula! Tão pequena que ao desembalá-la desacreditei que daquela coisinha fosse sair qualquer tipo de som decente. Tente imaginar: ela tem 8,4 cm de diâmetro, 3,8 cm de altura e pesa só 180 g. É como se fosse uma maçã ou uma pera achatada.

Não só pequena, ela é minimalista também. A parte superior traz a grade do alto-falante e, nas laterais, que são revestidas com um tipo de plástico semi-translúcido de bom gosto, há apenas um botão multifuncional e duas portas, uma microUSB e uma entrada de áudio no padrão 3,5 mm. Existe um microfone oculto ali dentro, mas isso não cheguei a testar porque… né? não me parece um caso de uso muito frequente dentro de casa.

Entrada de áudio no padrão 3,5 mm e conector microUSB.

O solitário botão responde por todas as ações da MD-12, o que faz com que seu uso não seja dos mais intuitivos. (Por mais irônico que seja, raramente recorro aos manuais do usuário que acompanham gadgets; o do MD-12 foi um desses casos raros.) Tudo, de ligar à sincronia com os dispositivos que servem de fonte para a música, é feito segurando o botão por um tempo determinado. Quer sincronizar um novo aparelho? Segure-o por cinco segundos. Quer apagar toda a lista de dispositivos sincronizados? Oito segundos. Até desligar leva alguns segundos de botão apertado.

A ausência de outros botões também significa que todos os controles, como aumentar/diminuir o volume e pular uma música da playlist, devem ser feitos no dispositivo que emite a música. Isso, porém, não chega a ser ruim — quase sempre, durante os testes, estive relativamente longe da caixa, mas perto do smartphone/notebook. Falando nisso, a MD-12 reconhece e guarda até oito dispositivos e funciona com qualquer coisa que tenha Bluetooth. Testei com notebook (Windows), iPhone, Windows Phone e Android, todos funcionaram bem. Se tiver NFC dando sopa, basta encostar os dois para fazer o emparelhamento. Mais fácil, impossível.

Existem dois LEDs indicadores dentro da grade. O azul dá o status da sincronia e o outro, verde/vermelho, indica o nível da bateria — quando está nas últimas, fica vermelho e rolam umas “inserções”, como se fossem alertas no áudio. A promessa da Microsoft é de que a MD-12 aguenta 15h antes de pedir carga; não monitorei cientificamente esse aspecto, mas consegui esquecer que ela funciona a bateria. Dura bastante mesmo.

A MD-12 tem um ímã na base.

Uma característica curiosa é que a base da MD-12 “gruda” em superfícies metálicas, como se fosse um ímã (provavelmente é um um ímã mesmo). Dá para pendurá-la na geladeira, por exemplo, enquanto você prepara aquele miojão sem medo dela cair. Só que isso traz um inconveniente: afeta a qualidade do som.

Som na caixa, MD-12!

É que a MD-12 só revela seus graves quando colocada sob uma “superfície de ressonância”. Coisa que, perdão se eu estiver errado, não parece ser o caso de geladeiras. Mas o rack de madeira aqui de casa, esse das fotos que ilustram a matéria, mostrou-se uma bela superfície de ressonância: a qualidade do áudio muda dramaticamente quando a caixinha está em cima dele. Sai o “radinho de pilha”, entra um “batidão”.

Falar em qualidade de áudio é uma ciência quase mística. É preciso ter bons ouvidos e muita prática para capturar os nuances, os detalhes que separam um bom equipamento de outro medíocre. A mim, que estou longe de ser um audiófilo, o barulho da MD-12 agradou bastante.

A saída máxima, segundo as especificações, é de 95 dB. Não é muito alto e no volume máximo o som claramente estoura, então é bom evitar esse extremo. De qualquer forma, é alto o suficiente para encher uma sala média (~30 m²) satisfatoriamente. Talvez os alto-falantes do seu notebook, ou mesmo o do seu smartphone cheguem a níveis de altura similares, mas a qualidade do áudio é incomparável. Na MD-12 os detalhes, agudos e graves de cada música são muito mais claros. A diferença é perceptível mesmo entre aqueles que não ligam muito para esse tipo de coisa.

Vale a pena?

Caixa de som Nokia MD-12, da Microsoft.

Dentro do universo de caixas de som Bluetooth, a MD-12 da Microsoft está entre as menores e mais baratas. E talvez por ser pequena em tantas frentes, inclusive no preço, ela seja uma opção atraente. Por aqui, custa só R$ 149 na loja da Nokia. Para ter uma ideia, uma das concorrentes mais próximas, a (bem) superior Level Box Mini, da Samsung, tem preço sugerido de R$ 549.

Não dá para usar a MD-12 em uma festa grande, mas ela funciona bem para aquele churrasco com poucos amigos e melhor ainda em apartamentos pequenos, ou em algum cômodo específico da casa para quem mora em um lugar espaçoso. É, no mínimo, um incremento notável ao som padrão de notebooks, TVs e fones de ouvido que acompanham a maioria dos smartphones.

Pequena, bonita, barata e com um som razoável, a MD-12 é algo que eu me vejo comprando.

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